Overturismo : o malthusianismo não pode resolver

Nas Baleares, os protestos do moradores impressionaram as midias

Com o sucesso da temporada de verão no hemisfério norte, o overturismo voltou a mobilizar as mídias internacionais. As taxas de Veneza, os tapumes do Monte Fuji, a água potável de Barcelona, os protestos das ilhas Baleares, os lixos do Monte Everest e os AirBnb de Nova Iorque, foram numerosas situações durante os quais, moradores e políticos se juntaram para tentar combater a superlotação turística. Esquecendo os benefícios trazidos pelo setor em termos de infraestruturas ou de lazeres, e seu peso na economia e nos empregos, todos se focam sobre os seus impactos negativos sobre a vida local: inflação dos aluguéis de apartamentos, fechamento de comércios, falta de segurança pública, transito parado nas ruas ou até nas calçadas. A rejeição manifestada pela imprensa preocupa os profissionais do setor que multiplicam os esforços em termos de sustentabilidade para evitar que a aversão ao turismo ameaça o seu futuro promissor.

Turistas indianos agora impulsionam o turismo em Veneza

Essa preocupação  é ainda mais legítima devido ao potencial gigantesco de crescimento do turismonacional e internacional. A OMT, organização mundial do turismo, destaca que os fluxos de turismo internacional – 25 milhões em 1050- já passaram dos níveis de pre-pandemia, 1,5 bilhões em 2024, e que chegarão a 1,8 bilhões em 2030. Este crescimento, virá em primeiro lugar, das classes emergentes das novas potências econômicas, hoje China, Brasil, Turquia, México, India ou Indonésia, futuramente Egito, Vietnã ou Nigéria, que desejam e poderão descobrir os lugares emblemáticos do turismo mundial. Além disso, novos fluxos estão também surgindo. Nos países desenvolvidos, o acesso ao turismo de lazer vai ainda se expandir. Atualmente, somente 60% das famílias aproveitam as ferias para viajar enquanto os especialistas preveem que a tendência é de chegar a 80%. E as novas formas de teletrabalho já estão inventando novas modalidades de viagem ( como os chamados “workations” ) que vão pressionar ainda mais os destinos chave e os lugares instagramizados.

A primeira viagem do Thomas Cook para trabalhadores ingleses

Diante dessas tendências inevitáveis, a turismofobia não é alimentada apenas pelo bem estar dos moradores. Uma parte significativa da revolta divulgada pela mídia  está relacionada a uma resistência ideológica à democratização das viagens. Nos anos 1870, na Inglaterra, as elites já se opuseram à revolução que o Thomas Cook iniciou quando levou  trabalhadores a viajar de trem para lugares até então exclusivo da “gentry”. Em 1936, na França, prefeitos de balneários famosos anunciaram que não desejavam ver as suas praias invadidas por “congés payés” (gente com ferias remuneradas) que eram incompatíveis, segundo eles, com o nível exigido dos seus visitantes. E hoje, mesmo se o artigo 24 da Declaração universal dos direitos humanos oficializa desde 1948 o direito as ferias e ao lazer, a ideia de um direito universal ao turismo ainda não é completamento aceita.

Greenpeace pede uma quota de 4 viagens de avião durante a vida toda

É necessário enfrentar os problemas causados pela lotação excessiva de turistas,  mas de maneira diferente, sem focar exclusivamente sobre necessárias (?) reduções de viagens que serão derrubadas pela crescente democratização internacional e doméstica dos lazeres. Muitos profissionais sugerem então de parar de considerar o “overturismo” como um fenômeno global, lembrando que a imensa maioria dos lugares turísticos é bem administrada e ainda tem muita capacidade para crescimento sustentável. Assim a solução para a superlotação não é restringir o número de turistas discriminando os “farofeiros”, ou  impor uma redução de atividades do setor. É importante levar em consideração o local, seus arredores, a época do ano, o dia da semana, o momento do dia, o nível de receitas e o perfil dos visitantes, para orientar os fluxos da maneira mais adaptada a um crescimento inevitável, mas sustentável, de qualidade e para todos.

A Itália já aposta no underturismo

Deve se reconhecer o papel pioneiro das elites que estabeleceram muitos dos grandes destinos turísticos desde que a aristocracia inglesa inventou a “Côte d’Azur”, e que ainda hoje são responsáveis por uma grande parte dos investimentos e da economia do setor, inclusive na descoberta de novos destinos. Simultaneamente, o turismo continuará a crescer, e o foco deve ser na grande maioria dos territórios que ainda sofrem de “undertourism” – na França, 80% do país … Com uma nova visão, os profissionais podem ajudar a comunicar soluções que combinem o desenvolvimento do setor e a satisfação das aspirações de moradores e turistas. E devem lembrar que o turismo não é apenas um setor líder da economia global, mas também uma aspiração transformadora que pode ser regulamentada , porem não  bloqueada por um malthusianismo. Lembrando com Gilbert Trigano que o turismo é “a maior ideia desde a invenção da felicidade”,  sua vocação deve continuar a ser universal.

 Jean Philippe Pérol

Esse artigo foi inicialmente publicado no Blog “Points de vue” do autor na revista profissional on line Mercado e Eventos

 

O Forum Econômico Mundial de Davos ajuda a redefinir a “turistabilidade”

O World Economic Forum de Davos, momento chave da liderança mundial 

Publicado pela segunda vez pelo World Economic Forum de Davos, mas existindo de forma diferente  desde 2007, o Travel & Tourism Development Index 2024 (IDTT) sai da rotina instantânea e quantitativa  das maiorias dos rankings existentes. Com prestigiosos padrinhos, ele oferece uma análise prospectiva dos fatores e das estratégias de desenvolvimento sustentáveis do setor turístico dos 119 países estudados, definindo o que pode ser chamada de “turistabilidade” dos destinos. Realizado em colaboração com o World Tourism and Travel Council (WTTC), o esperado relatório apoia a sua classificação com cinco categorias de critérios divididos em 17 pilares indispensáveis ao setor.

  • o ambiente favorável aos negócios é definido pela política econômica do país, a segurança pública, as condições de saúde, os recursos humanos e as tecnologias de comunicações.
  • a política do turismo é julgado pela prioridade dada ao setor, a abertura internacional e o nível de preços dos serviços.
  • as infraestruturas indispensáveis são os aeroportos, os portos e as rodovias, bem como os equipamentos turísticos.
  • os recursos incluem as belezas naturais, as riquezas culturais e outras, fora o setor de lazer.
  • a sustentabilidade leva em consideração a política energética e a proteção do meio ambiente, o impacto social do turismo, e a gestão dos riscos do overturismo.

O ranking destaca o domínio dos países mais desenvolvidos e mais ricos. Assim, os dez primeiros são os Estados Unidos, a Espanha, o Japão, a França, a Austrália, a Alemanha, o Reino Unido, a China, a Itália e a Suiça. Nos trinta primeiros aparecem 19 países da Europa, 7 da Ásia- Oceania, 1 do Oriente Médio e 3 das Américas ( Estados Unidos, Canadá e Brasil), países que representam 75% da indústria mundial do turismo e 70% do crescimento nos últimos dois anos. Se os países ricos ainda são hoje os pesos pesados do setor, o dinamismo dos anos pós-covid parece muito mais diversificado, favorecendo o “Sul global”. Os campeões do crescimento foram assim o Uzbekistão (+7.8%, ganhou 16 lugares), a Costa de Marfim(+6.4%, 2 lugares), a Albania (+5.9%, 12 lugares), a Arabia Saudita (+5.7%, 9 lugares),  a Tanzânia (+4.5%, 7 lugares), a Indonesia (+4.5%, 14 lugares), os Emirados (+4.4%, 7 lugares), o Egito (+4.3%, 5 lugares),  a Nigeria (+4.2%, 1 lugar) e El Salvador (+4.0%, 4 lugares).

As excepcionais riquezas naturais do Brasil são destaque da sua “turistabilidade”

O Brasil, já primeiro destino latino americano do ranking global, se saiu  bem em termos  de crescimento, com uma taxa  de +3.3%, é um pulo de 12 lugares, da 34a posição para a  26a. Este bom desempenho junto  ao índice do World Economic Forum, se deve principalmente a quatro destaques: riquezas naturais consideradas excepcionais (5as dos 119 destinos listados), um forte impacto social nas comunidades ,  preços atrativos e um bom domínio das tecnologias de informação e comunicação (ICT). A “turistabilidade” do Brasil só não foi melhor pelos pontos negativos: o difícil ambiente para os negócios, as infraestruturas insuficientes nos portos e nas estradas, a segurança pública, e as deficiências em equipamentos e serviços de turismo.

Os desordens climáticos  também prejudicaram o turismo

O relatório do World Economic Forum não deixa de ser otimista sobre o desenvolvimento do setor a curto e longo prazo, lembrando que os níveis de 2019 vão ser ultrapassados em 2024. Puxado por uma procura extremamente resiliente, o turismo conseguiu superar as crises políticas, a inflação dos preços, o custo da energia, a falta de mão de obra,  as catástrofes climáticas e a volta do overturismo – pontual mas impactante em algumas regiões. Para continuar a crescer – especialmente nos países em desenvolvimento, serão porém necessários  investimentos importantes no aproveitamento dos recursos naturais e culturais,  nas infraestruturas de comunicações, de transporte e de turismo,  nas legislações empresariais e trabalhistas, na abertura internacional e na promoção.

Longe das atuais projeções, o turismo do futuro ainda deve ser inventado

Chamando atenção sobre os principais riscos que podem ameaçar o futuro do setor – as mudanças climáticas, as fakenews e as reações contre o overturismo, o relatório destaca também alguns pontos chaves  para o sucesso: fazer (ou refazer) o turismo uma prioridade de governo, favorecer as parcerias público-privado, investir na capacitação de todos os atores, e colocar as comunidades locais no coração das estratégias de desenvolvimento. Além do ranking (cujos critérios podem ser ainda discutidos), o Travel & Tourism Development Index 2024 (IDTT) é assim um documento valioso para inspirar governos e profissionais e definir uma nova “turistabilidade”.

Jean Philippe Pérol

Esse artigo foi inicialmente publicado no Blog “Points de vue” do autor na revista profissional on line Mercado & eventos

Boicotar ou não boicotar os turistas russos?

Na França, Courchevel era um dos destinos favoritos dos Russos

No complicado contexto da invasão na Ucrânia,  a Rússia anunciou que o seu turismo emissivo atingiu em 2023 24 milhões de viagens internacionais, um crescimento de 16,4% em relação a 2022, mas um resultado ainda longe dos quase 48 milhões que saíram do país em 2019, antes do Covid-19 e dos boicotes impostos depois do início da guerra. Nessa época, o turismo russo representava 3% do turismo mundial. Os destinos vizinhos – Turquia, Finlândia, Cazaquistão, Ucrânia e Estônia- lideravam as preferencias dos russos, mas países ocidentais como França, Itália, Espanha e Suiça brigavam para atrair estes clientes prontos a gastar fortunas nos palácios das capitais ou nos resorts luxuosos de Courchevel, Ibiza, Saint Tropez, Marbella, Gstaadt ou Veneza.

A Riviera turca atraindo cada vez mais os turistas russos

Tudo mudou no dia 24 de fevereiro de 2022. A guerra levou quase todos os países da Europa e da América do Norte a um boicote quase total dos intercâmbios de transporte e de turismo com a Federação Russa. Essa decisão não somente atrasou a recuperação das viagens internacionais mas ainda modificou bastante os destinos desses polêmicos turistas, com um novo ranking mostrando claramente os ganhadores. São a Turquia, com 6,3 milhões de visitantes e um crescimento de +20,7% em relação a 2022, os Emirados Árabes com 1,7 milhão e +42,5%, a Tailândia com 1,48 milhão e +240,6%, o Egito com 1,28 milhão e +35,4%, a China com quase um milhão e + 420%, as Maldivas com 209.1oo e +3.6%, o Sri Lanka com 197.000 e +116,4%, Cuba com 185.000 e +240%, e a Indonésia com 160.000 e +115%. Com 106.000 chegadas, o Brasil recebe hoje 5 vezes mais russos que antes da crise.

Dubai tentando atrair turismo e negócios russos

Aproveitando este sucesso, vários destes destinos já anunciaram que querem se abrir ainda mais ao turismo russo. O Ministro do Turismo do Egito projeta 3 milhões de viajantes russos em 2028, a autoridade de turismo da Tailândia já anunciou uma meta de mais de 2 milhões de entradas logo em 2024, o governo de Cuba assinou um acordou para receber em média 500.000 turistas russos por ano, e a Turquia prevê um crescimento de 10 a 30% em 2024. Dubai oferece vantagens para as viagens de negócios combinando com luxo e segurança, a Tunísia liberou os vistos, e vários países como a Índia, Birmania, Omã, Sri Lanka, Irã e Marrocos estão conversando com o governo russo.

O turismo em Chipre sofreu com o fim dos passaportes dourados

Com motivos políticos ou éticos, o boicote teve consequências importantes para o turismo dos destinos que tinham mais investido no mercado russo. Assim nos Estados Unidos que passaram de 300.000 turistas russos em 2017 a menos de 50.000 em 2022, e em quase todos os países da União Europeia que perderam quase 85% desses fluxos, com um impacto forte nas receitas considerando a forte proporção do segmento luxo e o alto gasto médio por dia. Na Europa, Chipre foi um dos destinos mais impactados, com seu turismo dependendo mais de 30% dos russos, e o setor imobiliário tendo beneficiado dos “passaportes dourados” vendidos por Euros 2,5 milhões a ricos investidores.

Influenciadora russa teve que pedir perdão à arvore sagrada de Bali

Não se pode analisar o impacto destas brutais mudanças dos fluxo turísticos da Rússia sem considerar também o impacto que tiveram para as populações dos destinos e para as outras comunidades. Na hora do overturismo e da crescente preocupação pelo equilibro local, os novos turistas russos tiveram as vezes dificuldades para entender as exigências culturais ou religiosas dos moradores. Em Bali, na Índia ou no Sri Lanka, turistas e locais se desentenderam e as autoridades tiveram que interferir para colocar panos quentes. No Sri Lanka e no Egito, incidentes entre turistas russos e ucranianos tiveram que ser resolvidos. Nos países da Europa, mais implicados no boicote, a situação politica levou a incidentes discriminatórios contra os russos que deixarão marcas no futuro.

A Igreja Russa, um dos pontos esperando a volta dos turistas russos em Nice

O balanço do boicote é hoje difícil de fazer pelas suas múltiplas motivações. Mas, para o setor, ele representa em primeiro lugar um prejuízo importante para o turismo mundial – aproximadamente 20 milhões de viajantes e quase US$ 20 bilhões de receitas a menos, boa parte para os grandes destinos da União Europeia. Mesmo repudiando a guerra e a falta de respeito do direito internacional, os profissionais e os viajantes só podem lamentar que problemas políticos entre governos prejudiquem as atividades de milhares de profissionais que trabalham num setor que se caracteriza justamente por ser uma indústria de paz, de intercâmbio multicultural e de liberdade individual.

Jean Philippe Pérol

Fim da linha para a “Compagnie Internationale des Wagons-lits et du tourisme” …

O novo ranking do turismo na América Latina

A energia mágica de Teotihucán

Publicando as suas esperadas estatísticas 2023, a ONU turismo (ex OMT, Organização Mundial do Turismo) mostrou muita confiança nos resultados da América latina. Superando a pandemia,  essa região do mundo se firmou com suas grandes variedades de belezas naturais, de  experiências culturais e humanas, e de riquezas patrimoniais ou históricas. O novo ranking da ONU turismo destacou evidentemente o México,  um pais que voltou a ser o líder indiscutível do setor, disparando na frente do segundo colocado – a popular Republica Dominicana- e longe do terceiro – a criativa e diversa Colombia.

A República Dominicana se consolidou num tranquilo segundo lugar

Com mais de 38 milhões de entradas, já superando de 13,4% os números de 2019, o turismo internacional do México registrou um aumento de 6,1% em relação a 2022, principalmente nos três paises que representam mais de 76% dos seus visitantes: Estados Unidos, Canada e Columbia. Os números mostram que esses três mercados de proximidade cresceram de 23 à 27% em relação a 2019, sendo responsáveis  pelo sucesso da recuperação pos pandemia de 13,4% do setor, compensando a demora da retomada dos viajantes internacionais oriundos do resto do mundo.

Perto de Cancun, o excepcional acervo maia de Tulum

Perto de Cancun, o excepcional acervo maia de Tulum

Procurando praias, cidades históricas, sítios arqueológicos únicos, cozinha peculiar e festas autenticas, os turistas se concentram principalmente em três regiões do Mexico. Em primeiro lugar se destaca Cancún, a Riviera Maia e o Yucatan, com quase 50% das entradas de turistas, onde os atrativos do Caribe se juntam com as ruinas excepcionais de Tulum, Chichen Itza, Uxmal ou Palenque. Vem depois com 20% das chegadas a cidade de Mexico e seu acervo de turismo urbano combinando as heranças de Teotihuacan e de Tenochtitlan, as arquiteturas coloniais, e um dinamismo envolvente. Com um dinamico coquetel de praias, aventuras e enoturismo, a Baja California vem em terceiro lugar com 11% dos viajantes internacionais.

A experiência exclusivo do por de sol em Los Cabos

O ranking estabelecido pelo relatório da ONU turismo surpreendeu muitos especialistas. O Peru ficou no décimo lugar, um posicionamento decepcionante para um pais já conhecido pela riqueza da sua herança cultural, as suas infraestruturas hoteleiras de qualidade, uma gastronomia que se firmou nos últimos anos e umas campanhas de promoção emblemáticas. O Brasil do seu lado segue num modesto quinto lugar, longe do seu potencial de primeira potência da América latina, e da sua oferta tão abrangente.

Mesmo com seu acervo excepcional, o Brasil não passa de um quinto lugar

Segundo a ONU turismo, o ranking dos paises da América Latina que receberam o maior numero de turistas em 2023 é o seguinte :

1) Mexico : 38,33 milhões

2) República Dominicana : 7,16 milhões

3) Colombia : 4,40 milhões

4) Argentina : 3,89 milhões

5) Brasil : 3,63 milhões

6) Jamaica : 2,48 milhões

7) Uruguai : 2,43 milhões

8) Costa Rica : 2,35 milhões

9) Chile : 2,03 milhões

10) Peru : 2,01 milhões

Esse artigo foi traduzido e adaptado de um artigo original da revista francesa profissional on-line Mister Travel  

A America Latina aderindo ao slow turismo?

As ruas coloridas de Pijao

Agora com 287 associados, a rede internacional Cittaslow continua crescendo, mas com cautela. Frente ao risco sempre presente do overturismo, a preocupação é de respeitar a promessa de lentidão e de tranquilidade, e de seguir a risca  os 70 critérios da sua carta-compromisso referente ao meio ambiente, as tradições locais, ao desenvolvimento regional, a mobilidade urbana, a hospitalidade e ao bem estar tanto dos moradores quanto dos visitantes. Nascida na Itália, popular há anos na Polônia, na Alemanha e em toda Europa, Cittaslow se espalhou em novos destinos, na Turquia, em Chipre, e na Ásia em Taiwan e na Coreia do Sul.

O intercâmbio com os moradores é um dos charmes da cidade

O turismo tranquilo tem, porém, mais dificuldades para conquistar a América Latina.  Poucos viajantes, mesmo amigos da Colombia, conhecem Pijao, um pequeno vilarejo na área cafeteira, 300 quilômetros ao oeste de Bogotá, que foi porém em 2014 o primeiro destino do continente a aderir ao “slow turismo”. Pijao tem que ser percorrido com calma para aproveitar as casas coloridas, visitar suas lojas de antiguidades, caminhar nas trilhas das suas fazendas de café, descobrir  sua floresta de palmeiras de cera gigantes, ou aproveitar as oportunidades de “bird watching”. E acima de tudo falar com os moradores, ter o tempo de escutar histórias.

Na vizinha Salento, um modelo de turismo mais intenso

Esse turismo tranquilo foi a escolha de Pijao quando aderiu a Cittaslow, um caminho diferente de outros vilarejos da região como Salento ou Filandia cujas cores viraram os xodós dos turistas instagramers cada vez mais numerosos nas rotas do café da Colombia. A escolha da autenticidade, da sustentabilidade e dos fluxos controlados reune a maioria dos comerciantes, dos hoteleiros e dos guias de turismo numa associação que monitora o respeito da carta-compromisso. Voluntários ajudam a preservar as tradições locais, a incentivar os circuitos comerciais curtos, a limitar a poluição sonora, e … a convencer os opositores que a liberação de um turismo menos seletivo não traria a longo prazo nenhum benefício para a cidade.

Em Socorro, os incriveis por do sol da Pedra Bela Vista

A cidade paulista de Socorro é segundo socio latino americano da Cittaslow, e o primeiro no Brasil.Para a  Secretária de Turismo da cidade, Tereza Monica Sartori Marcheto, ” a vocação de um turismo sem pressa surgiu devido a característica do município, a importância da natureza, o interesso pela cultura, a vontade de trabalhar a sustentabilidade e a necessidade de valorizar o bem estar da população”. Com experiencias anteriores de certificação – a cidade foi classificada como Safe Travel pela WTTC-, Tereza destaca que, para seguir os compromissos da carta, é necessário continuar a mobilização, mapear os principais pontos da certificação e sensibilizar a comunidade para multiplicar as adesões. Um guia Descubra Socorro vai assim ser divulgado não somente para os profissionais do turismo e os comerciantes, mas também nas escolas e nas comunidades.

Tereza Marcheto acredita que o slow turismo é um diferencial que vale a pena

Ao contrario do que parece, o slow turismo necessita então um importante trabalho de preparação para ser apropriado por todos seus atores. Muito elogiado pelas mídias nacionais e internacionais, ele traga para Socorro e para todos os destinos que fazem com essa escolha importantes diferenciais competitivos. É, porem, uma tarefa árdua, já que, pelo menos na primeira fase, os resultados  demoram para ser percebidos, e que, a medio e longo prazo, o sucesso junto aos profissionais e a população dependerá das receitas turísticas e dos novos empregos que serão gerados pelo esforço de todos. Um desafio para o slow turismo na América Latina, mas também em todos os destinos que se juntaram a essa nova tendência.

Jean Philippe Pérol

 

A história do transporte aéreo, uma guerra com poucos sobreviventes

A fusão com a Varig só atrasou o fim da Cruzeiro

Se o transporte aéreo cresceu de 5% por ano desde a Segunda Guerra Mundial, a história das grandes empresas do setor foi bem mais movimentada. Na América do Sul, olhar 50 anos para trás é sem dúvidas assustador. A VIASA venezuelana desapareceu em 1997, a AVIANCA sobreviveu, mas atravessou dois “Chapter 11” e as falências de várias subsidiárias, a Ecuatorián de Aviación colapsou em 2006, enquanto a Faucett e a Aeroperú desapareceram. No Chile, a LAN Chile se manteve mas a LADECO foi absorvida. A Aerolinas Argentinas também se manteve, protegida pelo seu estatuto público, mas a LAP paraguaia e a PLUNA uruguaia pararam de operar em 1994 para a primeira, em 2012 para a segunda.  O Brasil não escapou destas convulsões, e as 4 grandes companhias aéreas que sobrevoam os céus tupiniquins nos anos 1970 desapareceram, a Cruzeiro em 1993 , a Sadia/Transbrasil em 2001 , a VASP em 2005 e a VARIG em 2006.

A sede da PANAM na Park Avenue foi muito tempo o símbolo da sua potência

Se esse quadro parece desanimador, é importante ressaltar que as mesmas dificuldades foram enfrentadas pela companhias aéreas  históricas dos outros continentes. Assim nos Estados Unidos onde, desde 1960, 65  tiveram que buscar a proteção judicial do “chapter 11”, e 32 delas, incluindo os mais prestigiosos nomes do setor. A PAN AM, a grande pioneira que revolucionou o transporte aéro no final dos anos 1960, abriu a primeira volta ao mundo, iniciou os voos do B747, criou os sistemas de reserva eletrônicos, revolucionou as atividades comerciais. A sua sede arrogante na Park Avenue parecia o símbolo da sua supremacia mundial, até que a liberação do setor e a chegada dos low costs a levassem a sua falência em 1991.

O Concorde unilateral da Braniff voou de Paris para Dallas

A sua concorrente  TWA , com a qual dividia as principais rotas internacionais, seguiu o mesmo caminho. Muito tempo liderado pelo excêntrico Howard Hugues, a companhia era o símbolo de sucesso do seu país. Vítima dos mesmos problemas que a PANAM, desapareceu com as dificuldades  e teve que fusionar com a  American Airlines em 2001. Outra vítima famosa foi a Braniff que, depois de uma trajetória fulminante, marcada pelos seus aviões coloridos e a parceria num Concorde Paris Dallas com a Air France, desapareceu em 1982. A própria American Airlines, assim como as outras duas grandes transportadoras aéreas estadunidenses nascidas nos anos 1920, Delta Airlines  e United Airlines, só sobreviveram depois de ter passadas pela triste mas salvadora experiência do  « Chapter 11 ».

A queda da Swissair chocou o mundo da aviação mundial

Na Europa, a guerra do aero deixou também poucos sobreviventes entre as grandes empresas históricas do setor. A espetacular queda da Swissair em 2002 foi somente um acidente numa longa e saudosa lista onde constam a UTA francesa, a BCAL da Escócia, a Sabena belga, a Olympic grega, e ultimamente a Alitália, a SAS escandinava só escapando pela sorte de conseguir um « Chapter 11 » bem gerenciado. Talvez sem surpresa,  as empresas que se saíram melhor foram justamente as três maiores companhias europeias, enraizadas nas três maiores potências econômicas da região: França, Reino Unido e Alemanha.

A Air France se saiu reforçada, guardando a elegância

Enquanto a ascensão das companhias do Golfo e a força dos seus hubs pareciam  irresistíveis, e que os low costs enxugavam a maior parte das ligações intra-europeias, as três empresas escreverem exemplos de resiliência e de transformações vencedoras. A  Air France,  com o apoio firme dos sucessivos governos franceses, conseguiu não somente se sair das crises, mas ainda ser bem sucedida na complicada fusão com a KLM. A British Airways, perto da falência no início dos anos 2000, teve que reduzir suas ambições e sua rede, mas  sobreviveu brilhantemente. E a Lufthansa não foi poupada pelas crises, mas superou todas as dificuldades e ampliou sua cobertura através de aquisições seletivas. As três ganharam e sobreviverem, mas agora a guerra continua, e o Oriente Médio e a Asia serão talvez os próximos campo de batalha.

Esse artigo foi inspirado em um artigo original da revista profissional on-line francesa Tourmag

 

Para a OCDE, a retomada do turismo ainda precisa ser acompanhada

A OCDE sugere ideias para uma retomada sustentável

Na euforia da retomada e dos bons resultados de muitos setores do turismo mundial – receitas em alta, revenge travel, boom do luxo ou fortalecimento do turismo domestico-, vários dados mostram também que o fraco desempenho da economia internacional, o choque energético, a guerra na Europa, a volta da inflação e a queda do poder aquisitivo das classes medias podem resfriar o entusiasmo dos profissionais. Segundo o relatório 2022 Organização pela Cooperação e o Desenvolvimento Econômico, a volta dos números de turistas internacionais aos niveis de 2018/2019 não deve agora ser projetada antes de 2025, e talvez somente em 2026.

Segundo o NTTO, os fluxo Brasil Estados Unidos só voltarão em 2027 aos níveis de 2018

Os últimos dados da Organização Mundial do Turismo sobre 2022 mostram um volume de 900 milhões de turistas internacionais, 37% a baixo dos nivéis observados em 2019, mas com variacões regionais extremamente forte, de menos 77% na Asia a menos 17% no Oriente Medio, passando por menos 35% nas Américas e menos 21% na Europa. Assim que foi observado no Brasil – onde os fluxos para Europa já chegaram perto dos nivéis pre-pandemia enquanto o número de turistas para Estados Unidos so deverão voltar aos valores de 2018 em 2027-, o relatório lembra que a situação é assim extremamente diferenciada dependendo de cada pais e de cada mercado.

A Slovénia já se recuperou da crise

Num setor que foi extremamente fragilizado pela crise – a participação do turismo ao PIB nos paises da Organização caiu em media de 1,9%-, a OCDE destaca o sucesso de vários destinos que já superaram o ano passado os números anteriores a 2019. Os destaques são na Europa o Dinamarca, a Slovénia, a Grécia, o Luxemburgo, e a Espanha. No Portugal e na Turquia,  os resultados se aproximam dos obtidos antes da crise em numeros de entradas, mas as receitas turísticas já ultrapassaram os valores anteriores. No Oriente Medio, o Egito já recuperou os volumes anteriores e antecipa um forte crescimento das reservas para esse ano.

O Chile lançou um ambicioso programa de apoio ao setot

Para a OCDE, os sucessos de alguns paises não devem esconder que a crise do setor continua em outras regiões, especialmente na Europa Oriental, na Ásia, e que todas devem resolver problemas estruturais – alta dos precos da energia, falta de mao de obra, investimentos em normas ambientais-. Sem pessimismo -e sem ufanismo-, a retomada ainda deve ser sustentada, e varias medidas são sugeridas para as autoridades responsáveis.

  • Reforçar a colaboração entre os setores publico e privado para apoiar o crescimento construindo o futuro. Nos Estados Unidos por exemplo, a estrategia national para o turismo e as viagens  (National Travel and Tourism Strategy 2022) vai mobilizar toda a administração federal mas será executada sob o controle do Conselho da Politica do Turismo (Tourism Policy Conseil) em parceria com o setor privado.
  • Construir um setor solido e estável , mais preparado aos futuros (e inevitáveis) choques. Para reduzir as fragilidades do setor, é importante reforçar a capacidade  das administrações e das empresas de reagir muito rapidamente para poder enfrentar mudanças conjunturais ou novas crises politicas, financeiras, climáticas ou sanitárias. Foi assim lançado no Chile  um programa “PAR Chile Apoya Turismo 2022” para pequenas e medias empresas. Esse projet integra capacitações profissionais, planificação operacional, assessoria técnica, bem como financiamentos capital de giro e de novos investimentos.
  • Tomar medidas de curto e longo prazo para transformar o setor numa atividade verde. A Noruega criou um ferramenta chamado “CO2RISM” para calcular a quantidade de emissões de CO2 ligadas ao transporte dos turistas domésticos e internacionais no pais. Essa calculadora é um exemplo das medidas tomadas dentro da estratégia nacional de turismo que foi adotada pelo governo norueguês para ajudar os profissionais e os destinos a planificar e desenvolver até 2030 um turismo sustentável respeitoso do meio ambiente, da natureza e dos moradores.

Turismo de proximidade ou turismo internacional?

A Embratur apoiou o crescimento do turismo de proximidade

Valorizando viagens no raio máximo de 300 à 500 quilômetros da sua casa, de carro, de trem ou de ônibus, sem atravessar fronteiras e sem precisar de avião, o turismo de proximidade cresceu durante a pandemia. Foi para muitos destinos a única forma de manter alguma atividade no setor. E tradicionalmente focada nos mercados internacionais, as ações promocionais dos grandes atores mundiais voltaram para o turismo domestico. A Italia lançou o Bonus Vacanze para as famílias com baixa renda, a Malásia criou isenção fiscal para os gastos internos, a Costa Rica ampliou os feriados locais, a Atout France lançou  #CetÉtéJeVisiteLaFrance, e no Brasil, a Embratur realizou a campanha “ser brasileiro é estar sempre perto de um destino incrível”.

A França focou varias campanhas no turismo de proximidade

Na hora da retomada, o turismo de proximidade não perdeu essa dinâmica, encontrando importantes apoios junto a vários setores da sociedade. São em primeiro lugar os profissionais que nunca esquecerem que o turismo interno representa nos países da OCDE até 75% das receitas do setor, e que essas receitas são menos sujeitas as crises sanitárias, políticas ou climáticas que as receitas provenientes do turismo internacional. Mas dois fatores levaram o turismo de proximidade a novos apoios: os políticos, que viram num consumo local um meio de melhorar mais diretamente a vida dos moradores, e os defensores do meio-ambiente que mediram o menor impacto de um turismo utilizando menos transporte.

A rivalidade trem/avião é parte da briga proximidade/internacional

A valorização do turismo de proximidade está porem levando a alguns excessos. Regiões ou cidades estão escolhendo estratégias minorando o turismo internacional, e especialmente o turismo intercontinental, cortando as ações de promoção, reduzindo as ligações aéreas,  valorizando areas ou atividades pouco acessíveis a  uma clientela estrangeira. Os novos objetivos dessas políticas turísticas são claramente políticos. E mesmo quando só podem ser aplaudidos por todos – por exemplo quando favorecem a sustentabilidade, a inclusão ou os equilíbrios territoriais -, faltam as ações ou a comunicação para poder assim incrementar as experiências do viajante vindo do outro lado do mar.

Em Nova Iorque, os estrangeiros representam  20% dos visitantes e 80% das receitas

Na maioria dos grandes destinos, muitos atores do turismo não poderiam sobreviver a uma queda duradoura  dos fluxos internacionais que representam um terço das receitas do turismo global. Na França, líder mundial, os turistas internacionais representam 62% do total em Paris e mais de 30% nas capitais regionais. Nesse total, é importante anotar que os gastos médios dos viajantes intercontinentais – Chineses, Estado-unidenses, Japoneses ou Brasileiros- são pelo menos três vezes superiores aos gastos dos europeus, sendo imprescindíveis para os hotéis de luxo, os restaurantes estrelados ou as lojas especializadas.

Cidades catalãs apostam na proximidade

O turismo de proximidade e o turismo internacional não devem ser apresentados com escolhas conflitantes mas como estratégias complementares. Não somente por razões econômicas, mas pela natureza mesmo do turismo. O turismo nasceu como abertura ao mundo, descoberta e intercambio. Hoje ele integrou mais valores na sustentabilidade, no respeito das culturas locais e na vontade de convivência com os moradores. É essa diversidade que faz a atratividade dos grandes destinos turísticos. O crescimento do turismo de proximidade e o amadurecimento do turismo internacional, longe de ser opostos, deve então continuar a ser complementares.

Jean-Philippe Pérol

Celular no avião, uma polémica que já era?

Receber ou fazer ligação durante o voo é quase sempre proibido

Mesmo com o Wi-fi a bordo se generalizando, o cenário de dezenas de celulares tocando  num avião lotado de gente falando alto ainda não aconteceu. Mas poderia muito bem acontecer daqui há um ou dois anos já que os avanços tecnológicos permitam a qualquer celular de receber ligações se o avião tiver os equipamentos necessários, e algumas companhias já autorizam as ligações em rotas especificas. Mas, na imensa maioria dos voos internacionais, as conversas telefónicas são proibidas por quatro tipos de razões distintas: os riscos técnicos, a oposição dos tripulantes, as dúvidas dos passageiros, e a legislação restritiva.

A longa história das ligações telefônicas a bordo

O possível impacto das ligações telefónicas sobre a segurança dos voos tem uma longa historia. Nos anos 90 era autorizadas desde um telefono fixo instalado perto dos galleys, nos anos 2000 foi um aparelho encaixado na sua frente onde era possível falar depois de passar um cartão de credito. Com a sofisticação crescente dos celulares, os temores de interferências com os equipamentos do cockpit levaram nos anos seguintes os especialistas a uma proibição total.  Hoje as pesquisas nunca comprovaram esses riscos, os fabricantes garantem o risco zero para os novos aparelhos, e a segurança eletrônica  não deveria mais ser um motivo de impedir as ligações.

A oposição dos tripulantes é extremamente firme. Eles acham que a liberação das chamadas telefônicas poderia levar ao caos nas cabinas, que brigas as vezes incontroláveis vão acontecer entre passageiros falando alto no telefone e outros querendo tranquilidade. Já gerenciando poltronas reclináveis, excessos de bebidas, luzes noturnas e choros de bebês, as aeromoças e os comissários não querem ser obrigados a interferir em novos conflitos de comportamento.  Alguns sindicatos profissionais levantaram também problemas de segurança pela falta de atenção dada as instruções dos tripulantes pelos passageiros grudados aos seus telefones.

Altos executivos são os mais favoraveis ao uso do celular no avião

Os viajantes e os profissionais do turismo estão divididos sobre essa liberação. Varias pesquisas mostraram que a maioria dos passageiros estão se opondo a um “liberou geral”. Eles temem que os toques das chamadas e as conversas a voz alta levam a uma cacofonia geral, e que discussões sobre níveis de som geram atritos e até brigas. Essas pesquisas mostraram também que menos de 5% dos viajantes acham interessantes poder utilizar os seus celulares durante os voos. Mas esses encontram-se principalmente entre os homens de negócios e os passageiros da classe executiva que as companhias aéreas vão, com certeza, escutar com muita atenção.

A proibição de uso dos celulares ainda é a regra geral

Mesmo se não é internacionalmente proibido de receber ou fazer ligações a bordo, essa proibição existe de fato ou de direito em muitos países. É o caso dos Estados Unidos onde existam não somente restrições da Federal Communications Agency sobre o uso das duas bandas mais utilizadas pelos celulares, mas também uma regra da  Federal Aviation Administration proibindo as conversas por celular nos voos comerciais. No Brasil a ANAC exige que os celulares estejam em modo avião durante o voo. Sem proibir as conversas via aplicativo, pede com bom senso que os tripulantes vigiam “formas incômodas ou inseguras de uso dos celulares como utilização dos alto-falantes ao invés de fones de ouvido, e as comunicações em voz alta”.

O celular nos trens já virou hábito de todos sem gerar conflito!

Os especialistas prevêem que as agencias reguladoras liberarão o uso de celulares nos aviões, deixando as companhias aéreas decidir tanto as possibilidades como as condições de uso. Para evitar os caos sonoros e os conflitos, uma das soluções será talvez de copiar o modelo escolhido por varias companhias de trem que abriram espaços específicos para os passageiros querendo fazer ligações em voz alta. E a longo prazo, é bom lembrar que os millennials e as novas gerações quase não falam mais  diretamente no celular mas deixam mensagens. O bom senso e os novos hábitos de consumo terão evitado uma guerra.