Táxis voadores durante os Jogos Olímpicos?

Volocopter deve experimentar seus taxis voadores durante os JO

Sonhos dos filmes de ficção científica, os táxis voadores nunca estiveram tão perto de virar realidade, pelo menos nos céus de Paris. Poucas semanas antes da abertura dos Jogos Olímpicos e Para-Olímpicos de Paris, no último dia 12 de junho, o Ministério francês dos transportes, autorizou um serviço experimental, e as autoridades aeronáuticas tanto da Europa como dos Estados Unidos anunciaram ter feito mais um passo na certificação dos “Vertical Take Off and Landing” ( VTOL), os aviões elétricos, a decolagem e aterrissagem vertical. Se tudo correr bem, os primeiros táxis voadores deverão então estar a disposição dos visitantes  em Paris para a tão esperada cerimônia do dia 26 de Julho.

Mesmo com demonstrações bem sucedidas, os oponentes ainda são numerosos

Porém, se trata somente de uma experiência, e não de comercialização. O Aeroporto de Paris, promotor da operação, teve que superar muitos obstáculos. A Agência Europeia de Segurança Aérea  exigiu dos fabricantes normas de seguranças tão rígidas que para a aviação comercial,  seja na área técnica que em termos administrativos e até políticos. O Ministério do meio-ambiente achou que não podia autorizar essas aeronaves elétricas que tinham um alto consumo de energia e uma alta poluição sonora. A Prefeita de Paris tentou bloquear o projeto, achando que ele era uma absurdidade tecnológica e uma aberração ecológica. Mesmo assim, o Ministério autorizou a experiencia de taxis voadores, não sendo agora possível a comercialização.

O primeiro vertiporto será instalado frente a Cité du design et de la mode

Logo dada a autorização, o Aeroporto de Paris começou a construção de um “vertiporto” numa balsa ancorada do lado da estação de trem Austerlitz, frente a “Cité du design et de la mode” de Paris. Aqui será instalada a primeira base dos táxis voadores “Volocity” do fabricante alemão Volocopter, aparelhos intermediários entre os drones e os helicópteros. Durante os Jogos, poderão ser experimentados durante voos com duas pessoas, um piloto e um passageiro. Esses  VTOL interligarão Austerlitz com os outros quatros “vertiportos” que estão sendo preparados na região de Paris, em  Saint-Cyr-l’Ecole, Issy-les-Moulineaux, bem como nos aeroportos de Le Bourget e de Roissy-Charles-de-Gaulle. Por motivo de segurança, os táxis voadores não cruzarão os céus da cidade, mas entrarão em Paris sobrevoando o Rio Sena.

Depois da certification, um traslado a 110 Euros?

O vertiporto deve normalmente ser desmontado (e reciclado) antes do final do ano. et recyclé, selon la promesse du gestionnaire d’aéroports. Até là o Aeroporto de Paris e seus parceiros querem demonstrar o potencial tecnológico e comercial dos táxis voadores. Com a certificação, e a autorização de sobrevoar as áreas urbanas da capital, seriam oferecidos traslados rápidos para os aeroportos a preços muito competitivos (por volta de 110 Euros). E ,aproveitando a localização do vertiporto de Austerlitz perto do hospital de La Pitié Salpetrière , um dos melhores e maiores de Paris, os promotores do projeto também destacam os serviços de ambulâncias que os aviões elétricos VTOL irão oferecer.

Dubai pode ser a próxima cidade a autorizar os taxis voadores

A certificação comercial está sendo esperada para outubro, depois dos Jogos, e liberará a possibilidade de iniciar serviços de táxis voadores pagos. As autorizações parecem bem encaminhadas, tanto na Agência Europeia de Segurança Aérea  (AESA) que na Agência  Federal Americana de Aviação (FAA). A FAA já publicou uma diretiva com algumas características a serem respeitadas, com um máximo de 6 pessoas a bordo e um peso total limitado a  5.670 kilos. A França quer ser pioneira, já que a Califórnia e os Emirados estão com projetos bem adiantados. É porém provável que o Aeroporto de Paris ainda deverá enfrentar a ferrenha oposição dos ecologistas que criticam o suporte ao transporte para privilegiados, com um custo ambiental elevado. Um batalha que eles perderam devido ao entusiasmo da vitrina olímpica, mas que eles devem reiniciar depois dos Jogos.

 

 

Em Nova Iorque, turistas, moradores e imigrantes na briga da hospedagem

Nova Iorque espera superar em 2024 os 86% de ocupação hoteleira de 2019

Com o impacto acrescido pela força do dólar,  os preços dos hotéis em Nova Iorque subiram de 8,5% em 2023 e de 6,4% em 2024, e a diária média já superou a marca dos US$ 300. Essa situação inédita preocupa a prefeitura que espera recuperar este ano os 66 milhões de visitantes do último ano antes da crise. A aparente falta de disponibilidade de hospedagem na cidade é, porém, a consequência de vários fatores. Se alguns deles – a recuperação dos mercados e a inflação dos custos da mão de obra- não são específicos a Nova Iorque, outros são consequências diretas de decisões políticas, seja no atendimento dos imigrantes, ou seja na regulação da AirBnb e na planificação dos investimentos hoteleiros feitas a pedido dos moradores.

O Roosevelt foi o icônico hotel de muitas gerações de viajantes

Devendo respeitar a obrigação legal de fornecer uma cama a qualquer pessoa sem teto, a prefeitura teve que atender a partir de 2022 um fluxo de milhares de imigrantes vindo principalmente do sul do país. Enquanto o turismo não tinha ainda se recuperado da crise, dezenas de estabelecimentos se ofereceram para hospedar esses peculiares viajantes em troca de contratos milionários. Com os fundos do “Sanctuary Hotels Program”, um orçamento de quase um bilhão de US$ por ano foi dividido entre os 135 hotéis que aceitaram alugar a totalidade dos seus quartos por US$ 139 a US$ 185 por dia. Esses hotéis estão espalhados nos 5 distritos da cidade, mas os maiores ficam no coração de Manhattan, seja o Row NYC Hotel in Times Square – o primeiro a entrar no programa com um contrato de US$ 40 milhões-, ou o icônico Roosevelt cujo famoso lobby serve agora de centro de atendimento aos migrantes.

O prefeito Adams procura uma saida política e financeira para crise

Depois de dois anos, os 65.000 imigrantes que a cidade teve a obrigação de hospedar bloqueiam 16.500 quartos (quase 15% dos quartos disponíveis) e preocupa os profissionais na hora da retomada do turismo, frente a novos recordes esperados nos próximos anos. Tomada a pedido de moradores, mas apoiada tanto pelos hoteleiros como pelos sindicatos de empregados do setor, a nova regulação dos aluguéis de curto prazo foi não somente um golpe para AirBnb mas retirou do mercado quase 10% da hospedagem turística da cidade. Dos 23.000 apartamentos que eram oferecidos, 83% só podem agora ser alugados para prazos superiores a 30 dias, sobrando somente 3.700 para os turistas com estadias mais curtas.

Sempre com novidades, Nova Iorque quer guardar a sua liderança no turismo

Com a falta de oferta de quartos, a pressão sobre os preços não tem muitas perspectivas de diminuir, mesmo a médio prazo. Os hotéis contratados para hospedar os imigrantes não sabem se o programa de 3 anos será renovado, mas todos sabem que a reabertura para uma clientela de turistas tradicionais significaria obras pesadas e demoradas. Segundo a associação dos hoteleiros de Nova Iorque, os investimentos exigidos depois ter funcionado em condições muito específicas vão impedir muitos destes hotéis de voltar a receber turistas.  Essas perdas não devem ser compensadas pela construção de novos estabelecimentos. As restrições da nova política de urbanismo da prefeitura bem como o aumento de salários conseguidos pelos trabalhadores do setor estão desanimando os investidores que parecem esperar os impactos a longo prazo das arbitragens dos políticos entre os interesses dos moradores, dos imigrantes, dos profissionais e dos turistas.

O turismo no Japão surpreende com um sucesso inédito

Mesmo ameaçado pelo overturismo, o Monte Fuji é o ícone do turismo japonês

Acreditando no turismo, e aproveitando o câmbio favorável (O yen perdeu quase 50% do seu valor em 15 anos), o governo japonês tem grandes ambições  e bons argumentos para realizá-las. O primeiro é sua riqueza cultural única, começando pelos templos clássicos de Kyoto mas podendo hoje contar com um patrimônio espalhado no país inteiro e pronto para receber visitantes estrangeiros. Em várias cidades, esse patrimônio arquitetural serve também de cenários a manifestações artísticas tradicionais ou vanguardistas. Com a excepcional rede ferroviária do icônico trem bala “Shinkansen”, os visitantes podem incluir nos seus roteiros  Tokyo, Osaka, mas também Nagoya, Fukuoka e Kyoto.

O turismo japonês aposta na beleza da sua natureza

A beleza da sua natureza é  outra grande temática do turismo japonês. Dependendo da época do ano, as flores de cerejeiras, as cores douradas das florestas ou as coberturas de neve das montanhas são ocasiões para descobrir  fontes de águas quentes, praias de areias brancas ou trilhas atravessando as matas. Mas o Japão quer também promover sua modernidade, seja sua tecnologia, suas inovações, seu design, atrações que podem também contribuir ao ambicioso objetivo do seu turismo: 60 milhões de visitantes em 2030.

 

Fretamentos de iates: a Grécia enfrenta novos concorrentes

Segundo os dados publicados pela empresa Riginos Yachts,  líder do setor, os aluguéis de iates tiveram uma alta espetacular  nos últimos anos em todos os portos do Mar Mediterrâneo. Para as embarcações de lazer de mais de 20 metros de comprimento – o principal critério definindo a categoria-, os pedidos passaram de 2350 fretamentos em 2020 para 5800 em 2021, e 7200 em 2022,  se estabilizando a 7100 em 2023. Além da vitalidade do turismo de luxo, e da procura para este tipo de serviços muito exclusivos, o diretor da empresa, Konstantinos Angelopoulos atribui o sucesso da Riginos ao dinamismo de vários mercados, principalmente a Alemanha, a França, a Espanha e a Austrália.

Luxo e exclusividade em todos os iates da Reginos

Mas não é somente na Grécia que os aluguéis de iates estão crescendo. Seguindo as novas tendências do turismo, o fretamento de um barco de luxo com parentes ou amigos é uma oportunidade de viver experiências únicas e de descobrir destinos nem sempre acessíveis de outras formas, isso com o conforto e os serviços de um hotel de 5 estrelas. A Grécia já era líder mundial em 2022 com 26% da procura de iates, e a França e a Itália vinham logo em seguido com 17% cada uma. As tendências se confirmaram em 2023. No Mar Mediterrâneo, a Grécia passou a deter 31% do mercado enquanto a França e a Itália chegaram respetivamente a 20% e 19%. Esses resultados  devem muito, segundo Konstantinos Angelopoulos as isenções de taxas sobre combustível dadas pelo governo grego que compensaram a concorrência de iates mais diversificados e mais modernos oferecidos nos portos italianos e franceses.

O serviço a bordo é fundamental para experiência no iate

Assim, enquanto se trata do número de iates disponíveis para aluguéis em 2023, a Itália ficou em primeiro lugar com 450, seguida da França com 430, a Grécia aparecendo somente em terceiro lugar com 400, e o resto do mundo com 820. Esses números devem continuar a crescer em 2024 com a evolução das vendas, tanto para os barcos novos que para os barcos de segunda mão, dobrando para os iates de mais de 30 metros  e triplicando para os iates de mais de 60 metros. O mesmo crescimento é observado nos estaleiros. Segundo Merjin de Waard, fundador de Superyacht Times e membro do conselho da “Superyacht Life Fondation”, o número de iates de mais de 30 metros em construção passou de 480 em 2021, para 604 em 2022 e 648 em 2023. A maioria dos estaleiros estão sem disponibilidade, e alguns só aceitam encomendas para 2028.

@francisco viana

Paisagens exclusivos e encontros autênticos caracterizam os cruzeiros amazônicos

Alem dos portos tradicionais,  do Mediterrâneo e  do Caribe, os aluguéis de iates estão também crescendo em outros destinos, na Tailândia, na Indonésia, no Emirados, na Arabia Saudita e mais ainda na China que está se projetando como o primeiro mercado mundial para próxima década. O Brasil, com a riqueza do seu litoral e o imenso potencial dos rios amazônicos, é sem dúvidas já candidato para constar nesta lista do destinos inovadores para amadores de iates e de experiências autênticas e exclusivas.

Esse artigo foi traduzido e adaptado de um artigo original da revista francesa profissional on-line Mister Travel  

A alta costura se apaixona pela hotelaria de luxo

Moda, cultura e hospedagem são cada vez mais interligadas

A moda está se apaixonando pela hotelaria de luxo … e os gigantes do setor estão aproveitando seu “savoir faire” em produções exclusivas para oferecer novas fórmulas de hospedagens a seus clientes privilegiados, especialmente estadunidenses e árabes. Louis Vuitton, Bulgari, Louboutin, Armani, Dolce & Gabbana, Ferragamo ou até mesmo a revista de moda internacional Elle  estão assim investindo em hotéis com quartos e suítes de luxo, serviços personalizados, incluindo personal shoppers, acessos exclusivos a suas lojas, ou visitas particulares de museus pertencendo às vezes aos mesmos grupos econômicos.

A LVMH abriu em Shanghai um ícone da hotelaria de luxo

O grupo LVMH, já proprietário desde 2018 da marca Belmond e com o Orient Express na sua carteira, ampliou em 2021 sua marca Cheval Blanc com seu esperado palace em Paris, estabelecimento de 70 apartamentos dominando o Rio Sena e oferecendo um spa da Dior. A própria Vuitton deve abrir em 2026 um boutique hotel de “ultra luxo” no Champs Elysées, com a promessa de uma experiência única no universo da famosa marca. O grupo é também dono da Bulgari que comercializa hotéis cinco estrelas em Paris, Londres, Milão, Roma, Tóquio, Dubai, Bali, Pequim e Shanghai. Bulgari anunciou mais aberturas para os dois próximos anos nas Maldivas, em Los Angeles e em Miami Beach.

O “Vermelho”, primeiro hotel do Louboutin em Portugal

No ano passado, o estilista Christian Louboutin inaugurou o  seu primeiro hotel , o “Vermelho” (o nome se refera a cor emblemática da sola dos famosos sapatos, inspirada do esmalte das unhas da sua assessora), na cidade portuguesa de Melides, no Alentejo, a uma hora e meia no sul de Lisboa. O hotel possuí somente 13 quartos e foi construído com um cuidado especial para a sua integração no meio ambiente deste vilarejo que parece ter ficado no século XIX. Azulejos, afrescos, portas e peças únicas são homenagens ao artesanato, a criatividade e a arte para oferecer aos viajantes uma experiência exclusiva.

O Portrait hotel da Ferragamo em Florença têm uma localização excepcional

Na hotelaria italiana, o destaque é a família Ferragamo com a coleção Lungarno, fundada em 1995 e que tem na sua carteira três estabelecimentos da marca Portrait em Milão, Florença  e Roma. Ainda na capital da Toscana, o grupo tem o seu histórico Hotel Lungarno, o Continentale, a Galeria Hotel Art e os Apartamentos Lungarno. As outras marcas italianas de moda investindo em hotéis, não podia também faltar nem a Armani que abriu dois  5 estrelas, um em Milão e outro em Dubaï, nem a Versace, nem mesmo a Dolce & Gabbana.

A suite Gianni do “The Villa” da Versace em Miami

Na famosíssima Casa Casuarina de Miami, ícone da arquitetura dos anos 30 inspirada do Alcazar de Cristovão Colombo em Santo Domingo, a Versace abriu “The Villa” um boutique hotel de luxo de somente 12 suítes, que atrai celebridades pelo seu restaurante e seus salões de eventos. Fazem também parte do grupo o Palazzo Versace em Dubaï e o Grand Lisboa Palace em Macau. Mas quem quer mesmo marcar a hotelaria de luxo em Miami é a Dolce&Gabbana que anunciou o lançamento de um espetacular projeto de condomínio num arranha céu de 320 metros que será aberto até 2028. Estão previstas 259 residências, restaurantes, bares, piscina na cobertura e spa.  O design da fachada e dos interiores deve mostrar as características da marca bem como o encontro do glamour e da elegância da Itália e de Miami.

O futuro   “888 Brickell” da Dolce & Gabbana em Miami

Esse artigo foi traduzido e adaptado de um artigo original da revista francesa profissional on-line Mister Travel  

No turismo Suiço, a nova identidade visual é parte do sucesso

 

O antigo e o novo logotipo, duas gerações do sucesso do turismo suíço

Se o desenvolvimento de uma nova identidade visual é sempre um desafio, Switzerland turismo, em colaboração com a agência de branding MADE Identity, parece ter achado a solução em torno de um logotipo impactante,  simples e eficiente O ano de 2024 marca assim o início de uma nova era para a imagem do turismo da Suíça que, desde 1995, esteve sob a bandeira da flor nacional, a ” Edelweiss” dourada. Para o desenvolvimento da marca, a MADE Identity centralizou-se em três pontos principais: uma imagem mais visível e mais fácil de ser lembrada internacionalmente, traduzindo uma estratégia única e coerente, um impacto digital máximo, tátil e de espacialidade, e enfim um apoio ao viajante durante todo o percurso de viagem, na publicidade, durante a experiência e até nos souvenirs.

Os vários tons de vermelho são inspirados do “Alpenglow”

Depois de uma pesquisa internacional em cinco mercados (Alemanha, França, Itália, Coréia e países do Golfo), foi decidido de descartar os quatro idiomas do país (francês, alemão, italiano e romanche)  e de utilizar somente o nome inglês  “Switzerland” para simbolizar a promessa de longa data do destino: natureza, hospitalidade, otimismo e confiabilidade. No novo logotipo, “Switzerland”  apresenta, no lugar da letra T, a cruz simbólica ampliada e decorada com um monocromático de cinco tons oscilando entre o vermelho e o rosa, como sinal de modernidade, diversidade e independência. O desenho é inspirado do “Alpenglow”, as cores que aparecem quando o sol fica logo em baixo do horizonte. A cruz pode também ser interpretada como o signo “+”, lembrando que a Suiça oferece também mais do que se esperava ….

A natureza protegida é parte chave da nova imagem

Pela primeira vez na história da promoção turística da Suíça, um conceito completo de marca substituiu uma simples sigla. Assim, “Switzerland” deixará de apenas promover o destino, mas acompanhará o turista durante toda a sua jornada, desde a inspiração até o planejamento da viagem e a experiência vivida com todos os anfitriões que participam do turismo suíço. Esta parceria, que data de 1995 e da criação do “Escritório Nacional de Turismo da Suíça”, vai agora levar a marca “Switzerland” a possibilitar uma melhor orientação dos hóspedes a todos os seus associados e parceiros, permitindo a construção de um vínculo de confiança entre eles. Este novo e abrangente conceito oferece inúmeras possibilidades em todos os canais de comunicação.

Os parceiros demorar para aceitar o abandono da tradicional Edelweiss

Convencer os parceiros foi um trabalho importante para poder lançar essa nova identidade. A imagem do destino como hoje é conhecida tinha sido criada há quase 30 anos  sob o símbolo da Edelweiss, a flor dourada, que fez parte do imaginário coletivo de toda uma geração. Nas pesquisas preliminares feitas pela MADE Identity nos quatro cantos do país, ficou claro que muitos profissionais e muitos moradores tinham um forte apego emocional com este símbolo. Mas para quem não conhecia a Edelweiss, o logo com a flor dourada parecia somente um esquisito broche. A utilização da bandeira com a mundialmente famosa cruz foi assim um argumento simples e eficiente que convenceu a todos.

A nova logomarca será gradualmente implementada em todo o mundo, e a transição completa deve demorar alguns meses. Para Martin Nydegger, diretor da Switzerland Tourism “a flor dourada” marcou época para uma geração de profissionais do turismo. Acompanhada por um design moderno e decididamente voltado para o futuro, o novo logotipo “Switzerland” inspira confiança às gerações futuras.” Por representar a Suíça muito além do setor do turismo, esta nova marca será, sem dúvida, observada com atenção. O responsável federal pelo turismo, Guy Parmelin, atesta: “A Suíça é no mundo inteiro um símbolo de diversidade, qualidade e originalidade que se refletem perfeitamente na nova identidade e nas novas cores do turismo suíço que nos acompanharão por muitos anos.” O profissionalismo e o espírito de parceria demonstrados neste lançamento indicam que será mesmo um sucesso.

 

 

Jogos Olímpicos Paris 2024, e se for também longe de Paris?

 

Para os turistas, Paris em julho terá um acesso difícil

Esperando 15 milhões de fãs para os Jogos Olímpicos e Paraolímpicos,  Paris vai ser a partir do dia 26 de julho o centro do universo esportista. Para muitos viajantes, será também um sonho inacessível, uma cidade onde transportes, hotéis, restaurantes e atrações serão além de lotados, e os preços altos serão desanimadores. De fato, segundo Frederic Hocquard, prefeito adjunto de Paris, os hotéis aumentaram em um ano de 314%, a AirBnb quase dobrou suas tarifas médias, e até o emblemático tíquete de metrô vai subir de 2,15 à 4 Euros durante a temporada dos Jogos. Para quem quer mesmo viajar para França e participar deste grande evento, existem porém várias alternativas.

Lille investiu na promoção dos seus momentos olímpicos junto a seus moradores

Se os Jogos 2024 são parisienses, várias disciplinas olímpicas precisaram ser deslocadas para outros lugares. Foram assim escolhidas nove cidades francesas onde será possível de assistir as provas de basquete, de handebol, de futebol, de vela, de tiro ou de surfe. No norte da França, Lille mobilizou autoridades e moradores  para receber 52 jogos de basquete e de handebol. Do 27 de julho até o 11 de Agosto, eventos, jogos e provas deveriam atender 100.000 visitantes por dia, que poderão também aproveitar a animação da cidade velha e da “Grand Place”,  a riqueza cultural do Museu de Arte Moderna ou a alegre simplicidade da sua gastronomia harmonizada com cerveja.

Em Bordeaux, a chama olímpica será do futebol

Reunindo agora 28 equipes (16 masculinas e 12 femininas), o futebol é o esporte que se espalhou no maior número de cidades francesas. Além de Paris, 6 outras cidades foram selecionadas em função da qualidade das infraestruturas, da sua história futebolística e da sua capacidade de atendimento. Bordeaux, Nantes, Saint Etienne, Lyon, Nice e Marselha. Se a seleção masculina do Brasil está fora da competição pela primeira vez desde 2004, as mulheres estão qualificadas e vão fazer seus dois primeiros jogos em Bordeaux. Para os torcedores, será uma boa oportunidade para visitar a capital mundial do vinho, seu centro histórico animado e comercial, sua “Cité du Vin” e seu teatro. Nos arredores, pode almoçar na praça frente a igreja troglodita de Saint Emilion, seguir os passos do Rei da Inglaterra nos vinhedos de Smith Haut Laffite ou caminhar no balneário de Arcachon.

Nice, a cidade de Garibaldi, será a sede de 6 jogos de futebol

As brasileiras poderão depois jogar em Lyon, Nantes e até em Paris, dependendo da classificação. Em Lyon, do 24 de julho ao 8 de agosto, 11 jogos são previstos, com destaque para as seleções francesa e argentina. Estão também no calendário duas semifinais bem como a briga pela medalha de bronze feminina, uma programação intensa que deve porém deixar aos visitantes o tempo de saborear os encantos da capital francesa da gastronomia. A menos de uma hora de trem ou de carro, Saint Etienne sediará 6 jogos, honrando seu passado futebolístico bem como seu presente de cidade do design. Do 24 de julho até 8 de agosto,  Nantes vai aproveitar os Jogos para mostrar a riqueza do seu património bretão – na cultura, na arquitetura, e na gastronomia-, bem com um rico movimento cultural acumulado em torno das heranças de Jules Verne e de Leonardo da Vinci. E para quem preferir a Riviera, Nice,  está recebendo 6 jogos do dia 24 de julho até o dia 31, uma semana para aproveitar a “Promenade des anglais”, as arenas de Cimiez ou o velho porto perto do qual ficava a casa onde nasceu o Garibaldi.

Em Marselha, Nossa Senhora da Guarda vigiará as provas náuticas

Além do futebol, Marselha acolherá outros esportes onde os brasileiros poderão se destacar. Famosa pelo seu porto, a mais antiga cidade da França, fundada por marinheiros gregos em 600 a.C., vai receber do 28 de julho até o 8 de agosto todos os esportes de sailing, incluindo o windsurfe, o kitesurfe e muitos outros.  Com os barcos saindo da marina de Roucas Blanc, as competições poderão ser vistas da beira mar, seja das áreas reservadas para os 12.000 compradores de entradas, seja gratuitamente das praias do Prado e da Corniche. Para os visitantes, a estadia em Marselha será uma boa ocasião para caminhar no antigo porto, visitar o Museu das Civilizações do Mediterrâneo, passear na trilhas das Calanques, e mais importante ainda: subir na basílica para pegar uma benção da Nossa Senhora da Guarda, padroeira da cidade.

Com 40.000 habitantes, Chateauroux é a menor das cidades olímpicas de Paris 2024

Duas outras cidades francesas vão acolher provas olímpicas. Na primeira, Chateauroux,  serão realizadas do 27 de Julho até o 5 de Agosto as competições de tiro ao alvo, três brasileiros devem participar. Os visitantes poderão aproveitar o pequeno mas interessante Museu Bertrand onde é exposta “Sakuntala”, uma das melhores obras da escultora Camille Claudel (essa obra tem uma outra versão em mármore chamada “Vertumnus et Pomona”, exposta no Museu Rodin em Paris).  Chateauroux fica perto de Bourges e da sua famosa catedral, bem como  do Vale de Loire, a menos de uma hora de carro dos castelos de Chenonceaux, de Chambord ou de Cheverny, imprescindíveis etapas num roteiro de verão para o sudoeste francês.

Nas águas de Tahiti, uma mítica prova de surfe

A bela surpresa dos Jogos Paris 2024 é a localização escolhida para as competições de surfe. A 15.700 km da capital francesa, na ilha de Tahiti, do dia 27 de julho até o 4 de agosto, os melhores surfistas do mundo competirão pelas medalhas nas ondas míticas de Teahupo’o. Três áreas com acessos livres são previstas para os fãs, na própria praia de Teahupo’o bem como na praia de Taharu’u  e nos jardins de Paofai. A proximidade da capital, Papeete, oferecerá aos turistas bastante opções de hospedagem, mas dará também a oportunidade de aproveitar sua lagoa, suas montanhas, seu urbanismo e seu povo antes de seguir para as belezas de Bora-Bora, de outras  imprescindíveis ilhas da Polinésia francesa, ou de voltar para Paris para a cerimônia de encerramento dos Jogos no dia 11 de agosto no Stade de France.

Jean Philippe Pérol

 

Viagens de negócios na pós pandemia, euforia ou cautela?

Nova Iorque, destino líder tanto nas viagens de negócios que no bleasure

As TMC, “Travel Management Compagnies”, estão surpreendendo os observadores do turismo internacional. Enquanto todas as pesquisas projetava uma queda de 20 à 25% das viagens de negócios depois da crise do Covid, as grandes empresas do setor anunciaram crescimentos de dois dígitos da suas atividades em 2023, e parecem extremamente animadas não somente para 2024 mas também nas projeções de faturamento a medio prazo. Olhando as novas tendências que caracterizam  essas viagens, especialmente dos viajantes mais jovens, bem como a evolução dos preços dos principais fornecedores – companhias aéreas e hotéis-,  poderia ser que a euforia dos mas otimistas seja compatível com a cautela dos mais céticos?

O controle das despesas continua sendo uma ferramenta chave das TMC

Uma pesquisa internacional da SAP Concur, a maior plataforma de gestão de dados corporativos, sobre a evolução das despesas de viagens das empresas européias, mostrou mudanças importantes de 2019 para 2023. As passagens aéras, primeira despesa corporativa, subiram em media de 10% em relação ao nível pre pandemia, uma alta mais marcante ainda no ano passado. A SAP Concur avisa porém que essa inflação dos custos é geral, sendo ainda mais alta nos gastos de alimentação – que aumentaram de 30%-, e mesmo nas despesas de hospedagem – 21% acima dos níveis de 2019. No Brasil, a evolução é ainda mais marcante, especialmente para o transporte aéreo que sofreu uma inflação de 14% neste mesmo período.

As viagens de avião são as mais prejudicadas pelos cortes

Depois da euforia, as despesas de viagens de negócios voltarão talvez em 2024 aos volumes anteriores a crise, mas este resultado é principalmente a consequência da inflação que compensou uma queda do número de viagens estimada em quase 20%. No Brasil, uma recente pesquisa da ABRAJET mostra dados um pouco mais otimistas, com números de transações das TMC em queda de somente 12,6% de 2023 para 2019. Essa queda se deve tanto as restrições de despesas que ao sucesso das videoconferências (vistas por 31% das empresas como uma alternativa as viagens) e ao crescimento da “consciência ecológica”. Reais ou comunicadas, as preocupações  com o meio ambiente ou a  descarbonização levam muitas empresas a reduzir suas viagens, especialmente aquelas realizadas de avião. É assim que hoje 43% dos viajantes de negócios declaram que estão viajando menos pelas suas empresas que há 5 anos atras.

Novas tendências vão mudar o perfil das viagens profissionais

Mas, mesmo se o número anterior de viagens profissionais deve somente ser reencontrado a nível mundial depois de 2028, várias novas tendências devem ajudar as TMC a defender suas posições de destaque no setor das viagens e do turismo. As viagens continuam de ser um componente chave da vida das grandes empresas, ajudando a consolidar as parcerias com clientes e fornecedores. Além disso, o interesse pelas viagens  como fator de desenvolvimento pessoal é agora um argumento importante para atrair e desenvolver os talentos dos colaboradores. E, depois da crise, a combinação de negócios e lazer – o “bleasure”- é cada vez mais aceita, sendo hoje utilizado cada dois ou três meses por mais da metade dos viajantes.

Inovar com personalização, eficácia e sustentabilidade é o novo desafio.

Tradicionalmente focadas na gestão das despesas de viagem dos seus clientes, ajudando a definir previsões corretas, políticas eficientes e controles de conformidade, os TMC insistem hoje na exigência de combinar essas tarefas com a garantia de oferecer também aos viajantes a segurança, a saúde e o bem estar. Com a flexibilidade e a personalização cada vez maior das políticas das empresas, a oferta de serviços para as viagens pessoais dos dirigentes e/ou dos funcionários abriu novas oportunidades, seja para os próprios TMC, seja para filiais especializadas. Assim como as tendências pós-pandemia ou o “bleasure”, as ofertas de viagens de lazer personalizados – já exploradas no passado com sucessos variáveis pela Amex ou a Wagons lits- podem ajudar  a compensar o inevitável recuo do número de viagens profissionais.  Mesmo para os mais cautelosos, as oportunidades assim oferecidas podem incitar, senão a euforia, pelo menos ao certo otimismo?

Jean Philippe Pérol

O Forum Econômico Mundial de Davos ajuda a redefinir a “turistabilidade”

O World Economic Forum de Davos, momento chave da liderança mundial 

Publicado pela segunda vez pelo World Economic Forum de Davos, mas existindo de forma diferente  desde 2007, o Travel & Tourism Development Index 2024 (IDTT) sai da rotina instantânea e quantitativa  das maiorias dos rankings existentes. Com prestigiosos padrinhos, ele oferece uma análise prospectiva dos fatores e das estratégias de desenvolvimento sustentáveis do setor turístico dos 119 países estudados, definindo o que pode ser chamada de “turistabilidade” dos destinos. Realizado em colaboração com o World Tourism and Travel Council (WTTC), o esperado relatório apoia a sua classificação com cinco categorias de critérios divididos em 17 pilares indispensáveis ao setor.

  • o ambiente favorável aos negócios é definido pela política econômica do país, a segurança pública, as condições de saúde, os recursos humanos e as tecnologias de comunicações.
  • a política do turismo é julgado pela prioridade dada ao setor, a abertura internacional e o nível de preços dos serviços.
  • as infraestruturas indispensáveis são os aeroportos, os portos e as rodovias, bem como os equipamentos turísticos.
  • os recursos incluem as belezas naturais, as riquezas culturais e outras, fora o setor de lazer.
  • a sustentabilidade leva em consideração a política energética e a proteção do meio ambiente, o impacto social do turismo, e a gestão dos riscos do overturismo.

O ranking destaca o domínio dos países mais desenvolvidos e mais ricos. Assim, os dez primeiros são os Estados Unidos, a Espanha, o Japão, a França, a Austrália, a Alemanha, o Reino Unido, a China, a Itália e a Suiça. Nos trinta primeiros aparecem 19 países da Europa, 7 da Ásia- Oceania, 1 do Oriente Médio e 3 das Américas ( Estados Unidos, Canadá e Brasil), países que representam 75% da indústria mundial do turismo e 70% do crescimento nos últimos dois anos. Se os países ricos ainda são hoje os pesos pesados do setor, o dinamismo dos anos pós-covid parece muito mais diversificado, favorecendo o “Sul global”. Os campeões do crescimento foram assim o Uzbekistão (+7.8%, ganhou 16 lugares), a Costa de Marfim(+6.4%, 2 lugares), a Albania (+5.9%, 12 lugares), a Arabia Saudita (+5.7%, 9 lugares),  a Tanzânia (+4.5%, 7 lugares), a Indonesia (+4.5%, 14 lugares), os Emirados (+4.4%, 7 lugares), o Egito (+4.3%, 5 lugares),  a Nigeria (+4.2%, 1 lugar) e El Salvador (+4.0%, 4 lugares).

As excepcionais riquezas naturais do Brasil são destaque da sua “turistabilidade”

O Brasil, já primeiro destino latino americano do ranking global, se saiu  bem em termos  de crescimento, com uma taxa  de +3.3%, é um pulo de 12 lugares, da 34a posição para a  26a. Este bom desempenho junto  ao índice do World Economic Forum, se deve principalmente a quatro destaques: riquezas naturais consideradas excepcionais (5as dos 119 destinos listados), um forte impacto social nas comunidades ,  preços atrativos e um bom domínio das tecnologias de informação e comunicação (ICT). A “turistabilidade” do Brasil só não foi melhor pelos pontos negativos: o difícil ambiente para os negócios, as infraestruturas insuficientes nos portos e nas estradas, a segurança pública, e as deficiências em equipamentos e serviços de turismo.

Os desordens climáticos  também prejudicaram o turismo

O relatório do World Economic Forum não deixa de ser otimista sobre o desenvolvimento do setor a curto e longo prazo, lembrando que os níveis de 2019 vão ser ultrapassados em 2024. Puxado por uma procura extremamente resiliente, o turismo conseguiu superar as crises políticas, a inflação dos preços, o custo da energia, a falta de mão de obra,  as catástrofes climáticas e a volta do overturismo – pontual mas impactante em algumas regiões. Para continuar a crescer – especialmente nos países em desenvolvimento, serão porém necessários  investimentos importantes no aproveitamento dos recursos naturais e culturais,  nas infraestruturas de comunicações, de transporte e de turismo,  nas legislações empresariais e trabalhistas, na abertura internacional e na promoção.

Longe das atuais projeções, o turismo do futuro ainda deve ser inventado

Chamando atenção sobre os principais riscos que podem ameaçar o futuro do setor – as mudanças climáticas, as fakenews e as reações contre o overturismo, o relatório destaca também alguns pontos chaves  para o sucesso: fazer (ou refazer) o turismo uma prioridade de governo, favorecer as parcerias público-privado, investir na capacitação de todos os atores, e colocar as comunidades locais no coração das estratégias de desenvolvimento. Além do ranking (cujos critérios podem ser ainda discutidos), o Travel & Tourism Development Index 2024 (IDTT) é assim um documento valioso para inspirar governos e profissionais e definir uma nova “turistabilidade”.

Jean Philippe Pérol

Esse artigo foi inicialmente publicado no Blog “Points de vue” do autor na revista profissional on line Mercado & eventos

80 anos da Liberação da França: em Oradour-sur-Glane, o turismo é memoria

Na entrada da cidade martirizada, um pedido para o visitante: Lembre-se

No dia 6 de junho, a Normandia vai festejar o octogésimo aniversário do Dia D, uma comemoração excepcional, sendo talvez a última a qual participarão alguns dos heróis desta grande batalha. Com festas, fogos de artifícios, pulos de paraquedas, bailes populares, concertos e exposições, turistas e moradores vão comemorar este evento que foi um dos mais marcantes da liberação da França da dramática ocupação alemã. Mas, mesmo se não tão conhecidas, outras regiões e outras cidades vão lembrar dos acontecimentos heróicos, dramáticos ou trágicos do verão de 1944. Assim, perto de Limoges, o Centro da Memória do vilarejo de Oradour-sur-Glane comemora também em junho os 80 anos do maior massacre cometido na França pelos alemães durante a Segunda Guerra Mundial.

O bairro da Boucherie é um testemunho da historia de Limoges

Com 1.500 habitantes, Oradour-sur-Glane era um centro animado, atraindo novos habitantes bem como visitantes da vizinhança. Eles gostavam da animação comercial, das atividades agrícolas e artesanais, da proximidade com Limoges onde muitos moradores trabalhavam, e aproveitavam um bondinho que interligava as duas cidades. Mesmo com a presencia crescente do alemães, a vida continuava. Dia 6 de junho, com a notícia do desembarque dos aliados,  a região inteira ia porém mergulhar brutalmente na guerra. A resistência armada, muito forte nas planícies do Limousin, recebeu instruções de atrasar os movimentos das tropas inimigas que tentavam se juntar a batalha da Normandia. A reação dos alemães foi terrível. A divisão SS Das Reich deixou um rastro de terror e de crimes maciços contra as populações civis, enforcando, fuzilando ou deportando centenas de inocentes. Chegando em Limoges Dia 9 de junho, o general alemão Lammerding tomou a decisão de fazer um exemplo mais drástico ainda para aterrorizar a resistência, e a primeira cidade no seu caminho era Oradour-sur- Glane. 

No final da tarde do 10 de junho, somente sobravam as ruinas da cidade

Dia 10 de junho, as 14:00, 200 soldados SS cercam a cidade e obrigaram todos os habitantes a se agrupar na praça central, matando quem resistiu. Os homens foram separados e isolados em cinco lugares fechados, as mulheres e as crianças foram trancadas na igreja. As 16:00 os homens foram todos fuzilados e os soldados jogaram explosivos na igreja. Vendo que ainda tinham sobreviventes, eles atiraram pelas janelas e incendiaram o edifício cujo telhado caiu. Em seguida saquearam e incendiaram todas as casas da aldeia. Voltaram o dia seguinte para jogar os corpos num fossa coletiva antes de ir embora para participar da batalha da Normandia, deixando 643 vítimas e somente 6 sobreviventes (5 homens e uma mulher).

A nova igreja parece vigiar as marcas do drama

Frente a tamanho horror, o governo francês decidiu conservar Oradour-sur-Glane exatamente no estado que os alemães tinham deixado, e de reconstruir um novo vilarejo na periferia. As ruinas da cidade devia assim ficar para sempre como uma homenagem ao martírio dos seus habitantes, símbolo da França ferida pela ocupação alemã. Visitando o local em março 1945, o então Presidente de Gaulle lembrou como este patrimônio coletivo era importante para recordar a tragédia coletiva, mas também a vontade coletiva e a esperança coletiva. O ano seguido Oradour-sur-Glane foi tombada pelo Patrimônio histórico e foi aberta as visitas, desde então mais de 300.000 por ano. O novo vilarejo cresceu, têm hoje mais de 5.000 habitantes, e atraiu novas atividades, inclusive as famosas porcelanas Bernardaud.

O Centro de Memória é o início de uma experiência emocionante

Aberto em 1999, o Centro da Memória quer preparar o visitante ao choque emocional da visita da cidade que ficou no exato estado onde os alemães a deixaram no dia 10 de junho de 1944. A arquitetura do centro, os materiais escolhidos, as luzes do subterrâneo de acesso, os mapas e as fotos expostas, tudo é focada na informação e na transmissão da memória.  Enquanto ficam poucas semanas para as comemorações, o ministério da Cultura está acelerando as obras para restaurar várias construções do local e para  proteger o acervo de móveis e de objetos. Em parceria com a fundação Dassault Histoire et Patrimoine – o fundador da  famosa empresa aeronáutica foi um herói da Resistência francesa-, o projeto foi elaborado com a Associação nacional das famílias dos martírios. Juntas com o Dia D na Normandia, as liberações de Paris e Estrasburgo e o desembarque da Provence, as comemorações do massacre de Oradour-sur-Glane são os cinco grandes eventos que serão celebrados em 2024 para os 80 anos da liberação da França.

Jean Philippe Pérol

A Normandia será, com Oradour e 3 outras locais, destaque dos 80 anos