Novos investidores nos mais tradicionais hotéis e palaces de Paris!

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Aproveitando desde 2008 incentivos fiscais muito favoráveis, investidores internacionais estão tomando posse dos mais prestigiosos hotéis e palaces de Paris. Entre os mais dinâmicos, destaquem se as monarquias do Golfo, o sultão de Brunei e recentemente os chineses. Com impressionantes programas de renovação, trazendo novas bandeiras, deixaram as criticas do lado e estão ajudando a consolidar Paris como um dos destinos no mundo com a melhor hotelaria.…

Os qataris estão liderando com três estabelecimentos. O primeiro é o Le Grand Hotel. Com sua excepcional localização frente ao Opera de Paris, ele foi inaugurado em 1862, junto com o seu Café de la Paix, pela imperatriz Eugenie, esposa do Napoleon III, o imperador que mandou o Barão Haussmann redesenhar Paris e construir a Opera Garnier. cafe_de_la_paix_paris_france_optDepois de varias renovações, o hotel era desde 1982 propriedade e bandeira da Intercontinental. A bandeira vai ficar mais 30 anos com o grupo americano, mas o hotel pertence desde dezembro de 2014 ao Fundo qatari Constellation que pagou 330 milhões de Euro, inclusivo 60 milhões para a renovação dos 400 quartos e das 70 suites. Esse mesmo fundo do Qatar já tinha comprado em 2013 varios grandes hotéis franceses tais como o Concorde Lafayette, o Hotel do Louvre ou o Martinez em Cannes.

Os qataris investiram também em 2010 no Royal Monceau, um “Palace” parisiense construído em 1928. Depois de uma renovação completa assinada pelo grande designer francês Philippe Starck, ele tinha reaberto em 2010 com a bandeira da Raffles Hotels de Singapora. Le_Royal_Monceau_Raffles_Paris_-_Le_Restaurant_Italien_Il_Carpaccio_2-resizeO fundo soberano do Qatar seria também dono do prestigioso Ritz, na praça Vendôme. Atualmente em renovação, esse hotel espera ganhar a prestigiosa distinção de “Palace” que ele ainda não tem. Com a ajuda de uma historia impressionante – destacando-se as figuras de Coco Chanel e Ernest Hemingway- e do grande arquiteto designer Thierry Despont, a reabertura no primeiro semestre 2015 será sem duvidas espetacular.

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Os sauditas compraram dois dos mais famosos hotéis de Paris. O primeiro é o Crillon, ícone da praça da Concorde e fundador da aventura dos Relais Chateaux. Hoje fechado para obras, deve reabrir esse ano com uma bandeira americana, Rosewood Hotels and Resorts. O segundo é o George V, construído em 1928 perto dos Champs Elysees, que pertence por parte ao príncipe Talal e por parte a Bill Gates. Ele é administrado pela Four Seasons e conseguiu também a distinção de “Palace”.

Muito criticado na imprensa pela sua politica interna muito rigorista, o Sultão de Brunei é outro grande investidor nos “Palaces” de Paris. É hoje dono do Meurice, tradicional estabelecimento aberto em 1835 frente aos Jardins des Tuileries, e do Plazza Athénée, endereço muito querido da alta sociedade brasileira, com seu restaurante do Alain Ducasse e sua adega de 35.000 garrafas. Ambos hotéis fazem parte do Dorchester Group.

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Em julho 2014, a admissão do Shangri-La e do Mandarin Oriental no fechadíssimo grupo dos “Palaces” parisienses chamou a atenção sobre os investimentos chineses nos hotéis de Paris. Com o outrora Hotel Majestic, que reabriu como Península, são três grandes estabelecimentos parisienses comprados por empresas de Hong Kong.

Com os mais lindos hotéis de Paris pertencendo a esses novos investidores (inclusive 6 dos 8 “Palaces”, o Bristol sendo o único a pertencer a uma família do velho continente), e todos com bandeiras estrangeiras, não faltaram vozes para se preocupar com a autenticidade e/ou o charme francês do serviço oferecido aos turistas. CONCIERGEMas quem teve a sorte de hospedar num desses hotéis pode confirmar que todos eles continuam de oferecer o melhor do “savoir-faire” à francesa, e pode assegurar que cada detalhe, da arquitetura da faixada até as dicas do concierge, respeita o inigualável charme de Paris, o mesmo que atraiu esses novos e bemvindos investidores.

Jean-Philippe Pérol

Esse artigo foi traduzido e adaptado de um artigo original do Serge Fabre publicado no site da Pagtur 

Magia do luxo agora nas paginas economicas!

Mostrando, se precisava, a importância que o turismo de luxo està tomando, Valor econômico publicou ontem um destacado artigo ilustrando as tendências do publico brasileiro, e as oportunidades da França nesse setor onde hotéis de luxo e ‘palaces’ estão acreditando no Brasil !
Extravagância é o que não falta no reduto cada vez mais amplo da chamada hotelaria de luxo. De jatinhos usados para translado, decorados com os mesmos adereços das suítes, a tendas armadas no meio da floresta para agradar a quem busca experiências insólitas, não há limites quando a ideia é capturar o público endinheirado. Fato é que de uma década para cá, a hotelaria de luxo transita da antiga aspiração aristocrática para uma realidade na qual o dinheiro dos emergentes é quem dita as regras. Com a banalização crescente de conceitos como “luxo” e “novo luxo”, para muita gente que atua no setor, talvez seja a hora de rever o significado desses standards.

“O tempo e o uso inadequado fazem algumas palavras adquirirem um tom meio pejorativo. Luxo é uma delas”, diz Lucita Marques da Costa, diretora da X-Mart Consultoria e Marketing em turismo. “A palavra costuma ser usada pela indústria de turismo para vender hotéis, onde basta ter uma piscina, lustres falsos de cristal – na verdade, de plástico – e imitações de obras de arte, para que tudo seja ‘um luxo’. No Brasil, o mesmo acontece com a palavra resort. Não a uso de jeito nenhum. Pois resort é sinônimo de áreas de lazer imensas, multidão, aulas e atividades de todo o tipo.”

Numa avaliação mais criteriosa, o que poderia ser considerado luxo na hotelaria é o encontro entre a paisagem e o produto. Nesse sentido, além da localização e de instalações adequadas, o hotel deve ter um staff capaz não só de servir bem, mas de ajudar o visitante a conhecer a região pelos olhos de quem a habita. Isso inclui informações e sugestões de programas que vão além do bê-á-bá dos guias mais conhecidos.

Se o desafio é reavaliar o conceito, uma das formas passa por estabelecer uma distinção entre o que é luxo material e subjetivo. E, antes de tudo, lembrar: os hóspedes que frequentam hotéis que, pelo preço, se enquadram nessa categoria, já possuem tudo o que encontrarão no quarto – televisores de grandes dimensões, canais internacionais à disposição, lençóis de mil fios de algodão egípcio e banheiros com produtos de grife.

“O luxo tem que ter um pouco de magia. Não uma louça de US$ 1 milhão”, acredita Jean-Philippe Pérol, diretor da Atout France para as Américas. Para ele, o refinamento pede um substrato cultural. “Há dois caminhos. Você pode pensar no Ritz como um produto perfeito. Ou conseguir visitar a gruta de Lascaux, algo dificílimo, e entender isso como um luxo extraordinário.”

Discutir esse assunto no Brasil é fundamental, diz Pérol, já que o país se tornou um ator importante na hotelaria de luxo internacional. “Os brasileiros, nos últimos anos, oscilam entre o quinto e sexto lugar entre os principais clientes do turismo de luxo. Se a gente pensar, existe algo engraçado nisso: sempre há mais brasileiros do que alemães nos hotéis de luxo de Paris, mas a cidade tem 20 vezes mais turistas alemães do que brasileiros.”

A França é o único país a ter regulamentada uma categoria hoteleira fora da classificação por estrelas. É o segmento “palace”. Há 14 hotéis-palácio, que obtiveram essa distinção não só por questões arquitetônicas e históricas ou por cumprir exigências técnicas. Todos foram avaliados em visitas anônimas e foram aprovados por um júri, presidido por um acadêmico.
Jean-Philippe Pérol

O artigo completo da Maria da Paz Trefaut está em http://www.valor.com.br/cultura/3356452/para-quem-se-da-ao-luxo#ixzz2m8OGiybS