O turismo global sem braços para a retomada

No Canadá, a mão de obra virou o primeiro problema do trade turístico

Há muitos anos, no mundo pre-pandemia, se falava que uma carreira no turismo tinha três características: trabalhar muito, ganhar pouco mas se divertir muito. Se essa piada levantava muitos risos na época de ouro do setor, a pandemia mudou totalmente a percepção. Os baixos salários, os horários incomodos, a pressão, a falta de reconhecimento e a forte sazonalidade levaram muitos empregados despedidos ou não durante a crise, a abandonar o setor. Na França os hotéis e restaurantes perderam 10% dos seus funcionários desde 2020, e uma pesquisa feita em 2021 em cinco grandes destinos turísticos (EE-UU, Reino-Unido, França, Espanha e Alemanha) conclui que  38 % deles queriam mudar de setor num prazo de um ano. 

A França é um dos destinos onde mais falta mão de obra no turismo

Faltando candidatos, as associações profissionais e as empresas reagem para revalorizar as carreiras do setor. Na França empresários e sindicatos assinaram um acordo de revalorização salarial de 16 %, mas muitos estabelecimentos já estão indo além desse piso.  Na Alemanha, o novo acordo sindical da hotelaria e da restauração prevê aumentos de salários de até 36 % e na Suiça, onde os acordos são feitas em cada empresa, os aumentos estão girando em torno de 30%. Os salários mais altos não porem suficientes para responder as expectativas dos candidatos, que esperam também propostas referentes ao reconhecimento profissional, as perspectivas de carreira ou aos horários de trabalho.

Accor incentiva a responsabilidade na organizacão do trabalho

Sempre pioneira quando se trata de relações humanas, Accor lançou na Australia e na Nova Zelândia um programa ” Work Your Way ” para poder preencher 1 200 vagas. Para ser mais atraentes, as ofertas prevê a possibilidade de começar a trabalhar imediatamente depois da entrevista, de ter vantagens personalidades em termos de prêmios, de viagens, de folgas ou de férias. Os funcionários deverão  poder seguir na mesma atividade em outros países da região do Pacífico, ter mais oportunidades de carreira no grupo. Será dada uma maior polivalência valorizando assim a flexibilidade para todas as funções, da limpeza até a diretoria.

Mudar os horários do jantar está virando uma necessidade

A atratividade do turismo foi sempre prejudicada pelos horários muito puxados.  Para dar mais liberdade a seus funcionários, restaurantes franceses estão acabando com os horários cortados, contratando equipes diferentes para o almoço e o jantar. Outros estão começando a servir o jantar mais cedo, acabando também mais cedo para reduzir o trabalho noturno.  Alguns hotéis estão terceirizando parcialmente ou totalmente a alimentação. Na Alemanha a semana de 36 horas em somente 4 dias está sendo experimentada em Hamburg pela cadeia de hotéis “25 Hours” que deve depois estender a medida  a todos os hotéis do grupo, inclusive na Suiça.

Para atrair os candidatos, é necessário imaginação

Muitos empresários estão investindo para melhorar a qualidade de vida dos funcionários. Na Suiça, em Gstaad ou Saint-Moritz, hoteleiros construíram residências para seu pessoal, com alojamentos de qualidade. Na Austria, em Kitzbühel, o hotel Stanglwirt foi mais longe ainda, investindo para seus empregados em dois prédios de madeira com boa localização, eficiência energética, equipamentos de alto padrão e acesso gratuito aos refeitórios do hotel. Uma creche fica também a disposição das famílias, e a empresa oferece três dias suplementares de ferias para quem quiser trabalhar em obras caritativas. A valorização dos compromissos sociais, éticos e ambientais é para os candidatos, e especialmente os mais jovens, um fator importante de escolha da empresa onde querem trabalhar.

No Japão, a recepção pelos robôs já é uma realidade

Para reverter a falta de candidatos, a criatividade das empresas parece então não ter limites. No Canadá uma cadeia de restaurantes está propondo um iPhone para seus novos funcionários, e , talvez inspiradas pela “luvas”do futebol, empresas estado-unidenses estão oferecendo bonus de USD1000 para assinar o primeiro contrato. A penúria de mão de obra para acompanhar a retomada pode porem ter outras consequências, a robotização de vários serviços. Alem das opções de reservas ou de compras já rotineiras, serviços como a  recepção de clientes (Hotello), a comunicação ( Automat ou HeyDay) , o atendimento nos quartos ou o concierge (NuGuest) podem dispensar presenças físicas. Para a qualidade do serviço e o futuro da profissão, deve se esperar que a chegada de novos talentos no turismo impedirá essa robotização de ir (demais) para frente.

 

Este artigo foi adaptado de um artigo original de l’Observatoire valaisan du tourisme  na revista profissional on-line Reseau de veille en tourisme, Chaire de tourisme Transat  

Qual país será líder do turismo internacional em 2022?

A Grécia deve ser um dos grandes sucessos da temporada de 2022

Enquanto nem acabou a temporada de verão do hemisfério Norte, a briga pela liderança do turismo mundial já recomeçou e os principais destinos do turismo internacional já publicaram suas previas e suas análises dos resultados 2022. Os responsáveis políticos são unânimes a destacar a resiliência do setor, com resultados já próximos dos recordes de 2019, e apontam para algumas das tendências já  destacadas pelos profissionais. As lições da crise bem como as ações a priorizar divergem porém de um pais para o outro, bem como as projeções para o segundo semestre. Uma competição que deixa quase completamente abertas as apostas para as lideranças, tanto em numero de turistas que em receitas.

A Torre Eiffel voltou com uma atratividade renovada

A ministra francesa, Olivia Grégoire, anunciou na semana passada que o país devia receber esse ano de 65 a 70 milhões de visitantes. Seriam 20% a menos que os 89 milhões anunciados em 2019, mas, segundo ela, o suficiente para deixar a França na liderança mundial en numero de entradas turísticas. Dos visitantes internacionais, que representaram um terço do faturamento do setor, os mais numerosos  foram os europeus que já tinham voltado o ano passado. Mas o crescimento mais espetacular vem das Americas. O “revenge travel” e a fraqueza do euro deram um impulso espetacular a chegada de estado-unidenses (e de brasileiros) que compensaram em parte a ausência de chineses, japoneses e russos.

Cannes e a Riviera foram destaques da temporada de verão

Sem estatísticas convincentes, é ainda cedo para definir quais regiões francesas, além de Paris e da Riviera,  foram as mais beneficiadas pela retomada. Algumas tendências fortes foram porém destacadas pela ministra: as viagens de trem, o turismo de proximidade, o turismo rural, ou o turismo itinerante. O sucesso do turismo de luxo, especialmente em Paris, levou a uma alta dos preços de mais de 35% nos hotéis e terá um impacto positivo nas receitas turísticas que deveriam atingir os níveis de 2019. Para confirmar as projeções otimistas da ministra, a França deverá porem superar os problemas do setor: falta de mão de obra, inflação ameaçando principalmente o turismo dos seniors, e lentidão da incerta retomada das viagens de negócios.

A Espanha deve receber mais de 65 milhões de turistas

A Espanha publicou também seus resultados dos sete primeiros meses do ano, com números detalhados e projeções mais cautelosas dos profissionais. 39,3 milhões de turistas estrangeiros já chegaram no país até o final de Julho, 300% a mais que em 2021, mas ainda 17% abaixo dos números atingidos em 2019.  As estatísticas da Frontur  mostram que o primeiro mercado volta a ser o Reino Unido com 8,4 milhões de viajantes, seguido da Alemanha com 5,5 milhões e da França com 5,3 milhões. As regiões mais beneficiadas foram a Catalunha com 8 milhões de visitantes, as Ilhas Baleares com 7,5 milhões e as Ilhas Canárias com 6,8 milhões. As receitas turísticas são estimadas a final de Julho em 47 Bilhões de Euros, uns 10% abaixo dos recordes de 2019.

O turismo estado-unidense quer privilegiar a qualidade

Com os Estados Unidos insistindo mais em resultados qualitativos – somente 55,4 milhões de turistas internacionais mas umas receitas devendo chegar a  USD 200 bilhões, os três grandes líderes do turismo mundial já anunciaram suas estimativas de resultados para 2022, e os dois pódios (número de turistas e volume de receitas) estão se definindo. Para as receitas de turismo internacionais, os estado-unidenses devem seguir na absoluta liderança, seguindo da Espanha, mas a França deveria se aproximar do segundo lugar devido a seus excelentes resultados no turismo de luxo.

Na era do turismo sustentável, um novo ranking dos destinos lideres?

Para os números de turistas internacionais, o terceiro lugar ficará com os Estados Unidos (em parte por escolha própria), mas a briga pelo primeiro lugar será certamente muita apertada entre os franceses e os espanhóis. Lamentando o foco dado aos resultados quantitativos pelos políticos e pela mídia,  muitos consumidores, moradores e profissionais desses dois países pensam porém que a verdadeira liderança do turismo internacional deveria ser definida somente por critérios econômicos, sociais e ambientais. O novo pódio poderá assim ficar aberto a muitos novos competidores.

Jean Philippe Pérol

 

Na Islândia, até os cavalos estão promovendo o destino com humor e criatividade

A Islândia não quer que os emails estragam sua viagem!

Descobrindo várias das mais bonitas paisagens da Islândia, na geleira Solheimajökull, na falha de Silfra ou frente ao Grande Geysir, uma jovem turista é perturbada por notificações de emails urgentes do seu empregador que parece esquecer que ela está de ferias. Segue então a voz do ator islandês  Olafur Darri Olafsson para lembrar que “Emails do escritório estragam mesmo as férias… mas, ainda bem, a Islândia acho a solução perfeita para esse problema”. Assim comece o vídeo promocional da nova e criativa campanha 2022 de Visit Iceland, já visto por 160.000 youtubers.

Celular no avião, uma polémica que já era?

Receber ou fazer ligação durante o voo é quase sempre proibido

Mesmo com o Wi-fi a bordo se generalizando, o cenário de dezenas de celulares tocando  num avião lotado de gente falando alto ainda não aconteceu. Mas poderia muito bem acontecer daqui há um ou dois anos já que os avanços tecnológicos permitam a qualquer celular de receber ligações se o avião tiver os equipamentos necessários, e algumas companhias já autorizam as ligações em rotas especificas. Mas, na imensa maioria dos voos internacionais, as conversas telefónicas são proibidas por quatro tipos de razões distintas: os riscos técnicos, a oposição dos tripulantes, as dúvidas dos passageiros, e a legislação restritiva.

A longa história das ligações telefônicas a bordo

O possível impacto das ligações telefónicas sobre a segurança dos voos tem uma longa historia. Nos anos 90 era autorizadas desde um telefono fixo instalado perto dos galleys, nos anos 2000 foi um aparelho encaixado na sua frente onde era possível falar depois de passar um cartão de credito. Com a sofisticação crescente dos celulares, os temores de interferências com os equipamentos do cockpit levaram nos anos seguintes os especialistas a uma proibição total.  Hoje as pesquisas nunca comprovaram esses riscos, os fabricantes garantem o risco zero para os novos aparelhos, e a segurança eletrônica  não deveria mais ser um motivo de impedir as ligações.

A oposição dos tripulantes é extremamente firme. Eles acham que a liberação das chamadas telefônicas poderia levar ao caos nas cabinas, que brigas as vezes incontroláveis vão acontecer entre passageiros falando alto no telefone e outros querendo tranquilidade. Já gerenciando poltronas reclináveis, excessos de bebidas, luzes noturnas e choros de bebês, as aeromoças e os comissários não querem ser obrigados a interferir em novos conflitos de comportamento.  Alguns sindicatos profissionais levantaram também problemas de segurança pela falta de atenção dada as instruções dos tripulantes pelos passageiros grudados aos seus telefones.

Altos executivos são os mais favoraveis ao uso do celular no avião

Os viajantes e os profissionais do turismo estão divididos sobre essa liberação. Varias pesquisas mostraram que a maioria dos passageiros estão se opondo a um “liberou geral”. Eles temem que os toques das chamadas e as conversas a voz alta levam a uma cacofonia geral, e que discussões sobre níveis de som geram atritos e até brigas. Essas pesquisas mostraram também que menos de 5% dos viajantes acham interessantes poder utilizar os seus celulares durante os voos. Mas esses encontram-se principalmente entre os homens de negócios e os passageiros da classe executiva que as companhias aéreas vão, com certeza, escutar com muita atenção.

A proibição de uso dos celulares ainda é a regra geral

Mesmo se não é internacionalmente proibido de receber ou fazer ligações a bordo, essa proibição existe de fato ou de direito em muitos países. É o caso dos Estados Unidos onde existam não somente restrições da Federal Communications Agency sobre o uso das duas bandas mais utilizadas pelos celulares, mas também uma regra da  Federal Aviation Administration proibindo as conversas por celular nos voos comerciais. No Brasil a ANAC exige que os celulares estejam em modo avião durante o voo. Sem proibir as conversas via aplicativo, pede com bom senso que os tripulantes vigiam “formas incômodas ou inseguras de uso dos celulares como utilização dos alto-falantes ao invés de fones de ouvido, e as comunicações em voz alta”.

O celular nos trens já virou hábito de todos sem gerar conflito!

Os especialistas prevêem que as agencias reguladoras liberarão o uso de celulares nos aviões, deixando as companhias aéreas decidir tanto as possibilidades como as condições de uso. Para evitar os caos sonoros e os conflitos, uma das soluções será talvez de copiar o modelo escolhido por varias companhias de trem que abriram espaços específicos para os passageiros querendo fazer ligações em voz alta. E a longo prazo, é bom lembrar que os millennials e as novas gerações quase não falam mais  diretamente no celular mas deixam mensagens. O bom senso e os novos hábitos de consumo terão evitado uma guerra.

Tiktok, mais criatividade para o turismo

Tiktok é a mídia social com o maior crescimento

Com seus vídeos curtos (em media menos de 50″), TikTok já alcançou em janeiro 74,1 milhões de usuários ativos no Brasil (Fonte: Datareportal). Talvez acelerado pela pandemia, esse sucesso se deve a apropriação do aplicativo pela nova geração atraída pelos conteúdos dinâmicos e criativos. Segundo dados da própria plataforma, 66% dos usuários de TikTok têm menos de 30 anos e a grande maioria das pessoas que usam a rede tem entre 16 e 24 anos. Foi eles que levaram a TikTok ao pódio mundial com 656 milhões de downloads en 2021, (sendo 3 bilhões desde  2017). O numero de usuários ativos deveria chegar a 1,5 bilhão no final desse ano

Dois terços dos usuários têm menos de 30 anos

Para as empresas que querem atingir os menos de 35 anos, TikTok virou uma vitrina incontornável, mas exige uma comunicação diferenciada para maximizar os resultados. A criatividade e o valor do conteúdo têm mais importância que o numero de impressões ou o volume de investimentos financeiros.  O aplicativo facilita a interatividade, e os usuários são incentivados a gostar, a publicar videos, e a compartilhar. A taxa de engajamento é muita mais alta que nas outras mídias sociais, com uma media mundial de  15,86 %,a comparar com os 2,26 % da Instagram.

Na Tiktok travel, uma alta taxa de conversão

A força do impacto é maior ainda para as viagens e o turismo. Segundo uma pesquisa de Walnut Unlimited realizada en 2021, 77 % dos usuários europeus declaram ter sido inspirados na escolha dos seus destinos por conteúdos vistos na TikTok. E quase a metade deles (49 %) concretizaram essa decisão. O desafio #TikTokTravel, com conteúdos ligados a ferias e viagens, ja acumulou 32 bilhões de visualizações  em 100 países do mundo. A versão brasileira #IssoéBrasil , com o mesmo objetivo de inspirar os usuários a compartilhar de maneira criativa suas experiências de viagem, já passou de 250 milhões. 

Maira Godinho Cunhaporanga, jovem indígena, influenciadora TikTok

Se os profissionais do turismo demoraram para utilizar essa nova plataforma nas suas promoções, Tiktok já é parte de muitas campanhas bem sucedidas, viradas para as jovens gerações, seja para inspirar suas próprias viagens, seja para para influenciar as viagens em família, ou seja para investir nos viajantes do futuro, aqueles que vão definir os novos modos de consumo do turismo de amanhã. Muitas empresas ou organizações estão investindo na TikTok não somente para atrair e divertir os usuários, promover suas ofertas, mas também para promover a sua cultura interna e seus valores, ou até atrair colaboradores.

Alguns exemplos vistos na TikTok

A companhia francesa de trem  SNCF produz número videos humoristicos ou informativos  para promover destinos ou mostrar as opções para organizar suas viagens de trem. @sncfconnect 

Destinos  como Londres,Espanha ou Singapore produzem conteúdos institucionais, mas também, no caso da Espanha, vídeos mais lúdicos.  @visitspain 

Durante a pandemia, vários museus encontrar com TikTok uma forma de manter uma presencia junto a um público jovem. Assim por exemplo o Andy Warhol Museum de Pittsburg ou o Black Country Living Museum de Birmingham  @thewarholmuseum   @blackcountrylivingmuseum

No Brasil são postados quase 5 milhões de videos por mês (segundo volume no mundo depois da China). Alguns perfis de sucesso no TikTok com conteúdo de viagem: @prefiroviajar @vazaonde 

Este artigo foi adaptado de um artigo original de Julie Payeur na revista profissional on-line Reseau de veille en tourisme, Chaire de tourisme Transat  

Segunda edição do Invino amplia mercado com novos players

Press release da Promonde, São Paulo, 28 de março de 2022

A Borgonha vai ser a grande vedete da segunda edicão do Invino

O francês Jean-Philippe Pérol, no Brasil desde 1976, sempre foi um visionário. Dirigiu os escritórios para as Américas da antiga Maison de la France, hoje Atout France, ocupando também a função de Diretor Geral em Paris da organização.  Foi o primeiro a acreditar nos anos 2000 na democratização das viagens internacionais para os brasileiros e apostar no potencial da então nova classe média para o turismo francês. Apaixonado por tecnologia, sempre alertou que as operadoras e agências de viagens eram os maiores parceiros dos Tourism Boards. Depois, no início dos anos 2010, entendeu a importância das mídias sociais, em especial o Instagram, como veículo de promoção de destinos, e criou campanhas icônicas com influenciadores digitais.

Vinho e turismo, o encontro de duas paixões

Quando deixou o turismo da França, apostou suas fichas na Amazônia e nas viagens com conteúdo. E percebeu, igualmente,  que o enoturismo no Brasil poderia ter um crescimento significativo ao longo dos anos. Criou, a partir daí, em 2019, o Invino Wine Travel Summit. A segunda edição acontecerá no Hotel Unique, no próximo dia 11 de abril. Abaixo ele explica o cenário atual das viagens de vinhos, a motivação para organizar a segunda edição e que novidades os profissionais de turismo poderão conhecer no evento. As inscrições estão abertas gratuitamente pelo site.

A pandemia causou uma paralisação das atividades turísticas. Por outro lado, essa cocoonização forçada promoveu o aumento no consumo de vinhos, inclusive com surgimento de um novo mercado. Quais as expectativas de vocês com relação ao enoturismo, nessa retomada das viagens?

JPP: A pandemia causou uma brutal retração de 84% do mercado mundial do turismo em 2020 passando de 1,5 bilhão a menos de 400 milhões. O enoturismo também sofreu, mas devemos ser otimistas porque as tendências surgidas com a crise vão dar um forte impulso nas viagens por três razões: o crescimento da gastronomia (e do vinho) nas motivações; a procura de temáticas e de conteúdos fortes e, por fim,  a resiliência do turismo de luxo que representa ume boa parte (mesmo se não a única) do enoturismo nacional e internacional no Brasil.

A Cité do Vin de Bordeaux, uma arquitetura enobrecendo o enoturismo

Um novo empreendimento turístico voltado para o universo do vinho surge na Borgonha. É a resposta da região à Cité du Vin, em Bordeaux, nessa saudável concorrência entre as duas regiões?

JPP: Na França, a questão Bourgogne/Bordeaux é tão viva quanto a direita/esquerda na politica ou PSG/Marselha no futebol. No contexto, Cité du Vin et la Gastronomie da Borgonha e da Cité des Cultures et des Civilisations du Vin, deve se anotar que são dois projetos totalmente diferentes. Com os dois estando presentes no evento de enoturismo Invino, o brasileiro poderá ver que são muito mais complementares que concorrentes.

Trata-se da segunda edição do evento. A Cap Amazon reuniu muitas informações sobre o mercado. Quem é hoje o brasileiro que consome enoturismo?

JPP: A primeira informação que devemos divulgar a nossos colegas do trade é o impressionante crescimento desse tipo de turismo no Brasil nos últimos anos. Quero especialmente destacar dois pontos que chamam minha atenção na preparação desta segunda edição. O primeiro, é que o consumo de vinho e de enoturismo atinge hoje uns perfis de consumidores muito mais largos, além dos tradicionais connaisseurs da elite social e econômica e dos descendentes de imigrantes europeus no sul do país. O segundo é que o enoturismo brasileiro é hoje uma grande realidade em São Paulo, no Sul e até no Nordeste, e que os agentes de viagens tem aí um grande potencial a longo mas também a curto prazo.

De Nordeste a Sul, o enoturismo brasileiro está em plena ascenção

Há uma diferença do enoturista brasileiro para o de outras nacionalidades?

JPP: Acho que temos que falar dos enoturistas brasileiros e não do enoturista brasileiro. Temos uma clientela tradicional e de alto padrão aquisitivo que procura um enoturismo de luxo e que costuma comprar muito vinho com grande rótulos. Essa clientela está crescendo, procurando novos destinos e sendo cada vez mais curiosa sobre vinhos diferentes. Mas temos também uma clientela nova, que precisa talvez ser mais acompanhada que os enoturistas franceses ou italianos, e é nesse momento que os agentes de viagens podem ter um papel muito importante!

Quais suas apostas em enoturismo para o próximo ano?

JPP: Muito Brasil. O doméstico vai ser sucesso no enoturismo, como o sul do país, mas São Paulo vai surpreender; a Argentina também, pela proximidade e preços interessantes; a França, claro. Países ou regiões menos conhecidas vão também aproveitar. A presença da Suíça e da Catalunha no Invino não são meras coincidências. Queria lamentar a esse respeito que a Moldavia teve que cancelar sua participação devido a guerra que está chegando a suas fronteiras orientais.

A Garzon virou um exemplo de sucesso enoturístico

Quais as novidades para a edição 2022 do Invino?

JPP: Uma edição mais internacional, com expositores vindo de 8 paises, e uma participação mais importante do trade do vinho – teremos por exemplo o  World Wine apresentando seus vinhos no coquetel de encerramento. A gastronomia vai ter também uma presença mais forte com um almoço do chef bourguignon Emmanuel Bassoleil, e – last but not least – uma apresentação dos Queijos da França que vão se harmonizar com os vinhos da Garzon, um encontro original entre o Velho e o Novo Mundo.

A quem o evento se destina e como se inscrever?

JPP: O Invino quer que os mundos do turismo e do vinho se encontrem mais e se conheçam melhor. Devemos, assim, contar com 80 buyers, agentes de viagens e operadoras querendo se implicar no enoturismo, e 40 jornalistas e influenciadores vindo tanto do turismo quanto do vinho. Os 30 expositores se dividem também entre os dois setores. A particularidade do Invino em misturar palestras, seminários e encontros com refeições harmonizadas e degustações vai ajudar a criar esse clima de intercâmbio e de convivialidade que tanto gostamos.

A Suiça se posiciona como um destino de enoturismo

Depois dos influenciadores, a hora dos “experienciadores”

A experiência pessoal traga autenticidade as mensagens

Para promover marcas ou destinos, os marqueteiros já inventaram os embaixadores – muitas vezes artistas ou celebridades cujas famas eram suficientes para convencer os consumidores. Depois viram os blogueiros – e até os vlogueiros-, enquanto a explosão das mídias sociais fez o sucesso dos influenciadores, dos youtubers ou dos instagramers. No mundo da realidade virtual, a inteligência artificial  está trazendo agora os vtubers, virtuais youtubers. Nascidos no Japão e desenvolvidos nos Estados Unidos, são influenciadores digitais que publicam vídeos no Youtube usando um avatar afim não mostrar seu rosto.

O influenciador

Experienciadores se imponham com expertisa, paixão e sinceridade

Nos ecosistemas do marketing de influencia, as últimas pesquisas mostram porém a grande procura de autenticidade. Segunda o instituto francês IPSOS, a notoriedade dos influenciadores é hoje menos importante que sua expertisa, sua paixão e sua sinceridade para recomendar uma marca, um produto ou um serviço. A pesquisa mostrou que milhões de seguidores não mais são mais a chave de ouro, e que intercâmbios mais ricos, mais fáceis e mais impactantes podem ser realizados com influenciadores seguidos por somente dez mil pessoas mais qualificadas. Parece assim que chegou a hora dos “experienciadores”.  

Vtubers tentam fazer dos avatars uns concurrentes dos youtubers

A coerência, a sinceridade e a credibilidade são as características esperadas desses novos influenciadores, capazes de passar nas suas comunidades uma mensagem cuja força vem da experiência e da paixão vindo de pessoas reconhecidas pelos pares.  Os “experienciadores”  são bem sucedidos em muitos setores, nas administrações públicas, na beleza, na moda, na gastronomia ou na distribuição de alimentos. Mas é certamente o turismo, com seus consumidores ávidos de conselhos e seus fornecedores  generosos em convites de viagens ou de produtos,  que oferece o maior campo de desenvolvimento. 

A experiencia faz a diferencia com os influenciadores tradicionais

Os “experienciadores” respondem as novas tendências, trazendo um verdadeiro valor agregado com sua expertisa, sua experiência pessoal e sua lógica de conselho, numa relação de proximidade – mas não de confiança cega- com seus seguidores. Diferentes tanto dos jornalistas que dos influenciadores tradicionais, eles  destacam pontos positivos e negativos dos produtos ou dos destinos que eles experimentam. Criando conteúdos autênticos e convincentes, eles vão com certeza ter um papel crescente no marketing do mundo do turismo que está surgindo depois da crise.

Esse artigo foi traduzido e adaptado de um artigo original de Evelyne Dreyfus na revista francesa profissional on-line Mister Travel

Na nova era pos pandemia, o agente de viagem voltando com mais legitimidade

No pos Covid, um turismo a reinventar

Se ainda existam dúvidas sobre o calendário da retomada – as viagens internacionais sendo muito perturbadas pela nova variante-, os profissionais são todos convencidos de uma coisa: o mundo do turismo pos Covid está renascendo com profundas mudanças. Essas mudanças vão impactar os consumidores, as companhias aéreas, os hotéis, os restaurantes e as atrações. Para as agencias de viagens é sem dúvidas uma verdadeira revolução que deve ser esperada, mas as consequências podem talvez ser mais positivas do que podia se esperar no auge da crise.

A pandemia prejudicou todos os setores do turismo

No mundo inteiro, as agencias enfrentaram queda de atividade de até 80%, prejuízos financeiros, demissões forçadas . 70% delas ficaram temporariamente fechadas e as previsões mais pessimistas  projetam que  20% delas não vão reabrir. No Brasil a última pesquisa Cap Amazon/ Mercado & Eventos projetava que 7% das agencias ficaria fechadas, mas  indicava  que 27% iam ficar virtuais. Mesmo com a retomada virando uma realidade, a primeira revolução da nova era pos Covid parece mesmo ser uma queda do numero de agencias, reforçada com uma queda do numero de funcionários – e mais ainda de funcionários em carteira.
Credito: DepositPhoto

Os novos viajantes voltam nas agencias tradicionais

Por difícil que seja, algumas agências vejam no novo quadro do turismo umas oportunidades. Profissionais estão vendo e-consumidores voltando para o presencial depois de meses de dificuldades enfrentando inteligências artificiais on-line. Num clima de incertezas, de cancelamentos ou de regras sanitárias mudando diariamente,  a presencia humana informa e tranquiliza melhor que o “aperto 1, aperto 2, aperta *”. Claro que não se trata de questionar a força do digital, mas de constatar que o conselho, a personalização e a reatividade vão agora levar a uma coabitação perene entre o físico e o on-line.

A então agência Wagons lits//Cook no RIo em 1934

A coabitação entre o assistante virtual das OTA e o “Travel advisor” das agências vai talvez ser ajudado pela nova importância dos “home agents”. Outra consequência da pandemia e das demissões em massa de funcionários, o número de agentes independentes, trabalhando em casa em relação ou não com agencias de viagens tradicionais, está crescendo. Seguindo o modelo da América do Norte, pode chegar a representar quase a metade dos empregos do setor. Com toda sua legitimidade vindo da sua capacitação profissional e do perfeito conhecimento dos seus clientes aos quais ele oferece um serviço extremamente personalizado, o “home  agent” vai ser um ator incontornável da retomada.

Nas novas agencias, experiências digitais e virtuais

Carregando a bandeira da defesa do consumidor, oferecendo uma experiência de serviço logo na preparação da viagem, oferecendo uma verdadeira “expertise” na escolha e na negociação do itinerário, as agencias estão investindo em vendas multicanais, mas também em locais de atendimento mais aconchegantes e renovados com recursos tecnológicos. Enquanto seu desaparecimento já foi anunciado varias vezes no passado, na época do corte das comissões ou mais recentemente com o crescimento das OTA e dos sites comparativos, o agente de viagens – agora Travel advisor, Travel planner ou até Travel designer-  vai mostrar na era da pos pandemia que ganhou mais legitimidade, sendo o verdadeiro Fenix de um setor que vai rapidamente recuperar todo seu peso econômico, social e humano.

Jean-Philippe Pérol

Esse artigo foi inicialmente publicado no Blog “Points de vue” do autor na revista profissional on line Mercado e Eventos

 

Icelandverse x Metaverse mostrando o talento e a criatividade da Islândia

Aproveitando a onda do metaverse, esse mundo virtual interativo dos gigantes do web, e sua apropriação pela Facebook  agora rebatizada Meta, o escritório de turismo da Islândia acabou de dar mais uma aula de marketing inteligente. Ao mundo tecnológico  dos aplicativos e das emoções em capacete 3D, universo do fake interativo, a nova campanha islandesa  está sobrepondo suas paisagens apurados e sua naturaleza grandiosa, num clip apresentado com muita simplicidade por um clone do Mark Zuckerberg.

As auroras boreais, cartão postal do pais

A agua que molha, os humanos de verdade, os pássaros bonitos e burros, a vegetação a respeitar, as pedras a acariciar e os géisers a observar de longe, esse é o mundo do IcelandVerse dessa nova campanha apresentado por «Zack Mossbergsson». Esse islandês com sotaque bem carregado copiou o corte de cabelo, a roupa preta e o estilo do dono da Facebook, e quer também convencer do lado revolucionário da tecnologia que a Islândia  está oferecendo para os visitantes.

Paisagens lunares são marca registrada

Este «chief visionary officer»  convide os interessados a participar desse novo capitulo da historia da conectividade humana, e a vir visitar o seu pais para essa experiência. Enquanto desfilem na tela desertos de gelo, campos de grama, paisagens vulcânicos ou auroras boreais, o C.V.O. não esquece de lembrar que o convite é valido para hoje, amanha, ou quando quiser. Já conhecida como terra de fogo e gelo, único país du mundo onde os nativos não usam sobrenomes, a Islândia merece agora ser também celebrado pelo seu senso de humor e de oportunidade. Parabéns!

Ainda não teve resposta do Mark Zuckerberg, mas está sendo esperado!

 

Em Glascow, o turismo ganhando um novo impulso

Reunindo mais de 20.000 participantes vindo de 197 paises, a COP26 foi não somente momento chave no consenso internacional sobre a luta contre as mudanças climáticas, mas também um encontro marcante para o turismo global. Frente as perspectivas de dois bilhões de turistas em 2030 – a democratização das viagens e a chegada dos emergentes aumentando o risco de overturismo-, muitas vezes acusados de ser uns dos grandes responsáveis da poluição  e das emissões de CO2, 300 atores do setor foram reunidos em Glasgow pela Organização Mundial do Turismo para discutir de medidas concretas e de planos de ações imediatas.

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A “declaração de Glascow” lembra em primeiro lugar que os signatários acreditam que os combustíveis fósseis, a agricultura não sustentável e os modos de consumo descontrolados contribuam para as mudanças climáticas, para a poluição e para a diminuição da diversidade biológica. Reequilibrar a relação com a natureza é fundamental não somente para a saude dos ecosistemas e para o bem estar  pessoal, social e econômico de todos, mas também para a retomada sustentável e o proprio futuro do setor. A declaração lembra também que as ações escolhidas deverão contribuir a reduzir de 50% as emissões de CO2 até 2030 e de 100% até 2050,  e se encaixar nos objetivos do Acordo de Paris.

O turismo marcou presencia na COP26

Os profissionais recusam que o setor seja culpabilizado, e eles acreditam que o turismo pode ser na vanguarda de um futuro de baixo carbone. O setor – suas empresas e seus empregos- poderá assim crescer preservando suas atividades, suas infraestruturas, os ecosistemas onde são localizadas, bem como o bem estar doa moradores e das populações impactadas. A força dos compromissos assumidos pela OMT e seus 300 membros ficou clara, tanto pela transparência do processo iniciado -já prevendo a publicação de relatórios anuais- , que pelas medidas anunciadas agrupadas em cinco eixos de trabalho e iniciadas nos próximos doze meses .

A descarbonização foi um dos pontos principais discutidos em Glasgow

Medir : Medir e publicar todas as emissões ligadas a viagens e turismo, com metodologias seguindo as diretivas da Conferência para medição, relatórios e controles, sendo todos transparentes e acessíveis.

Decarbonizar : Definir e atingir objetivos conforme aos conhecimentos atualizados para acelerar a transição no turismo, incluindo o transporte, as infraestruturas, as hospedagens, as atividades, os restaurantes, e a gestão dos dejetos. A compensação pode ter um papel subsidiária mas somente como complemento de  realizações comprovadas.

Regenerar : Proteger os ecosistemas, favorecer as capacidades de absorção de carbone da natureza. Preservar a biodiversidade, a segurança alimentar e  o abastecimento de agua.  Nas regiões onde o impacto climatico é mais forte, informar os visitantes e ajudar os moradores a se adaptar as mudanças.

Colaborar : Comunicar os dados sobre os riscos e as precauções para todos os envolvidos, trabalhar para que os planos de emergencia sejam o mais completos e eficientes. Reforçar a capacidade de ação com as autoridades, as associações, as empresas, os moradores e os visitantes.

Financiar : Conseguir os recursos e as capacidades operacionais suficientes para atingir os objetivos, especialmente na capacitação, na pesquisa, e das ações anunciadas nos planos apresentados.

A declaração de Glagow marca um passo importante da retomada do turismo

Lógica e necessária pelo impacto existencial que a sustentabilidade terá sobre seu futuro, a “declaração de Glascow”, ja foi assinada pela OMT, o PNUD e os participantes constando nesta lista (ainda com poucos brasileiros a não ser o grupo ACCOR).  A declaração ainda deve ser completada, especialmente no que trata dos impactos dessas medidas sobre os custos para os milhões de turistas provenientes das classes medias dos países desenvolvidos bem como das classes emergentes dos países en desenvolvimento. Como lembrava o Gilbert Trigano, fundador do Club Mediterranée, o turismo é um formidável fator de felicidade e de momentos de igualdade social. O turismo sustentável deverá crescer com tranquilidade e segurança, guardando essas características.

Jean-Philippe Pérol