No coração do Quartier latin, a criatividade do esqui a francesa!

Esqui acrobático na Praça Saint Sulpice

Esqui acrobático freestyle na Praça Saint Sulpice

Sempre popular, mas querendo conquistar novos seguidores mostrando a criatividade dos seus destinos, o esqui francês está inovando com inesperadas promoções, não somente nos mercados internacionais, mas também no próprio mercado domestico. Pela quarta vez, a associação France Montagnes vai tentar seduzir os mais difíceis dos clientes franceses, os moradores do Quartier Latin, e os turistas internacionais encontrados nas ruas da “Rive Gauche”de Paris, os “habitués” que caminham entre o tradicional (e badalado) café “Les deux magots” e a famosa (e chiquérrima) loja de departamento “Le Bon Marché”. Do dia 17 ao dia 20 de Novembro, será assim aberta  no coração de Paris  a temporada do inverno 2016/2017.

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Saint Germain des Neiges, quarta edição do 17 ao 20 de Novembro

O acampamento dos profissionais de France  Montagnes vai ser montado na Praça Saint-Sulpice e nos seus arredores, nas ruas Princesse, Guisarde e des Canettes. Durante os 4 dias do “Saint Germain des neiges”, as ruas e as praças serão decoradas com os símbolos  do inverno, os bares virarão chalés com as cores dos grandes regiões do esqui francês – Alpes, Pirineus, Vosges, Jura ou Auvergne. A Praça vai se transformar numa estação de esqui, com numerosas atividades ofertas aos visitantes.

Big Air, uma das atividades gratuitas de Saint Germain des neiges

Big Air, uma das atividades gratuitas de Saint Germain des neiges

Com o apoio dos monitores da Escola Francesa do Esqui (ESF), os visitantes poderão experimentar o “Big Air”, a pista de trenó, o jardim das neves, o simulador de esqui alpino. a pista de esqui “cross-country” e  o estande de tiro com as carabinas do biatlo. Num canil, será possível ver vários cães de trenó, testemunhos do sucesso crescente desse esporte nas montanhas francesas. Durante os três dias do evento, serão também realizadas demonstrações de freestyle -esqui ou snowboard-. E para lembrar a importância cada vez maior do bem estar nas estações de esqui, um spa – com sauna e banho nórdico- será a principal novidade 2016 do Saint Germain des neiges. Os restaurantes dos arredores participam também da festa, oferecendo os pratos típicos da montanha francesa, incluindo as famosas “charcuteries”, ou as animadas raclettes ou fondues.

Todos os profissionais de France Montagnes esperam que o sucesso desse evento ajudará a demonstrar aos parisienses e aos numerosos turistas  que as estações de esqui dos Alpes e das outras montanhas franceses oferecem hoje muito mais que o simples esqui tradicional. Não somente pelas novas modalidades esportivas acessíveis a todos os níveis e todas as idades – do snowboard ao trenó ou do crosscountry ao freestyle-, mas também pelos numerosos equipamentos de lazer – espas, piscinas, espetáculos ou salas de festas- , os bares ou os restaurantes, que  estão mantendo os destinos das montanhas franceses como lideres criativos das “ferias de inverno” da atualidade.

Com Saint Germain des neiges, a montanha vai convencer seus futuros clientes

Com Saint Germain des neiges, a montanha vai convencer seus futuros clientes

A programação do Saint Germain des neiges 2016 será a seguinte:

Quinta feira, 17 de novembro:
14h00 : abertura

14h30 – 19h : Animações e atividades na Praça Saint-Sulpice

19h : Inauguração oficial

19h15 : Demonstração de freestyle pelos monitores da ESF

A partir das 19h, noites dos destinos e das estações nos restaurantes das ruas Guisarde, Princesse e des Canettes

Sexta feira, 18 de novembro:
14h – 19h : Animações et atividades na Praça Saint-Sulpice

14h – 19h : Demonstração de freestyle pelos monitores da ESF

A partir das 16h : Animações de bares e restaurantes dos arredores

A partir das 19h, noites dos destinos e das estações nos restaurantes das ruas Guisarde, Princesse e des Canettes

Sábado 19 de novembro:

10h – 19h : Animações et atividades na Praça Saint-Sulpice

10h – 19h : Demonstração de freestyle pelos monitores da ESF

A partir das 19h, noites dos destinos e das estações nos restaurantes das ruas Guisarde, Princesse e des Canettes

Domingo 20 de novembro:

10h – 17h : Animações et atividades na Praça Saint-Sulpice

10h – 17h : Demonstração de freestyle pelos monitores da ESF

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Quiosque de informação do Saint Germain des neiges

Na grandeza de Versalhes, o chefe Ducasse revisitando as refeições do Rei Sol

O patio de hora do palacio de Versailles

O pátio de hora do palácio de Versalhes

Convidado a mesa do Luis XIV, o mais faminto dos gourmets do século XXI teria muitas dificuldades para acompanhar o apetite do Rei, com suas refeições de trinta a cinquenta pratos divididos em cinco a sete “serviços”.  Com muitas carnes de caça, peixes de agua doce, todos os tipos de aves (incluindo pavão ou cisne), e legumes da horta real (o rei era viciado em ervilhas), o culinário da época estranharia hoje pelas especiarias e pelos alimentos, muito cozidos ou super bem-passados. O serviço também era diferente, com a mesa sempre cheia de pratos, os convidados comendo sem garfo e as bebidas sendo servidas separadamente.

Mesas do "Café contemporain" Ore

Mesas do “Café contemporain” Ore

Se o Rei Sol e seu esplendor pertencem ao passado, o famoso chefe estrelado Alain Ducasse decidiu trazer de volta em Versalhes parte das grandes tradições culinárias do século XVII. No ultimo dia 13 de setembro, inaugurou no Pavilhão Dufour, na entrada do Castelo, um Restaurante chamado Ore, palavra latina significando Boca. Durante dia, começando no café da manha, Ore é um elegante “café contemporâneo” com um cardápio oferecendo receitas clássicas do culinário francês inspiradas da época, mas também pratos simples ou rápidos, sobremesas ou doces para acompanhar um simples cafezinho ou um chá da tarde. Num local atraindo muitas famílias, o Alain Ducasse também não esqueceu de oferecer um menú para crianças.

As salas do restaurante

As salas do restaurante, reabilitadas pelo Dominique Perrault

De noite, os salões do restaurante, reabilitados pelo famoso arquiteto Dominique Perrault, podem virar o palco de uma experiência única, um jantar privativo respeitando o cerimonial, os cardápios, a louça, o serviço e a decoração dos tempos do Louis XIV. Levando os convidados para as suas mesas, o maitre grita “Messieurs, à la viande du roi !” (Senhores, vamos para a carne do Rei) como exigia o protocolo. Os garçons de peruca vestem  uniformes da época. A louça da “Manufacture royale de Limoges” foi especialmente reeditado pelo Bernardaud, e os copos de cristais não são  padronizados como era de praxe.

Com pratos, o impressionante cardápio de uma refeição do Rei Sol

Com 44 pratos, o impressionante cardápio de uma refeição de 1757

Alain Ducasse quis, nesse lugar único, oferecer  uma comida francesa contemporânea, mas  inspirada do culinário da época dos reis, não somente um jantar mas uma verdadeira experiência histórica e gastronômica. Os convidados podem assim começar com quatro entradas (caldo de ervas, legumes ao natural, croquetes de rã, lagostinhas com caviar e cogumelos recheados), continuar três pratos principais (peixe pregado ao molho holandês, patê quente de carnes de caça, galinha com lagostinhas), dois pratos menores (tortas de trufas brancas e pretas, guisado de cogumelos selvagens), e acabar com três sobremesas (groselhas com agua de rosa, bolo Fontainebleau com morangos do mato, e o famoso bolo de chocolate Louis XIV).

Alain Ducasse no seu restaurante de Versalhes

Alain Ducasse no seu restaurante de Versalhes

O novo empreendimento do criativo chefe vai alem do Café e do restaurante. O Ore aproveita também uma galeria de recepção de 2.700 m2, um auditório de 150 lugares, salas de seminários, e uma cozinha com equipamentos da ultima geração. A diretora do Palácio de Versalhes, Catherine Pégard, acredita que,  com a chegada do Restaurante Ore, a arte de viver a francesa vai ganhar em Versalhes uma vitrina excepcional junta aos visitantes vindo do mundo inteiro. Obrigado ao Rei Sol e a Alain Ducasse.

Jean-Philippe Pérol

 

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O Ritz voltando com seus mitos, sua história e sua excelência

A praça Vendôme e sua coluna comemorando as vitorias do Napoleão

A praça Vendôme e a coluna comemorando as vitórias do Napoleão

Honrando sua lendária discrição, e agora esperando a sua classificação de Palace , o Hotel Ritz reabriu suas portas Place Vendôme no último dia 14 de Junho depois de quatro anos (e de 400 milhões de Euros) de completa renovação. A inauguração do Ritz em 1898Se o mais famoso dos hotéis de Paris não pertence mais, desde 1979, a família do seu fundador, o novo proprietário, o excêntrico empresário britânico Mohamed Al Fayed, fez questão de conservar os valores que o Cesar Ritz exigiu de seguir nas obras de 1897, a elegância do classicismo e o conforto da modernidade. Transformando os então Hotel de Gramont, residência de prestigio do final do século XVIII, num grande hotel de luxo, Ritz respeitou a arquitetura original, mobiliou os salões e os quartos com moveis da época, mas exigiu que não faltassem as novidades tecnológicas de 1898: elevadores, telefones, luz elétrica e banheiros em cada um dos 159 quartos.

O Hotel Ritz renovado abriu com 17 quartos a menos, mas com a mesmo vontade de reinventar uma experiência  combinando seus três séculos de tradições com as mais modernas tecnologias do terceiro milênio. Para entrar no hotel, conservaram a tradicional porta giratória, mesmo se agora automatizada, e o lobby continua localizado na famosa galeria, mas abriu-se um novo espaço, o salão Marcel Proust, uma grande biblioteca onde será servido chá “a francesa” acrescentado com as “madeleines” favoritas do grande escritor. IMG_8501Um novo pátio, o terraço Vendôme, separa dois jardins de inverno com inovadores tetos retráteis que ampliam o bar Vendôme e o restaurante gastronômico L’Espadon. Em volta das mesas, a decoração manteve as tradicionais poltronas Luis XV, com seus ganchinhos de pendurar bolsas que o Cesar Ritz se orgulhava de ter inventado. E no famosíssimo Bar Hemingway, o hotel faz questão de confirmar que tudo foi refeito mas que absolutamente nada mudou, inclusive o bar-tender e sua fama de melhor bar-tender do mundo. Uma fama que o Colin Field merece, tanto pela qualidade dos coquetéis que ele colocou no seu cardápio que pelas historias que ele conta com prazer e talento para os seus visitantes.

O Bar Hemingway

O Bar Hemingway

Para subir para os quartos, a escada monumental do Ritz é impressionante de grandeza com seu corrimão  de ferro forjado e cobre, e seu tapete vermelho estampado com barras de latão . No primeiro andar fica a suite Imperial, com seis metros de pé direito, seus tecidos de seda selvagem e sua cama isolada do resto do quarto com uma balaustrada. A suite Vendôme do RitzNo segundo andar destaque-se a suite Coco Chanel com moveis dos anos 50, e um biombo de laca chinesa. Nas suites, e também nos quartos, peças de arte ou moveis únicos personalizam cada ambiente. A tecnologia é presente em todo os detalhes – luzes, cortinas, televisão, som ou ar-condicionado – mas o designer fez questão de guardar as caixinhas com botão inventadas pelo próprio Ritz para chamar as camareiras.

Coco Chanel num salão do Ritz

Coco Chanel num salão do Ritz

Mas o Ritz não deve somente a sua fama a seus quartos ou aos seus bares ou restaurantes, mas as personalidades que marcaram a sua historia e, em alguns casos, construíram o seu mito. A historia confirma que personalidades famosas como Jean Cocteau, Colette, Vanderbilt, Rockefeller, Hemingway, Scott Fitzgerald, Charlie Chaplin  ou Otto de Habsburg frequentaram o hotel.  HemingwayDurante a Primeira Guerra virou hospital militar, e foi ocupado durante a Segunda pelos alemães, um deles sendo o amante da Coco Chanel que morou mesmo durante 37 anos em varias suites do hotel. O Hemingway contribui ao mito, inventando que tinha pessoalmente liberado o Ritz en agosto 1944 com um grupo da Resistência francesa, deixando uma conta de 51 dry Martinis no Bar que hoje tem o seu nome, e no qual escreveu uma linda declaração de amor para esse hotel fora do comum: “Quando eu sonho do Paraíso, a historia sempre acontece no Ritz de Paris.”

Jean-Philippe Pérol

O Spa agora administrado pela Chanel

O Spa, agora oferecendo produtos da Chanel

Cannes, alem do Festival, grandes hotéis e cantos exclusivos

Sob a presidência do australiano George Miller, que apresentou o ano passado o seu filme  “Mad Max Fury Road”, o Festival de Cannes foi inaugurado com  Café Society, um novo – e, como sempre, polemico- filme do Woody Allen. DSCN1410 - copieDurante onze dias, a cidade vai viver ao ritmo do cinema, se vestir de tuxedo ou de vestido longo, e celebrar a cultura, o luxo e a elegância. Segunda cidade francesa pelo numero de hotéis 4 ou 5 estrelas, tendo uma das maiores concentrações de lojas de grandes marcas, Cannes aproveita o Festival para mostrar a excelência e o chique do seu serviço, e as vezes as extravagâncias dos seus clientes. Dentro das mais famosas, um entrega de dois mil rosas para uma atriz cobiçada, uma encomenda de banheira cheia de leite de cabra para Faye Dunaway, ou a exigência de paredes azuis na suite de um ator galês que teve que ser pintada no ato.

O Carlton Intercontinental

O Carlton Intercontinental

Mesmo se o Five Seas é badalado e o Novotel Montfleury charmoso, só alguns hotéis de Cannes simbolizam o Festival. O Carlton é o mais tradicional, aberto em 1911, tendo como investidor e cliente fiel o irmão do Imperador da Rússia, o Grande Duque Michel. Dessa época de glória o hotel ganhou seu nome (Carlton quer dizer o país do homem livre em norueguês) , guardou o seu salão tombado, os seus pratos de prata e a coroa imperial da sua louça. A lenda do hotel se juntou aos mitos de Cannes quando a Grace Kelly ou a Elizabeth Taylor. O Majestic é um outro endereço de prestigio ligada ao Festival. Frente ao tapete vermelho do “Palais des Festivals”, pertencendo ao grupo Barrière, ele foi aberto em 1926, completamente renovado em 2010 com uma decoração perfeitamente respeitada até hoje tanto na sua faixada que nos seus dois restaurantes, o Fouquet’s et a Petite Maison. O Martinez  Grand Hyatt é outro endereço tradicional da Croisette. Aberto em 1929, primeiro hotel francês com um elevador, ele é muito procurado pelo seu estrelado restaurante “La Palme d’Or” onde cada prato combina com uma louça de cerâmica especifica.

Mosteiro da Ilha Saint Honorat

Mosteiro da Ilha Saint Honorat

Mas, mesmo durante o Festival, o charme de Cannes continua sendo a sua diversidade e os seus   lugares escondidos onde a exclusividade e o intercâmbio com moradores são também o verdadeiro luxo. Uma das atividades mais exclusiva é conseguir sair a bordo dos barcos pesqueiros. Trinta deles ainda trabalham no porto de Cannes e aceitam alguns visitantes que podem sair no nascer do sol atras de douradas, de “rougets”, de lagostas ou de cavaquinhas. marche-forville-cannes-Depois da pescaria, e duma parada no Café de l’Horloge, os convidados podem seguir até o Mercado Forville para ver a venda nas barracas de produtos locais. Longe da Croisette, um outro passeio imperdível junta exclusividade e autenticidade: o mosteiro fortificado da ilha de  Saint-Honorat onde 21 monges recebem os visitantes amadores de espiritualidade, de passeios nos pinheirais e de degustações de vinhos produzidos no local. Saindo do porto onde acostam iates de milionários vindo do mundo inteiro, a somente 15 minutos dos borbulhas do Festival, essa visita – de um dia ou mais para quem quiser experimentar a hospitalidade dos monges- é sem dúvida uma das mais surpreendentes quanta a extraordinária diversidade da cidade  do Festival mais glamoroso do cinema mundial. Vive le Festival de Cannes!

O "Vieux Port" de Cannes

O “Vieux Port” de Cannes

Na Ilha Saint Honorat, 16 séculos de trabalho dos vinhedos

 Esse artigo foi inspirado de um artigo original do diário francês Le Figaro

Van Gogh, eterno hóspede de Auvers-sur-Oise

Les bords de l’Oise, de Vincent Van Gogh

Mesmo se Van Gogh passou somente os últimos 70 dias da sua vida nessa pequena cidade dos arredores de Paris, Auvers-sur-Oise ficou profundamente marcada  pela sua estada, ganhando uma projeção internacional que continua até hoje através das paisagens e dos personagens que ele imortalizou nos quase oitenta quadros que ele pintou na região. E se Auvers-sur-Oise atrai também pelo seu castelo, com seus jardins floridos e seus íris, com seus casamentos e seu festival ” Normandia  impressionista “, o turismo aproveita em primeiro lugar a omnipresença do artista gênio.

Castelo de Auvers sur Oise e seus famosos Íris

Castelo de Auvers-sur-Oise e seus famosos Íris

Van Gogh estará presente nas novidades previstas esse ano, como o lançamento da construção de um novo barco de passeio, replica do barco onde trabalhava o pintor  Charles-François Daubigny (1817-1878), um artista que Van Gogh admirava tanto que o homenageou com seu quadro “Le jardin de Daubigny”.    O Jardim de Daubigny, do Vincent Van GoghE para descobrir as beiras do Rio Oise que ele tanto gostava, Auvers-sur-Oise se juntou com dois outros municípios da região para propor um “cruzeiro pique-nique”  onde os turistas poderão aproveitar as paisagens favoritas do pintor enquanto estarão almoçando. Na casa do Doutor Gachet, o famoso benfeitor e amigo,  uma bem sucedida renovação e a uma exposição de obras inéditas fazem o visitante mergulhar no ambiente da época , dando a impressão que o Vincent pode aparecer a qualquer hora.

A Auberge Ravoux em Auvers sur Oise

A Auberge Ravoux em Auvers sur Oise

É porem na Auberge Ravoux, onde Van Gogh se hospedou de maio até julho de 1890, que a emoção de uma visita em Auvers sur Oise é a mais forte. A pequena albergue guardou a decoração e o ambiente dos bares de artistas no final do século XIX. O quarto de 7 metros quadrados, que o pintor alugava e onde ele estocava as suas telas embaixo da cama, guardou toda a sua simplicidade. E no restaurante, ainda é possível sentar e almoçar na mesma mesa onde ele fazia as suas refeições. Dominique-Charles JanssensConservar a alma do lugar é a luta do proprietário do local, Dominique-Charles Janssens, um cidadão belga que encontrou a então chamada “Maison de Van Gogh” por acaso (o caro dele bateu na frente em 1985). E se apaixonou então, ao ponto de comprar-la, restaurar e reabrir, reaproveitando o seu antigo nome de “Auberge Ravoux”. Sem apoio, mas com muita paixão, conseguiu convencer uns bancos, alguns patrocinadores e algumas operadores de turismo (inclusive a Wagons lits quando encontrei com ele pela primeira vez). Hoje ele recebe no local dezenas de milhares de visitantes vindo do mundo inteiro, mas o sonho do Janssens é de poder um dia pendurar na parede do pequeno quarto numero 5 um quadro do Vincent. A 30 milhões de dólares, pode parece impossível, mas sua garra e sua paixão já fizeram alguns milagres em Auvers-sur-Oise …

Jean-Philippe Pérol

Mesa na frente da Auberge Ravoux

Mesa na frente da Auberge Ravoux

 

Nas águas e nas terras do Limousin, algumas raízes do luxo francês …

Indo dos confins da Auvergne até os vinhedos de Bordeaux, o viajante olha umas paisagens de colinas verdes e de rios de águas pretas, campos de gado charolês ou limousin, e casas simples com paredes de granito. Ele nem sempre sabe que está atravessando uma da regiões que mais influenciou a industria do luxo francês, sendo até líder em setores específicos como a cerâmica – em Limoges – , a tapeçaria – em Aubusson-, e o couro – sapatos da Weston, luvas Morand ou cintos Daguet. Se foram por muito tempo ignorados ou até desprezados, os produtos locais conseguiram se impôr pela sua qualidade e sua autenticidade, e muitas grandes marcas do luxo, incluindo Prada ou Hermès, estão hoje valorizando o “made in Limousin“.

Serviço "Boulle"de Bernardaud

Serviço “Boulle”de Bernardaud

Foi no século XVIII, nas  minas de kaolim, quartz ou fedspath, que nasceu a porcelana de Limoges, e foi em 1842, com a chegada do americano David Haviland, que ela ficou conhecida no mundo inteiro tanto pela qualidade da própria parcela que pelas sutilezas das decorações – feitas com pincéis ou em cromolitografia- ou a nobreza das suas incrustações de ouro ou platina.Loja de fabrica da Bernardaud A fama do “Limoges” cresceu com a colaboração das principais fábricas com artistas conhecidos como Lalique, Dufy ou Sandoz, ou mais recentemente com grandes designers como Gagnère, Jeff Koons, ou Sophie Calle… A marca mais emblemática é sem duvidas Bernardaud, empresa criada em 1863 e pertencendo hoje a quinta geração da família . A antiga fábrica ainda pode ser visitada e lá se tem uma exposição de peças raras e uma imperdível loja de vendas diretas. Outras marcas de porcelanas famosas, como Haviland (Pavilhão da porcelana)  ou  Médard de Noblat (Espaço do mesmo nome) também recebem os visitantes.

Campanha publicitaria dos mocassins da Weston

Campanha publicitaria da coleção “Le Moc” da Weston

Se as águas negras e ácidas do seus rios explicam a longa tradição de curtume do Limousin, a qualidade e o luxo dos seus produtos de couro vem ainda mais do savoir-faire dos seus artesãos e do talento de gerações de empresários. Botas de tira de cano curto da WestonAssim é a J.M.Weston, a incomparável marca de sapatos cuja fábrica foi fundada em 1891 pelo Edouard Blanchard, pegando o nome atual em 1904 quando o seu filho Eugene voltou dum estágio na empresa Goodyear em Weston, perto de Boston! Orgulhosa de continuar a trabalhar da forma mais tradicional – são 192 operações manuais para finalizar um par de sapatos-, a marca concentra sua produção nos modelos emblemáticos como os mocassins Le Moc’ – vedetes dos anos 60 – ou as botas de cano curto com suas tiras características . Hoje nome prestigioso do luxo francês, a Weston lançou em 2012 uma nova linha de produtos incluindo bolsas, cintos e carteiras que também pode ser encontrada na loja da fábrica de Limoges.

No ateliê da Agnelle

No ateliê da Agnelle

A 30 quilômetros de Limoges, uma outra surpresa espera o viajante em Saint-Junien, capital da luva de luxo francesa desde a idade média. Na pequena cidade encontram as mais tradicionais fábricas como Georges Morand, fornecendo hoje marcas famosas como Inès de la Fressange, Nina Ricci, Sonia Rykiel, e Thierry Muggler, ou Agnelle que produzem os modelos de Jean-Paul Gaultier, Christian Dior ou John Galliano, bem como o fabricante de cintos Daguet, todos com lojas de fábrica. A nova coleção DaguetO anúncio da Hermès, que já encomendava suas luvas na cooperativa “Ganterie de Saint Julien” mas que prepara a inauguração esse ano de um ateliê de fabricação de carteiras, mostrou que as mais famosas marcas mundiais estão acreditando na região. E se espera que a inauguração em Julho da ” Cité Internationale de la Tapisserie ” em Aubusson ajude a atrair também empresas do setor da lã e da moda. Enquanto os valores que definam o verdadeiro luxo estão mudando, deixando o “bling-bling” para voltar a autenticidade, a discrição, e a tranquilidade, os vales do Limousin vão atrair viajantes interessados em descobrir algumas inesperadas raízes do  luxo francês.

 Jean-Philippe Pérol

As aguas taninas debaixo da ponte de Senoueix

Águas pretas e taninas do Rio Thaurion  debaixo da ponte de Senoueix

O Teatro Amazonas, o mito e o fascínio da “Opera de Manaus”

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As galerias do Teatro Amazonas

O mito do Teatro Amazonas – ou da “Ópera de Manaus”-, assim chamado na Europa ou nos Estados Unidos-, exerce um fascínio que parece não ter lógica. Carlos Fermín Fitzcarrald, o Fitzcarraldo, nunca poderia ter assistido a um espetáculo no Teatro que ainda não estava inaugurado quando ele passou em Manaus. Caruso nunca cantou no Teatro Amazonas, veio para o Brasil mas não saiu do Rio Janeiro. 00000305 - copie 2Sarah Bernard, a famosa atriz francesa, nunca viajou para Manaus e não poderia ter gritado para seu motorista a gloriosa frase “Chauffeur, à la forêt vierge!”. E no Amazonas da época da borracha, é provável que as tropas francesas que se apresentavam no Teatro fossem mais parecidas como as Folies Bergères que como os Balês do Palais Garnier. A ironia da História é que os dois cantores mais conhecidos que se apresentaram em Manaus foram talvez Mireille Mathieu em 1977 e Sacha Distel em 1978 , ambos levados pela Air France para eventos excepcionais do então tão concorrido Prêmio Molière.

O Teatro Amazonas

Vista geral do teatro com seu domo coberto de telas da Alsácia

Além do mito, o Teatro Amazonas atrai também por sua própria história. A partir da louca ideia lançada em 1881 de construir um teatro lírico em uma cidade com então 20.000 habitantes,IMG-20120513-00333 - copie  foram 17 anos para a construção com arquiteto e material vindo da Itália e da França, empurrada pela vontade do governador, Eduardo Ribeiro, até sua inauguração em dezembro de 1896. Transformado em entreposto de borracha na época da decadência, o Teatro começou a renascer nos anos 70 com a primeira renovação, e o voltou a brilhar nos últimos vinte anos com uma rica programação cultural. Criado em 1997, o Festival Amazonas de Ópera reatou com a tradição lírica da “Ópera de Manaus”.

AMAZON SANTANA CRUISING IN JAU NATIONAL PARK

A beleza das matas e das águas navegando no Rio Jaú

Mas o mito do Teatro vem também do fascínio pela selva amazônica, da folia da expedição de Aguirre, da busca desesperada pelo Casiquiari, dos sonhos de Jules Verne, do drama dos seringueiros  ou da louca aventura de Galvez.Museu do Seringal em Manaus E o visitante sentado nas poltronas de veludo vermelho tira parte da sua emoção ao juntar a sofisticação do espetáculo com as emoções da descoberta das águas, das matas e das tradições dos ribeirinhos do Amazonas e do Rio Negro.  Assim para o Festival 2016, a Secretaria da Cultura, liderada pelo incansável e criativo Robério Braga, programa duas operas, Médée de Cherubini, e Adriana Lecouvreur de Cilea . BOTOCombinada com o encontro das águas, o espetáculo do botos cor de rosa, o emocionante Museu do Seringal ou a casa de farinha duma comunidade cabocla, a estada do visitante terá talvez como outro momento emocionante as músicas e danças  dos índios Dessana. Dando palestra no mundo inteiro, incluindo no famoso Musée des Arts Premiers de Paris, o Cacique Raimundo e sua família, recem-chegados do alto Rio Negro, conseguem manter em sua Oca as tradições culturais que também  são as raízes dos  mitos da Amazônia.

Jean-Philippe Pérol

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Danças dos Indios Dessana

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Barco acostado na Praia do Tupé

Os Champs Elysées so para pedestres?

Pintora nos Champs Elysées

Pintando os campos de trigo nos Champs Elysées

A partir do próximo  dia 1 de Maio, a avenida dos Champs Elysées, a mais famosa avenida do mundo, será exclusiva dos pedestres cada primeiro domingo do mês. As oito pistas de asfalto poderão acolher barracas, bares, espetáculos, concertos ou exposições, num ambiente de festa que alegrará turistas e moradores. Os Champs Elysées na Belle ÉpoqueAbertos em 1667 durante o reinado do Luis XIV, o Rei-Sol, os quase dois quilómetros dos  “Campos Eliséus”  e seus vinte milhões de visitantes já viram acontecer muitos momentos excepcionais. Eles são o palco da linha de chegada do Tour de France, o campo de Marte dos desfiles do 14 de Julho, a praça de comemoração do Ano Novo. Eles já foram plantações de trigo para apoiar os camponeses ou transformados em estacionamento de aviões para celebrar os cem anos da industria aeronáutica francesa.

A Paulista entrega a pedestres e ciclistas

A Paulista entrega a pedestres e ciclistas

Paris não vai ser a primeira cidade a entregar aos pedestres a sua mais bela avenida. A primeira foi Copenhague com o Stroget em 1962, depois copiada por Londres (Barnaby Street), Amsterdam (Leidsestraat), Tokyo (Cat Street), Nova York (Times Square) e, desde o ano passado, São Paulo com a Paulista. Adotando essa ideia, Paris mostra que a festa não é somente algo excepcional para comemorar grandes eventos, mas também uma realidade rotineira para moradores e turistas, uma homenagem perene à modernidade da cidade, à sua criatividade e à sua audácia.  Devolver os Champs Elysées aos parisienses e aos turistas vai também ajudar a revalorização do bairro, uma forte reivindicação dos moradores que ajudou o famoso restaurante Fouquet’s a não desaparecer em 1988, empurrou a abertura de vários novos hotéis de luxo, e devolveu à avenida numerosas lojas de artigos de luxo.

O Restaurante Fouquet’s nos Champs-Elysees

As opções de shopping nos “Champs” vão se multiplicar nos próximos dois anos. Desde 1996, o ponto mais quente era a Sephora, propriedade do grupo LVMH. Com 15.000 produtos e 250 marcas, investindo nos serviços aos consumidores, atraindo ricos e famosos, a loja recebe 6 milhões de visitantes por ano. Os relógios têm agora o seu endereço na loja Dubail onde são encontrados Rolex, Cartier, Piaget e todos as grandes marcas da relojoaria mundial, bem como séries especiais ou peças únicas. Sephora Champs ElyseesMas, as maiores novidades são previstas para 2018. Na frente do Fouquet’s, a Apple inaugurará sua quarta loja na capital francesa num prédio de 6200 metros quadrados redesenhado pelo arquiteto americano Norman Foster. Com um aluguel previsto de um milhão de euros por mês, a futura Apple Store deve com certeza virar um dos “flagships” dos Champs Elysées. A outra grande novidade prevista para 2018 será a chegada das Galeries Lafayette na antiga Virgin Megastore, pioneira da abertura nos domingos.GL nos Champs Elysées O projeto deve incluir muitas surpresas e será o maior espaço de shopping da avenida. Mais que uma nova loja, a abertura das Galeries Lafayette será também um símbolo do sucesso dos esforços  para fazer os Champs Elysées voltar como símbolo do luxo a francesa. Em 1927, o fundador das Galeries, Théophile Bader, já tinha comprado o local para abrir uma grande loja no estilo americano, mas a crise de 1929 acabou com seu sonho. Nos Champs Elysées renovados, alem do primeiro domingo do mês reservado para pedestres, ainda tem muito o que acontecer!

Jean-Philippe Pérol

 

Os Champs Elysees verde

Os Champs Elysées festejando a natureza em Maio 2010

Na França: quantos beijos?

 

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O famoso “Baiser” do Doisneau, mas não era mesmo uma  “bise”

Na França , entre os dias 21 de janeiro (Dia internacional dos carinhos) e 14 de fevereiro (Saint Valentin, seja o Dia dos Namorados francês), os beijos são um do momento. E mais ainda que beijos de amor, são os beijos repetidos para amigos ou conhecidos que chamam a atenção dos visitantes internacionais. A  França surpreende não somente pelas numerosas ocasiões de se beijar – uma tradição que os ingleses, os americanos ou os japoneses têm dificuldade para entender- , mas também pela dificuldade a saber qual é  o exato ritual para ser seguido?

A “bise” não tem uma regra única. Cada região ou cada território tem suas tradições quanto ao numero de beijos a ser trocados bem como ao lado a ser beijado primeiro. O numero mais frequente é dois. É o caso das regiões de Bordeaux, de Toulouse, de Lyon, de Nice, de Paris, bem como na Auvergne, ou nas ilhas do Caribe francês e da Guiana. Nantes, capital dos 4 beijosA Bretanha mostrou mais uma vez sua especificidade. Quem vai para sua costa Oeste ter que dar somente um beijo, enquanto em Nantes, antiga capital do Ducado, o certo é beijar quatro vezes. A mesma tradição de quatro beijos encontra-se na Vendée, na Normandia, na Champagne e em boa parte da Borgonha que dividam assim o título de regiões mais beijoqueiras da França. No Centro Sul, em Avignon e na região de Montpellier, a tradição parou em três beijos. Nota-se enfim que a Córsega está com dois, mas que tem lá 18% de partidários de cinco!

Numero de beijos a dar em cada departamento

Numero de beijos a dar em cada departamento

O mapa dos beijos na França ganhou credibilidade e notoriedade nos últimos dois anos quando o site combiendebises.com publicou os resultados de uma pesquisa nacional sobre as maneiras francesas de se cumprimentar. Kiss-KissCom mais de 100.000 respostas recolhidas em mais de cinco anos, os resultados destacaram não somente o número de beijos mas também o lado – esquerdo ou direito – onde se devia dar o primeiro beijo. Nesse ponto as regras parecem mais simples, o primeiro beijo sendo de forma esmagadora dado do lado direito no Norte, no Oeste e no Centro da França bem como no Caribe francês, com exceções da Normandia e das regiões fronteiriças com a Suíça. No extremo Sul, dos Pirenéus até a Riviera francesa, bem como no vale do rio Rhône e nos Alpes, deve-se começar pelo lado esquerdo.

Lado para dar o primeiro beijo

Lado para dar o primeiro beijo

O respeito das tradições exige também de saber quem deve ser cumprimento com beijo(s). Nesse ponto os franceses são generosos, um choque para os visitantes ingleses ou americanos que, talvez por confundir com “French kiss”, têm dificuldades a aceitar esse “social kissing”. Beija-se amigos, amigos de amigos, e colegas de trabalho. Beijos na ProvenceBeijos para o sexo oposto, outrora exclusivo de mulheres ou familiares, também se generalizou para os homens, pelo menos para os amigos do peito, adotando uma tradição muito forte em Marselha e na Córsega. O sucesso desse mapa dos beijos faz lembrar que já foi publicado no Brasil o mapa tipo “Carte des bises” à brasileira, um mapa que poderia talvez ser atualizado e divulgado para os J.O.. Rio? Dois beijos!

Jean-Philippe Pérol

 

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Nantes, sempre original, agora capital dos 4 beijos

Nantes, sempre original, agora capital dos 4 beijos

Em Aubusson, heranças de tecelãs, de templários e de pedreiros

 

Mas antiga tapeçaria de Aubusson

O “Millefleurs à la Licorne”, a mais antiga tapeçaria de Aubusson

Se não se sabe exatamente as origens da tapeçaria de Aubusson, –  artesãos árabes perdidos depois da derrota de Poitiers em 732, tecelãs flamengos contratados no século XIV, ou tradições milenares vindo da qualidade das águas ácidas do Rio Creuse- , é certo que a nova “Cité Internationale de la Tapisserie” abrira suas portas no início de Julho desse ano. Jean LurçatDeclarada pela UNESCO patrimônio imaterial da humanidade em 2009, a peculiar tapeçaria dos confins da Auvergne e do Limousin – e sua tecelagem em teares horizontais – vai assim oferecer a seus moradores e a seus visitantes um centro inovador misturando informação, pesquisa, formação profissional e um museu interativo. Alem de três peças excepcionais no seu hall de entrada – Aurore, premiada na Exposição de 1900, O Pássaro de Georges Braque, e uma das primeiras obras do mestre Jean Lurçat -, a Cité vai ter um acervo de 350 tapeçarias cobrindo sete séculos de Historia.

A futura Cité Internationale da tapeçaria de Aubusson

A futura Cité Internationale da tapeçaria de Aubusson

Com esse atrativo dinâmico, juntando tradições com modernidade e criação contemporânea , Aubusson quer construir uma nova imagem para seduzir seus futuros visitantes. Até agora, sendo exclusiva de uma clientela regional de conhecedores da tapeçaria, Arquitetura medieval em Aubussonela quer atrair novos viajantes, mais internacionais, mais interessados pela descoberta de expressões artísticas originais, mais dispostos a descobrir todas as riquezas do “savoir-faire” premiado pela UNESCO. Turistas mais interessados a procurar, nas numerosas lojinhas das ruas estreitas da cidade, as produções do artesanato local inspirado da lã, das tecelagens, das gravuras, sejam produções novas ou peças antigas encontrados num brechó ou num antiquário.

A ponte no Rio Creuse

A ponte no Rio Creuse

A Historia dos artesãos da Creuse, outrora Marche ou Combraille, é também marcada pelo “savoir-faire” dos seus pedreiros. Famosos por ter construídos todos os grandes monumentos de Paris, os “maçons creusois” mostraram os seus talentos nas igrejas romanas,  ou nas casas e nos castelos  dos dois ordens guerreiros, Templários e Hospitaleiros, que os poderosos monges-soldados administravam em toda a região da “Língua da Auvergne” . TORRE ZIZIM (PRINCIPE DJEM)No século XV, Pierre d’Aubusson, senhor da cidade, chegou a ser Grão Mestre dos Hospitaleiros, conseguiu vencer o cerco imposto poderoso sultão turco Bayezid “O Trovão”. Na volta,  trouxe  de Rhodes o imperial irmão “Djem”, encarcerado numa torre (a “Tour Zizim”)  que mandou arrumar especialmente  e que ainda pode ser visitada em Bourganeuf. Na própria cidade de Aubusson, o velho castelo, as faixadas de pedra, a torre do Relógio ou a ponte no Rio Creuse são para o viajante um perfeito cenário para curtir a memória  desses artesãos, pedreiros ou tecelãs, que a “Cité Internationale de la Tapisserie” vai ajudar a valorizar.

Jean-Philippe Pérol

Curtindo as ruas de Aubusson

Curtindo as ruas de Aubusson