Cidades ou regiões, o “new deal” dos destinos turísticos

O Mont Saint Michel, o monumento mais visitado da França fora de Paris

O Mont Saint Michel, campeão de visitas  no interior da França

Enquanto o cenário visto do Brasil pode parecer pessimista, a OMT acabou de revelar uma boa notícia, com 1,181 bilhão de entradas de turistas internacionais em 2015 e um crescimento de 4,4% do turismo mundial. Se a França deve confirmar sua liderança, os sucessos dos Estados Unidos, da China e de vários países do Sudeste da Ásia, guizhou-landscape-1800_x2as perturbações temporárias de novas potências turísticas como Turquia ou Dubai mostram porem que a concorrência entre os destinos receptores é cada vez mais forte. O quadro dado pelo OMT esconde na verdade evoluções bem maiores porque a competição pelos novos consumidores não é hoje tanto a nível de países, mas muito mais a nível de destinos turísticos. E na sua seleção dos 52 lugares a visitar em 2016, o respeitadíssimo New York Times definiu como “imperdíveis” somente 3 países frente a 18 cidades, 27 regiões, e 4 parques ou estações de esqui.

O Castelo de Chambord, destino Vale de Loire

O Castelo de Chambord, destino Vale de Loire

No mundo inteiro são assim uns 300 “destinos” que estão agora competindo pensando nos 1,8 bilhões de viajantes do final da próxima década. Para cada um desses destinos, será necessário adaptar a oferta para as novas exigências dos consumidores do século XXI, bem como valorizar os fatores de diferenciação que justificarão a escolha desses turistas. Os critérios para ser bem sucedidos são numerosos. São também muito diversos assim como pode ser observados nos quase 40 destinos que a França está promovendo nos mercados internacionais – de Paris ao Mont Saint Michel, de Bordeaux a Borgonha, da Auvergne a Martinica, dos Castelos do Loire até o Taiti, ou de Courchevel até Biarritz.

Fernando de Noronha nos grandes destinos de Trip Advisor

Fernando de Noronha nos grandes destinos de Trip Advisor

Visto do Brasil, dois fatores de sucesso parecem porém ser fundamentais. O primeiro é de conseguir juntar todos os atores de cada destino – profissionais, políticos e moradores ,– tanto para a construção dos produtos que para a promoção –, num projeto que vai assim beneficiar não somente os turistas mas a própria comunidade. O segundo é conseguir aproveitar e fortalecer as características do local – que sejam suas belezas naturais, suas tradições, seu artesanato, sua gastronomia e seu jeito de viver – sem esquecer de garantir os requisitos básicos como infraestruturas, saúde e segurança. Ilha de PascuaEssas características serão sem dúvidas indispensáveis aos novos destinos internacionais para integrar a lista dos países, das cidades ou das regiões conseguindo o seu desenvolvimento econômico e humano através do turismo. Mostrar sua personalidade, contar sua historia, e satisfazer as exigências básicas num consenso de todos será para cada destino a chave para se posicionar não somente frente a concorrentes mais ágeis, mas ainda frente aos paraísos artificiais ou as “Fakelandias”, de terra ou de mar, que atraiam pela garantia de lazer insosso, mas com risco zero.

Nessas novas regras do jogo dos destinos, o Brasil, e a França, com as suas excepcionais diversidades de regiões e cidades de renome internacional, têm, com certeza, grandes oportunidades de se posicionar.

Jean-Philippe Pérol

A Guiana Francesa, um "contrato de destino" de ecoturismo

A Guiana Francesa, um “contrato de destino” de ecoturismo

 Esse artigo foi publicado no Blog “Point de vue” da revista profissional Mercados e Eventos

Wi-Fi a bordo: em 2016, virando rotina?

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São hoje pelo menos sessenta companhias aéreas que oferecem serviços de Wi-Fi a bordo dos seus aviões. A plataforma de viagem routehappy.com acabou de publicar uma interessante pesquisa comparativa das suas ofertas, tanto nos voos de longas que de curtas distancias. O ranking assim estabelecido leva em consideração os equipamentos, a qualidade do serviço, mas também a oferta global de assentos (available seat miles ASM) de cada companhia, critérios que levam a calcular que 36% dos viajantes podem hoje se conectar com a Internet.Delta As três maiores companhias americanas lideram o ranking, a Delta ficando com uma pequena vantagem sobre United e  American. A Southwest é a quinta colocada, bem na frente da Virgin America que tem 100% de seus aviões equipados, mas com uma oferta global de assentos muito menor. A concorrência na América do Norte obrigou as companhias a acelerar seus investimentos em 2015, e seus passageiros tem hoje 76% de chances de ser beneficiado com uma conexão a bordo,  sendo esse numero reduzido a 24% nas companhias de outras regiões do mundo.

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Depois de Emirates, empatada com Etihad em sexto lugar, a Lufthansa oferece o Wi-Fi em 100% dos seus voos de longa distancia. Ela é uma das poucas companhias europeias  bem colocada, na frente de Aeroflot, Norwegian, Iberia, Aer Lingus ou Turkish. A pesquisa mostra também que duas das maiores companhias europeias e mundiais, a Air France e a British, mesmo dando prioridade para a clientela corporativa, ainda têm muita cautela quando se trata de Wi-Fi a bordo. Wi-Fi na Air FranceEm parceria com a telefônica francesa Orange, a Air France está testando a bordo de vários Airbus A320 um Wi-Fi de alta velocidade onde será até possível de assistir a televisão, uma tecnologia também testada pelos Trens de Grande Velocidade da SNCF. Com muita pressão dos passageiros – especialmente os Frequent flyers – , esse serviço está funcionando na Virgin America e vai começar em breve na Jet Blue. A Delta, a Aeromexico, a Virgin Atlantic e a Lufthansa estão também se preparando e vão obrigar as grandes concorrentes a encontrar em 2016 as soluções técnicas necessárias.

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A pesquisa de routehappy.com mostrou também que a concorrência em algumas rotas obriga as companhias a acelerar a oferta de Wi-Fi. É o caso de Nova Iorque a Dubai, de Los Angeles a Tóquio ou de Londres a Singapura que constam os maiores números de voos conectados, enquanto é difícil navegar na Internet de Londres para Hong Kong, ou nas principais conexões saindo de Paris. Wi-Fi-en-volA concorrência vai também provavelmente acelerar a gratuidade do serviço, hoje exclusiva dos passageiros da Primeira e da Executiva, mas que será com certeza ampliada em breve para todos os viajantes. No Brasil, a GOL saiu na frente, prometendo instalar o Wi-Fi até o final do primeiro semestre de 2016 em toda a sua frota, em parceria com a Gogo, que irá oferecer a tecnologia necessária e a transmissão de dados via satélite quando no ar. Se o Wi-Fi ainda não é rotina nos céus brasileiros, vai com certeza vira-lo em breve.

Esse artigo foi traduzido e adaptado de um artigo original de Serge Fabre na revista de turismo on-line La Quotidienne

Air France WiFi

As ambições de grandeza das companhias de cruzeiros

O MSC Orchestra com cruzeiros saindo de Fort-de-France na Martinica

O MSC Orchestra, iniciando cruzeiros em Fort-de-France na Martinica

Ocean Cay MSC Marine Reserve ainda não passa de uma ilhota deserta das Bahamas a cem milhas de Miami, mas vai virar, daqui a dois anos  um pequeno paraíso artificial,  privativo dos passageiros da MSC. OCEAN CAY MSC TERMINALA ilha oferecerá 38 hectares exclusivos, com seis praias, uma lagoa, vários parques, um pequeno vilarejo “típico”, restaurantes, bares, um pavilhão para casamentos e um teatro de 2000 lugares para shows.  A chegada do cruzeiro inaugural, no navio Seaside construído no estaleiro de Saint-Nazaire,  está marcada para dezembro 2017, com a presencia do primeiro ministro das Bahamas que sonha receber   em Ocean Cay centenas de milhares de turistas por ano. Enquanto MSC prepara a sua ilha, as ambições dos seus concorrentes não param. A Crystal Cruise acabou de lançar nas Seychelles um iate de 32 cabines com um submarino para explorar o fundo do mar. A Royal Caribbean vai inaugurar o Harmony of the Seas, o maior navio do mundo, também construído em Saint-Nazaire, com 5500 passageiros e 2380 tripulantes. E a Costa, do grupo Carnival, acabou de lançar uma volta ao mundo de 108 dias para 2000 clientes, com pacotes iniciando a 13.000 USD e escalas previstas em Marselha, Rio de Janeiro, Ushuaia, Bora-Bora, Sidney, Goa, e Omã…

Pôr do Sol em Bora Bora

Pôr do Sol em Bora Bora

A desaceleração da economia chinesa, as ameaças no crescimento mundial, as crises, e até mesmo o drama do Costa Concordia, nada parece frear o sucesso dos cruzeiros junto aos viajantes. 2015 deve fechar com um crescimento de 7% da industria, a MSC devendo mesmo chegar a 10%. Nas bolsas de valores os americanos Carnival e Royal Caribbean, bem como o norueguês NCL mostram uns lucros em alta e uma rentabilidade de quase 11%. Os bons resultados do mercado chinês – onde o numero de passageiros deveria passar de 1,3 a 3 milhões até 2018 – deixam os investidores otimistas para o futuro.

Os grandes concorrentes do setor estão cada vez mais criativos e os investimentos cada vez mais impressionantes. Assim a MSC, controlada pela família Aponte, está dobrando o tamanho da sua frota, se diversificando alem do Mar Mediterrâneo, e fazendo upgrade dos seus produtos. Destacando a elegância e o refinamento da marca, apoiado numa musica de Ennio Morricone, uma nova campanha de 70 milhões de dólares vai ajudar a reposicionar a marca. Cruzeiro fluvial na AmazôniaEm 2016 serão 27 navios novos para todo o setor, um investimento global de 6,5 milhões de dólares para acomodar 30.000 novos passageiros. É o maior crescimento anual da oferta, já prevendo 29 milhões de cruzeiristas em 2020. Pode parecer otimista – foram 23 milhões em 2015 – mas a industria dos cruzeiros está com razão de sobra para isso. A Europa ainda tem um imenso potencial ( somente 2% das ferias são aproveitadas num navio), a Ásia continua o seu crescimento de dois dígitos, os cruzeiros fluviais estão na moda, a Austrália está progredindo rápido e o Brasil ainda é uma esperança sólida.

O Harmony-of-the-seas em Saint Nazaire

O Harmony-of-the-seas em Saint Nazaire

O maior potencial de crescimento dos cruzeiros pode vir duma mudança do próprio sentido desses cruzeiros. Outrora meio de transporte agradável para uns destinos turísticos que os passageiros estavam descobrindo  a cada escala, o navio vira hoje ele mesmo um destino turístico independentemente do seu roteiro. As escalas poderão aparecer meros opcionais, com menos de 50% dos passageiros descendo, e com gastos no local cada vez mais baixos, porque o próprio navio oferece tudo (ou quase) que um destino pode ter de melhor: bares, restaurantes, piscinas, lojas tax-free, espetáculos inéditos, centros de lazeres…. E o exemplo de Ocean Cay mostra que as  escalas poderão também ser substituídos pelos paraísos artificiais das companhias de cruzeiro. Mesmo?

Esse artigo foi traduzido e adaptado de um artigo original de Denis Cosnard do jornal Le Monde 

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Turismo atingido preocupa economia, cultura e liberdade!

Abaixo da Pirámida do Louvre

A desvalorização do real, a falta de perspectivas econômicas e as incertezas políticas levaram as viagens internacionais dos brasileiros a uma seria queda em 2015. Se os números finais ainda não são completamente conhecidos, já parece claro que todos os principais destinos – Argentina, Estados Unidos, França, Portugal ou Caribe – enfrentaram redução de 5 a 10% das chegadas de turistas brasileiros. Mars 2015 , um avião quase vazio para MiamiA queda já comprovada dos gastos dos brasileiros no exterior chegou a  31%, de 24 bilhões de dólares em 2014 para 16 bilhões em 2015. Os viajantes se adaptaram com a nova realidade do Real frente ao Euro e (mais ainda) ao Dólar. Os destinos de shopping – e as despesas de compras- caíram, os hotéis mais econômicos e a AirBnb foram destaques de vendas, e a procura pelas promoções de ultima hora das companhias aéreas mudou os hábitos de reserva.

Destinos de compras sofrem com a crise

Com menos viajantes gastando menos, mesmo se adaptando com mais criatividade e mais esforços de produtividade, as operadoras e as agencias de viagem estão enfrentando um cenário de crise, e varias empresas conceituadas já tiveram que demitir funcionários ou até fechar as portas.  Enfraquecidas pela conjuntura, elas estão agora ameaçadas de receber um novo golpe com  mudanças de tributação. Edmar BullDramaticamente denunciada por todos os profissionais, a não reversão da incidência de 25% para 6,38% dos  tributos sobre remessas para o exterior pode levar a um encarecimento violento e uma queda mais brutal ainda das viagens internacionais. Numa carta endereçada a Presidente Dilma, as entidades do setor, lideradas pela Abav e a Braztoa,  lembraram os riscos econômicos que o imposto de 33% traria para as empresas de turismo, podendo levar a perda de  600 mil empregos diretos e indiretos, a R$ 20 bilhões de impacto negativo na economia brasileira, e ao enfraquecimento de um setor que movimentou em 2014, segundo dados da WTTC, 9,6% do PIB nacional.

Dilma e o turismo

Mas o apelo para que não se desse um novo golpe ao turismo brasileiro não deve se limitar a seu impacto econômico. Viajar para o exterior é hoje uma aspiração profunda a qual ninguém está pronto a renunciar, especialmente esses novos viajantes que, nos últimos dez anos,  colocaram o Brasil nas grandes potências do turismo mundial. Para 66 % dos viajantes(*), viagem é cultura, seja vendo monumentos, visitando museus, assistindo a espetáculos, encontrando gente diferente, descobrindo outras gastronomias e outras maneiras de viver, e mais ainda encontrando gente com visões diferentes do mundo. Turismo é cultura! Bloquear as viagens internacionais é também negar esse direito que tantos brasileiros adquiriram há pouco tempo.  Mais ainda, viajar é não somente um direito, mas também uma liberdade fundamental que não pode ser restrita numa democracia. Impedir os seus cidadãos de ir e vir pelo mundo colocando obstáculos – fossem eles financeiros ou tributarios-  não seria um bom sinal nem para os brasileiros nem para o mundo. O turismo internacional deve sem duvidas trazer sua participação a retomada econômica do Brasil, gerando empregos e riquezas. Será porem, com certeza, recebendo muito mais visitantes vindos do mundo inteiro, trabalhando o acervo conquistado na Copa e nos Jogos Olímpicos,  e não tentando impedir as classes emergentes brasileiras de ter acesso a essas maravilhosas experiências de cultura e de liberdade que o turismo pode trazer a cada viajante.

Jean-Philippe Pérol

A estatua da Liberdade e a Torre Eiffel

 (*) Fonte: Pesquisa Atout France e Swiss tourism sobre o turismo exterior da classe media brasileira (2014)

Na COP21 e frente as mudanças climáticas, o turismo vilão, vítima ou solução?

A geleira "Mer de Glace" perto de Chamonix

A geleira “Mer de Glace” perto de Chamonix

Abrindo dia 30 de Novembro, a Conferência mundial sobre as mudanças climáticas virou logo um sucesso para o turismo parisiense. Enquanto Paris ainda atravessava, segundo as palavras do CEO da Accor, o vácuo dos pós-atentados, a chegada de 147 chefes de Estado e de 196 delegações encheu os hotéis e animou os profissionais.COP21 FOTO inauguração Com uma segurança reforçada, lojas, bares e restaurantes voltaram a oferecer aos moradores e aos visitantes esse arte de viver bem parisiense,  misturando prazeres, alegria e liberdade. Mas para o turismo, a COP21 não vai ser somente um evento único reunindo mas de 40.000 participantes e de 3.000 jornalistas, mas  o ponto de partida de numerosas decisões impactando uma industria que mexe com 1,1 bilhão de viajantes, 2.400 bilhões de USD de faturamento e 105 milhões de colaboradores em todos os países do planeta. E se o turismo aparece pouco na agenda das reuniões, ele vai com certeza ser muito presente seja como vilão, vitima ou solução para os cenários de mudanças climáticas que serão levantados.

A Torre Eiffel com Amor!Responsável hoje por 5% das emissões de Gases de Efeito Estufa, o turismo vai aumentar a  sua pressão sobre o aquecimento global. Com turistas provenientes de mercados mais distantes – especialmente os BRICS -, com novos consumidores das gerações X e Y extremamente pegados a viagens internacionais, o setor vai conhecer um crescimento anual de 4 a 5% e espera 1,5 bilhão de chegadas para 2030.  O seu  dinamismo econômico e social seduz os investidores e os responsáveis políticos em todos os países, todos querendo atrair novos turistas para criar empregos, gerar receitas internacionais, financiar infraestruturas e desenvolver equipamentos culturais. Muito denunciado como poluidor, o turismo produz porém duas vezes menos “GEE” que a média das industrias, e dois terços do seu impacto carbono provém do transporte aéreo. Nesse setor os esforços das construtoras, procurando materiais leves e pesquisando em motores híbridos, vão certamente melhorar ainda os resultados já atingidos (hoje 1% de economia por ano). As grandes companhias aéreas, inclusive a Air France, estão investindo em programas  para limitar as emissões nocivas. Nos outros setores do turismo, e especialmente na hotelaria, os esforços foram concentrados mais especificamente sobre os investimentos em torno da agua e da energia, bem como nas informações para mudar o comportamento do turista.

Piscina e acesso a praia dos bungalows

O turismo vai fazer muito mais, porque é hoje um dos setores mais consciente dos problemas gerados pelas mudanças climáticas, e um dos mais atingidos. É vitima a longo prazo, porque o futuro das estações de esqui pode ser ameaçado pela falta de neve, porque o excesso de calor pode prejudicar as regiões vinícolas, ou porque algumas paradisíacas ilhas do Pacifico podem perder as suas praias frente a subida dos oceanos. É vítima a curto prazo porque as perturbações climáticas – erupções vulcânicas, inundações, terremotos, tsunamis ou furacões – já mostraram nos últimos anos seus impactos devastadores, tanto para as populações locais quanto para os turistas e para toda a economia turística.

Vinhedos no Beaujolais

Devendo prever um fundo de investimento maciço de 100 bilhões de USD, principalmente em favor dos países do Sul, a COP21 pode oferecer ao turismo oportunidades de poder continuar o seu crescimento, melhorando a sua oferta para os consumidores e reduzindo os riscos aleatórios dos profissionais. Artesanato Waimiri AtroariAs novas tendências dos produtos turísticos – procura de destinos diferenciados, respeito as tradições e culturas dos moradores, à gastronomia e aos produtos locais, recusa de qualquer forma de poluição ou respeito pelas energias renováveis- encaixam-se perfeitamente com os objetivos desse fundo. Discreto mas muito presente, o turismo poderia assim  virar um dos grandes favorecidos da conferencia, vendo o reconhecimento dos seus esforços pela sustentabilidade e levando possibilidades de novos investimentos. Especialmente nos países do Sul -inclusive no Brasil-, esses poderiam beneficiar tanto os profissionais até então muito prejudicados com as mudanças climáticas, quanto os viajantes que querem continuar com os seus sonhos de descobertas e de intercâmbios nos quatro cantos do mundo. Então, obrigado Cop21?

Jean-Philippe Pérol

Paris visto do topo da Torre Montparnasse

Paris visto do topo da Torre Montparnasse

Courchevel pronta para soprar 70 velas!

 

 © Pierre Jacques/Hemis/Corbis

Courchevel 1850 a noite

Em 2016, Courchevel vai festejar seus 70 anos. Lançada em 1946 para promover um turismo domestico e popular, tendo escolhido nos anos 60 uma estratégia mais elitista e internacional, a estação é hoje um símbolo do turismo de luxo e dos destinos exclusivos para “russos, vedetes ou bilionários”. Les Airelles, o PalaceClaro que com seus três “Palaces”, seus quinze hotéis cinco estrelas, seus restaurantes premiados e suas butiques de luxo, Courchevel atrai o jet set internacional – inclusive os brasileiros que, há mais de 40 anos, são alguns dos mais fieis frequentadores do local. Mas hoje os fãs da estação são   também jovens apaixonados pelo esqui ou pelo snowboard, homens ou mulheres amantes da montanha, solteiros, casais ou grupos de amigos vindo do mundo inteiro.

Pista das Trois Vallées

Com pistas largas e fáceis, mas aproveitando também “hors-piste” ou pequenas trilhas nos pinheirais, Courchevel quer ser uma estação diversificada. Mesmo com o acesso a toda área esquiável de Trois Vallées – maior área do mundo com 600 quilômetros de pistas divididas com Méribel , les Menuires e Val Thorens -, o passe diário só custa 59 Euros. E se o município  tem o maior numero (3) de Palaces depois de Paris ( Les Airelles, Le Cheval Blanc e o K2), mais da metade dos hotéis são de duas ou três estrelas. Nos chalés, apartamentos ou “chambres d’hôtes” para alugar, existe também uma variedade surpreendente de preços mesmo para quem exige de poder sair “skis aux pieds”, seja ter uma hospedagem com acesso direto as pistas. A cabana dos lenhadores em CourchevelTodos se encontram nas tele-cabines, nos teleféricos ou no Chalet de Pierre, no bar do Bellecôte, e até no bufê do Les Airelles  ou no restaurante estrelado do tão charmoso Le Chabichou. A noite de Courchevel mostra também um espírito de encontros descontraídos e festeiros cujo melhor exemplo é a Cabane des Bûcherons, um restaurante escondido num pinheiral, onde só pode entrar depois de tomar um gole de “genepi” (uma bagaceira da Savóia), onde as grandes mesas e os bancos de madeira obrigam os grupos a se misturar, e onde a noite acaba numa louca corrida de trenós.

O Chalet de pierre

Sempre ter escolhas, sempre ter a certeza da qualidade, isso é o verdadeiro luxo de Courchevel nos seus três níveis (1550, 1650 e 1850 metros), bem como em Le Praz e Saint-Bon, esse ultimo vilarejo sendo o lugar onde nasceu a estação nos anos 20.Snakeglisse Para isso, a badalada estação não para de inovar e abra em dezembro a Aquamotion, um parque “aqualúdico” com uma arquitetura impressionante. Ai o turista encontrará piscinas de agua doce ou salgada, com um lugar para salto, camas de bolhas, um spa e um espaço especial onde são reconstituídas ondas para surfe. Para enriquecer as experiências do pré e do pôs esqui, as novidades contam também com o “snakegliss” – um tipo de trenó para duas a dez pessoas-, o “paret”- um novo tipo de patim-, e até uns jantares dentro de Iglús para até vinte pessoas.

JonOne em Courchevel

As festas dos 70 anos de Courchevel são programadas para todo o ano 2016, e alguns eventos já estão previstos para o próximo mês de dezembro. Do dia 19 até o dia 30 uma projeção de frescos luminosos vai ser feita cada noite na torre da igreja da cidade e nas famosas estátuas do Richard Orlinski. As cabinas do teleférico da Salubre serão decorados pelo artista americano JonOne, misturando arte, neve e glamour, lembrando uma longa tradição de atividades culturais que começou nos anos 60 e contribui a fama internacional e a sofisticação da estação. Raclette do restaurante o Petit SavoyardHoje os responsáveis estão convencidos que, se a excelência e o luxo são essenciais tanto no esqui que no pré e pós esqui, a sobrevivência das tradições da região, do “genepi”, do vinho quente, da “raclette” ou da madeira dos chalés é também fundamental. Essa combinação da autenticidade dos Alpes com a elegância e o “savoir-vivre”  são, há setenta anos, as razões do brilho e do sucesso da estação, o próprio DNA de Courchevel .

Esse artigo foi traduzido, resumido e adaptado dum artigo original de Vincent Jolly  no jornal francês Le Figaro

Chalê em Courchevel

 

 

 

Depois dos trágicos eventos de Paris, algumas informações para os viajantes

A Torre Eiffel solidaria

Depois dos eventos do dia 13 de Novembro em Paris, os responsáveis pelo turismo na cidade divulgaram algumas informações importantes para os profissionais e os viajantes. As fronteiras internacionais continuam abertas, e viagens de e para a Paris são normais. Os passageiros que precisam de vistos Schlengen (não é o caso dos brasileiros) podem pedir e usar-los sem problemas. A estação de trem Saint LazareAs chegadas internacionais, mesmo provenientes de países da Europa, podem ser controladas, sendo então necessários os documentos exigidos para viajar. Todos os aeroportos da capital bem como todas as estações de trem funcionam normalmente, sendo porem necessário de prever um pouco mais de tempo para passar os controles de segurança. Não tem também nenhuma restrição nas viagens entre Paris e qualquer outro destino na França.

Museu Rodin, a reabertura

Importantes medidas de segurança foram tomadas, a começar pelo estado de emergência. Esse não tem impacto direto sobre os visitantes franceses ou internacionais chegando em Paris, mas vai permitir de facilitar o trabalho dos policiais. Todos os protestos são proibidos até o dia 22 de Novembro, e os eventos particulares são autorizados sob a responsabilidade dos organizadores. Para reforçar a segurança publica, 3.000 soldados suplementares estão patrulhando a cidade, sendo triplicados nas maiores áreas turísticas como Montmartre, os Champs-Elysées, o Trocadero e a Torre Eiffel, o Museu do Louvre, Notre-Dame e a Opera. IMG_2732A policia dobrou as rondas no metro, e nas linhas de RER para Versalhes e para Disney. As autoridades lembraram também que são agora 5.000 funcionários que cuidam da segurança nos aeroportos que 16.200 cameras são instaladas nas ruas e nos transportes urbanos. Nesse ambiente de grande vigilância, os locais mais procurados pelos turistas estão quase todos abertos, inclusive os museus e os centros culturais. Os “grands magasins”, o Printemps, as Galerias Lafayette ou o Bon Marché, estão funcionando normalmente, bem como os jardins públicos e os parques de lazer.

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No site do turismo parisiense , onde a cidade-luz agradece também pelas inúmeras mensagens de solidariedade, consta a lista atualizada dos locais abertos aos visitantes, bem como a confirmação dos principais eventos programados, especialmente a famosa Conferencia das Nações Unidas sobre o clima. COP21A COP21, a qual devem participar mais de 120 responsáveis políticos, é confirmada do 30 de novembro ao 11 de dezembro. Falando para os congressistas franceses, o Presidente Francois Hollande lembrou : “Devemos continuar a trabalhar, continuar a sair, continuar a viver, continuar a trazer ideias para o mundo. O grande encontro da Conferencia sobre o clima deve não somente ser mantido, mas virar um grande momento de esperança e solidariedade”.

Cristo solidario

Viajar é preciso!

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Depois do pedido de recuperação judicial da Nascimento, a suspensão das operações da Designer Tours foi mais uma notícia dramática que revelou o quanto o setor do turismo é hoje um dos mais prejudicados pela crise econômica e financeira no Brasil. designerDiante de uma previsão de crescimento negativo de 3% este ano e de 1% em 2016, e ao nos depararmos com um dólar que ultrapassa os R$ 4,00, com projeção de atingir o patamar de R$ 5,00, torna-se difícil evitar o pessimismo e conseguir enxergar, nesse cenário atual, algo além de grandes ameaças para todo o setor.

A CIDADE LUZ

Porém, é preciso lembrar que também há razões para escapar do desespero e até mesmo para manter o otimismo. A primeira é que o turismo mundial continua crescendo, tanto doméstico que internacional. Segunda a OMT (organização mundial do turismo), as viagens vão passar de um pouco mais de 1 bilhão em 2015 para 2 bilhões em 2030, um crescimento que será principalmente impulsionado por duas regiões do mundo: a Ásia e a América Latina. O turismo doméstico irá crescer nas mesmas proporções, uma tendência claramente observada esse ano pelas grandes operadoras nacionais que anunciam crescimento de até 20%, com a queda do real impulsionando a competitividade da oferta doméstica.

Turismo domestico no Rio Negro

O crescimento das viagens continuará sem dúvidas no Brasil, pois os novos consumidores “emergentes”, que nos últimos dez anos descobriram destinos como o Nordeste, Gramado, Buenos Aires ou Paris, não vão parar de viajar repentinamente. O turismo agora faz parte do comportamento, do jeito de viver e quase da “cesta básica” de milhões de brasileiros da classe B e C. Viajar se tornou um meio fundamental de acesso à cultura, às compras e ao lazer, que não pode acabar com a crise. Mesmo que haja uma queda nas viagens ou uma mudança na escolha dos destinos e dos produtos, o desejo de viajar não somente vai permanecer, mas ainda vai continuar necessitando da atuação dos profissionais para transformar esses sonhos em realidade.

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Os consumidores continuarão viajando, mas a crise vai acelerar as mudanças não somente no tipo de viagem procurada, mas também na forma de comprar tais viagens. Os danos empresariais e humanos recorrentes do fechamento de grandes operadores ou de pequenos negócios não são somente consequência da crise brasileira. FRAMEles também estão ligados às novas tendências do consumo e às novas tendências da distribuição, tanto no Brasil como nos grandes países da Europa e da América do Norte. Nos últimos quinze anos, um terço das agências de viagens fecharam as portas nos Estados Unidos, muitas operadoras de médio porte desapareceram ou foram compradas e, ainda essa semana, a FRAM, uma das maiores empresa do setor da França, entrou em liquidação judicial.

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No entanto, lembrando com respeito, tristeza e saudade da Designer ou da Nascimento, novos atores surgem simultaneamente para oferecer produtos ou serviços mais adaptados às exigências do novo consumidor.Guilhermo Paulus e JPP Grandes destaques existem no próprio Brasil: seja o fantástico sucesso da CVC, a criatividade mundialmente reconhecida do Hotel Urbano, a chegada da JTB, da TUI ou da Expedia, o dinamismo da Schultz. Ressalta-se a grande diversidade de novas pequenas operadoras, que oferece produtos específicos nas áreas da cultura, esporte, enologia, turismo religioso e ecoturismo, e até a economia colaborativa da AirBnb. Surfando nas novas tendências do turismo global, para essas empresas e para muitos profissionais do setor, no receptivo, no doméstico ou no internacional, no lazer ou no turismo corporativo, a crise que o Brasil atravessa será superada. AirBnb RIO 2016Eles poderão aproveitar as oportunidades dessa nova economia, com a tranquilidade de saber que o mercado  continuará crescendo e até dobrando nos próximos quinze anos o número de brasileiros para os quais, mais do que nunca, viajar será preciso!

Jean-Philippe Pérol

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France.fr , o novo portão de entrada da França no web

Arco de triunfo

Anunciando uma série de medidas para revigorar o turismo, o ministro francês das Relações Internacionais Laurent Fabius confirmou que, a partir do dia 9 de Outubro,  o portal www.rendezvousenfrance.com ia se chamar www.France.fr FRANCE - QUADRIe continuaria a ser administrado pela Atout France, a Agencia de Desenvolvimento turístico da França. Com esse nome universal, até agora não utilizado pelo turismo oficial, a agencia espera a curto prazo dobrar a sua audiência na Internet e chegar a 25 milhões de visitantes por ano.

Os Pireneus no verão

O conteúdo vai também seguir algumas evoluções em relação ao site anterior. Logo na primeira pagina, as grandes marcas mundiais dos destinos franceses – Paris, o Mont-Saint Michel, a Champagne, Bordeaux ou a Provence- SCREENvão ganhar muito mais destaque, valorizando os esforços feitos para melhorar tantos os produtos que os serviços para os visitantes internacionais. Espaços específicos são também reservados para promover os grandes eventos que a França vai acolher nos próximos anos, seja o Euro 2016, a Ryder Cup 2018, a Exposição Universal de 2025 ou – se Paris for convincente junto ao Comité Olímpico Internacional- os Jogos Olímpicos de 2024.

CAUDALIES GERAL

Sem cair nas tentações das vendas – escolhidas por muitos destinos mas que confundem os consumidores e desagradam os profissionais -, sempre publicado em 17 idiomas – incluindo, claro, o português do Brasil -, o novo site France.fr  promoverá as temáticas mais procuradas em cada mercado, com foco para os setores de “excelência francesa” . Assim no Brasil o enoturismo, o artesanato de luxo, ou a vida noturna serão algumas das atividades de destaques para ser promovidas.

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FRANCE - QUADRI

 

 

 

 

 

A Air France nos desafios da “França que está no ar”!

A Air France mandou dia 09 de Outubro uma mensagem para seus clientes, lembrando que os últimos incidentes que aconteceram em Paris foram casos isolados, e não refletem a realidade da companhia ou a postura dos seus funcionários.  Deixou claro que os atos violentos estão sendo apurados, dez queixas sendo registradas tanto pela companhia que pelos executivos que foram agredidos, as fotos e os vídeos sendo entregas para policia, mas que a maior preocupação fica  em explicar – e superar-  esses acontecimentos para os clientes.

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Na carta assinada pelo Diretor Geral, Frederic Gagey e as suas equipes, a Air France lembra a necessidade de tomar medidas corajosas para consolidar o seu futuro como grande companhia aérea internacional, Lettre Air Francebem como o trabalho que esta sendo feito para continuar a melhorar os seus produtos e seus serviços, guardando um preço competitivo frente a seus concorrentes. A Air France lembra que quer guardar a sua peculiaridade, um alta qualidade com um toque de arte de viver a francesa -, e no Brasil poderia ter lembrado também o seu pioneirismo tecnológico que acompanhou seus sucessos desde 1927, quando ainda se chamava Aeropostale.

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Num vídeo , que acompanha a carta do Diretor Geral, a Air France deixa a palavra para funcionários representando todas as profissões da companhia. Todos falam do orgulho que eles têm de trabalhar numa grande empresa onde toda a atenção é focada para os clientes. Em francês, espanhol ou chinês, eles fazem questão de lembrar que “Air France é isso, Air France somos nos, Air France é para vocês”. Pessoal da Air FranceO vídeo sozinho não sera com certeza suficiente para resolver os grandes problemas de competitividade frente aos seus concurrentes – os “low costs” europeus ou as jovens e agressivas companhias do Golfo – , mas ficou claro que a maioria dos funcionários e dos executivos da empresa estão determinados a manter “A França no ar”. No mundo inteiro, e mais ainda no Brasil onde a Air France é até nome de praia, muitos viajantes vão torcer com eles!

Jean Philippe Pérol