
O antigo e o novo logotipo, duas gerações do sucesso do turismo suíço

O antigo e o novo logotipo, duas gerações do sucesso do turismo suíço

Na reunião da OTAN, Biden confundiu a Suiça com a Suécia
Quando o proprio Presidente dos Estados Unidos confunde os dois países, uma gafe feita agora pelo Biden mas que o Carter e o Bush filho já tinham feito antes, tanto a Suécia quanto a Suiça podem ser conscientes de que existe um problema de notoriedade. Os presidentes americanos não foram os únicos a fazer essa confusão: a sueca Spotify entrou na Bolsa de Nova Iorque embaixo de uma bandeira da Suiça, os esportistas suiços escutam regularmente tocar o hino sueco, 10% dos ingleses pensam que Ikea é uma empresa helvética, e 50% dos estado-unidenses confessam não saber diferenciar os dois países, inclusive quando se trata de preparar uma viagem.
Foi talvez por isso que os responsáveis de Visit Sweden, órgão oficial turismo da Suécia, decidiram aproveitar a oportunidade para desafiar os Suíços, lembrando que ainda que os dois países tivessem muito em comum – riqueza, neutralidade, qualidade de vida e respeito ao meio ambiente-, eles eram bem diferentes. Num clip inovador lançado no Youtube dia 24 de Outubro, a apresentadora Emma Peters interpelou os suíços, cercada por duas bandeiras nacionais e lendo uma declaração extremamente formal para os líderes e os cidadãos da Suiça, com uma lista de “propostas” misturando humor e agressividade.

No inverno sueco, a magia surreal da aurora boreal
A Suécia oferece, afim de diferenciar os dois países, sete “pontos de negociação” devendo integrar uma nova comunicação. Os bancos seriam suíços, os bancos de areia suecos. Os topos das montanhas suícos, os roof tops suecos. Os Yodel (cantos tipo tirolês) suíços, o silencio sueco. As emoções surreais na Suiça viriam do LSD (foi inventado por um quimico suico), na Suécia das auroras boreais. A Suíça teria a energia vindo do seu acelerador de partículas, a Suécia da sua tranquilidade. A moda na Suíça ficaria nas suas tradicionais bermudas de couro, na Suécia nos seus desfiles contemporâneos. E o luxo na Suíça estaria atrelado a seus relógios caríssimos, enquanto o luxo na Suécia seria de esquecer o tempo.

O silencio ou o Yodel, duas opções para escutar a natureza
A polemica iniciada pela Visit Sweden pode ajudar a promoção dos dois países. O video já foi visto por quase meio milhão de pessoas. Mais de 15.000 suíços já responderam a proposta com o mesmo humor ou a mesma agressividade, lembrando por exemplo que os mais famosos dos suecos, como o fundador da IKEA Ingvar Kamprad, tiveram que fugir para Suíça para escapar de um dos piores impostos de renda do mundo. No jogo do “Fale bem ou fale mal, mas fale de mim”, a Suécia tem porém, muito para ganhar. Se ela carregou durante muitos anos valores positivao, a liberdade, a segurança, a igualdade e a alta tecnologia, ela deve hoje enfrentar sérios problemas. A violência urbana, os riscos de atentados ligadas as polêmicas religiosas, o fim da neutralidade diplomática que vigorava desde a chegada ao poder do Marechal francês Bernadotte em 1818, foram fatores negativos que impactaram a imagem do país.

A relojoaria suíça defende uma certa concepção do luxo

Os hotéis dos centros urbanos estão preocupados com o retorno improvável dos viajantes de negócios aos níveis pre-pandemia. Como compensar essa queda, procurar novos clientes, redefinir os serviços e os espaços, se reposicionar na vizinhança? Para tentar responder a essas perguntas, a Associação dos hoteleiros da Suiça Romanda e dois institutos de formação da região realizaram uma importante pesquisa que mobilizou grupos de hoteleiros, de especialistas do turismo e de técnicos. Todos concordaram no fato que o hotel deve voltar a ser um lugar de vida multifuncional, e estabeleceram uma lista de propostas que foram testadas e depois organizadas em torno de quatro temáticas principais.
A prestigiosa Escola Hoteleira de Lausanne foi um dos parceiros da pesquisa
A primeira idéia é que os hotéis devem ser mais abertos para as comunidades, os moradores e os outros turistas. Eles devem favorecer e até incentivar os encontros, os intercâmbios e a convivialidade entre os hospedes, os visitantes e as populações. Os hotéis podem oferecer a produtores e atrações locais de apresentar ou até vender os seus produtos dentro dos seus espaços. Os restaurantes podem aproveitar a disponibilidade da baixa estação para organizar cursos de cozinha regional. A diversificação das atividades vai gerar novas fontes de renda tanto para os estabelecimentos que para os locais, reforçando a visibilidade e a integração.

Os hotéis urbanos da Suiça querem seduzir os millennials
Os hotéis urbanos do futuro devem ter espaços interiores mais flexíveis para responder as novas exigências e atrair uma clientela mais diversificada, incluindo os millennials. Além dos quartos para os hóspedes, deverão ser oferecidos a clientes externos opções de alugueis de salas de bem estar, de lojas, ou de salas de reuniões. O novo modelo econômico integrará ofertas para estudantes, funcionários temporários ou pessoas com estadas longas ( vários meses, até um ano ou mais ). Esses segmentos vão necessitar de tarifas especiais ou de quartos personalizados, mas também de serviços diferenciados – maquina de lavar, cozinha, correios …

WOJO, espaço de co-working colaborando com Accor
Para esses novos clientes, os hotéis poderão integrar espaços de trabalho, configurações de teletrabalho e mesmo de co-working. As salas deverão responder as exigências desses consumidores (sejam eles hospedes ou moradores), com os equipamentos requeridos mas também com ambientes favorecendo o contato, as interações entre colegas e os intercâmbios com os funcionários. Os serviços oferecidos deverão incluir refeições, atividades e parcerias com empresas locais, fazendo dos hotéis não somente os locais de estadias para os viajantes mas verdadeiros destinos, centros de networking entre moradores e visitantes.
Hoteleiros, especialistas e técnicos concordam sobre a importância da personalização e da diversificação das ofertas de cada estabelecimento para poder atrair esses novos clientes, especialmente aqueles que estão procurando estadias longas. Essa virada necessitará umas respostas a muitos desafios, o maior sendo a dificuldade de encontrar os colaboradores capacitados para enfrentar as mudanças. Para isso as empresas deverão mudar seus esquemas de trabalho e se adaptar as exigências de novas gerações de funcionários que dão prioridade a sua qualidade de vida. Os hoteleiros que poderão se adaptar a essas novas expectativas dos viajantes, dos moradores e dos colaboradores serão os pioneiros do turismo urbano do futuro.
Este artigo foi adaptado de um artigo original de Elisabeth Sirois na revista profissional on-line Reseau de veille en tourisme, Chaire de tourisme Transat
Depois de dois anos quase paradas, as viagens corporativas estão agora crescendo num cenário completamente transformado, com ritmos diferentes por atividades e por setor, algumas já atingindo o nível de 2019, outras ainda esperando a retomada. Segundo as mais recentes estatísticas da Global Business Travel Association (GBTA), estas despesas internacionais vão atingir em 2022 65 % dos US$ 1,4 bilhões que foram gastos em 2019, com um crescimento de 34 % em relação a 2021. Mas os profissionais do turismo devem agora esperar até 2026 para superar definitivamente a crise aberta pela pandemia.

A preocupação com a pegada carbono freia as decisões de viagens
Vários fatores estão pesando sobre a retomada: as tensões geopolíticas, os preços da energia, a alta da inflação, as perturbações de logística internacional e a falta geral de mão de obra. As empresas estão também preocupadas com a recuperação dos seus lucros, a redução das suas emissões de carbone, e querem aproveitar ao máximo as novos ferramentas de comunicação para facilitar as reuniões virtuais. No proprio setor do turismo, os hotéis, os restaurantes e as agências de viagem estão vendo um forte crescimento dos pedidos, mas em muitos lugares (especialmente na Europa) enfrentam dificuldades para responder por falta de pessoal ou falha dos fornecedores.

Os novos encontros profissionais exigem criatividade
Os novos comportamentos dos viajantes exigem também novas respostas dos profissionais. Os cancelamentos de última hora atingem agora até 20% dos participantes e as condições devem ser revistas. A procura de eventos de medio e pequeno porte cresceu muito mais que a media, necessitando reconfigurações dos espaços. As empresas pedem muito mais criatividade nas programações que devem mostrar um valor agregado mais forte para as empresas e mais atraente para os participantes. E no mesmo tempo as reservas têm uma tendência a ser cada vês mais de última hora, exigindo muita reatividade.
Os tipos de encontros estão mudando. Para um funcionário em teletrabalho, ir para o escritório seria uma viagem corporativa? Se reunir com seus tele-colegas seria um evento profissional? De certa forma, sim. Devendo se adaptar as novas relações no trabalho, as empresas organizam seminários, reuniões e atividades para compensar o distanciamento das equipes virtuais. Em tempo de mão de obra escassa, essas reuniões devem não somente informar, aproximar e incentivar os colaboradores, mas também ser agradáveis e até divertidas. Os destinos já estão integrando essas novas dimensões e o seríssimo turismo da Suiça lançou uma campanha dizendo que “Precisamos de viagens corporativas com cara de ferias”.

O teletrabalho está abrindo mais oportunidades de viagens corporativas
Uma outra tendência observada nas viagens corporativas é o crescimento do bleisure. Antes mesmo da pandemia, a prorrogação de uma viagem profissional por motivos pessoais era cada vez mais popular, especialmente junto aos milênios. Segundo uma pesquisa da Future Market Insights report, o bleisure representa hoje de 30à 35% das viagens mundiais, mas o teletrabalho está abrindo muitas novas opções. O colaborador poderá prorrogar suas ferias com um bleisure tele-trabalhado, um conceito atrativo na hora de achar novas ideias para melhorar as condições de trabalho, e incentivar o pessoal num momento de muitas turbulências necessitando criatividade, audácia e flexibilidade.
Este artigo foi traduzido e adaptado de um artigo original de Amélie Racine na revista profissional on-line Reseau de veille en tourisme, Chaire de tourisme Transat

Os Emirados Arabes Unidos são considerados o destino mais seguro
Preocupação crescente dos viajantes, a segurança é hoje um fator importante na hora de escolher um destino turístico. Lançado em 2009, o indice de criminalidade publicado no site da Numbeo é por isso mencionado ou utilizado por muitos jornais e revistas internacionais incluindo a BBC, Time, Forbes, The Economist, The New York Times, The China Daily, The Washington Post, USA Today e muitos mais. Baseado nos indices de criminalidade (incluindo drogas, corrupção e discriminação), mas também no sentimento de insegurança dos visitantes, o indice 2022 trouxe algumas surpresas e muitas confirmações que podem explicar ou influenciar algumas tendências.

O mapa mundi da segurança traga algumas surpresas
Com 435 cidades avaliadas, a pesquisa confirma, como era de esperar, que a América Latina e a África são as regiões mais inseguras, ocupando os últimos lugares da lista. De forma mais surpreendente, a América do Norte tem indices ruins ou pelo menos extremamente diferenciados. E se a Europa e a Oceania são globalmente mais seguras, com certas diferencias regionais, a surpresa vem da boa colocação da Ásia e mais ainda do Oriente Médio com vários destinos turísticos onde os viajantes encontram a segurança que responde as suas expectativas.

Os indices por pais destacam a Europa e o Oriente Médio
O ranking dos países, acumulando acima cidades seguras em azul e inseguras em vermelho, vem confirmando este quadro. Nos destinos mais tranquilos, e como era de se esperar, destacam-se os Emirados Arabes Unidos, a Suiça, os Países Baixos e a Noruega, mas também alguns países que não tinham essa fama, como a Turquia ou a Romênia. A China , a Alemanha, a Nova Zelândia confirmam as suas imagens de tranquilidade. As surpresas vêm dos grandes destinos turísticos. No Sul da Europa, a Espanha fica em sexto lugar enquanto a Itália e mais ainda a França constam com o Brasil e a África do Sul nos países mais problemáticos. Umas más colocações divididas com dois outros gigantes do turismo internacional, o Mexico e os Estados Unidos.

Quebec se firma no top do ranking por cidades

No Canadá, a mão de obra virou o primeiro problema do trade turístico
Há muitos anos, no mundo pre-pandemia, se falava que uma carreira no turismo tinha três características: trabalhar muito, ganhar pouco mas se divertir muito. Se essa piada levantava muitos risos na época de ouro do setor, a pandemia mudou totalmente a percepção. Os baixos salários, os horários incomodos, a pressão, a falta de reconhecimento e a forte sazonalidade levaram muitos empregados despedidos ou não durante a crise, a abandonar o setor. Na França os hotéis e restaurantes perderam 10% dos seus funcionários desde 2020, e uma pesquisa feita em 2021 em cinco grandes destinos turísticos (EE-UU, Reino-Unido, França, Espanha e Alemanha) conclui que 38 % deles queriam mudar de setor num prazo de um ano.

A França é um dos destinos onde mais falta mão de obra no turismo
Faltando candidatos, as associações profissionais e as empresas reagem para revalorizar as carreiras do setor. Na França empresários e sindicatos assinaram um acordo de revalorização salarial de 16 %, mas muitos estabelecimentos já estão indo além desse piso. Na Alemanha, o novo acordo sindical da hotelaria e da restauração prevê aumentos de salários de até 36 % e na Suiça, onde os acordos são feitas em cada empresa, os aumentos estão girando em torno de 30%. Os salários mais altos não porem suficientes para responder as expectativas dos candidatos, que esperam também propostas referentes ao reconhecimento profissional, as perspectivas de carreira ou aos horários de trabalho.

Accor incentiva a responsabilidade na organizacão do trabalho
Sempre pioneira quando se trata de relações humanas, Accor lançou na Australia e na Nova Zelândia um programa ” Work Your Way ” para poder preencher 1 200 vagas. Para ser mais atraentes, as ofertas prevê a possibilidade de começar a trabalhar imediatamente depois da entrevista, de ter vantagens personalidades em termos de prêmios, de viagens, de folgas ou de férias. Os funcionários deverão poder seguir na mesma atividade em outros países da região do Pacífico, ter mais oportunidades de carreira no grupo. Será dada uma maior polivalência valorizando assim a flexibilidade para todas as funções, da limpeza até a diretoria.

Mudar os horários do jantar está virando uma necessidade
A atratividade do turismo foi sempre prejudicada pelos horários muito puxados. Para dar mais liberdade a seus funcionários, restaurantes franceses estão acabando com os horários cortados, contratando equipes diferentes para o almoço e o jantar. Outros estão começando a servir o jantar mais cedo, acabando também mais cedo para reduzir o trabalho noturno. Alguns hotéis estão terceirizando parcialmente ou totalmente a alimentação. Na Alemanha a semana de 36 horas em somente 4 dias está sendo experimentada em Hamburg pela cadeia de hotéis “25 Hours” que deve depois estender a medida a todos os hotéis do grupo, inclusive na Suiça.

Para atrair os candidatos, é necessário imaginação
Muitos empresários estão investindo para melhorar a qualidade de vida dos funcionários. Na Suiça, em Gstaad ou Saint-Moritz, hoteleiros construíram residências para seu pessoal, com alojamentos de qualidade. Na Austria, em Kitzbühel, o hotel Stanglwirt foi mais longe ainda, investindo para seus empregados em dois prédios de madeira com boa localização, eficiência energética, equipamentos de alto padrão e acesso gratuito aos refeitórios do hotel. Uma creche fica também a disposição das famílias, e a empresa oferece três dias suplementares de ferias para quem quiser trabalhar em obras caritativas. A valorização dos compromissos sociais, éticos e ambientais é para os candidatos, e especialmente os mais jovens, um fator importante de escolha da empresa onde querem trabalhar.

No Japão, a recepção pelos robôs já é uma realidade
Para reverter a falta de candidatos, a criatividade das empresas parece então não ter limites. No Canadá uma cadeia de restaurantes está propondo um iPhone para seus novos funcionários, e , talvez inspiradas pela “luvas”do futebol, empresas estado-unidenses estão oferecendo bonus de USD1000 para assinar o primeiro contrato. A penúria de mão de obra para acompanhar a retomada pode porem ter outras consequências, a robotização de vários serviços. Alem das opções de reservas ou de compras já rotineiras, serviços como a recepção de clientes (Hotello), a comunicação ( Automat ou HeyDay) , o atendimento nos quartos ou o concierge (NuGuest) podem dispensar presenças físicas. Para a qualidade do serviço e o futuro da profissão, deve se esperar que a chegada de novos talentos no turismo impedirá essa robotização de ir (demais) para frente.
Este artigo foi adaptado de um artigo original de l’Observatoire valaisan du tourisme na revista profissional on-line Reseau de veille en tourisme, Chaire de tourisme Transat
Press release da Promonde, São Paulo, 28 de março de 2022

A Borgonha vai ser a grande vedete da segunda edicão do Invino
O francês Jean-Philippe Pérol, no Brasil desde 1976, sempre foi um visionário. Dirigiu os escritórios para as Américas da antiga Maison de la France, hoje Atout France, ocupando também a função de Diretor Geral em Paris da organização. Foi o primeiro a acreditar nos anos 2000 na democratização das viagens internacionais para os brasileiros e apostar no potencial da então nova classe média para o turismo francês. Apaixonado por tecnologia, sempre alertou que as operadoras e agências de viagens eram os maiores parceiros dos Tourism Boards. Depois, no início dos anos 2010, entendeu a importância das mídias sociais, em especial o Instagram, como veículo de promoção de destinos, e criou campanhas icônicas com influenciadores digitais.

Vinho e turismo, o encontro de duas paixões
Quando deixou o turismo da França, apostou suas fichas na Amazônia e nas viagens com conteúdo. E percebeu, igualmente, que o enoturismo no Brasil poderia ter um crescimento significativo ao longo dos anos. Criou, a partir daí, em 2019, o Invino Wine Travel Summit. A segunda edição acontecerá no Hotel Unique, no próximo dia 11 de abril. Abaixo ele explica o cenário atual das viagens de vinhos, a motivação para organizar a segunda edição e que novidades os profissionais de turismo poderão conhecer no evento. As inscrições estão abertas gratuitamente pelo site.
A pandemia causou uma paralisação das atividades turísticas. Por outro lado, essa cocoonização forçada promoveu o aumento no consumo de vinhos, inclusive com surgimento de um novo mercado. Quais as expectativas de vocês com relação ao enoturismo, nessa retomada das viagens?
JPP: A pandemia causou uma brutal retração de 84% do mercado mundial do turismo em 2020 passando de 1,5 bilhão a menos de 400 milhões. O enoturismo também sofreu, mas devemos ser otimistas porque as tendências surgidas com a crise vão dar um forte impulso nas viagens por três razões: o crescimento da gastronomia (e do vinho) nas motivações; a procura de temáticas e de conteúdos fortes e, por fim, a resiliência do turismo de luxo que representa ume boa parte (mesmo se não a única) do enoturismo nacional e internacional no Brasil.

A Cité do Vin de Bordeaux, uma arquitetura enobrecendo o enoturismo
Um novo empreendimento turístico voltado para o universo do vinho surge na Borgonha. É a resposta da região à Cité du Vin, em Bordeaux, nessa saudável concorrência entre as duas regiões?
JPP: Na França, a questão Bourgogne/Bordeaux é tão viva quanto a direita/esquerda na politica ou PSG/Marselha no futebol. No contexto, Cité du Vin et la Gastronomie da Borgonha e da Cité des Cultures et des Civilisations du Vin, deve se anotar que são dois projetos totalmente diferentes. Com os dois estando presentes no evento de enoturismo Invino, o brasileiro poderá ver que são muito mais complementares que concorrentes.
Trata-se da segunda edição do evento. A Cap Amazon reuniu muitas informações sobre o mercado. Quem é hoje o brasileiro que consome enoturismo?
JPP: A primeira informação que devemos divulgar a nossos colegas do trade é o impressionante crescimento desse tipo de turismo no Brasil nos últimos anos. Quero especialmente destacar dois pontos que chamam minha atenção na preparação desta segunda edição. O primeiro, é que o consumo de vinho e de enoturismo atinge hoje uns perfis de consumidores muito mais largos, além dos tradicionais connaisseurs da elite social e econômica e dos descendentes de imigrantes europeus no sul do país. O segundo é que o enoturismo brasileiro é hoje uma grande realidade em São Paulo, no Sul e até no Nordeste, e que os agentes de viagens tem aí um grande potencial a longo mas também a curto prazo.

De Nordeste a Sul, o enoturismo brasileiro está em plena ascenção
Há uma diferença do enoturista brasileiro para o de outras nacionalidades?
JPP: Acho que temos que falar dos enoturistas brasileiros e não do enoturista brasileiro. Temos uma clientela tradicional e de alto padrão aquisitivo que procura um enoturismo de luxo e que costuma comprar muito vinho com grande rótulos. Essa clientela está crescendo, procurando novos destinos e sendo cada vez mais curiosa sobre vinhos diferentes. Mas temos também uma clientela nova, que precisa talvez ser mais acompanhada que os enoturistas franceses ou italianos, e é nesse momento que os agentes de viagens podem ter um papel muito importante!
Quais suas apostas em enoturismo para o próximo ano?
JPP: Muito Brasil. O doméstico vai ser sucesso no enoturismo, como o sul do país, mas São Paulo vai surpreender; a Argentina também, pela proximidade e preços interessantes; a França, claro. Países ou regiões menos conhecidas vão também aproveitar. A presença da Suíça e da Catalunha no Invino não são meras coincidências. Queria lamentar a esse respeito que a Moldavia teve que cancelar sua participação devido a guerra que está chegando a suas fronteiras orientais.

A Garzon virou um exemplo de sucesso enoturístico
Quais as novidades para a edição 2022 do Invino?
JPP: Uma edição mais internacional, com expositores vindo de 8 paises, e uma participação mais importante do trade do vinho – teremos por exemplo o World Wine apresentando seus vinhos no coquetel de encerramento. A gastronomia vai ter também uma presença mais forte com um almoço do chef bourguignon Emmanuel Bassoleil, e – last but not least – uma apresentação dos Queijos da França que vão se harmonizar com os vinhos da Garzon, um encontro original entre o Velho e o Novo Mundo.
A quem o evento se destina e como se inscrever?
JPP: O Invino quer que os mundos do turismo e do vinho se encontrem mais e se conheçam melhor. Devemos, assim, contar com 80 buyers, agentes de viagens e operadoras querendo se implicar no enoturismo, e 40 jornalistas e influenciadores vindo tanto do turismo quanto do vinho. Os 30 expositores se dividem também entre os dois setores. A particularidade do Invino em misturar palestras, seminários e encontros com refeições harmonizadas e degustações vai ajudar a criar esse clima de intercâmbio e de convivialidade que tanto gostamos.

A Suiça se posiciona como um destino de enoturismo

Aceito por 194 países, o Certificado da OMS é uma opção imediata
Enquanto as variantes do Covid se espalham pelo mundo e adiam mais uma vez as perspectivas de retomada, muitos profissionais estão pedindo que seja lançado com urgência um “passaporte sanitário” que abriria sem restrições para as pessoas vacinadas o acesso as companhias aéreas e aos destinos. A ideia já foi lançada pela Grécia em maio do ano passado mas não chegou a convencer os outros países da União Europeia. Alguns destinos menores – e mais dinâmicos – criaram porem o seu proprio documento, foi assim o caso das Ilhas Seychelles, da Dinamarca ou da Islândia. Sempre pioneiro quando se trata de promoção turística, esse país nórdico emitiu quase 5000 “passaportes” e está negociando a sua aceitação a nível internacional.

A Inglaterra já está testando o Covipass
Outros países já estão trabalhando sobre o fornecimento de documentos que poderiam restabelecer a confiança e reabrir as fronteiras. A Inglaterra, líder europeia com mais de 10 milhões de vacinações, já está testando um passaporte biométrico. Israel pretende distribuir cadernos verdes liberando das restrições de circulação (mas não das máscaras nem das regras de distanciamento) quem já recebeu as duas doses da vacina. Em teste a nível nacional, o caderno poderia depois ser usado para as viagens internacionais. Na Índia, o ministério da saude estuda um QR code, associado ao número de celular e a carteira de identidade, que poderá ser usado como um passe digital para todas as pessoas vacinadas no pais.

O Commonpass já foi testado em Outubro pela United Airlines
Os profissionais também estão se movimentando, e vários projetos já estão sendo estudados a nível internacional. A ECTAA (European Travel Agents’ and Tour Operators’ Associations) está tentando de convencer a União Europeia de relançar a proposta feita pela Grécia. O Forum de Dávos apoia o projeto suíço CommonPass, um aplicativo interligando centros de vacinações, testes de laboratórios e atestados de saude dos países, que gera um QR code confirmando que o viajante está en conformidade com a legislação do destino. A IATA (International Air Transport Association), trabalha no IATA Pass Travel, um aplicativo dando também as últimas informações sobre viagens internacionais, testes de laboratórios e comprovantes de vacinações, informações que podem ser retransmitidas com segurança as companhias aéreas e as autoridades.

A OMS apoia um aplicativo para modernizar seu Certificado
Frente a urgência da situação e ao risco de colapse do setor, alguns especialistas pedem para soluções mais fáceis de por em prática, com simples adaptações de procedimentos já existindo. O Alexandre Demaille, da empresa francesa RapideVisa, lembrou que já existe o Certificado Internacional de Vacinação, documento reconhecido por 194 países que comprova a vacinação contra doenças. Criado nos anos 60 para erradicar a varíola, ele é ainda exigido por alguns países para se proteger da febre amarela ou da cólera. Os centros habilitados a emitir esse certificado poderiam simplesmente adicionar as vacinas anti Covid a essa lista. Essa solução simples e rápida é apoiada pela OMS (Organização Mundial da Saúde). Modernizada com um aplicativo e um QR code, poderia restabelecer a confiança dos viajantes, dos moradores e dos profissionais no mesmo ritmo das vacinações.
Jean Philippe Pérol

Não mencionada pelo NYT, Olinda seduziu o júri do Le Monde
Enquanto os 52 destinos do New York Times já são uma seleção consagrada, destacando tendências antecipadas pelos leitores, os profissionais do setor turístico e um comité de jornalistas especializados, o prestigioso jornal francês Le Monde decidiu publicar agora uma seleção de 20 destinos escolhidos com critérios novadores. Sem recorrer aos leitores, mas consultando especialistas, levaram em consideração não somente beleza, novidade e conteúdo cultural, mas também a “consciência ecológica ” e a pegada carbone de cada viagem, favorecendo as estadas longas e as distancias curtas. Os dois ranking são assim completamente diferentes, mas é interessante de constatar que algumas escolhas são bem próximas, que algumas temáticas estão virando tendências internacionais, e que três destinos constam das duas listas.

Casas tradicionais nas Ilhas Faroe
Americanos e franceses concordaram na escolha de algumas regiões, mas com destaques diferentes. Foi assim nas ilhas do litoral atlântico da França onde o NYT escolheu a surpreendentemente “perfeita” Belle Ile en Mer na Bretanha, enquanto o Le Monde preferiu o charme escondido e a tranquilidade fora-do-tempo da ile d’Aix. Na Scandinavia, o NYT destacou as surpresas arquiteturais de Jevnaker na Noruega e as trilhas da Suécia ocidental, enquanto o Le Monde ficou fascinado pela beleza selvagem, os pássaros e as tradições culturais das Ilhas Faroe. Menos esperada, a Polonia ficou também nas preferencias dos dois júris, porem foi Cracóvia, sua arquitetura e sua bem sucedida reconversão industrial, que levou as preferencias dos americanos, a escolha dos franceses sendo a cidade de Gdansk (outrora a alemã Danzig), seu urbanismo medieval e a longa historia do seu porto hanseático.

Inventada antes dos barros gauleses, a vinificação da Georgia utiliza jarras de barro chamadas kveris
Ambas listas mostram algumas tendências das viagens internacionais. A primeira é a importância cada vez maior dos meios de transportes alternativos. O sucesso do trem explica o destaque dado a Suíça e ao Bernina Express e aos seus 152 quilômetros de trilhos atravessando uma área tombada pela UNESCO, a procura de lugar “bike friendly” está valorizando a Holanda e sua capital Haia. A segunda tendência é o força das viagens temáticas, com destaque para o enoturismo e as vinícolas. Sem nenhum chauvinismo, os franceses escolheram assim a Georgia e os vinhedos da Cachétia. Perto do Mar Negro, vinhos bem peculiares são produzidos com umas técnicas milenares, amadurecendo em jarras de barro enterradas no solo. Já servidos na corte do imperador da Persia no século V, esses vinhos são degustados por enoturistas do mundo inteiro.

Washington foi escolhida pelos dois júris
É talvez por ser muito menos famosa que suas duas irmãs, Maiorca e Ibiza, que Minorca foi selecionada como uma das tendências 2020. Terra de camponeses e de fazendas, a pequena ilha das Baleares tem menos de 100 000 habitantes e mais de 200 praias, abertas ou escondidas. Passeando a cavalo pelo caminho costeiro « Cami de Cavalls », o visitante descobre a areia vermelha da praia de Cavalleria, as aguas turquesa da Cala Mitjana, ou as dunas selvagens da Cala de Algarien. Com a capital Port Mahon, sua igreja, sua prefeitura e sua fortaleza, e com a força do seu agroturismo de luxo desenvolvido em estabelecimentos muito badalados como a finca Torre Vella ou a antiga fazenda Menorca Experimental, Minorca seduz por ter escapada do overturismo que tanto preocupa as outras ilhas da região. Um sucesso que os jurados tanto do New York Times que do Le Monde querem talvez ver se espalhar para outros destinos em 2021.
Jean-Philippe Pérol

Os jornalistas do NYT acreditam na trilha da mata atlântica

A primeira viagem de trem organizada pelo Thomas Cook
Desde 1842, quando Thomas Cook inventou o turismo moderno numa Maria Fumaça fretada de Leicester a Loughborough, o trem foi sempre, na Europa, pioneiro nas grandes ou pequenas revoluções do setor. Suas performances ecológicas exemplares, sua rede interligando não somente os grandes centros mas umas 10 mil cidades ou vilarejos nos 38 países europeus, sua autenticidade enraizada nas tradições ferroviárias, e sua flexibilidade o colocam outra vez nas mais recentes tendências seguidas pelos viajantes internacionais. Seja nos TGV ou nas ferrovias regionais, viajar de trem significa sair do centro das cidades, poder relaxar desde o embarque até a chegada, aproveitar a paisagem, entrar em contatos com outros viajantes ou moradores, escolher com facilidade o ritmo das suas experiências.

Dos Alpes da Provence até Nice, o famoso Train des Pignes
Um pesquisa da Virtuoso mostrou que 37% dos consumidores privilegiam as empresas investindo na sustentabilidade, e que os viajantes “eco-conscientes” são quase todos convencidos que o trem é o mais eficiente dos meios de transporte quando se trata de consumo de energia, de gases do efeito estufa ou de sustentabilidade. Nos Estados Unidos, 71% dos compradores de “Eurailpass” declaram que as baixas pegadas carbono foram decisivas na escolha do trem. A geração dos Millenials é a mais comprometida com a ecologia – três vezes mais que a geração X, seguido dos baby boomers e da geração Z-, mas todos parecem prontos a mudar seus comportamentos afim de reduzir o impacto das suas viagens sobre o meio ambiente.

O overturismo aumentou a urgência de novos destinos
O overturismo foi incluído este ano pela primeira vez na pesquisa anual da MMGY sobre o perfil do viajante estadunidense. Cerca de 60% dos respondentes concordaram com a afirmação que o turismo de massa e a superlotação vão ter uma influencia importante na escolha dos lugares que visitarão nos próximos dez anos. E 73% já tentam evitar destinos superpovoados durante as altas temporadas. Mesmo se o trem oferece aos viajantes a possibilidade de chegar diretamente nos centros das grandes cidades, ele dá também a opção de visitar lugares menos acessíveis, menos conhecidos, mais íntimos, onde é possível mergulhar na cultura local sem sofrer dos desgastes humanos e financeiros do overturismo,

Os trens suiços dão acessos aos lugares mais escondidos do país
Os destinos menos conhecidos onde o trem pode levar o viajante não são somente ajudam a escapar ao overturismo, mas permitem descobrir pequenas cidades ou vilarejos para experiências autênticas e mais oportunidades de interagir com os habitantes. No relatório Luxe Report 2019, a Virtuoso coloca agora o encontro e a convivência com moradores como uma das cinco maiores motivações de viagem. Os trens regionais ou “intercity” são ocasiões de descobrir novas paisagens, novas culturas diferentes e novos encontros enriquecedores. Nos pequenos vilarejos, encontra se o tempo para conversar com os “habitués”de um bistrô, descobrir um prato regional com ingredientes da própria fazenda, ir na feira livre para fazer as compras, visitar uma surpreendente igreja romana cujas chaves são guardadas pela vizinha, ou fazer uma degustação de vinhos com um pequeno produtor.

A Itália logo associou slow travel com trem
O trem combina também com a nova tendência do Slow Travel, a descoberta de destinos a um ritmo bem tranquilo, tomando o tempo necessário para conhecer seus atrativos e sua gente e fazendo da própria viagem (de trem!) um momento descontraído e relaxante. Pioneira, a Itália fez de 2019 o ano do seu “slow tourism,” focando sua promoção em atrações culturais e turísticas de regiões menos conhecidas do pais. As operadoras e as agências de viagens foram incentivadas a diversificar seus roteiros, multiplicando as paradas em vez de ligar diretamente as grandes cidades italianas. O trem ficou assim uma escolha natural, relaxante, que alegra os clientes menos apressados do “slow travel”, jovens estudantes ou aposentados da melhor idade que querem viajar a seu ritmo, almoçar sem pressa ou parar de repente para aproveitar um pôr do sol.