Shopping na França : barato, diverso e cultural!

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Se para os brasileiros Paris é a capital mundial da cultura – são depois dos americanos os mais numerosos a visitar o Louvre – , eles não escolhem Paris como capital do shopping, pensando muitas vezes que as compras em Paris se restringem a perfumes ou roupas de grandes costureiros. Para quem conhece a capital francesa, as oportunidades de compras são porém ilimitadas, tendo inclusive varia boas razões para dar a França uma séria vantagem na competição com os Estados Unidos para satisfazer as exigências e os desejos dos mais impulsivos e exigentes compradores.

Começando com as famosas liquidações semestrais, que vão justamente começar em Paris dia 25 de junho e durar até 29 de julho. Elas foram mesmo inventadas na França, pelo empresário Simon Mannoury, fundador em 1830 da loja parisiense soldes (1)Au Petit Saint Thomas. Foi ele quem organizou as primeiras operações de grande baixa de preços sazonais para liquidar seu estoque não vendido da temporada anterior. Até então a palavra solde significava pedaço de tecido não vendido. Simon Mannoury se apropriou da palavra para designar seus eventos. Em 1852 Le Petit Saint Thomas se tornaria a famosa loja Le Bon Marché na Rua do Bac. Hoje a loja fundada pelo Mannoury é chiquérrima, mas as liquidações continuam e foram adotadas na França inteira. Tanto no inverno como no verão, estas datas apresentam uma oportunidade única de comprar de tudo (roupas, eletrônicos, moveis, etc…) com descontos inacreditáveis.shop3 Durante as primeiras semanas ficam em torno de 30 a 50%, mas nas últimas semanas os preços ainda degringolam de maneira vertiginosa. Alguns consumidores preferem o início das liquidações por acreditarem que há mais escolha nas lojas. Outros não resistem aos incríveis preços das últimas semanas. Tantas oportunidades fazem com que as ruas comercias e shoppings da cidade apresentem um  ritmo de festa e animação. Vive les soldes!

Para compras de turistas: 100 na etiqueta=107 nos EE-UU=87 na França

Os preços, ou mais especificamente as taxas, dão também uma vantagem a França na briga para ser o paraíso das compras dos brasileiros. Olhando duas etiquetas do mesmo valor, o comprador deve saber que isso esconde uma diferencia de 12 a 27% a favor da loja francesa. Isso porque as taxas (em média 7%) são cobradas nos Estados Unidos por cima do preço mencionado, enquanto na França não somente estão inclusas (de 5,5 a 20%), mas são reembolsadas para estrangeiros na saída do Europa (respeitando algumas condições). Em média uma diferença de 20%  a favor da França!

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Paris, e muitas grandes cidades francesas como Bordeaux, Marselha, Lyon, Nice, Cannes ou Estrasburgo, oferecem também uma diversidade de compras excepcional. São ruas e até bairros repletos de pequenas lojas (para mim a rua de Rennes em Paris ou a rua Sainte Catherine em Bordeaux) , bem como as tão famosas grandes lojas de departamentos (o meu favorito o Bon Marché, ou as Galeries Lafayette em Paris mais 17 cidades). São também shopping centers (o Quatre Vents em La Defense) e mais recentemente outlets  (experimente o La Vallée perto da Disney) . 20118215Cannes tem até um Festival de Shopping em janeiro. Tem brechós espetaculares em Saint Ouen (les Puces) e em muitos vilarejos do interior. E não se deve esquecer que a alfândega brasileira presenteou os amadores de vinho com uma quota de doze litros ! Compras na França são tão diversas que o próprio país, fazendo do shopping, tão querido dos turistas brasileiros, momentos de encontros, de intercâmbios e de descobertas. Mesmo barato, shopping na França também é cultura!

Jean-Philippe Pérol

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Parte desse editorial foi escrito aproveitando um artigo da Silva Helena de Cerqueira. que teve a gentileza de autorizar essa colaboração.

100 milhoes de turistas nos EE-UU em 2020?

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Pelo menos na sua política de turismo, Obama esta mostrando que “Yes, he can”. Visitando na semana passada o “Hall of fame” do baseball em Cooperstown, ele anunciou as ambições americanas nesse setor: “Quero passar de 70 milhões de turistas em 2013 para 100 milhões logo no inicio dos anos 20. 052214_potus_cooperstown (1)“ No mesmo discurso, ele declarou também que tinha pedido aos Secretários do Comercio e da Segurança de trabalhar com as companhias aéreas, os hoteleiros, os Estados e os municípios para encurtar os tempos de demora nas filas de imigração e para melhorar a experiência vivido pelos viajantes nos aeroportos americanos. Fez questão de lembrar que o recado devia ser simples: mais turistas estrangeiros significava mais empregos para os americanos. “Melhorando o tempo de espera na chegada (sem fazer nenhum compromisso com a segurança), os turistas ficarão mais satisfeitos. Em Dallas e Chicago, já conseguiram reduzir o tempo médio de espera a menos de 15 minutos. “ ainda lembrou Obama, insistindo que cada turista bem recebido virava um embaixador do turismo americano junto a sua família e seus amigos.

Essas medidas se inscrevem na estratégia de apoio ao turismo que o Obama desenvolveu desde 2011 com a reativação de Brand USA, a criação de um fundo de promoção de 100 milhões de dólares e a multiplicação de contatos com os lideres do setor, sendo a ultima vez dia 22 desse mês na Casa Branca . E interessante notar que Obama não esquece o quanto é fundamental convencer a opinião publica da importância do turismo na economia mas também na imagem dos Estados Unidos.?????????? As declarações do Presidente lembram que de oito a quatorze milhões de empregos dependem do turismo, que 150.000 empregos novos sao criados cada ano, e que esses empregos não podem ser deslocalizados. Destacam também que o fato de receber turistas do mundo inteiro deve ser para cada americano um motivo de orgulho, e que essas visitas são boas para os monumentos, os parques ou as lojas, mas também boas para toda economia americana.

mascote-copa-2014-tatu-bolaNa véspera da Copa, pensando no impulso que poderá ser dado ao turismo no Brasil nos próximos anos, a política seguida pelos Estados Unidos tem muitas ideias para ser seguidas: estratégia discutida com todos os atores, envolvimento das autoridades no mais alto nível, orçamento ambicioso e gerenciado em PPP, mobilização da população em torno do atendimento aos turistas, objetivos de criação de empregos e de crescimento econômico claramente anunciados.

Com centenas de destinos turísticos brigando pelo bilhão de turistas internacionais que viajam pelo mundo, a concorrência vai ficar cada vez mais forte. Entre os grandes, os Estados Unidos estão agora querendo desafiar a Franca, a Espanha e a Itália e a China para pegar o primeiro lugar não só em receitas (eles já tem) mas também em passageiros. Ainda na trigésima sétima posição do turismo receptivo internacional, o Brasil tem também tudo a ganhar a entrar nessa briga.

Jean Philippe Pérol

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Esse artigo foi escrito utilizando um artigo e umas informações provenientes da revista online Pagtour

Nao bastava a Saint Valentin, agora a França festeja também o dia dos Namorados

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O saudoso João Doria, o empresário baiano que popularizou no Brasil o dia dos Namorados e escolheu a data do 12 de Junho para comemorar, vai ficar orgulhoso. A França também vai entrar nessa alegria. Claro que a grande data para os namorados vai continuar lá a ser a Saint Valentin, dia 14 de Fevereiro. A tradição é muito antiga, fala se do século III e de um padre chamado Valentino que tinha ficado revoltado com a decisão do imperador Valério de acabar com o casamento dos militares. Ficou preso, condenado a morte, mas se apaixonou pela filha do guarda com a qual trocava bilhetes de amor … A partir da idade media, essa tradição se juntou com uma velha festa pagã que marcava o 14 de Fevereiro como o inicio dos amores dos pássaros. Começava a historia da Saint Valentin na França, com suas trocas de mensagens de amores românticos.

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Sem mexer com essa tradição tão popular, alguns profissionais franceses apaixonados pelo Brasil estão também adotando agora o dia 12 de Junho para festejar o dia dos namorados à brasileira. Entre muitas ofertas de lojas, de hotéis ou de restaurantes, destacou-se uma proposta de estadia romântica no coração da Borgonha, no meio do caminho entre Paris e Lyon, no Relais Bernard LoiseauRBL_dessert© Philippe_Schaff (13)Mesa mítica da gastronomia francesa, esse restaurante 3 estrelas Michelin desde 1991, é também um Relais Châteaux instalado numa mansão típica da Borgonha, com decoração de madeira e de pedra da região e dispondo de um belo jardim inglês, tudo para criar um ambiente romântico.

©Yvon_Meyer_table-oiseauFã do Brasil, Dominique Loiseau decidiu comemorar o dia dos namorados com uma proposta de estadia especial de duas noites, incluindo junior-suítes, com vista para o jardim para tomar o café da manhã numa sacada privativa, dois jantares no restaurante onde os namorados poderão visitar as cozinhas para encontrar o chefe, e um acesso livre ao Spa de charme, com piscina externa aquecida.

Mas para comemorar com emoção e romantismo o dia dos namorados, o melhor da Borgonha será talvez os passeios que ela pode oferecer, da abadia de Fontenay ou do morro de Vezelay – patrimonios da Unesco, aos vinhedos do ‘Clos Vougeot’, de ‘Drouin la Rose’ ou da ‘Romanée Conti’, ou aos imperdíveis ‘Hospices de Beaune‘.DSCN0142 É possível organizar um vôo de balão, descobrir o parque regional do Morvan, ou andar de bicicleta ao longo do canal da Borgonha … Um programa cheio de emoções e de romantismo numa região que quer agora oferecer aos brasileiros duas datas para comemorar o Amor.

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Jean-Philippe Pérol

Travel Week: em São Paulo, o luxo e os sonhos do mundo!

tetiaroaA quarta edição da São Paulo Travel Week não decepcionou os participantes que vieram para oferecer ou descobrir as últimas tendências do turismo de luxo nos cinco continentes. Mesmo antes de ver as maravilhas que cada um dos estandes reservou para os seus clientes, o visitante vive o luxo em cada um dos detalhes desse salão fora dos padrões comuns. fotoAlém da escolha a dedo dos participantes, difícil de dizer se é o charme vem da agua de coco servida nos cantos, do logotipo esbanjando criatividade e bem-estar, das palmeiras espalhadas nos corredores, ou dos bufês dieteticamente corretos, mas a Travel Week (merci Carolina Peres) soube criar um clima de elegância e de profissionalismo do mais alto padrão.

Entre as empresas presentes, todas selecionadas pelos organizadores em função do luxo oferecido, é também difícil escolher qual destino ou qual hotel representa o sonho de cada um. Pode ser o deslumbrante novo Shangri La de Londres, o glamouroso Cipriani de Veneza, o austero Monasterio de Cuzco, ou o Sofitel Santa Clara de Cartagena. Pode ser no Brasil o Hotel das Cataratas ou o baiano Txai.

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A França mostrou porque ela é o primeiro destino turístico, anunciando as reaberturas do Plazza Athénée ou do Lutetia,  mostrando o charme de Saint Tropez  com o Chateau de la Messardière, ou da Provence com o Oustau de la Baumanière. 1_Megeve main square at night_flickr.pngTinha a França do esqui e do inverno com a charmosa Megève, ou a França do Caríbe com o requinte da Samanna em Saint Martin francês.

É justamente na França dos trópicos que está aparecendo um dos mais esperado lançamento do ano, o The Brando, em Tetiaroa. Nesse pequeno atol despovoado, a 60 kilómetros de Tahiti, que Marlon Brando descobriu depois da filmagem do filme  O grande motim do Bounty , e onde ele viveu até 1990, abrirá em julho desse ano  um resort único na Polinésia Francesa, mundialmente pioneiro em desenvolvimento sustentável .  13-08-TET-TFS-0314Só acessível de avião fretado, o The Brando terá 35 casas, com praias particulares que os hospedes vão dividir somente com tartarugas, arraias gigantes e pássaros exóticos. Em respeito ao local, a cultura polinesiana é sempre presente, seja na arquitetura das casas, no Spa ou no cardápio de um dos dois restaurantes, sendo o segundo de gastronomia francesa.  13-08-TET-1885Mas o The Brando não é somente um resort de altíssimo luxo, ele é um modelo pioneiro de tecnologia sustentável com um sistema de ar condicionado utilizando a água do mar, uma energia em parte solar e em parte proveniente de óleo de coco, e uma horta orgânica. O projeto prevê também a proteção dos peixes tropicais e da fauna marina do atol a partir dum centro de pesquisas científicas construído na ilha e que os hospedes poderão visitar.

Com a Travel Week , o Brasil tem agora uma grande feira de turismo, competindo nos nichos de luxo com as grandes feiras de Cannes ou Las Vegas, e mostrando a força do mercado emissivo brasileiro, hoje um dos dez maiores do mundo. Ainda mais, esse maravilhoso evento da Carolina Peres mostrou a força do Brasil que dá certo. Vamos torcer para que a Reed, agora dona dessa Travel Week, guarde esse padrão de qualidade nos mínimos detalhes, e fica com esse espírito pioneiro – ou devo dizer bandeirante, para poder continuar a oferecer em São Paulo todos os sonhos do mundo.

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Jean-Philippe Pérol

20 anos de Eurotunnel: 15 bilhões de Euros de investimentos e 330 milhões de passageiros entre Paris e Londres!

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No dia 6 de Maio de 1994, a Rainha Elizabeth II e o então Presidente francês François Mitterrand inauguraram o túnel entre os dois países. A Inglaterra não era mais uma ilha, o continente não era mais isolado, e um sonho de quase duzentos anos tornava-se realidade.

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Era em 1802 que tinha sido pensado o primeiro projeto. O engenheiro Albert Mathieu-Favier fez a proposta de um túnel com duas galerias. Com as guerras de Napoleão a ideia não avançou e foi somente em 1851 que saiu um novo projeto, um outro túnel, essa vez  pré-fabricado e de aço. Em 1852, uma outra proposta, uma ponte com 400 pilares de pedras, foi logo abandonada. A ideia do túnel, essa vez levantada pelo francês Aimé Thomé de Gamond e  John Hawkshaw voltou a ser considerada e levou as primeiras obras a partir de 1878 em Sangatte. Mas  as dificuldades técnicas, a oposição de políticos e militares levaram a um embargo das obras em 1883 enquanto menos de dois km de galerias tinham sido realizadas.

Demorou noventa anos para mais uma tentativa frustrada em 1971, abandonada depois de 700 metros. E foi em 1981 que o projeto atual começou a nascer numa reunião em Londres entre os governos francês e inglês. DSCN2813Margaret Thatcher concordou em ligar a Inglaterra com o continente, mas exigiu que o financiamento seja fechado sem um penny de dinheiro público. Talvez lembrando dos desastres financeiros que acompanharam as obras do Canal de Suez ou do Canal de Panamá, a dama de ferro tinha razão de se preocupar, e os centenas de milhares de pequenos acionistas que investiram no projeto logo no lançamento foram em maior parte arruinados quando a ação da empresa, lançada a mais de 5 Euros em 1987, baixou para alguns centavos quinze anos depois. Nesse tempo o custo total do projeto Eurotunnel tinha subido para 15 bilhões de Euros.

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Mas a obra foi um sucesso, virando o mais comprido túnel submarino do mundo com 38 km em baixo do mar e um total de 50 km. Em seis anos, 12000 operários finalizaram os três túneis (um em cada sentido mais um para o serviço), os dois terminais e todas as infraestruturas. Iniciada em maio de 1994, a abertura foi progressiva, primeiro com as navetes para caminhos, depois os trens de carga, as balsas para carros de passeios, e, a partir de novembro 1994, os TGV Eurostar. Em vinte anos, 330 milhões de passageiros.

Gare_du_Nord_night_Paris_FRA_002Hoje são quase 20 milhões de passageiros e 1,5 milhão de veículos por ano que viajam pelo túnel entre Londres, Paris, Lille ou Bruxelas. A empresa, que emprega 3700 funcionários e deixa um lucro operacional de mais de 100 milhões de euros, nunca foi tão prospera e tem vários projetos de shopping, de eco-sitio e de golfe mostrando o seu envolvimento no turismo.

O túnel teve um impacto decisivo sobre os fluxos turísticos entre a Franca e a Inglaterra que cresceram de mais de 50% . Mas teve também consequências para todos os turistas, e até para os brasileiros que foram mais de 50.000 a juntar Paris e Londres, hoje um dos roteiros mais vendidos na Europa pela Rail Europe. Bruxelas também ficou mais visitada. vieux-lille-33No norte da França, a simpática, animada e muito surpreendente cidade de Lille começou a atrair brasileiros que estão gostando do seu patrimônio cultural ( pelos museus, o segundo da Franca depois de Paris), da sua arquitetura flamenca, da sua famosa venda de rua, do sua gastronomia despretensiosa e das suas cervejas únicas. Assim, para festejar esses vinte anos da Eurotunnel, que tal uma “petite bière“? Santé!

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 Jean-Philippe Pérol

 

http://www.raileurope.com.br

 

Sao Paulo, a Nova Iorque latina que inventa o amanhã…

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Se, na véspera da Copa, muitas duvidas aparecem na imprensa internacional (e brasileira) sobre a conjuntura ou até o futuro do Brasil, o diário francês “Le Figaro” publicou hoje uma elogia apaixonada de São Paulo. Lembrando que a cidade acolherá o jogo inaugural, o jornalista Jean-Pierre Chanial elogiou o vanguardismo, a criatividade e o dinamismo da cidade, sua energia para inventar hoje o mundo de amanha, definir novas tendências e ser uma Nova Iorque latina onde as coisas acontecem. Impressionado pelo seu gigantismo, sua área cinco vezes maior que Paris e sua aglomeração, seus 2578 arranha-ceús, suas 2000 boates, seu milhão de pizzas comidas cada dia ou suas pinturas de ruas, ele destacou algumas preferências para justificar esse amor a primeira vista: o futebol, o mercado municipal, a arte de rua da Vila Madalena, e a Avenida Paulista.

A paixão pelo futebol parece ao Chanial um dos fundamentos da sociedade paulista. No coração da cidade, ele achou que isso  reúne os executivos, os vendedores de rua, os loiros, os índios, os pretos ou os morenos de todas as miscigenações, os pedreiros ganhando 1000 reais por mês ou os engenheiros formados nos Estados Unidos. 20090604123647b2_0099Esse povo  construiu a capital econômica do Brasil mas sempre se lembra que o primeiro jogo de futebol aconteceu aqui em 1894. Em São Paulo o futebol tem seu museu,  um paraíso dos fãs de todas as idades onde o visitante é guiado por um Pelé virtual, e em São Paulo a Fifa se surpreendeu como o novo estádio do Corinthians que já está pronto para a Copa.

O Mercado municipal é para Chanial um verdadeiro Graal dos sabores, No imenso galpão de tijolos e de teto de vidro, a mortadela e os queijos italianos lembram que três milhões de paulistas são  descendentes dos imigrantes que vieram trabalhar nas fazendas de café no final do século XIX. Mais que os 250 feirantes, o que fascina o turista são uns vinte pequenos restaurantes, servindo por menos de dez reais pratos típicos preparadas por “mammas” que parecem chegar de Napoli, mexendo nas panelas ou assando as bruschettas sem perder a amabilidade e a sinceridade. Para ele, uma outra surpresa vem das paredes da cidade.

Podem ser simples palavras “sou eu, então é você”, “f… a policia”ou “arte não é crime”. Podem ser verdadeiros quadros “naif” ou abstratos, tipo quadrinhos ou realistas, mas as vezes impressionantes. Podem chegar a ser geniais, como é o caso no Beco do Batman, no bairro de Vila Madalena, onde as paredes dos sobrados viram explosões de formas e de cores, de sonhos e de desejos. Nessas ruas estreitas, não são os grandes arquitetos que assinam o novo look da cidade, mas pintores de rua como Nina Pandolfo ou Minhau, Chivitz. A cada esquina, o turista pode parar tomar uma cerveja num barzinho “bobo” onde cada jogo da Copa será com certeza uma grande festa.

Para o jornalista do Figaro, o ultimo imperdível da cidade é a Avenida Paulista, para ele o Champs Elysées de São Paulo…20090604121829b2_0030Saudades das mansões dos barões do café hoje quase desaparecidas, beleza imponente dos aranha céus que grandes arquitetos construíram para os maiores bancos do pais, ou lojas e restaurantes para todos os bolsos, impressionaram porem menos que a multidão nos calçadões. O balé dos colarinhos brancos grudados nos celulares e das fashionistas mostrando as grifes das suas bolsas, os olhares trocados de beleza mestiça, deram a Jean Pierre Chanial a impressão que era ai mesmo que São Paulo era pronta para enfrentar sem medo o seu destino.

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Merci, Monsieur Chanial, para essa animadora visão de São Paulo!

Jean Philippe Pérol

Para ler o artigo completo em francês: http://www.lefigaro.fr/voyages/2014/05/02/30003-20140502ARTFIG00243-so-paulo-rendez-vous-avec-la-demesure.php

Na mesmo edição do Le Figaro, ler também os outros artigos sobre a moda e os negócios em  Sao Paulo.

Primeiro de Maio na França: dia do Trabalho, do Amor e do Lirio-do-vale!

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Desde 1886, o Primeiro de Maio  começou com um dia de lutas e de lágrimas entre policiais e sindicatos anarquistas para pouco a pouco virar no mundo inteiro o feriado do Trabalho e dos Trabalhadores. Na França, essa festa operária se juntou com uma velha tradiçã0 céltica de oferta de flores as moças solteiras no inicio da primavera, na época o Primeiro de Maio que era também a festa do Amor. O lirio-do-vale  (em francês Lys des Vallées ou Muguet) foi associado ao primeiro de Maio em 1561 quando o Rei Carlos IX, visitando a região de Grenoble, foi presenteado com essa flor e gostou tanto que mandou distribuir buquês a todas as damas da corte.

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O casamento entre o lirio-do-vale e o Dia do Trabalho só começou depois da segunda guerra, quando os participantes aos desfiles começar a trocar as flores vermelhas pelos “muguets”. As vendas dessas flores nas ruas, autorizadas pelas prefeituras, passaram também a ser uma grande atividade (e uma importante fonte de rendas) para os sindicatos e os partidos políticos de esquerda. Ainda hoje os franceses compram nesse dia mais de dois terços dos  “muguets”do ano, seja um faturamento de mais de 30 milhões de Euros.

Se é pouco conhecido no Brasil, o lirio-do-vale  aqui também tem uma historia. Durante muitos anos a Air France entregava a mais de mil mulheres as preciosas flores na manha do primeiro de Maio.  retard-muguet-inquiete-deja-1268039-616x380 Saindo dois dias antes de Nantes, onde são produzidas, elas chegavam na véspera no Brasil,  passavam milagrosamente pela alfândega, eram colocadas em caixinhas transparentes com fitinhas brancas  pelos funcionários da Air France todos mobilizados, e eram distribuídas de manha em São Paulo e no Rio de Janeiro. Saudades… Mas hoje, se for viajando pela França nesse Primeiro de Maio, não esquece de oferecer a pessoa amada essa florzinha que tem a magia de simbolizar no mesmo tempo o trabalho e o amor. Isso, só na França!

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Salões de turismo: o WTM surpreendendo e saindo na frente!

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Se os profissionais achavam que o Brasil sentia falta de um grande salão internacional de turismo a altura do crescimento do setor e dos seus sete milhões de viagens internacionais, o quadro mudou completamente. A chegada  em São Paulo da nossa querida Feira das Américas, o sucesso da requintada Travel Week e o lançamento da WTM com toda força da Reed Exhibition deram aos agentes de viagens, as operadoras, aos fornecedores  e a todos os destinos as opções de encontros e de negócios que eles precisavam.

World Travel Market Latin America 2014 - LogoPrimeiro dos três esse ano,  o WTM impressionou com a organização, a qualidade dos estandes e a globalização dos expositores. Um pessoal atencioso, um registro ágil, uma planta clara (com a Braztoa essa vez estrategicamente localizada e sem a  antiquada serpentina), e uns seminários bem preparados mostraram o profissionalismo da Reed. Os estandes surpreenderam pela qualidade do design e da montagem, seja a Alemanha, a Suíça, Israel, Nova Iorque, a Argentina , Santo Domingo ou Pernambuco.foto[1] A França apostou também pesado nessa segunda edição do WTM Latin America: em uma forte parceria com Accor e Air France, consegue uma visibilidade há muito tempo não alcançada nos seus salões brasileiros, e levou doze participantes franceses. Foram Marselha, Montpellier, Carcassonne, Midi-Pyrénées e dois destinos caribenhos, a Martinica e Saint Martin. A diversidade dos destinos  presentes mostrou que o mercado do Brasil interessa agora os quatro cantos do mundo.  GI_124_7fa19O Canadá vem com toda força. Empurrada pela novela da Globo que ajudou esse grande país turístico a passar os 100.000 turistas brasileiros, a Turquia se destacou, mas também a Rússia, a Jordânia, a Índia, a Coreia, a Grécia, o Marrocos, Dubai ou Abu Dhabi…

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O sucesso do WTM só poderá porém ser definitivo se os visitantes forem mais numerosos. Pouco agentes, especialmente no último dia, estandes das operadoras visitados por muitos  fornecedores em vez de compradores, e estandes dos destinos assediados de vendedores de publicidade com crachás de jornalistas mostraram que os agentes de viagem brasileiros ainda não optaram pelo novo salão. A presença ainda discreta (ou mais focada no internacional) dos grandes estados turísticos brasileiros, bem como das grandes operadoras, talvez desanimou aqueles cujas vendas são mais focadas no doméstico… E a impossível localização no quase inacessível Transamerica desanimou muitos potenciais visitantes.

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Para a próxima edição, já confirmada no Expocenter Norte do 22 ao 24 de Abril 2015, a frequentação deverá, sem dúvidas, melhorar muito. Terá talvez que ajudar os expositores inventando uma sinergia com a Travel Week agora pertencendo ao mesmo grupo mas com calendários conflitantes. fotoTerá também que convencer os agentes de viagens de se apropriar e de visitar um salão exclusivamente profissional e cuja dimensão meramente  internacional é mais complementar que concorrente do seu evento de classe, aberto ao público e muito focado no imenso mercado domestico. As oportunidades de crescimento do WTM Latin América são  muito promissoras, e, com mais de 25% dos expositores já de contrato assinado para 2015, ele saiu com certeza na frente para ser o grande salão internacional que o Brasil precisava há mais de dez anos. Parabéns!

Jean-Philippe Pérol

Turismo em Midi-Pyrénées: a fé, a espiritualidade, e a arte de bem viver.

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Viajando de Paris para Madrid ou Barcelona, ou de Bordeaux para Nice, o viajante atravessa uma região francesa cuja historia é marcada pela espiritualidade. Là comecam muitos dos caminhos de Santiago, là se expandiram as igrejas romanas, lutaram os cruzados de Simão de Montfort contra a heresia dos Cátaros. Là tambem nasceu Bernadette Soubirous, a menina cujas visões da Virgem transformaram o vilarejo de Lourdes na segunda cidade turística da França depois de Paris.

Jà conhecidos dos romeiros brasileiros, a região Midi-Pyrenées, antiga Ocitânia, oferece também outros sítios turísticos que justificam uma parada de três ou quatro dias no roteiro na França ou na Espanha. Rocamadour-franceDo passado espiritual ou religiosa, os imperdíveis são não somente Lourdes, sua gruta ou sua procissão de ciros, mas também a cidade medieval de Rocamadour e sua impressionante Via Crucis, ou a catedral de Albi, patrimônio da humanidade pelo contraste entre a austeridade das paredes de tijolos e a riqueza da decoração interna.Cópia de DSCN0028 Se não sobrou nada da rígida religião dos cátaros, a beleza do castelo de Montsegur mostra ainda hoje a força da fé que os levaram a morrer. Na vizinha Carcassonne, cidade fortificada tombada pela UNESCO, as muralhas e as torres são testemunhas dos esforços dos reis da França e dos Papas de Roma para liquidar a heresia.

Forte da sua cultura e espiritualidade, a região é também orgulhosa do seu modernismo. Foi de Toulouse que saíram os primeiros voos para América do Sul, e que são hoje fabricados os aviões da Airbus. E do alto dos seus 270 metros, a ponte de Millau é uma das mais modernas (e bonitas) do mundo, parecendo mais uma obra de arte, um veleiro navegando nas nuvens, que uma infra-estrutura de transporte.

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Para festejar a alegria de viver outrora celebrada pelo seu mais famosa artista Toulouse Lautrec, os brasileiros poderão brindar com o mais famosa vinho da região, o Cahors, que é produzido com uma uva pouca conhecida na França mas que ficou muito famosa na Argentina onde foi exportada: a uva Malbec.IMG_0825 Esse vinho poderá ser o perfeito parceiro de alguns pratos típicos, por exemplo o cassoulet, um primo da feijoada feito com feijão branco. Com o foie gras ou o Roquefort, as duas estrelas gastronómicas da região, combinara melhor a personalidade do branco Floc de Gascogne. E saboreando um copo de Armagnac num bar da famosa praça do Capitole em Toulouse, a cidade rosa, poderão pensar que tem lugares no mundo onde espiritualidade e fé podem muito bem combinar com a arte e o prazer de bem viver.Henri_de_Toulouse-Lautrec_032Jean-Philippe Pérol

Concorde: há quarenta anos, Paris Rio de supersônico!

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Enquanto vivemos  no Brasil a febre da chegada próxima do Airbus 380, não da para não se lembrar que há quarenta anos atrás começava no Brasil uma outra aventura de avião pioneiro da tecnologia francesa: o Concorde. Posou no Rio de Janeiro pela primeira vez em maio de 1974, ainda com as cores da Aerospatiale, a construtora naquela época vanguardista que aproveitará a experiência adquirida para investir justamente no projeto Airbusphoto pro JPP0003Os primeiros voos eram experimentais e levavam so 32 passageiros ja que a metade da cabina era ocupada por computadores e instrumentos de controle. Acho que foram cinco ou seis voos, com políticos, homens de negócios, autoridades e jornalistas brigando para ser parte dos “happy few” que foram os primeiros viajantes a ligar o Rio e Paris em menos de seis horas.

Nessa época jovem estagiário na Jet Tours, tive a oportunidade de integrar a equipe que recebia os convidados franceses, organizando estadias e  passeios. photo pro JPP0001Como recusava qualquer pagamento para ser parte de tamanho aventura, o diretor da Aerospatiale me agradou com um convite para um desses voos. Foi assim que no dia 31 de Maio eu sai as sete da manha do Rio de Janeiro no Concorde, para chegar em Paris as sete da noite, jantar na casa do meu pai (era o aniversario dele) e voltar logo depois num avião da Varig que saia as onze da noite. photo pro JPP0004As sete da manha, vinte e quatro horas cravadas depois de ter saído, estava de volta no Galeão, explicando a um agente da policia federal que não tinha nenhum erro nos carimbos no meu passaporte, que era possível ir e voltar de Paris no mesmo dia pela asas do Concorde, e que o futuro da aviação era mesmo o supersônico.

Sobre o futuro, eu estava errado. Claro que no vinte meses depois, dia 21 de janeiro de 1976, começaram os voos regular da Air France entre Rio e Paris, duas vezes por semana, em cinco horas e cinquenta com parada em Dacar. Mas se voar a Mach 2,01 (ver foto do lado) era uma experiência fabulosa, se o serviço a bordo era do mas alto padrão, o sucesso comercial era quase impossível pelo menos por duas razões: um preço altíssimo (20% acima da Primeira Classe), e um conforto muito duvidoso especialmente no voo Rio Paris. De noite era difícil dormir nas cadeiras estreitas, e a descida obrigatória em Dacar era complicada… Com 60% de ocupação no Paris Rio mas somente 40 no Rio Paris, sem poder chegar até São Paulo, o voo acabou parando em 1983. Concorde continuará voando ainda vinte anos para Nova Iorque, mas nunca superará a trauma do  terrível acidente de 2000 e acabará sua carreira no dia 31 de Maio de 2003.

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Da aventura do Concorde no Brasil sobrou a demonstração do pioneirismo da Air France, a afirmação do compromisso brasileiro com os projetos de futuro, e , para todos aqueles que tiveram a oportunidade de voar a bordo desse lindo pássaro, a satisfação de ter vivido uma experiência tecnológica que nem os próprios filhos nem provavelmente as gerações futuras poderão viver. O tempo do Concorde passou, mas foi talvez  uma etapa imperdível para chegar ao futuro necessário, o do Airbus380…

Jean-Philippe Pérol

PS: Na América latina, o Concorde voou também para Caracas e México. Nesse última cidade, o voo inaugural contou com traslados de carruagens … saudade!