Shopping na França : barato, diverso e cultural!

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Se para os brasileiros Paris é a capital mundial da cultura – são depois dos americanos os mais numerosos a visitar o Louvre – , eles não escolhem Paris como capital do shopping, pensando muitas vezes que as compras em Paris se restringem a perfumes ou roupas de grandes costureiros. Para quem conhece a capital francesa, as oportunidades de compras são porém ilimitadas, tendo inclusive varia boas razões para dar a França uma séria vantagem na competição com os Estados Unidos para satisfazer as exigências e os desejos dos mais impulsivos e exigentes compradores.

Começando com as famosas liquidações semestrais, que vão justamente começar em Paris dia 25 de junho e durar até 29 de julho. Elas foram mesmo inventadas na França, pelo empresário Simon Mannoury, fundador em 1830 da loja parisiense soldes (1)Au Petit Saint Thomas. Foi ele quem organizou as primeiras operações de grande baixa de preços sazonais para liquidar seu estoque não vendido da temporada anterior. Até então a palavra solde significava pedaço de tecido não vendido. Simon Mannoury se apropriou da palavra para designar seus eventos. Em 1852 Le Petit Saint Thomas se tornaria a famosa loja Le Bon Marché na Rua do Bac. Hoje a loja fundada pelo Mannoury é chiquérrima, mas as liquidações continuam e foram adotadas na França inteira. Tanto no inverno como no verão, estas datas apresentam uma oportunidade única de comprar de tudo (roupas, eletrônicos, moveis, etc…) com descontos inacreditáveis.shop3 Durante as primeiras semanas ficam em torno de 30 a 50%, mas nas últimas semanas os preços ainda degringolam de maneira vertiginosa. Alguns consumidores preferem o início das liquidações por acreditarem que há mais escolha nas lojas. Outros não resistem aos incríveis preços das últimas semanas. Tantas oportunidades fazem com que as ruas comercias e shoppings da cidade apresentem um  ritmo de festa e animação. Vive les soldes!

Para compras de turistas: 100 na etiqueta=107 nos EE-UU=87 na França

Os preços, ou mais especificamente as taxas, dão também uma vantagem a França na briga para ser o paraíso das compras dos brasileiros. Olhando duas etiquetas do mesmo valor, o comprador deve saber que isso esconde uma diferencia de 12 a 27% a favor da loja francesa. Isso porque as taxas (em média 7%) são cobradas nos Estados Unidos por cima do preço mencionado, enquanto na França não somente estão inclusas (de 5,5 a 20%), mas são reembolsadas para estrangeiros na saída do Europa (respeitando algumas condições). Em média uma diferença de 20%  a favor da França!

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Paris, e muitas grandes cidades francesas como Bordeaux, Marselha, Lyon, Nice, Cannes ou Estrasburgo, oferecem também uma diversidade de compras excepcional. São ruas e até bairros repletos de pequenas lojas (para mim a rua de Rennes em Paris ou a rua Sainte Catherine em Bordeaux) , bem como as tão famosas grandes lojas de departamentos (o meu favorito o Bon Marché, ou as Galeries Lafayette em Paris mais 17 cidades). São também shopping centers (o Quatre Vents em La Defense) e mais recentemente outlets  (experimente o La Vallée perto da Disney) . 20118215Cannes tem até um Festival de Shopping em janeiro. Tem brechós espetaculares em Saint Ouen (les Puces) e em muitos vilarejos do interior. E não se deve esquecer que a alfândega brasileira presenteou os amadores de vinho com uma quota de doze litros ! Compras na França são tão diversas que o próprio país, fazendo do shopping, tão querido dos turistas brasileiros, momentos de encontros, de intercâmbios e de descobertas. Mesmo barato, shopping na França também é cultura!

Jean-Philippe Pérol

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Parte desse editorial foi escrito aproveitando um artigo da Silva Helena de Cerqueira. que teve a gentileza de autorizar essa colaboração.

Miami Cruise Shipping: novas tendencias em cruises, e em Miami

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Com mais de 10.000 visitantes, 900 expositores vindo de 127 países, e mais de 2000 delegados – incluindo todos os grandes executivos do setor – na imperdível sessão inaugural “State of the Global Cruise Industry”, a trigésima edição desse sênior evento foi um sucesso tanto para os organizadores que para as cidades de Miami e Miami-Beach.carnival-valor-cruise-ship-passes-miami-beach-free-wallpaper-1600x1200
Dos quatro dias de encontros, conferencias e conversas, dos paineis com os representantes de Carnival Corporation & plc, Royal Caribbean Cruises Ltd, Norwegian Cruise Line ou MSC Cruises, alguns pontos fortes parecem ser as novas tendências da indústria.

1. Os cruzeiros deixaram definitivamente de ser um produto norte americano. 51% dos clientes são oriundos dos Estados Unidos, mas a Europa (inclusive agora a França) continua de crescer e o Brasil virou o sexto mercado mundial com 3,4% do total.

2. Os destinos também estão cada vez mais diversificados, são 400 portos no mundo brigando por navios. fotoA Ásia é agora a primeira prioridade, tanto pelo mercado potencial que pelo atrativo dos numerosos destinos. A América Latina é agora distanciada, uma das razoes, destacada no painel sobre as Américas, sendo a impressionante burocracia e os altíssimos custos operacionais dos portos brasileiros.

3. Os agentes de viagens são mais do que nunca o canal de distribuição preferido das grandes companhias de cruzeiro. Depois de dois anos de problemas e de duvidas elas parecem ser mais convencidas do que nunca que um intermediário qualificado e de confiança é a chave de vendas bem sucedidas. As vendas diretas, via Internet ou não, não parecem mais ser uma prioridade de ninguém.

4. Os destinos ficam cada vez mais preocupados pelo impacto econômico dos cruzeiros. Com menos da metade dos passageiros descendo dos navios, com um nível de gasto por menos inferior a 100 usd, os responsáveis procuram ser mais criativos para ter um ROI justificando os investimentos. fotoNas ideias mais interessantes, nota se o ‘Cruise Day’ criado em Hamburgo para associar a população local e os outros turistas, a diversificações das ofertas de excursões combinando com os perfis dos passageiros, ou o marketing agressivo de Sint Marteen junto aos tripulantes que chegam a comprar mais que os próprios turistas. Esses esforços são chaves para o futuro, a concorrencia maior sendo dos próprios navios que viraram também, com seu conforto, oportunidades e serviços, verdadeiros destinos turísticos competitivos.

5. A França se destacou mais uma vez. foto (3)Único pais do mundo a ter portos nos três oceanos, teve  um espaço organizado pela Atout France onde a Provence , a Côte d’Azur e a Corsica vieram com forte participação. A força do destino vinha também de outras delegações, dos portos de Atlantico (Bordeaux não perdeu um evento nos últimos 30 anos), da Martinica, da Guadalupe, de Tahiti e de Saint Martin.

As novidades do setor de cruzeiros não foram as únicas que foram percebidas nesse Miami Cruise Shipping. Miami Beach também esta cheia de novidades, seja nos hotéis com varias aberturas ou renovações (adorei o novo James Royal Palm), seja nas lojas cada vez mais bem atualizadas. É também interessante de perceber que a cidade é muito consciente das crescentes exigências culturais dos turistas, e o Perez Art Museum Gallery esta virando uma imperdível opção!

Foto do blog brasilafrancesa.com da Caroline Putnoki

Foto do blog brasilafrancesa.com da Caroline Putnoki

Jean-Philippe Pérol

Cannes: a febre do luxo brasileiro merece perdurar!

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No próximo dia 2 de dezembro, começa em Cannes o International Luxury Travel Market,  um dos grandes encontros do Luxo e do Turismo. Durante três dias, a Croisette, o Palais des Festivals e os ‘palaces’ vão trocar os artistas de cinema ou os grandes publicitários pelos profissionais do trade. Com 18 hosted buyers em 2002 e 100 desse ano (incluindo 5 expositores), a presencia brasileira cresceu em proporção do mercado. O Brasil virou um dos cinco grandes países emissores do turismo de luxo (junto com Estados Unidos, China, Rússia e Oriente médio), muito cobiçado, especialmente pelos hotéis de luxo franceses.

IMG_4037Com mais de 250 expositores, a França està mostrando em Cannes que suas ambições no turismo de luxo não são somente uma estratégia da Atout France mas uma ambição de muitos parceiros de todos as regiões francesas, incluindo as mais distantes como Tahiti, Saint Barth, Saint Martin ou a Guadalupe. Conversando com eles, é claro que o Brasil continua sendo uma prioridade,mas é claro também que nos últimos meses, varias perguntas começaram a aparecer: será que, com um crescimento de um ou dois por cento, o Brasil ainda deve constar nos países emergentes onde devemos investir? e se continuamos a investir no Brasil,  será que ainda devemos apostar nos segmentos de luxo ou já é hora do turismo de massa?

Lida na imprensa internacional, a decepção com os resultados do turismo brasileiro na França devem ser relativizados. Mesmo sem atingir os 17 % dos mercados asiáticos ou mesmo os 13% da Rússia, os números vão crescer de quase 8%, muito acima dos mercados europeus que mal vao chegar a 2%. Os indicadores em termo de receitas ( +14% até agora), bem como as perspectivas a médio prazo continuam  excelentes. Os resultados excepcionais de alguns concorrentes, em primeiro lugar dos Estados Unidos que vão passar os dois milhões de visitantes brasileiros esse ano, e provavelmente atingir o seu objetivo de dois milhões e quinhentos mil antes de dezembro de 2016, confirmam essa força do mercado.

imagesFXW1086ANesse quadro, o luxo também vai continuar a crescer, e vai crescer mais rápido. Primeiro porque a Classe A, incluindo a A+, cresce naturalmente com a economia brasileira. Segundo  porque o setor do luxo, inclusivo nas viagens, beneficia do ‘effet sablier‘ (efeito ampulheta) que levem os consumidores a procurar cada vez mais os produtos dos dois extremos do leque de ofertas. Terceiro enfim porque o setor do luxo beneficia também de muitos consumidores ocasionais, o famoso ‘masstige’, que pode ser fundamental para alguns produtos de luxo: o cliente CVC  compra também perfumes da Dior ou lenços da Hermès …

Numa indústria onde o sonho também é fundamental, o luxo é um fator chave para a imagem da França. Claro que o A380 da Air France só tem 9 lugares na Primeira classe, mas eles ajudaram a contribuir a decisão de viagem doa outros 518 passageiros. E os brasileiros que passeiam na rue de la Paix ou na Place Vendôme acham nas vitrinas do Cartier ou do Chaumet um linda experiência de Paris.

DSCN1410Para o próximo ILTM de Cannes, tantos franceses como brasileiros podem ter uma total confiança no futuro do setor do luxo entre os dois paises. Mesmo com muita concorrência, a França tem como trunfo excepcional as duas dimensões fundamentais desse setor. Os produtos, claro, especialemente os grandes hotéis ou os palaces, mas também as maiores marcas que definem as tendências da moda no mundo. Mas o luxo é mais que isso, é também o charme, o glamour’, a emoção dum momento excepcional ou único, um momento exclusivo que cabe tão perfeitamente na cultura e na imagem da França. Sim, podemos ir para ILTM em Cannes que a França tem mesmo futuro nas viagens de luxo dos brasileiros!

Jean-Philippe Pérol