As ambições de grandeza das companhias de cruzeiros

O MSC Orchestra com cruzeiros saindo de Fort-de-France na Martinica

O MSC Orchestra, iniciando cruzeiros em Fort-de-France na Martinica

Ocean Cay MSC Marine Reserve ainda não passa de uma ilhota deserta das Bahamas a cem milhas de Miami, mas vai virar, daqui a dois anos  um pequeno paraíso artificial,  privativo dos passageiros da MSC. OCEAN CAY MSC TERMINALA ilha oferecerá 38 hectares exclusivos, com seis praias, uma lagoa, vários parques, um pequeno vilarejo “típico”, restaurantes, bares, um pavilhão para casamentos e um teatro de 2000 lugares para shows.  A chegada do cruzeiro inaugural, no navio Seaside construído no estaleiro de Saint-Nazaire,  está marcada para dezembro 2017, com a presencia do primeiro ministro das Bahamas que sonha receber   em Ocean Cay centenas de milhares de turistas por ano. Enquanto MSC prepara a sua ilha, as ambições dos seus concorrentes não param. A Crystal Cruise acabou de lançar nas Seychelles um iate de 32 cabines com um submarino para explorar o fundo do mar. A Royal Caribbean vai inaugurar o Harmony of the Seas, o maior navio do mundo, também construído em Saint-Nazaire, com 5500 passageiros e 2380 tripulantes. E a Costa, do grupo Carnival, acabou de lançar uma volta ao mundo de 108 dias para 2000 clientes, com pacotes iniciando a 13.000 USD e escalas previstas em Marselha, Rio de Janeiro, Ushuaia, Bora-Bora, Sidney, Goa, e Omã…

Pôr do Sol em Bora Bora

Pôr do Sol em Bora Bora

A desaceleração da economia chinesa, as ameaças no crescimento mundial, as crises, e até mesmo o drama do Costa Concordia, nada parece frear o sucesso dos cruzeiros junto aos viajantes. 2015 deve fechar com um crescimento de 7% da industria, a MSC devendo mesmo chegar a 10%. Nas bolsas de valores os americanos Carnival e Royal Caribbean, bem como o norueguês NCL mostram uns lucros em alta e uma rentabilidade de quase 11%. Os bons resultados do mercado chinês – onde o numero de passageiros deveria passar de 1,3 a 3 milhões até 2018 – deixam os investidores otimistas para o futuro.

Os grandes concorrentes do setor estão cada vez mais criativos e os investimentos cada vez mais impressionantes. Assim a MSC, controlada pela família Aponte, está dobrando o tamanho da sua frota, se diversificando alem do Mar Mediterrâneo, e fazendo upgrade dos seus produtos. Destacando a elegância e o refinamento da marca, apoiado numa musica de Ennio Morricone, uma nova campanha de 70 milhões de dólares vai ajudar a reposicionar a marca. Cruzeiro fluvial na AmazôniaEm 2016 serão 27 navios novos para todo o setor, um investimento global de 6,5 milhões de dólares para acomodar 30.000 novos passageiros. É o maior crescimento anual da oferta, já prevendo 29 milhões de cruzeiristas em 2020. Pode parecer otimista – foram 23 milhões em 2015 – mas a industria dos cruzeiros está com razão de sobra para isso. A Europa ainda tem um imenso potencial ( somente 2% das ferias são aproveitadas num navio), a Ásia continua o seu crescimento de dois dígitos, os cruzeiros fluviais estão na moda, a Austrália está progredindo rápido e o Brasil ainda é uma esperança sólida.

O Harmony-of-the-seas em Saint Nazaire

O Harmony-of-the-seas em Saint Nazaire

O maior potencial de crescimento dos cruzeiros pode vir duma mudança do próprio sentido desses cruzeiros. Outrora meio de transporte agradável para uns destinos turísticos que os passageiros estavam descobrindo  a cada escala, o navio vira hoje ele mesmo um destino turístico independentemente do seu roteiro. As escalas poderão aparecer meros opcionais, com menos de 50% dos passageiros descendo, e com gastos no local cada vez mais baixos, porque o próprio navio oferece tudo (ou quase) que um destino pode ter de melhor: bares, restaurantes, piscinas, lojas tax-free, espetáculos inéditos, centros de lazeres…. E o exemplo de Ocean Cay mostra que as  escalas poderão também ser substituídos pelos paraísos artificiais das companhias de cruzeiro. Mesmo?

Esse artigo foi traduzido e adaptado de um artigo original de Denis Cosnard do jornal Le Monde 

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