Políticos, moradores ou turistas, cada um tem a sua Paris!

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Com as eleições municipais chegando, várias Paris estão se enfrentando cada dia nas medias franceses. Da vice prefeita candidata da situação, Anne Hidalgo, da candidata da oposição direitista, a ‘NKM’, e de muitos outros. Cada um mostra o seu Paris, mais popular ou mais sofisticado, mais no leste ou mais no oeste, mais  de pedestre ou mais de carro, mais comercial ou mais cultural, mais verde, ou mais vanguardista. É, são muitas Paris. Não é por acaso que a cidade luz tem vinte “arrondissements” e oitenta bairros. Cada parisiense quer falar da sua Paris, a verdadeira, a autêntica. Os visitantes também entraram nesse jogo e tenho muitos amigos brasileiros elogiando o faubourg Saint Honore ou 0 “16eme”, Saint Michel ou Pigalle, o bairro da Opera ou a margem esquerda.

Se a Paris do turismo é muitas vezes focado no ‘triângulo de ouro’, entre o Arco de triunfo, o Louvre e a Opera, devo confessar que este não é o meu favorito.  ??????????Fui criado no bairro “Europe”, perto de Saint Lazare, das Galeries Lafayette e do Parque Monceau, e ainda frequento muito essa área do 8eme arrondissement. Mas o cheiro de Paris fica para mim concentrado perto da minha faculdade, a tradicional Sciences Po, em Saint Germain des Pres. Cada estadia na capital tem que começar com um cafezinho no ‘Deux Magots’, de frente para igreja de Saint Germain des Prés, olhando a movimentação e esperando a sorte de ver uma cara conhecida, a Catherine Deneuve ou o Belmondo por exemplo… O tempo passando, pode ser uma oportunidade de comer um Croque Monsieur ou de chamar a menina das sobremesas com a sua  imperdível bandeja de “gateaux”. E se quiser uma refeição mais séria, pode também atravessar o Boulevard e entrar no Lipp, com seu cardápio (e seus garçons) que não mudaram desde 1880…

A graça dos ‘Deux Magots’ é ser um ponto estratégico onde existe mil coisas para fazer. Podemos dar alguns exemplos, limitados a cinco quarteirões. DSCN3864Uma das praças mais charmosas de Paris, a praça von Furstenberg, fica a dois quarteirões, bem como a rua Bonaparte e seus antiquários. A Rua Dufour, e a Rua de Rennes , concentram as lojas de roupas ou de sapatos. A três quadras, não pode perder a loja design da ‘Hermès’ com seu simpático espaço onde uns vão para tomar um drinque enquanto outros vão fazer compras. A mesma distância fica o Marché Saint Germain, suas 21 lojas, seus restaurantes animados e muito em conta. Ou a Praça Saint Sulpice e sua igreja popularizada pelo Don Brown (mas nem fala do Código da Vinci para o padre, ele não aguenta mais perguntas sobre a linha rosa).

A quatro quarteirões fica o bar do Hotel Lutetia, ideal para um aperitivo entre amigos ou um discreto encontro de negócios. Muito bem localizado, e mesmo ainda em reformas, o hotel é também uma excelente opção de hospedagem. (No bairro tem também alternativas que os brasileiros gostam: o tradicional Madison, ou o discreto Hotel des Marronniers, os dois Mercure ou as residências Citadines). MarchA© Raspail, Paris 2011Na frente,no Boulevard Raspail, tem nas terças e sextas uma das feiras livres bio mais badalada de Paris, mais movimentada ainda em tempo de eleições para prefeito…

A cinco quadras, encontrarão a mais tradicional, mais parisiense, mais aconchegante e mais luxuosa loja de departamentos, o Bon Marché , com todas as grandes marcas do luxo francês.bon_marche_paris_a201011_aw3 Do outro lado da rua fica a Grande Epicerie, menos conhecida que a Fauchon, mas com uma variedade e qualidade de produtos excepcionais. Nas duas lojas, pode-se pecar a vontade que na mesma quadra fica um outro ponto predileto dos brasileiros em Paris, a capela da Medalha milagrosa.

E na mesma distância, mas no outro lado, os Jardins do Luxembourg são um lugar ideal para passear, sentar num banco e olhar os parisienses dessa Paris que eu gosto. Que as eleições consagram a vitória da Paris da Anne ou da Paris da Nathalie, vou continuar com a minha. Vive Saint Germain des Prés et le Quartier latin!

Jean-Philippe Pérol

LUXEMBOURG


Lourdes: o milagre do turismo perdura!

Procession flambeaux esplanade-® Sanctuaires ND Lourdes 05 (1)
Se perguntar a um francês, inclusive a um profissional do turismo, qual é a segunda cidade turística da França depois de Paris, ele vai certamente falar de Nice, de Bordeaux, de Lyon ou Marselha. Poucos  vão se lembrar duma pequena cidade de 16.000 habitantes, mas que tem 181 hotéis e que recebe cada ano 6 milhões de viajantes : Lourdes.
O milagre – e os milagres- começou em 1858 quando Bernadette Soubirous, uma jovem pastora, relatou a primeira de 18 aparições duma bela dama de branco na gruta de Massabielle. Grotte 1 -® Typograpik 13Não demorou muito para multidões começar a querer visitar o local onde foi construída uma primeira capela, e em 1866 chegava na cidade o primeiro trem de peregrinos. O crescimento rápido dos fluxos de romeiros, franceses mas também irlandeses, espanhóis, italianos, belgas, ou alemães, levou a cidade a construir em 1871 uma primeira basílica (a Imaculada Conceiçao) e depois, em 1889, uma segunda, maior, Nossa Senhora do Rosário. Photos OT Lourdes_gemmail  2Com a noticia de numerosos milagres (até hoje 69 foram comprovados),  as multidões cresciam e precisavam duma igreja ainda maior. Foi então inaugurada em 1958 a famosa basílica subterrânea, com capacidade para 25.000 pessoas, maravilha de arquitetura em forma de nave invertida, com seus famosos 52 ‘gemmaux’ .

O século 21 não desmentiu a força desse turismo de fé. O recorde de frequentação foi quebrado em 2008, nas comemorações dos 150 anos, com 8 milhões de visitantes. Aos romeiros tradicionais se juntaram novos visitantes, católicos vindo da Europa ex-oriental (poloneses, húngaros, slovacos), da África e da América Latina, incluindo de 10 a 15000 brasileiros .

Alem da confiança que o carisma do Papa Francisco repassou para os católicos na América Latina, tem varias boas razoes para pensar que o turismo religioso do Brasil para França vai ganhar um novo impulso. Orcival_SuperA espiritualidade tem agora um publico cada vez mais importante. Alem dos romeiros tradicionais, muitos viajantes, sem ser católicos praticantes, são atraídos pelo ambiente peculiar de meditação e de fraternidade desses lugares ‘onde sopra o espírito’.  Em Lourdes, a força comunicativa da procissão dos círios (todo dia as 9 horas da noite) comove crentes e ateus. A beleza do local, as paisagens de montanhas cercando a cidade, o patrimônio arquitetural, o golfe, as 200 lojas e os cem restaurantes ajudam a completar uma estada marcante, em geral de três dias, que pode muito bem combinar com Toulouse.

Lac de Lourdes -® Typograpik 13

A Franca tem muitos outros destinos que, alem de Lourdes, podem dar uma dimensão espiritual a uma viagem. Lisieux na Normandia, ou a Capela Milagrosa em Paris, já são bem conhecidos dos brasileiros. kardecA Via Crucis de Rocamadour, as catedrais de Vezelay na Borgonha ou Nossa Senhora de Chartres , e ate o cemiterio do Pere Lachaise em Paris (onde fica o túmulo do Allan Kardec) pegam também as vezes um sotaque tupiniquim. Juntos com outros grandes destinos de espiritualidade, católicos ou não, todos estão trabalhando para desenvolver esse turismo que virou hoje uma das  prioridades da Atout France. Tendo em visto o excepcional evento que sera em 2015 o final das obras de renovação do Mont Saint Michel (A `Maravilha do Ocidente` que recebeu 1,2 milhoes de visitantes em 2013), 2014 deve ser o bom momento para as operadoras e os agentes multiplicar nos seus roteiros na Franca as emoções do turismo religioso.

Jean-Philippe Pérol

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