O Trump favorecendo o turismo europeu?

A imagem do Presidente sempre impactou o turismo para os Estados Unidos

Vendo o impacto da presidência do George Bush sobre os fluxos turísticos internacionais dos brasileiros, um diretor do turismo francês sugeriu na época que a Franca entregasse para ele a “Medalha do turismo”. De fato, enquanto a Europa e os Estados Unidos eram tradicionalmente empatados nos mercados sul- americanos, as medidas restritivos e as vezes vexatórias visando os viajantes chegando (ou transitando) nos aeroportos estadunidenses deram naquele momento um impulso excepcional  aos destinos europeus. Nesses ciclos marcando a rivalidade turística entre os Estados Unidos e a Europa, a volta do Trump, independentemente das opiniões politicas de cada um, poderá de novo favorecer fortemente o velho continente bem como o Canadá.

Novo travel ban preocupa os profissionais americanos

Com as primeiras medidas da nova presidência, o impacto negativo sobre o turismo já se baseia em fatos objetivos preocupando e até desanimando os viajantes: controles mais rigorosos nas fronteiras e prazos de concessões de vistos mais longos devido a cortes de pessoal, reativações de proibições de viagem para cidadãos de países considerados com riscos (uma medida já tomada pelo Trump em 2017), restrições aos passaportes sem indicações de género, preocupações sobre a saude pública com a retirada da Organização Mundial da Saude e as possíveis epidemias, ou o crescente  mal estar  dos ambientalistas com a retirada dos Estados Unidos dos acordo de Paris.

Na Alemanha, os viajantes estão trocando os Estados Unidos pelo Canada

Outras medidas ainda são esperadas e poderiam prejudicar mais ainda o setor do turismo estadunidense – a possível proibição de TikTok preocupando os jovens viajantes que não imaginam viagens sem posts nas mídias sociais, e os aumentos de preços que as taxas sobre os navios de bandeiras estrangeiras, anunciadas pela nova administração, podendo impactar as vendas de cruzeiros. No primeiro mandato do Presidente Trump, medidas menos drásticas já tinham provocadas uma queda dos fluxos de visitantes de mais de 10%, e os profissionais estadunidenses estão agora preocupados com consequências ainda mais fortes enquanto o objetivo era de chegar a 90 milhões de visitantes com o impulso da Copa do mundo FIFA 2026.

Será que Trump vai merecer a medalha do turismo dos destinos concorrentes?

Alem das medidas, o turismo pode também ser prejudicado pela rápida degradação da imagem  dos Estados em mercados chaves, especialmente no Canada, no Mexico e na Europa do Norte, mas também na China, nos países árabes ou no Brasil. Observadores otimistas esperam ainda que alguns fatores positivos podem reverter em parte essas tendencias: simpatias politicas com o novo modelo de governo, vistos facilitados para grandes investidores, impostos menores para as pequenas empresas que são a força do trade turístico,  energia mais barata e talvez um dolar enfraquecido. Mas no geral é porem provável que os fatores negativos não sejam compensados, e que as viagens internacionais privilegiam seja o Canada seja a Europa.

Jean Philippe Pérol

 

 

A resiliência das viagens de incentivo

O relatório anual do Incentive Travel Index é muito esperado pelos profissionais

Se a revolução das maneiras de trabalhar – home office, teletrabalho ou workation- parecia impactar o futuro das viagens de negócios, a última pesquisa do Incentive Travel Index, realizada em 2023 pelas conceituadas  Incentive Research FoundationFoundation of the Society for Incentive Travel Excellence, mostra a resiliência e a evolução, das viagens de incentivo. Para 74% dos 2400 executivos entrevistados na America do Norte (52%), na Europa (21,2%) e em mais de 30 mercados emergentes,  o setor saiu reforçado e ficou mais estratégico depois da crise. 2025 é visto com bastante otimismo, pelo numero de viagens que deverão ser organizados, pelo numero de participantes de cada viagem, e pelos gastos medios por participante. 

A pesquisa ouviu 2400 executivos do setor em mais de 40 paises

O relatório mostra também que novas tendências estão aparecendo. As viagens de incentivo continuam com seu papel de motivação e de prêmios para os funcionários, os parceiros ou os fornecedores, em relação a realização de metas comerciais ou financeiras predefinidas. Mas as viagens devem ser mais que um simples “team building”, os participantes pedem agora experiências mais longas, mais espetaculares, em cenários marcantes. Com o teletrabalho diminuindo os encontros físicos de colegas ou superiores, 79% dos participantes da pesquisa acham que a necessidade de reunir as equipes é um dos fatores principais da nova popularidade das viagens de incentivo.

Millenials já definam novas tendências das viagens de incentivo

Todas as gerações continuam de ser interessadas, mas a pesquisa Incentive Travel Index mostrou uma atração um pouco maior junto aos mais jovens. Os millenials (nascidos de 1981 a 1995) e a geração Z (nascidos de 1995 a 2009) são 93% a achar estas premiações extremamente ou muito atraentes, enquanto esses números são somente de 86% junto aos baby boomers e a geração X, a razão sendo que os seniors já tiveram muitas experiências de viagens e são assim mais difícil de impressionar. Juniors ou senior têm porem as mesmas prioridades para essas viagens: 81% querem experiências únicas, 80% preferem hospedagens e atividades de luxo, 76% pedem para levam um acompanhante, 74% procuram conteúdos culturais e … 85% querem tempo livre para atividades próprias.

Muitos fatores ainda podem mudar as tendências de destinos

Se 59% prevêem um crescimento dos seus orçamentos em 2024, e 64% em 2025, vários fatores ainda podem influenciar as decisões, e poderiam levar a considerar as viagens de incentivo como despesas mais fúteis e menos atraentes. Será necessário vigiar as mudanças políticas, a instabilidade das relações internacionais, as tensões do mercado do trabalho, e em primeiro lugar para 76% dos entrevistados, a inflação  dos preços do setor. Os profissionais são especialmente preocupados com as tarifas dos hotéis que poderiam, segundo o  Hotel Monitor 2024 da American Express GBT subir em media esse ano de 17,5%. Para superar esses desafios, eles pensam que será talvez necessário escolher lugares mais próximos ou até reduzir os numeros de pernoites.

Em lugares inéditos e inovadores, fortes parcerias são imprescindíveis

Nas suas respostas, os responsáveis  destacam a importância da escolha do destino como fator chave do sucesso de uma viagem de incentivo. 71% deles acham que o lugar deve ser inédito ou pelo menos inovador, e os roteiros estimulantes e animados. O suporte dos órgãos oficiais de turismo é considerado um fator chave, essencial para 51% na expertise do local, para 48% no apoio junto aos receptivos, para 46% na organização das visitas, para 23% no apoio financeiro e para 21% nas negociações com os hotéis. Para todos os participantes , é somente através de fortes parcerias que o sucesso das viagens de incentivo poderá continuar a demonstrar a sua resiliência e garantir seu crescimento.

 

Este artigo foi adaptado de um artigo original de Julie Payeur na revista profissional on-line Reseau de veille en tourisme, Chaire de tourisme Transat  

Oslo mostra uma “contra-campanha” inovadora

Navio ou iceberg, o surpeendente Opera de Oslo

Enquanto o overturismo está monopolizando as mídias da Europa e dos Estados Unidos, paralisando a comunicação e a criatividade de muitos grandes destinos,  VisitOslo, organização encarregada do marketing da capital da Noruega, lançou uma (contra) campanha original pedindo para “ser honestos e não vir para cidade”.  Com um humor muito escandinavo e uma humildade bem calculada, um morador desiludido aparece num clip publicitário arriscado, para mostrar sem convicção as belezas naturais, o dinamismo cultural, a tranquilidade social e a simplicidade humana de Oslo que “nem parece ser uma cidade”.

Obra da agÊncia norueguesa NewsLab, a campanha teve um sucesso imediato nas mídias sociais, com 250.000 likes e 1,5 milhão de visualizações no TikTok,  70.000 likes, 1,2 milhão de visualizações na Instagram, e 6 milhões de visualizações na X (ex Twitter). VisitOslo conseguiu surpreender (e convencer) seu público com um jovem de 31 anos chamado Halfdan, o anti-herói da campanha,  falando com um tom amargo, sarcástico e até cínico. Ele finge desanimar os visitantes mostrando justamente os charmes da sua cidade natal, suas experiências autênticas e seu tamanho humano.

O Rio Akerselva traga a natureza dentro da cidade

Entrar num museu sem fazer fila durante algumas horas, encontrar um restaurante mesmo sem reservas e de última hora, tomar banho de mar no centro da cidade, cruzar durante uma caminhada na rua com o  primeiro ministro ou até o Rei: tudo parece possível, acessível e fácil. Mas Halfdan se queixa desta tranquilidade, achando incrível que atravessar a pé Tigerstaden (o outro nome de Oslo)  não leva mais de meia hora, uma façanha impossível de realizar em Istambul,  Nova Iorque ou Paris. Com este personagem antipático, VisitOslo quer convencer uma outra categoria de viajantes, aqueles que procuram autenticidade e encontros em destinos fora das rotas do overturismo.

O Grito  é o grande acervo do Museu Munch

August Jorfald, cenarista e realizador da campanha publicitária, falou numa entrevista com a BBC que a ideia deste clipe surgiu quando, de volta de uma viagem para Paris, percebeu que a sua estadia tinha sido um sucesso porque não tinha visto a Torre Eiffel.  August acha que as experiências marcantes são aquelas que não são feitas para os turistas. Nada de Disney World, ele tem preferencia momentos inesperados, sentar numa mesa com um desconhecido ou beber um vinho bom num copo comum. E mesmo quando se trata de arte, o Halfdan privilegia a simplicidade. Frente ao Grito do norueguês Edvard Munch, com o plano de fundo do fiorde de Oslo, ele ainda declara: “Não é mesmo a Mona Lisa” .

Nos restaurantes animadas, turistas e moradores se encontram

Nas mídias sociais, os internautas adoraram a campanha, elogiando o tom diferente e a simplicidade da mensagem. Na hora de uma procura cada vez maior pelos destinos menos ameaçados pelo aquecimento global, as viagens chamadas “coolcations”, neologismo americano de cool com vacations), a Noruega deve assim acelerar o impulso dado a seu turismo international. Muito impactado pela pandemia,  quando perdeu 75% dos seus 6 milhões de visitantes, o pais já vai passar de 8 milhões esse ano,  apostando num turismo de qualidade e sem medo do overturismo.

Os Jogos de Paris 2024, um sucesso de futuro para o turismo francês

Na Place de la Concorde, um espaço de convivialidade olímpica

Se os Jogos de Paris 2024 acabarão oficialmente somente dia 8 de setembro no encerramento dos Paralímpicos, os especialistas já estão brigando para saber se o evento foi ou não o sucesso esperado pelos profissionais e anunciados pelos políticos. Os resultados são fáceis de medir quando se trata de medalhas – a França conseguiu bater seu recorde com 64 , sendo 16 de ouro-, ou quando se trata de custos financeiros – quase 10 bilhões de Euros para uma previsão inicial de 6-, mas é difícil de apreender quando se trata de turismo devido às diversidades de indicadores. São mais difíceis ainda de analisar quando se trata de turismo internacional.

Os profissionais fizeram o máximo para seduzir atletas e visitantes

Para os profissionais do setor, teve, como sempre nos grandes eventos, muitas expectativas, e, como sempre nos grandes eventos, muitas decepções. Os números globais ainda não podem ser medidos, mas serão com certeza em recuo, como foi o caso em Londres, já que o milhão e meio de visitantes “olímpicos” estiveram presentes, mas desanimaram o mesmo tanto de turistas regulares que se assustaram com os altos preços anunciados para hospedagens ou com a complexidade da mobilidade em Paris. As quedas de 30% observadas nos restaurantes e nos comércios, de 20% nos parques e nos museus, impactaram brutalmente um setor ainda em recuperação das traumas da pandemia. E se os hotéis e os apartamentos alugados tiveram uma alta de 10% da taxa de ocupação a partir do 26 de julho, os empreendimentos tiveram que reajustar os preços para baixo depois de um mês de junho muito abaixo do normal.

Os parisienses pedem a permanência do balão da chama olímpica

Mas, por importantes que sejam esses problemas, o Jogos foram mesmo um sucesso excepcional, incluído para o setor do turismo que vai beneficiar a longo, médio e curto prazos, dos investimentos em infraestruturas, comunicação e capacitação que foram realizados. Os futuros visitantes poderão aproveitar as renovações de muitos pontos de atração, as inovações em transportes, segurança ou em equipamentos indispensáveis para futuros grandes eventos que a França mostrou ter capacidade para organizar.

O surfe brasileiro imortalizado na onda de Teahupo’o

Os Jogos ofereceram também para Paris e para toda França uma extraordinária visibilidade em toda a mídia internacional. A ousada escolha de localizar o máximo de provas frente aos grandes monumentos históricos ou em lugares inesperados gerou no mundo inteiro momentos inesquecíveis; o vôlei de praia em frente da Torre Eiffel, o hipismo nos jardins de Versailles, a esgrima em baixo do domo do Grand Palais, o triatlo nas águas do Rio Sena, o surfe na mítica praia polinésio de Teahupo’o ….

A magia criativa de Zeus na cerimônia de abertura

O maior impacto sobre o turismo  virá de uma nova imagem que a França conseguiu consolidar com os Jogos. A cerimônia de abertura – mesmo com alguns erros que serão esquecidos porque criatividade é sinônimo de aceitação de risco-  mostrou para cerca de um bilhão de telespectadores um destino inovador, surpreendente, orgulhoso da sua história mas aberto, inclusivo, detalhista e alegre. Os visitantes internacionais presentes – entre eles 107.000 brasileiros entusiastas, muitos jovens e muitas famílias -anotaram também o bom atendimento e até a gentileza dos profissionais, dos voluntários e dos próprios moradores. Com eles, a França pode sair dos Jogos com mais otimismo sobre seu futuro de primeiro destino internacional de turismo.

Jesan-Philippe Pérol

Esse artigo foi inicialmente publicado no Blog “Points de vue” do autor na revista profissional on line Mercado e Eventos

 

 

Em Nova Iorque, turistas, moradores e imigrantes na briga da hospedagem

Nova Iorque espera superar em 2024 os 86% de ocupação hoteleira de 2019

Com o impacto acrescido pela força do dólar,  os preços dos hotéis em Nova Iorque subiram de 8,5% em 2023 e de 6,4% em 2024, e a diária média já superou a marca dos US$ 300. Essa situação inédita preocupa a prefeitura que espera recuperar este ano os 66 milhões de visitantes do último ano antes da crise. A aparente falta de disponibilidade de hospedagem na cidade é, porém, a consequência de vários fatores. Se alguns deles – a recuperação dos mercados e a inflação dos custos da mão de obra- não são específicos a Nova Iorque, outros são consequências diretas de decisões políticas, seja no atendimento dos imigrantes, ou seja na regulação da AirBnb e na planificação dos investimentos hoteleiros feitas a pedido dos moradores.

O Roosevelt foi o icônico hotel de muitas gerações de viajantes

Devendo respeitar a obrigação legal de fornecer uma cama a qualquer pessoa sem teto, a prefeitura teve que atender a partir de 2022 um fluxo de milhares de imigrantes vindo principalmente do sul do país. Enquanto o turismo não tinha ainda se recuperado da crise, dezenas de estabelecimentos se ofereceram para hospedar esses peculiares viajantes em troca de contratos milionários. Com os fundos do “Sanctuary Hotels Program”, um orçamento de quase um bilhão de US$ por ano foi dividido entre os 135 hotéis que aceitaram alugar a totalidade dos seus quartos por US$ 139 a US$ 185 por dia. Esses hotéis estão espalhados nos 5 distritos da cidade, mas os maiores ficam no coração de Manhattan, seja o Row NYC Hotel in Times Square – o primeiro a entrar no programa com um contrato de US$ 40 milhões-, ou o icônico Roosevelt cujo famoso lobby serve agora de centro de atendimento aos migrantes.

O prefeito Adams procura uma saida política e financeira para crise

Depois de dois anos, os 65.000 imigrantes que a cidade teve a obrigação de hospedar bloqueiam 16.500 quartos (quase 15% dos quartos disponíveis) e preocupa os profissionais na hora da retomada do turismo, frente a novos recordes esperados nos próximos anos. Tomada a pedido de moradores, mas apoiada tanto pelos hoteleiros como pelos sindicatos de empregados do setor, a nova regulação dos aluguéis de curto prazo foi não somente um golpe para AirBnb mas retirou do mercado quase 10% da hospedagem turística da cidade. Dos 23.000 apartamentos que eram oferecidos, 83% só podem agora ser alugados para prazos superiores a 30 dias, sobrando somente 3.700 para os turistas com estadias mais curtas.

Sempre com novidades, Nova Iorque quer guardar a sua liderança no turismo

Com a falta de oferta de quartos, a pressão sobre os preços não tem muitas perspectivas de diminuir, mesmo a médio prazo. Os hotéis contratados para hospedar os imigrantes não sabem se o programa de 3 anos será renovado, mas todos sabem que a reabertura para uma clientela de turistas tradicionais significaria obras pesadas e demoradas. Segundo a associação dos hoteleiros de Nova Iorque, os investimentos exigidos depois ter funcionado em condições muito específicas vão impedir muitos destes hotéis de voltar a receber turistas.  Essas perdas não devem ser compensadas pela construção de novos estabelecimentos. As restrições da nova política de urbanismo da prefeitura bem como o aumento de salários conseguidos pelos trabalhadores do setor estão desanimando os investidores que parecem esperar os impactos a longo prazo das arbitragens dos políticos entre os interesses dos moradores, dos imigrantes, dos profissionais e dos turistas.

No turismo Suiço, a nova identidade visual é parte do sucesso

 

O antigo e o novo logotipo, duas gerações do sucesso do turismo suíço

Se o desenvolvimento de uma nova identidade visual é sempre um desafio, Switzerland turismo, em colaboração com a agência de branding MADE Identity, parece ter achado a solução em torno de um logotipo impactante,  simples e eficiente O ano de 2024 marca assim o início de uma nova era para a imagem do turismo da Suíça que, desde 1995, esteve sob a bandeira da flor nacional, a ” Edelweiss” dourada. Para o desenvolvimento da marca, a MADE Identity centralizou-se em três pontos principais: uma imagem mais visível e mais fácil de ser lembrada internacionalmente, traduzindo uma estratégia única e coerente, um impacto digital máximo, tátil e de espacialidade, e enfim um apoio ao viajante durante todo o percurso de viagem, na publicidade, durante a experiência e até nos souvenirs.

Os vários tons de vermelho são inspirados do “Alpenglow”

Depois de uma pesquisa internacional em cinco mercados (Alemanha, França, Itália, Coréia e países do Golfo), foi decidido de descartar os quatro idiomas do país (francês, alemão, italiano e romanche)  e de utilizar somente o nome inglês  “Switzerland” para simbolizar a promessa de longa data do destino: natureza, hospitalidade, otimismo e confiabilidade. No novo logotipo, “Switzerland”  apresenta, no lugar da letra T, a cruz simbólica ampliada e decorada com um monocromático de cinco tons oscilando entre o vermelho e o rosa, como sinal de modernidade, diversidade e independência. O desenho é inspirado do “Alpenglow”, as cores que aparecem quando o sol fica logo em baixo do horizonte. A cruz pode também ser interpretada como o signo “+”, lembrando que a Suiça oferece também mais do que se esperava ….

A natureza protegida é parte chave da nova imagem

Pela primeira vez na história da promoção turística da Suíça, um conceito completo de marca substituiu uma simples sigla. Assim, “Switzerland” deixará de apenas promover o destino, mas acompanhará o turista durante toda a sua jornada, desde a inspiração até o planejamento da viagem e a experiência vivida com todos os anfitriões que participam do turismo suíço. Esta parceria, que data de 1995 e da criação do “Escritório Nacional de Turismo da Suíça”, vai agora levar a marca “Switzerland” a possibilitar uma melhor orientação dos hóspedes a todos os seus associados e parceiros, permitindo a construção de um vínculo de confiança entre eles. Este novo e abrangente conceito oferece inúmeras possibilidades em todos os canais de comunicação.

Os parceiros demorar para aceitar o abandono da tradicional Edelweiss

Convencer os parceiros foi um trabalho importante para poder lançar essa nova identidade. A imagem do destino como hoje é conhecida tinha sido criada há quase 30 anos  sob o símbolo da Edelweiss, a flor dourada, que fez parte do imaginário coletivo de toda uma geração. Nas pesquisas preliminares feitas pela MADE Identity nos quatro cantos do país, ficou claro que muitos profissionais e muitos moradores tinham um forte apego emocional com este símbolo. Mas para quem não conhecia a Edelweiss, o logo com a flor dourada parecia somente um esquisito broche. A utilização da bandeira com a mundialmente famosa cruz foi assim um argumento simples e eficiente que convenceu a todos.

A nova logomarca será gradualmente implementada em todo o mundo, e a transição completa deve demorar alguns meses. Para Martin Nydegger, diretor da Switzerland Tourism “a flor dourada” marcou época para uma geração de profissionais do turismo. Acompanhada por um design moderno e decididamente voltado para o futuro, o novo logotipo “Switzerland” inspira confiança às gerações futuras.” Por representar a Suíça muito além do setor do turismo, esta nova marca será, sem dúvida, observada com atenção. O responsável federal pelo turismo, Guy Parmelin, atesta: “A Suíça é no mundo inteiro um símbolo de diversidade, qualidade e originalidade que se refletem perfeitamente na nova identidade e nas novas cores do turismo suíço que nos acompanharão por muitos anos.” O profissionalismo e o espírito de parceria demonstrados neste lançamento indicam que será mesmo um sucesso.

 

 

Recorde de receitas turísticas preocupa a Espanha

O turismo espanhol deve ter em 2024 o melhor ano da sua história

As receitas turísticas da Espanha deveriam esse ano quebrar todos os recordes anteriores e chegar a € 202.651 bilhões, passando os 90 milhões de entradas de turistas (e chegando talvez ao primeiro lugar do turismo mundial em número de entradas contabilizadas). Com uma alta de 8,6% em relação ao ano 2023, que já tinha sido excepcional, o turismo representará 13,3% do Produto Interno Bruto do país. Anunciando a semana passada em Madri essas projeções históricas, José Luis Zoreda, vice-presidente da Exceltur (Alianza para la Excelencia Turística), associação das maiores empresas espanholas fundada em 2002 para ajudar ao desenvolvimento do setor, mostrava paradoxalmente pouca satisfação e muita preocupação.

Os novos trens da RENFE ajudaram no sucesso de 2023

Para Exceltur, esses números impressionantes são os resultados de vários fatores favoráveis. O primeiro é a situação política e a estabilidade da Espanha na hora de muitas perturbações nos grandes destinos concurrentes do Mar Mediterrâneo oriental, Turquia, Israel ou Egito.  O segundo é a retomada do turismo internacional não somente nos grandes mercados de proximidade – principalmente Reino Unido, Alemanha e França -, mas também nos mercados asiáticos. O terceiro fator favorável, em tempos de dificuldades de oferta de transportes, foi que a Espanha aproveitou bastante o crescimento das ligações aéreas bem como a chegada de novos operadores ferroviários.

Para afastar os turistas, Barcelona tirou um ónibus da Google map

José Luis Zoreda insistiu, porém, nas preocupações do setor frente às reações ao overturismo que vão crescendo no país inteiro, das Ilhas Baleares a Andaluzia, das Canárias a Barcelona e a vários lugares da Catalunha. Alugueis inflacionados, transportes urbanos saturados, falta de água em tempo de seca, alta dos preços dos produtos alimentares, muitos problemas da vida cotidiana são agora ligados nas mídias à “invasão” de turistas estrangeiros, às vezes  percebidos como invasores pelos moradores que esquecem em paralelo os benefícios trazidos em termos de empregos ou de infraestruturas públicas.

Exceltur quer ver a Espanha sair do turismo “sol y playa”

Frenteà rejeição dos turistas em varias regiões da Espanha, os profissionais  querem que o turismo continue de crescer além dos recordes de 2024, mas são extremamente conscientes que esse crescimento só será possível se for sustentável e assumido pelos moradores. Há anos, a Exceltur já tinha chamado a atenção das autoridades sobre a necessidade de sair do tradicional turismo de «sol y playa» e de espalhar mais os visitantes, seja em novos destinos do interior ainda pouco aproveitados, seja em épocas de baixa temporada. Para a associação, a Espanha deve agora ir mais longe e só aceitar um crescimento do turismo respeitoso dos lugares e trazendo benefícios claros para os moradores.

Jean-Philippe Pérol

Boicotar ou não boicotar os turistas russos?

Na França, Courchevel era um dos destinos favoritos dos Russos

No complicado contexto da invasão na Ucrânia,  a Rússia anunciou que o seu turismo emissivo atingiu em 2023 24 milhões de viagens internacionais, um crescimento de 16,4% em relação a 2022, mas um resultado ainda longe dos quase 48 milhões que saíram do país em 2019, antes do Covid-19 e dos boicotes impostos depois do início da guerra. Nessa época, o turismo russo representava 3% do turismo mundial. Os destinos vizinhos – Turquia, Finlândia, Cazaquistão, Ucrânia e Estônia- lideravam as preferencias dos russos, mas países ocidentais como França, Itália, Espanha e Suiça brigavam para atrair estes clientes prontos a gastar fortunas nos palácios das capitais ou nos resorts luxuosos de Courchevel, Ibiza, Saint Tropez, Marbella, Gstaadt ou Veneza.

A Riviera turca atraindo cada vez mais os turistas russos

Tudo mudou no dia 24 de fevereiro de 2022. A guerra levou quase todos os países da Europa e da América do Norte a um boicote quase total dos intercâmbios de transporte e de turismo com a Federação Russa. Essa decisão não somente atrasou a recuperação das viagens internacionais mas ainda modificou bastante os destinos desses polêmicos turistas, com um novo ranking mostrando claramente os ganhadores. São a Turquia, com 6,3 milhões de visitantes e um crescimento de +20,7% em relação a 2022, os Emirados Árabes com 1,7 milhão e +42,5%, a Tailândia com 1,48 milhão e +240,6%, o Egito com 1,28 milhão e +35,4%, a China com quase um milhão e + 420%, as Maldivas com 209.1oo e +3.6%, o Sri Lanka com 197.000 e +116,4%, Cuba com 185.000 e +240%, e a Indonésia com 160.000 e +115%. Com 106.000 chegadas, o Brasil recebe hoje 5 vezes mais russos que antes da crise.

Dubai tentando atrair turismo e negócios russos

Aproveitando este sucesso, vários destes destinos já anunciaram que querem se abrir ainda mais ao turismo russo. O Ministro do Turismo do Egito projeta 3 milhões de viajantes russos em 2028, a autoridade de turismo da Tailândia já anunciou uma meta de mais de 2 milhões de entradas logo em 2024, o governo de Cuba assinou um acordou para receber em média 500.000 turistas russos por ano, e a Turquia prevê um crescimento de 10 a 30% em 2024. Dubai oferece vantagens para as viagens de negócios combinando com luxo e segurança, a Tunísia liberou os vistos, e vários países como a Índia, Birmania, Omã, Sri Lanka, Irã e Marrocos estão conversando com o governo russo.

O turismo em Chipre sofreu com o fim dos passaportes dourados

Com motivos políticos ou éticos, o boicote teve consequências importantes para o turismo dos destinos que tinham mais investido no mercado russo. Assim nos Estados Unidos que passaram de 300.000 turistas russos em 2017 a menos de 50.000 em 2022, e em quase todos os países da União Europeia que perderam quase 85% desses fluxos, com um impacto forte nas receitas considerando a forte proporção do segmento luxo e o alto gasto médio por dia. Na Europa, Chipre foi um dos destinos mais impactados, com seu turismo dependendo mais de 30% dos russos, e o setor imobiliário tendo beneficiado dos “passaportes dourados” vendidos por Euros 2,5 milhões a ricos investidores.

Influenciadora russa teve que pedir perdão à arvore sagrada de Bali

Não se pode analisar o impacto destas brutais mudanças dos fluxo turísticos da Rússia sem considerar também o impacto que tiveram para as populações dos destinos e para as outras comunidades. Na hora do overturismo e da crescente preocupação pelo equilibro local, os novos turistas russos tiveram as vezes dificuldades para entender as exigências culturais ou religiosas dos moradores. Em Bali, na Índia ou no Sri Lanka, turistas e locais se desentenderam e as autoridades tiveram que interferir para colocar panos quentes. No Sri Lanka e no Egito, incidentes entre turistas russos e ucranianos tiveram que ser resolvidos. Nos países da Europa, mais implicados no boicote, a situação politica levou a incidentes discriminatórios contra os russos que deixarão marcas no futuro.

A Igreja Russa, um dos pontos esperando a volta dos turistas russos em Nice

O balanço do boicote é hoje difícil de fazer pelas suas múltiplas motivações. Mas, para o setor, ele representa em primeiro lugar um prejuízo importante para o turismo mundial – aproximadamente 20 milhões de viajantes e quase US$ 20 bilhões de receitas a menos, boa parte para os grandes destinos da União Europeia. Mesmo repudiando a guerra e a falta de respeito do direito internacional, os profissionais e os viajantes só podem lamentar que problemas políticos entre governos prejudiquem as atividades de milhares de profissionais que trabalham num setor que se caracteriza justamente por ser uma indústria de paz, de intercâmbio multicultural e de liberdade individual.

Jean Philippe Pérol

Um vulcão islandês (re)lembra a fragilidade do turismo

A lagoa azul ameaçada pelo vulcão Sundhnjukagigar

No Sul da Islândia, o resort Blue Lagoon é um dos mais procurados cartões postais da ilha com suas piscinas naturais de águas cristalinas e quentes cercadas de rochas negras e seus SPA famosos pelos eficientes tratamentos aproveitando a alta concentração de algas e sais minerais, mas nas últimas semanas, enquanto os profissionais da região estavam projetando uma temporada de sucesso, uma corrente de lava obrigou a uma evacuação emergencial de todos os quase mil hóspedes. Enquanto os vulcões da Península de Reykjanes pareciam adormecidos há 800 anos, vários sinais já tinham sido anotados desde 2021, e as recentes erupções obrigaram a evacuar também a cidade próxima, Grindavik, ameaçada, tanto pela lava do Sundhnjukagigar quanto pelos riscos de terremoto.

Grindavik ainda é ameaçada pela lava e pelo terremoto

Com essa ameaça e com o fechamento da Lagoa Azul, os turistas estão abandonando toda peninsula de Reykjanes onde vinham não somente para aproveitar as águas quentes mas também os concorridos pontos de vista para as espetaculares auroras boreais. Vários hotéis tiveram que fechar ou procurar alternativas para manter uma atividade para seus funcionários, mas a preocupação dos responsáveis do turismo na região é saber se o atual desastre natural não vai impactar todo o ecosistema da Lagoa, a energia geotérmica gerada pelo vulcão, e a beleza do local que atrai milhares de viajantes vindo da Europa, Estados Unidos e mesmo do Brasil.

Aurora boreal na peninsula de Reykjenes

Para Islândia, o impacto da erupção vai muito além da península de Reykjenes: as consequências da erupção são perceptíveis em todas as atividades turísticas da ilha. Desde novembro, as autoridades estão medindo uma queda significativa no número de turistas entrando no país. A companhia nacional, Icelandair, também avisou que está enfrentando um impacto negativa nas reservas. A companhia low-cost Play fala até de um congelamento dos pedidos para o destino desde as primeiras notícias sobre a erupção. Por medo de ampliar mais ainda o problema, e criticando o alarmismo da mídia internacional, ninguém publicou números sobre os cancelamentos ou sobre os prejuízos financeiros do setor.

A Islândia sempre soube mostrar criatividade na sua comunicação

Sempre brilhantes e criativos no marketing deste pequeno país que fez do turismo uma das suas atividades principais, os profissionais da Islândia devem levar em conta o paradoxo da situação atual, os danos causados pelo vulcão enquanto a grande peculiaridade do destino é justamente um turismo de aventura em torno dos seus mais de 100 vulcões e dos seus ecosistemas de águas quentes, de pedras, de gêiseres e de geleiras. Sem esta natureza brava, é provável que o turismo islandês não seria o mesmo. Além da Islândia, o vulcão Sundhnjukagigar vem também lembrar para os profissionais do mundo inteiro que, por mais que a retomada do setor seja agora consolidada, o turismo continua sendo uma atividade extremamente sensível a todas as crises, sejam elas sanitárias, politicas, militares ou naturais.

A Suécia quer lembrar que não é a Suiça

Na reunião da OTAN, Biden confundiu a Suiça com a Suécia

Quando o proprio Presidente dos Estados Unidos confunde os dois países, uma gafe feita agora pelo Biden mas que o Carter e o Bush filho já tinham feito antes, tanto a Suécia quanto a Suiça podem ser conscientes de que existe um problema de notoriedade. Os presidentes americanos não foram os únicos a fazer essa confusão: a sueca Spotify entrou na Bolsa de Nova Iorque embaixo de uma bandeira da Suiça, os esportistas suiços escutam regularmente tocar o hino sueco, 10% dos ingleses pensam que Ikea é uma empresa helvética, e 50% dos estado-unidenses confessam não saber diferenciar os dois países, inclusive quando se trata de preparar uma viagem.

Foi talvez por isso que os responsáveis de Visit Sweden, órgão oficial turismo da Suécia, decidiram aproveitar a oportunidade para desafiar os Suíços, lembrando que ainda que os dois países tivessem muito em comum – riqueza, neutralidade, qualidade de vida e respeito ao meio ambiente-, eles eram bem diferentes.  Num clip inovador lançado no Youtube dia 24 de Outubro, a apresentadora Emma Peters interpelou os suíços, cercada por duas bandeiras nacionais e lendo uma declaração extremamente formal para os líderes e os cidadãos da Suiça, com uma lista de “propostas” misturando humor e agressividade.

No inverno sueco, a magia surreal da aurora boreal

A Suécia oferece, afim de diferenciar os dois países, sete “pontos de negociação” devendo integrar uma nova comunicação. Os bancos seriam suíços, os bancos de areia suecos. Os topos das montanhas suícos, os roof tops suecos. Os Yodel (cantos tipo tirolês) suíços, o silencio sueco. As emoções surreais na Suiça viriam do LSD (foi inventado por um quimico suico), na Suécia das auroras boreais. A Suíça teria a energia vindo do seu acelerador de partículas, a Suécia da sua tranquilidade. A moda na Suíça ficaria nas suas tradicionais bermudas de couro, na Suécia nos seus desfiles contemporâneos. E o luxo na Suíça estaria atrelado a seus relógios caríssimos, enquanto o luxo na Suécia seria de esquecer o tempo.

O silencio ou o Yodel, duas opções para escutar a natureza

A polemica iniciada pela Visit Sweden pode ajudar a promoção dos dois países. O video já foi visto por quase meio milhão de pessoas. Mais de 15.000 suíços já responderam a proposta com o mesmo humor ou a mesma agressividade, lembrando por exemplo que os mais famosos dos suecos, como o fundador da IKEA Ingvar Kamprad, tiveram que fugir para Suíça para escapar de um dos piores impostos de renda do mundo. No jogo do “Fale bem ou fale mal, mas fale de mim”, a Suécia tem porém, muito para ganhar. Se ela carregou durante muitos anos valores positivao, a liberdade, a segurança, a igualdade e a alta tecnologia, ela deve hoje enfrentar sérios problemas. A violência urbana, os riscos de atentados ligadas as polêmicas religiosas, o fim da neutralidade diplomática que vigorava desde a chegada ao poder do Marechal francês Bernadotte em 1818, foram fatores negativos que impactaram a imagem do país.

Com a campanha, e a competição criada com um destino turístico exemplar aproveitando o lapso do Presidente Americano, Visit Sweden espera não somente tranquilizar os seus visitantes tradicionais mas também atrair novos viajantes. Estes poderão assim entrar na polemica e pelo menos atestar com argumentos pessoais que a Suécia não é mesmo a Suiça.

A relojoaria suíça defende uma certa concepção do luxo