CARLOS III não visitou por acaso os vinhedos de Smith Haut Lafitte

Carlos III na degustacao de SHL com o casal Cathiard  @quentin charpentier

Numa esperada visita histórica na Franca, marcada por um deslumbrante jantar no Palácio de Versalhes, o Rei Carlos III e a Rainha Camilla fizeram questão de ir para Bordeaux. Alem de ser uma cidade onde a inflencia inglesa sempre foi muito marcante, foi incluída no roteiro do casal real para poder organizar uma visita dos vinhedos de Smith Haut Lafitte em Martillac. “Grand cru” de Graves, na apelação de origem controlada Pessac-Léognan, esse castelo foi cuidadosamente selecionado pelos seus princípios de agricultura biológica e de biodinâmica. Muito interessado por essas ideias, o Rei queria observar as técnicas de produção que foram estabelecidas há mais de 30 anos por Florence e Daniel Cathiard, proprietários do Château Smith Haut Lafitte.

A visita mostrou todos os detalhes do processo de vinificação @guillaume bonnaud

 Desde o início da sua vida pública, Carlos III sempre deu um destaque a natureza, e nunca perdeu ocasiões de incentivar a sua preservação. Verdadeiro ecologista antes da hora, o então Principe investiu nos jardins da sua propriedade de Highgrove House para criar um jardim ecológico, educativo e economicamente rentável, um modelo que deu certo. Nos 364 hectares de terras, hortas, jardim selvagem e florestas abrigam por volta de cem tipos de plantas ou arvores diferentes, uma fazenda sustentável cujos produtos são vendidos no local. A propriedade é aberta para as visitas dos grupos escolares, com programas de iniciação e de sensibilização dos jovens as exigências ecológicas. O sucesso de Highgrove House, agora, o primeiro empregador do Gloucestershire,  impacta hoje toda a vida econômica de toda a região.

O casal real com Alice e Jérôme Tourbier  @quentin charpentier

Assim como o Rei Carlos III em Highgrove House, Florence e Daniel Cathiard foram também pioneiros com o envolvimento do Château Smith Haut Lafitte na luta da biodiversidade logo no inicio do anos noventa. Acreditando na biodinâmica, o casal  adotou os processos mais inovadores da agricultura biológica tanto nos vinhedos quanto nas adegas. Para proteger as uvas dos parasitas, os produtos químicos foram substituídos por compostos orgânicos 100% naturais,  fabricados com plantas preferidas pelos viticultores do castelo, que ajudam a proteger a biodiversidade. Os cuidados com as hortas, os pomares, as colmeias e a floresta enriquecem o meio ambiente em volta dos vinhedos. A paixão do bio foi transmitido pelos Cathiard a suas duas filhas, Mathilde que criou os cosméticos Caudalie, e Alice, fundadora do complexo hoteleiro 5 estrelas Les Sources de Caudalie.

Personalização e exclusividade são as tendências do turismo de luxo

Alice, junto com seu marido Jérôme Tourbier, militam pelo turismo sustentável desde a abertura do hotel 5 estrelas Les Sources de Caudalie em 1999. A ambição do casal era criar um local dedicado aos visitantes procurando uma arte de viver única, completamente virado para natureza, mantendo a excelência com permanentes inovações. Hoje Les Sources de Caudalie é um verdadeiro vilarejo com 61 quartos e suites, bem como três restaurantes: La Grand’Vigne** (duas estrelas Michelin), La Table du Lavoir et ROUGE, todos abastecidos com legumes bios produzidos nas próprias hortas. No conjunto, abriu também um SPA Vinothérapie , que ofere tratamentos com extratos de vinhas ou de sementes de uva. Em harmonia com a natureza, a filosofia do hotel é de utilizar a riqueza dos vinhedos, das uvas e do “terroir” para oferecer a experiência de um luxo discreto, personalizado e respeitoso.

Les Sources de Caudalie, primeiro palace a receber o “Europe Ecolabel”

Hoje classificado Palace, Les Sources de Caudalie foram os primeiros a receber a distinção « Europe Ecolabel » depois de ser comprovados seus compromissos: reduzir a pegada de carbono, proteger a biodiversidade, reduzir o consumo de água e de energia, reciclar os dejetos, e enfim incluir os fornecedores e os parceiros nessa politica. Os gestos ecológicos se encontram também nos quartos. Os produtos cosméticos são a 95% de origem natural, produzidos na França, oferecidos em frascos  reciclados e recicláveis. As amenities podem ser reutilizadas. A água mineral é servida em garrafas de vidro. A limpeza das roupas de cama tem cuidados especiais, e os chinelos oferecidos pelo hotel são biodegradáveis. Muitas atenções para fazer deste Palace um exemplo real de sustentabilidade.

Frente as Sources de Caudalies, as obras de arte dos vinhedos de Smith Haut Lafitte 

Na França, turismo e confinamento nos tempos de pandemia …

Para cada viajante, um decreto de confinamento com copias para desembargadores e juizes

Viajar é preciso, e mesmo como as restrições legitimamente impostas pela luta contre o Covid, alguns turistas estão se arriscando. Do Brasil, é assim possível ir nos Estados Unidos, se aceitar passar 14 dias de quarentena num destino aberto – o México por exemplo-, ou na França, se tiver um passaporte europeu  e aceitar passar 10 dias de confinamento na chegada. Aproveitando o fato que a Air France (quase) sempre manteve os seus voos para Paris, e já tendo recuado duas vezes a nossa viagem, decidimos de fazer essa experiência de turismo em família em tempo de pandemia, um roadtrip incluindo a Auvergne, a Borgonha, o Vale do Loire e Paris.

A Air France assegurando a ligação França-Brasil

A viagem começa bem – o pessoal de bordo da Air France fazendo o máximo de esforço para tirar o estresse dos poucos passageiros, até a chegada em Paris e o começo das dificuldades. Vindo do Brasil, os viajantes são colocados em longas filas, da polícia, do registro do lugar de confinamento, do teste PCR (brasileiros, franceses, indianos e sul africanos, negativos e positivos, bem juntinhos). E depois de duas horas e meio (para os primeiros, os últimos levaram mais de quatro horas), conseguimos sair com o imponente decreto de confinamento assinado pelo “Prefet” de policia de Paris, com cópia para dois desembargadores e dois presidentes de tribunais regionais.

Auzances, lugar escolhido para nosso confinamento

Com obrigação de ir diretamente para o lugar de confinamento, corremos na Hertz e saímos logo para a nossa casa da família, 350 quilômetros a fazer sem poder parar para respeitar o confinamento. Contornando Paris, o nosso itinerário nos leva até Orléans, atravessa o Rio Loire (sem ver os castelos) , e segue depois o vale do Rio Cher (o mesmo que passa em Chenonceaux), Bourges, a floresta de Tronçay com seus carvalhos pluri centenários, Montluçon e as últimas curvas atravessando as antigas minas de ouro. Com medo das multas de 1000 Euros para quem furar o confinamento e de 135 Euros para quem furar o toque de recolher, chegamos até adiantado no nosso destino, Auzances.

O impressionante empenho da PM local vigiando os confinados

Começou então a rotina do confinamento. Correr de manhã para aproveitar as duas horas (das 10:00 as 12:00) disponíveis para fazer as compras ou passear em um raio de um quilômetro, decisões dos sábios dos 27 comitês que administram na França a luta contre o Covid.  Descobrir logo a eficiência da PM que apareceu de manhã cedo para ter certeza que estávamos em casa, e do ministério da saude que ligou três vezes perguntando se eu era eu, e se minha esposa era minha esposa ….  pensei que era uma piada e perguntei para o atendente, mas era colombiano e não falava bem francês, só resolvemos falando em espanhol para a família ser checada e liberada.

Brinquedos no supermercados, nem pensar!

Confinamento é rotina, mas também confronto com a burocracia. Correndo para o supermercado, descobrimos que era possível comprar comida mas não eletrodomésticos, livros mas não brinquedos, e meias de crianças mas somente até dois anos. As sementes eram proibidas se for para plantar, mas liberadas para dar para seu canário. Não podia entrar em loja de móveis, mas fazendo a encomenda na hora pela internet, podia retirar o que for precisa. Nosso carro da Hertz pifou, mandaram o reboque mas para ser substituído era necessário buscar o novo a uma distancia de 60 quilômetros, sendo necessária então uma autorização excepcional que ninguém era competente para dar.

Mesmo a 1 km de casa, o campo é lindo mesmo

Estar trancado na casa de família tem seus momentos de alegria. É possível receber parentes ou amigos, até seis de uma vez e com máscaras, e a condição que o encontro não dure mais de quatro horas. É também a ocasião de novos encontros, por exemplo os PM da cidade vizinha que viram dar apoio a seus colegas daqui provavelmente cansados de passar quase todo dia sem deixar nem uma multa. E de reencontros, por exemplo uma velha amiga de infância, hoje enfermeira, que passou para recolher o material para nosso terceiro teste PCR em 10 dias – nenhuma exceção sendo prevista para os vacinados. E mesmo nos limites de um quilômetro, o campo da minha terra é lindo mesmo.

A lareira de casa, um lugar perfeito para viver um confinamento

Mas esse confinamento é mesmo cheio de emoção e raízes, um tempo para abraçar parentes, reforçar amizades, medir o carinho dos moradores e até da prefeita, jogar bola com minha filha na frente da igreja, ou olhar com minha esposa a fogueira na grande lareira que esquenta a casa desde o século XVI. No décimo dia de isolamento, depois de mais uma ligação do ministério da saúde, e esperando o último controle da PM, pensamos que finalmente  foi o justo preço a pagar para seguir o nosso roteiro para os vinhedos da Borgonha em  Beaune e Dijon, o SPA das Sources de Cheverny, e as novidades Parisienses, o Hotel de la Marine e a Bourse du Commerce. Viajar é preciso, mesmo nos tempos de pandemia.

Jean-Philippe Pérol

 

O Turismo Francês acreditando no Brasil há 45 anos

Caroline Putnoki na inauguração do novo escritorio da Atout France

Teve muita emoção na terça feira passada, dia 24 de Setembro, durante a inauguração da nova sede da Atout France, a Agência de Desenvolvimento do Turismo Francês no Brasil. Mais de 50 jornalistas, influenciadores e profissionais ficaram impressionados pelos escritórios cujo tamanho, design e modernidade mostravam que a França continuava a acreditar no turismo brasileiro e queria mesmo brigar pela liderança para Europa. O local anterior, na Avenida Paulista, tinha sido ocupado desde da abertura da representação oficial, em 1982. Lá passaram seis diretores da então Maison de la France e depois da Atout France, desde Christian Lepage até Caroline Putnoki, incluindo Alain Roman, Patrice Doyon, Vincent Toulotte, e Emmanuel Marcinkowski, além de Jean Philippe Pérol que ocupou duas vezes a função de 1990 até 1996 e de 2011 até 2017.

Com a Maison de la France, o Turismo Francês acelerou seu crescimento

Antes de ter um escritório próprio, o Turismo Francês já era representado no Brasil. Desde 1976, a Diretoria Air France no Rio de Janeiro tinha uma funcionária oficialmente encarregada de promover o destino junto aos agentes de viagens. Mas nessa época distante, com telex e sem celular ou whatsapp, os controles eram muito distantes e o trabalho de representação muito distante. A dita encarregada nem sabia dessa função e descobriu o seu verdadeiro empregador na véspera de uma auditoria. Naquele momento o seu chefe teve de confessar que ela não era a sua secretária, mas uma funcionária do Ministério do Turismo da França e que, juntos, tiveram de encher as paredes do seu escritório com cartazes das regiões da França, e as prateleiras com folhetos turísticos.

A parceria com Air France faz a força do Turismo Francês há 45 anos

A forte implicação do Turismo Francês no mercado brasileiro é impressionante pela duração – 45 anos- e pela importância – cinco funcionários em 1982, sete em 2019-, mas também pelo seu destaque frente a concorrência. Portugal abriu mais cedo mas acabou integrando o turismo à sua representação comercial, a Itália trabalhou muito tempo desde o seu escritório de Buenos Aires, o Reino Unido sempre hesitou entre Rio de Janeiro, São Paulo e Miami. Depois de apostar na Argentina, a Suíça transferiu o escritório para São Paulo, com grandes investimentos em marketing mas uma estrutura pequena. Outros países europeus – Alemanha, Áustria, Noruega ou Republica Tcheca- trabalham o mercado por meio de agentes integrando câmaras de comércio ou agências de marketing. Junto com a Espanha, a França foi assim a única a sempre investir em uma presência forte e direta no Brasil.

A integração com o trade sempre foi um ponto de destaque do Turismo Francês

Além dos endereços e das equipes, a história da representação do Turismo Francês – dos “Escritório de Turismo do governo francês” até a Maison de la France e depois a Atout France- seguiu também a evolução das tarefas, evolução visível no novo escritório da Alameda Jaú. Outrora principalmente encarregada de distribuir folhetos ao público ou durante as feiras profissionais – no Brasil mais de 20 toneladas por ano-, a equipe concentra agora seus esforços nos eventos próprios e nas mídias sociais, duas atividades onde conseguiram um grande know how e uma reconhecida liderança. Continua por outro lado, há 45 anos, com seus dois grandes trunfos : uma perfeita integração com o trade brasileiro e um suporte que nunca falhou da sua companhia aérea, “la Compagnie Nationale Air France”.

Jean-Philippe Pérol

Das revistas aos influenciadores, a evolução das ações de comunicação

Visitar Marselha, a cidade rebelde