O Louvre, quanto tempo e qual roteiro para uma visita do maior museu do mundo?

A Pirâmide do Louvre

A Pirâmide do Louvre

Tinha doze anos e estava entrando no Museu egípcio do Cairo com o meu pai, e ainda hoje me lembro da primeira pergunta do nosso guia: “Vocês querem visitar o museu em uma hora, um dia ou uma semana?”. Mona LisaEra sem dúvida uma pergunta importante (felizmente, meu pai escolheu um dia), e que tem que ser feita antes de iniciar qualquer visita: quanto tempo é necessário para aproveitar um grande museu, e mais especialmente, o museu do Louvre, o mais visitado do mundo com 8,7 milhões de visitantes, incluindo 350.000 brasileiros (a quarta nacionalidade)? E, se não tiver guia, qual itinerário escolher para aproveitar ao máximo o tempo disponível ?

A vitoria de Samotrácia

A vitoria de Samotrácia

Uma pesquisa do Massachussets Institute of Technology, utilizando os sinais Bluetooth dos celulares, seguindo os itinerários e medindo os momentos passados em cada sala, deu pela primeira vez o ponto de vista dos visitantes sobre a organização de uma visita do Louvre. Salles des VerresEla revelou que eles não têm pressa, levam cerca de três horas, com 10% deles levando cinco horas ou mais, e pouquíssimas visitas de menos de uma hora, feitas por pessoas chegando em geral depois das quatro horas da tarde. Olhando uma media de dez a quinze salas, a grande maioria dos turistas segue o itinerário mais esperado, sempre incluindo o Gladiador Borghese, a Venus de Milo, a Vitória de Samotrácia e  La Joconde de Leonardo da Vinci, algumas vezes o Grande Esfinge ou a Salle des Verres.

A Galeria de Apolo

A Galeria de Apolo

A pesquisa mostrou que os visitantes quase não saíam dos “incontornáveis”, e que pontos excepcionais como a Galeria de Apolo ou as salas de egiptologia – essas tão apreciadas pelas crianças por causa das múmias, das imponentes estátuas ou das miniaturas da vida quotidiana na época dos faraós – são pouco visitados. Mas os pesquisadores encontraram a razão dessa escolha: o poder de atração de cada espaço aumenta em proporção do número de pessoas já presentes. Os visitantes atravessam rapidamente as salas vazias e param nas salas cheias, até um ponto crítico onde a atração das obras primas não compensa mais o sufoco da multidão.

A Grande Galeria

A Grande Galeria

Mesmo com suas limitações que os próprios pesquisadores denunciaram – necessidade dos visitantes ter o Bluetooth ligado, não diferenciação dos grupos, impossibilidade de definir as motivações -, os resultados interessam tanto os profissionais quanto os visitantes. Eles ajudarão não somente os viajantes a definir os seus roteiros personalizados mas também o próprio museu a gerenciar melhor os seus fluxos de visitantes, informando mais sobre as obras menos visitados, flexibilizando os horários ou até modulando os preços. Podem também pensar no futuro a incluir na pesquisa os quase quinze cafés ou restaurantes do museu, inclusive o tão charmoso Café Marly, onde nunca deixo de terminar os meus próprios roteiros no Louvre.

Jean-Philippe Pérol

O Café Marly, na ala Richelieu do Louvre

O Café Marly, na ala Richelieu do Louvre

 

 

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