Borgonha: da fé nasceu o vinho …

 

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Na Borgonha, é talvez no tradicional leilão dos Hospices de Beaune que a estreita ligação entre a fé e o vinho têm a sua maior expressão. Essencial para o ritual da missa católica, o vinho era desde o século V trabalhado na Borgonha pelas comunidades de monges, especialmente os cluniacenses ( a partir de 909 perto de Mâcon e em algumas áreas famosas como a Romanée-Saint-Vivant.) e os cistercienses (a partir de  1098 nas regiões de Côte de BeauneCôte de Nuits, e Chablis). DSCN0138 - copieEm 1443, na auge do ducado de Borgonha, quando as vinícolas ganharam um novo impulso com a proibição do Gamay e a obrigatoriedade do Pinot Noir, o chanceler do duque Nicolas Rolin, homem de muita fé, mandou construir um hospital, os Hospices de Beaune. E para sustentar seu funcionamento, doou também uns 60 hectares de vinhedos. Até hoje, mais de 500 “peças” (barris de 228 litros) leiloadas no terceiro domingo de novembro são os principais recursos dessas obras caritativas. Foi assim que a fé, que criou esses vinhos maravilhosos , foi depois financiada por eles….

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Hoje na Borgonha, os vinhos continuam guiando os passos do viajante. Os nomes dos lugares desfilam feito as ofertas dum grande cardápio de vinho: Gevrey-Chambertin, Nuits-Saint-Georges, Savigny-les-Beaune, Meursault… Vindo do Brasil, as visitas imprescindíveis vão com certeza incluir o castelo do Clos Vougeot, os vinhedos da Romanée e também algumas propriedades que se destaquem: SAO JORGE DALIo Chateau de Pommard com suas impressionantes esculturas de Dali -, o “domaine” de Drouhin Laroze – com suas adegas que podem ser o cenário dum jantar inesquecível, ou o Chateau de Velle com sua animadíssima demonstração de tonelaria. A descoberta das sutilezas do Pinot noir – a uva preferida dos duques porque transmita ao vinho todas as sutilezas dos mil “terroirs” da Borgonha, acontece também nas inúmeras propriedades – quase 5000, com uma media de menos de 7 hectares- onde os produtores gostam de explicar suas especificidades e de deixar o visitante experimentar os seus vinhos antes de poder comprar los.

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A fé sempre fica por perto. Em Vezelay fica uma das maiores basílica do mundo católico, ponto alto dum dos caminhos de Santiago, o Caminho de Limoges, 75 dias de caminhada de Namur até Compostela. O santuário e a abadia ficam numa colina sagrada desde a época dos gauleses, um desses lugares onde sopra o espírito. MARC MENEAUE nos flancos da colina, os vinhedos de Chardonnay chegam até o pequeno vilarejo de Saint-Père onde se esconde o extraordinário restaurante L’espérance do chefe Marc Meneau.  A fé se vê também nas outras 29 abadias que marcam as paisagens da Borgonha: das mais importantes, Fontenay, fundada pelos cistercienses em 1119 e  hoje patrimônio da humanidade , Citeaux, ou Cluny, outrora sede da maior igreja da cristandade, até as menores as vezes transformadas em hotel como o Relais Chateaux Abbaye de la Bussière.

AUXERREE nos confins da Borgonha, já perto da Champagne, a visita dos vinhedos de Chablis, dos seus solos ricos em fósseis e dos seus sutis chardonnay acabará com certeza em Auxerre, nas ruas estreitas que levam a sua catedral gótica e a sua cripta romana. Frente ao altar onde a Joana d Arc rezou em 1429, o visitante poderá meditar sobre esses monges beneditinos ou cistercienses que conseguiram, com trabalho, técnica e criatividade, inventar na terra fria e difícil da Borgonha esses vinhos singulares que foram os preferidos do Louis XIV e do Napoleão.

Jean-Philippe Pérol

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Tahiti, pelo menos uma vez na vida!

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Desde 2013 e a Copa das Confederações, quando o seu time fez história no Recife ao marcar o seu primeiro gol oficial fora do seu continente, Tahiti está olhando cada vez mais para o Brasil. Já são quase três mil brasileiros que viajaram para lá esse ano, e as ambições dos taitianos são de dobrar esse numero nos próximos anos. Com uma imagem tão especial, especialmente mas não somente para lua-de-mel, com suas 118 ilhas cercadas de areias brancas ou negras, e suas águas declinando todos os tons de azul, a Polinésia francesa é um destino que já faz sonhar quase todos os viajantes. Difícil talvez é escolher um roteiro, e decidir como chegar lá.

Com uma estadia média de nove ou dez dias, a primeira decisão importante e de escolher as suas ilhas prediletas. Duas já são imprescindíveis. Bora Bora é o clichê que não pode ser perdido. Imortalizada pelos aviadores americanos que tiveram aí uma base militar durante a segunda guerra, ela é o cartão postal da Polinésia. presidential-overwaterNos seus hotéis com quartos de palafitas (O Hilton é espetacular), pode-se mergulhar no lagão, nadar com as arraias ou dar comida para os tubarões. As pequenas ilhotas – mutu- são lugares ideais para um piquenique ou um churrasco de peixes. Alugar um Buggy para uma volta da ilha é uma ocasião de descobrir não somente os antigos centros religiosos hoje abandonados (mesmo se nem sempre bem cuidados), mas também uma multidão de lojas de artesanato. A ilha principal, DSCN1262Tahiti, é muitas vezes esnobada pelos turistas, talvez por ser a capital. Mas é um ponto obrigatório já que todos os voos chegam em Papeete, e merece ser aproveitada em qualquer roteiro. As suas praias de areia negra podem agradar não somente os surfistas e a ilha oferece paisagens surpreendentes, jardins românticos, e os sortudos poderão talvez ver uma ou duas baleias se aproximar do litoral. Na cidade, duas visitas são paradas obrigatórias: visitar uma “bijouterie” para sonhar frente as pérolas negras, e conhecer as “roulottes”, as barraquinhas da Praça Vaiete onde turistas e moradores se encontram no final do dia para tomar um drinque ou ter um jantar descontraído.

A dúvida do viajante vai começar então na escolha da terceira ilha. Huahine é uma excelente opção porque além dos clichês de praia e de mar, de lindas paisagens e de uma vegetação luxuriante, ela tem uma das mais ricas heranças culturais e arqueológicas.DSCN0869 Com a indispensável ajuda de um guia qualificado, o visitante poderá descobrir os marae (antigos altar de sacrifícios humanos) ou as armadilhas de pescaria e suas estranhas anguilhas domesticadas com olhos azuis. Os nativos explicam que esse  clima de segredos e de descobertas,  junto com a forma muito especial da sua montanha principal, deram origem ao nome desse ilha: a ilha mulher.

Para quem está procurando os hotéis de altíssimo padrão, a terceira ilha dum roteiro tahitiano pode ser escolhida entre Tahaa, ilha sagrada dos antigos polinésios onde se esconde um requintado Relais Chateaux Taha’a Resort and Spa, e Tetiaroa , a ilha do Marlon Brado onde foi construído o hotel The Brando, o mais luxuoso resort dos mares do sul, milagre de design, de conforto, de tecnologia e de respeito ao meio ambiente.

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©R&C Le Taha’a Island Resort & Spa

Na espera duma ligação aérea entre São Paulo e Papeete (se fala há anos dum voo direto que continuaria depois até Xangai), a primeira opção de voo para Tahiti é o voo semanal da LAN Chile via Santiago de Chile. Uma viagem de somente 16 horas e que oferece a opção de combinar com a Ilha de Páscoa, mas com uma conexão muito demorada em Santiago e o risco dum único voo. A rota via Los Angeles é um pouco mais demorada, mas tem a vantagem de ter mais de um voo por dia, a Air Tahiti Nui e a Air France tendo conexões com os voos da American Airlines.

Tahiti é sem duvida uma viagem excepcional, romântica e sensual, o destino por excelência duma lua de mel fora do comum ou de comemoração dum grande momento da vida. DSCN1107E se tiver a oportunidade de poder repetir para um segundo roteiro, aproveite as ilhas esquecidas na primeira viagem, não perca Moorea, ou tente viver a experiência diferente das Ilhas Marquezas que tanto fascinaram os artistas Jacques Brel ou Paul Gauguin,

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Refeições a francesa: alem da Unesco, prazer, alegria e convivialidade!

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Relais & Châteaux Auberge des Templiers ©Photo Eric Dudan

Dentre dos novos impulsos que a França quer dar a seu turismo, a gastronomia tem um lugar de destaque, sendo escolhida como a primeira temática valorizada pelo recém criado Conselho nacional da promoção do turismo. A presença no grupo de trabalho de três dos mais respeitados chefes franceses – Alain Ducasse, Guy Savoy e Joel Robuchon – , o envolvimento do ministro das relações exteriores, e a escolha do 19 de Março como dia mundial dos “goûts de France” – Sabores da França- mostraram que o assunto é sério.

É claro que os 610 restaurantes estrelados pelo prestigioso Guia Michelin são um grande atrativo,  e os brasileiros frequentam as mesas dos mais famosos “trois étoiles” como o Relais Bernard Loiseau na Borgonha, a Maison Pic em Rhône-Alpes e a Assiette Champenoise em Reims. 1377098324equipeChefes mais novos, com cozinha alegre e criativa, também se promoverem recentemente no Brasil, o Michael Nizzero da Briqueterie na Champanha, ou o Jean Sulpice de Val Thorens.

Mas a gastronomia na França vai agora muito além do sucesso desses mestres talentosos. Desde o reconhecimento pela Unesco da “refeição gastronômica à moda francesa”em 2010, o foco não é mais uma receita francesa em particular, ou um formalismo extremo restrito a uma elite. tableÉ hora do prazer, ou melhor, dos prazeres da mesa. Comer, na França, é um ritual cultural marcando momentos importantes da vida, mas com uma mistura original de convivialidade e gastronomia, que reúne os franceses ao redor duma mesa bem colocada, para dividir pratos de qualidade acompanhados de um vinho adequado. Uma refeição é antes de tudo um momento de prazer, não um pit-stop numa correria desajeitada.

20122567A força da gastronomia francesa (para 20% dos brasileiros, o primeiro motivo de viagem para França) é que esse prazer e essa alegria podem ser vividos nos 78.000 restaurantes das 26 regiões francesas. Um bom “repas a francesa”, com seu aperitivo, seus pratos a base de produtos locais, seus queijos e sua combinação de vinhos, pode ser encontrado em todas as regiões, e cada francês tem seus favoritos. Toubana-053Pode ser uma “brasserie” em Paris a Closerie des lilas, ou a Coupole tão querida dos brasileiros, ou na Ile de la Cité o tranquilo Restaurant Paul. Em Lille, no surpreendente norte onde a cerveja acompanha o culinário “Chti”, a tradicional Chicorée é uma grande opção. Mas pode ser a Ferme Saint Sebastien em Charroux, na Auvergne, o criativo Côté cour na cidade de Aix en Provence ou o caribenho Toubana na Guadalupe. Pode ser um desses simpáticos e agitados “bouchons” de Lyon, o “Tire-bouchon” ou o “Les Lyonnais”. DSCN0193Ou pode ser também uma “table d`hôtes” de um pequeno vilarejo, por exemplo perto de Auzances, na minha terra, o maravilhoso “Au petit creusois” que tem as vezes cogumelos frescos (“girolles”) e serve um menu completo por menos de 30 euros.

É esse espírito de convivialidade e prazer, enraizado na sua gente e na sua terra, que faz o turista amar a gastronomia francesa. Mas na terra da liberdade, alem desses rituais, pode aproveitar refeições bem simples, por exemplo um prato em volta dum vinho no L’écluse em Paris ou no bar de la Poste em Saint Emilion. DSCN3797 - copieE se não poder parar o tempo necessário, lembre-se que um Jambon Beurre (sanduiche de presunto e manteiga numa “baguette”), com um copo de Saint-Amour no balcão do barzinho da esquina, não é um “repas à la française” mas também representa um excelente momento de prazer e de alegria à francesa.

Jean-Philippe Pérol

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Relais & Châteaux Moulin de l’Abbaye ©Philippe Schaff

 

TOSCANA OU PROVENCE?

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Na hora de escolher um destino romântico, acolhedor, rico em heranças culturais e arquiteturais, generoso na mesa e no vinhedo, onde a luz do sol sempre alegrou os artistas, o viajante coloca em primeiro lugar a Toscana e a Provence. E quando tiver que escolher uma dessas duas regiões irmãs ou rivais, é muito difícil encontrar alguém capaz de dar um conselho imparcial. É impossível escolher entre as paisagens, as colinas toscanas com seus pinheiros e seus ciprestes, e a imponente beleza da Montagne Sainte Victoire. DSCN0246 2Ambos oferecem as cores lilás dos campos de alfazema e o amarelo  dos girassóis. Os alinhamentos de vinhedos anunciam tanto o Chianti como o Côtes de Provence, tintos, brancos ou rosés cheios de sol, vinhos com duas longas historias e que foram muito melhorados nos últimos anos.  Nas cidades, Florença, Siena ou Pisa, Marselha, Avignon ou Aix-en- Provence, encontram se acervos culturais excepcionais que misturam nas duas regiões época romana, idade media, renascimento e tempos modernos, tanto pelos monumentos que pelos artistas.DSCN0267 Os “bem viver” toscano e provençal explicam que ambas desenvolverem uma gastronomia alegre, simples e aproveitando a riqueza dos produtos mediterrâneos – azeite, azeitonas, tomate, berinjelas, queijos de cabra ou de ovelha, massas, peixes, cordeiro, presuntos ou salsichão…..

A Toscana leva sem duvidas a força da sua capital, Florença, com sua imperdível Galeria e com as lojas do Ponte Vecchio, bem como a beleza da cidade rival de Pisa com sua torre agora completamente restaurada. Os centros históricos de Siena, Pienza e San Gimignano, também constam como patrimônios mundiais da humanidade. Mesmo invadidos de mochileiros e repletos de camelôs, são paradas obrigatórias para todos aqueles que dividam essa herança cultural. IMG_1171A Toscana surpreende também pelo seu vinho. Há cinquenta anos, o Chianti era um simpático vinho de ferias com uma folclórica garrafa numa embalagem de palha. Hoje, com a mesma base de uva Sangiovese,  a região produz vários grandes vinhos, por exemplo os produtos da San Felice agrícola, com uma qualidade reconhecida. Nessa mesmo vinícola, encontre se um dos melhores hotéis da Toscana, o Borgo San Felice, um deslumbrante Relais Chateaux construído num vilarejo abandonado, em cima duma colina. Respeitando a pedra, a terra-cota, a madeira, os carvalhos e os pinheiros, a pouca distancia de Siena, ele é o perfeito ponto de partida para descobrir a região.

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Nessa amigável competição, a Provence se orgulha também de vantagens que explicam o sucesso que leva junta aos turistas brasileiros. IMG_1094A primeira é uma grande facilidade de acesso, seja pelo TGV para Avignon, Aix en Provence ou Marselha, seja pelas autopistas indo para Paris, Italia, ou Espanha. Pequenas estradas secundarias muito bem sinalizadas pode lhe levar até esses pequenos vilarejos que são um dos maiores atrativos da Provence. E nesses lugares que se pode tomar um “pastis” no barzinho da praça, ver os jogadores de bocha, visitar as lojas dos pequeno artesãos, escutar esse patuá provençal tão parecido com o português, andar pelas feiras livres sem se sentir um turista esperado ou experimentar uma gastronomia local porem diversificada… IMG_1069Centenas desses vilarejos tem um Logis de France (pequenos hotéis de 2 ou 3 estrelas), 22 tem a chance de ter um Relais Chateaux, e tem também muitas novidades como o surpreendente 4 estrelas Les lodges de Sainte Victoire, perto de Aix en Provence….Os vinhedos também estão se renovando. Assim o Chateau La Coste que não somente realçou a qualidade dos seus brancos, rosés e tintos, mas espalhou nos seus vinhedos umas obras de arte criadas por artistas do mundo inteiro, incluindo três portais do brasileiro Tunga .

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Se as principais cidades, começando por Marselha e Aix en Provence, têm um grande acervo arquitetural, elas brilham hoje pela vida cultural e a animação. Museu Granet em Aix en Provence ou MUCEM em Marselha, festivais de musica ou de teatro. E nos pequenos vilarejos,  na sombra da Montagne Sainte Victoire ou dos Baux de Provence, novos espetáculos e novas atrações oferecem para os habitantes e os visitantes uma cultura que vive.

Toscana ou Provence? Sem duvidas as duas quando puder, mas se tiver que escolher, e se a autenticidade for um critério maior, a segunda tem talvez a vantagem de deixar o viajante não se sentir um turista, mas um visitante …

Jean-Philippe Pérol

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Esquiar na França, algumas razões para essa paixão.

 AMIGOS VAL THORENS

No próximo dia 21 de janeiro, mais de 400 operadoras vindo de quase 40 países vão ser recebido em Chambery, nos Alpes Franceses, para o salão ‘Grand Ski’.GRAND SKI O sucesso desse evento, ao qual  participarão esse ano 10 profissionais brasileiros, é  diretamente ligado ao sucesso do esqui francês que parece ter achado nos últimos anos um novo impulso nos mercados internos e internacionais. Ainda estagnado com menos de 5.000 esquiadores para França (num total de 30.000), o mercado brasileiro também está mudando com a chegada de novos viajantes. Mas existam pelo menos três serias de  razoes  para pensar que eles vão escolher os Alpes franceses para férias de inverno no hemisfério Norte .

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A primeira é a qualidade do próprio esqui, a começar pelas áreas esquiáveis (Les Trois Vallées ou les Portes du Soleil tem mais de trezentas pistas, quase o dobro de Vail e o quadruplo de Aspen). De Courchevel a Avoriaz, de Val Thorens a Val d’Isère ou de Megève a Chamonix, as estações dos Alpes Franceses sempre gozam duma grande variedade de descidas (verdes, azuis, vermelhas ou pretas), tanto para esqui que para snowboard. Para todos, os monitores são sempre um bom pedido, pelo menos para dois ou três dias. Sempre felizes de atender clientes brasileiros, eles ajudam a relembrar o básico e a escolher as pistas e os itinerários mais adaptados, enquanto as crianças podem ficar na escolinha.

chamonix-restauran_2446085bA segunda boa razão são  os prazeres do ‘Après-ski’, assim chamado pelos franceses que, durante as férias de inverno, valorizam muito os momentos passados no pos-esqui….  Um lanchinho no Chalet de Pierres em Courchevel, um drinque no Rond Point de Meribel, um jantar no La Grande Ourse de Val d’Isère ou no Chabichou de Courchevel, um fim de tarde fazendo compras nas ruas de Megève ou de Chamonix, e depois o SPA para relaxar antes duma Fondue, duma Raclette ou dum Genepi entre amigos.

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Os agentes que vão participar do Grand Ski em Chambery  ficarão também impressionados com a variedade das estacões e das opções de hospedagens que podem ser encontrados.CLUB Os turistas brasileiros estão escolhendo os ‘villages’ do Club Med (Valmorel) em primeiro lugar. Os hotéis de luxo de Courchevel são também muito procurados, inclusive o único palace dos Alpes (o Les Airelles) ou os vários Relais Châteaux (o Chabichou por exemplo). Mas a tendência nos últimos anos é o crescimento de estações até então menos conhecidas aqui, como Val Thorens, Val d Isere, Avoriaz ou La Plagne , bem como uma procura para apart-hotéis. Val_Thorens_Officiel CPierre et Vacances, por exemplo, tem uma excelente oferta , com muitas propriedades e preços muito razoáveis, especialmente para famílias ou pequenos grupos de amigos; dispor duma pequena cozinha é ótimo para poder aproveitar um jantar descontraído com vinhos da Savoie (os brancos são melhores), queijos locais (Tomme, Emmenthal, Roblochon) ou salames típicos (grelots, grignotons…) .

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Enquanto as agencias e operadoras precisam de produtos com muito valor agregado a oferecer para seus clientes, o esqui é uma opção que necessita sempre um profissional competente. O viajante precisa de conselhos para escolher a estação e a hospedagem certas,  ele tem de comprar todos os componentes da viagem juntos. É precisa de dicas  para combinar com outros destinos (no caso dos Alpes, a indispensável parada cultura/shopping em Paris, as vezes com Disney se tiver crianças), enfim tem que saber escolher as datas para aproveitar a melhor neve e os melhores preços.

Com seus clichês e seus sonhos, suas atividades esportivas, seus momentos de prazeres divididos com amigos e familiares, o esqui tem um imenso potencial para os viajantes brasileiros.  Provendo a neve dos Alpes Franceses, não tem duvidas que uma primeira experiência será seguida de muitas outras. Para agentes e operadoras do Brasil, é agora que tem que pegar essa oportunidade!

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Jean-Philippe Pérol

Quebec: a “Nouvelle France”, um novo destino brasileiro?

QUEBEC GLOBAL L1020112A estrada que vai de Quebec a Montreal pela margem esquerda do Rio Saint Laurent não é uma simples autopista. É o Chemin du Roy, o Caminho do Rei, onde os primeiros colonos vindo da França esperavam saudar um dia um soberano vindo para visitar a Nouvelle France.Le_chemin_du_Roy O Rei nunca veio, teve que abandonar a colônia aos ingleses em 1763, e a estrada esperou até 1967 para ver pela primeira vez um Presidente francês …. Mas mesmo derrotados na guerra contra os anglo-americanos, os “Quebecois” venceram, mantendo há 250 anos uma cultura e uma identidade francesa que até hoje impressiona os visitantes.

Drapeau_quebecPara os brasileiros, que colocam os Estados Unidos (mais de dois milhões de entradas) e a França (quase 700.000) como os seus dois destinos de viagem preferidos, o Quebec é um destino que oferece o melhor desses dois mundos: a historia, a cultura, a gastronomia e o ambiente de liberdade que se encontra na França, mas tem também  a organização, o sério, a segurança e o relacionamento descontraído da América do Norte. Assim o fluxo de turistas brasileiros quase dobrou em cinco anos, representando hoje 25.000 entradas, mais de um quarto das entradas de brasileiros no Canada. Viajando sozinhos (as) ou em casal, eles ficam uns 10 dias na província, visitando museus ou lugares históricos, aproveitando as belezas naturais, os eventos culturais ou, claro, fazendo shopping. Gostam do Quebec de branco no inverno, de verde no verão ou de vermelho no outono.

Mesmo ainda sem ligações aéreas diretas, e com exigência de visto,  o Quebec, América francesa ou França americana,  tem tudo para seduzir de vez os turistas brasileiros.QUEBEC DSCN8006 A cidade de Quebec é a mais antiga cidade da América do Norte, com suas ruas do século XVII e suas fortificações dominando o Saint Laurent. Da beira Rio até a catedral, o bairro do Petit Champlain é repleto de lojinhas, de restaurantes e de bares onde o atendimento parece ainda mais caloroso com o sotaque tão especial desses franceses sempre alegres e atenciosos. Um destaque especial para as especialidades locais, desde o artesanato do couro (por exemplo a loja m0851) até os doces de ‘mapple’ (a Maison Smith). No meio desse “Vieux Quebec”, um excepcional Relais & Chateaux, a Auberge Saint Antoine, é um imperdível hotel-boutique, seja para se hospedar, para jantar ou para um simples drinque na frente da lareira.

port_montreal_aggrandiSi Quebec é a capital que se lembra (o lema da província é “je me souviens”), Montreal é a cidade que se mexe, se agite, vive com intensidade num clima de liberdade (será que foi por isso que o De Gaulle lançou aqui o famoso ‘Vive le Quebec libre’?). Segunda maior cidade de língua francesa depois de Paris, tem também seu bairro antigo, o Vieux Montreal com seus antigos sobrados e seus recantos sofisticados (vale experimentar o Café Birks do chefe Jerome Ferrer). CARO KOUIGN DSCN7944Mas o visitante brasileiro vai se interessar mais ainda pelo bairro do Plateau onde concentra-se lojas, restaurantes, bares e além de tudo espírito boêmio. Os croissants do Kouign Aman não tem iguais , os bagels da Saint Viateur affirmar ser os melhores do mundo…. Os restaurantes reivindicam com razoes a gastronomia francesa (O Meac é um valor seguro, animado, gostoso e com bom cardápio de vinhos), mas a comida judaica do Schwarz é também um grande clássico da cidade. ruestdenisO Plateau é também O lugar do shopping descontraído, nas ruas Saint Denis ou Laurier. Indo para o centro, perto do hotel Sofitel, encontra-se lojas mais sofisticadas, vários shopping e … o Newton ou a Brasserie Alexandre para almoçar .Se tiver sorte de estar em Montreal numa época de Festival (do Cinema, do Teatro, do Riso…), o viajante brasileiro vai adorar a animação de rua, os shows muitas vezes de graça, os mercadinhos e aquela simpatia comunicativa desses franceses diferentes.

JPP AUTOMNE DSCN1827Frente a clientes esperando novas ofertas de produtos e destinos, ou  não querendo escolher entre França e Estados Unidos, o Quebec – América do Norte de alma francesa – pode ser sem duvida uma excelente opção para agentes de viagens e operadoras. Ai, quem sabe, uma nova companhia aérea reabrirá a rota SAO RIO YUL da saudosa Varig…

Jean-Philippe Pérol