Polinésia francesa: na ilha de Taiti, também muito para aproveitar!

Ponto Venus, as areias negras da Ilha de Tahiti

Ponto Vênus, as areias negras da Ilha de Tahiti

Quando perguntamos ao viajante quais são as Ilhas da Polinésia francesa que o faz sonhar, ele se lembra de Bora Bora, o cartão postal e seus bangalôs sobre as águas turquesa, de Moorea, com seus cinquenta tons de azul, de Rangiroa, a ilha sagrada, e de Huahiné, com seus segredos de “ilha-mulher”. voyagers_csg069_bounty_entering_matavai_bay_tahitiPoucos colocam a Ilha de Taiti nos seus roteiros, a não ser como trânsito de chegada ou as vezes de saída. Foi porém em Taiti, mais precisamente na Baia de Matavai, que chegaram os primeiros exploradores, Bougainville, Cook ou os famosos revoltosos do Bounty imortalizados pelo Marlon Brando. Foi a família da rainha de Pare -perto da atual Papeete – que fundou a dinastia dos Pomaré, conquistando uma parte da Polinésia, aceitando o cristianismo e construindo um estado moderno que um dos seus descendentes, Pomaré V, entregou para a França em 1880.

French Polynesian Lifestyle - Hero

Fazer a volta da ilha seguindo pela beira mar é ser surpreendido por uma sucessão de paisagens inesperadas, das praias de areia negra do Ponto Vênus até as ondas míticas de Teahupoo que podem chegar a 15 metros de altura, sede do Billabong, uma etapa do campeonato mundial de surfe . TeahupooTaiti tem também a sua lagoa e seus corais em Tahiti-Iti, lugares ideais para mergulho. E  se for olhar para o mar na Ponta dos Pescadores de manhã ou no final da tarde, pode ter a sorte de ver uma baleia e seu filhote. Passando de um lado da ilha para o outro, o viajante pode parar em Taharaa para aproveitar de um panorama deslumbrante cobrindo as duas partes do Taiti – Tahiti Nui e Tahiti Iki – e a ilha irmã de Moorea.

Islands - Hero

Taiti não é só azul, é também uma ilha verde onde existem algumas florestas primárias. A poucos quilômetros de Papeete, dominado pelo Monte Orohena, o vale do Fautaua oferece um espetáculo de barrancos cobertos de vegetação e de cachoeiras que parecem mergulhar nas matas. Percorridas por várias trilhas de diferentes níveis, o vale abriga vários pontos de interesses culturais ou históricos, DSCN1242seja alguns dos maiores “marae” (altares dos antigos deuses dos polinesianos) da região, ou o Forte de Fachoda onde as tropas francesas e seus aliados venceram em 1846 os últimos partidários da independência. Perto de uma cachoeira onde os taitianos gostam de tomar banho, uma estátua do escritor Pierre Loti lembra o fascínio que Taiti  provocou em muitos artistas franceses.

O mercado central de Papeete

Nas ruas da capital, Papeete, os cheiros de baunilha e as cores dos panos estampados do Mercado municipal são alguns dos imperdíveis. Mas para quem tem poucas horas, a prioridade será com certeza descobrir a pérola negra, com sua cor, seu tamanho, sua forma, seu lustro, e sua superfície, que será a melhor lembrança dessa estada em Taiti. roulottes em papeeteE a noite, para comemorar, as “roulottes” oferecem a melhor opção para encontrar os papeetianos. Para o viajante vindo do luxo de Bora Bora ou do requinte de Tetiaroa , a simplicidade e a convivialidade desses food-trucks agrupados nos estacionamentos da beira-mar são uma agradável maneira de descobrir a comida local e o autêntico jeito de viver de Taiti, a “Ilha Rainha”.

Jean-Philippe Pérol

lBlack lip oyster shell with black pearl. Studio shot isolated on white background.

Alma polinésia em Le Taha’a Island Resort and Spa

A pérola de Tahiti: como escolher?

Ilha de Páscoa, nos confins do mundo uma experiência que mexe com o viajante!

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Desde que foi descoberta em 1722 , essa Ilha perdida, a 3600 km das costas chilenas e a 4000 km de Tahiti, sempre fascinou os seus visitantes.IMG_1625 Se sua gente, sua língua e parte da sua cultura são, sem dúvida, oriundas da Polinésia, a beleza das suas paisagens, o gigantismo imponente e tranquilo dos seus Moai, e a força das suas tradições que vencerem massacres e etnocídios, fazem de “Rapa Nui” um destino único, um lugar “onde sopra o espírito”.

Esperando uma paisagem quase deserta depois do desastre ecológico que marcou o fim da era dos Moai, o viajante fica surpreso com as plantações de eucaliptos, com a onipresença das flores e com o trabalho de preservação das espécies nativas nos três vulcões da  ilha. Surpresa também é a pequena praia, a mesma onde desembarcaram o rei Hotu Matua e os primeiros polinésios. Os seis moai que dominam as dunas estão virando as costas, mas, com areia branca e ondas turquesa, o lugar é o convite ao mergulho para quem não tem medo de água fria. IMG_1808Do alto da cidade sagrada de Orongo, outra vista excepcional espera os visitantes: os ilhotes isolados onde os guerreiros mais valentes iam buscar o primeiro ovo de Manutara para que o vencedor se tornasse o “homem pássaro”, senhor do ano novo.

Os momentos mais fortes para o viajante são os encontros com os Moai. Nos arredores da “fábrica”, eles parecem um exército de gigantes saindo do solo para enfrentar um inimigo vindo do mar. Ainda deitados na pedreira, outros nos deixam imaginar a violência da crise ecológica e humana que varreu esse período da civilização Rapa Nui. IMG_1664Dois outros lugares são, sem dúvida, imperdíveis. Em Tonga Riki fica o mais impressionante dos alinhamentos: quinze moai nesse Ahu reconstruído em 1990 depois de um terrível tsunami. A 15 km da “fábrica”, o sítio de de Ahu Akivi só tem sete moai, mas uma historia ainda mais comovente: eles representam os sete primeiros navegadores que chegaram na Ilha, os únicos gigantes a olhar para o mar. Viram chegar o rei, mas depois as ondas só trouxeram sofrimentos e horrores, os saques dos marinheiros americanos ou alemães, a escravidão dos piratas peruanos e a segregação das companhias inglesas.IMG_1942

Cercado por esse passado de grandezas e de tragédias – em 1900, só tinham sobrevivido 111 ilhenos-,  o visitante fica impressionado pela sobrevivência e a força da cultura Rapa Nui. Reforçados com imigrantes vindos da Polinésia francesa, os pascuanos mantiveram a sua língua, seu artesanato e muitas das suas tradições. Se o sentido dos petroglifos se perdeu, a História tão peculiar da Ilha é um patrimônio que os habitantes dividam com prazer e orgulho.

Com muitas opções de hospedagem – do muito bem pensado Hanga Roa Eco village and Spa, com sua arquitetura inspirada de Orongo e das ocas tradicionais, até um acampamento de barracas-,  a Ilha oferece também uma grande escolha de pequenos bares e restaurantes, incluindo dois franceses, o “Au bout du monde” e a “Taverne du Pêcheur”, todos com uma qualidade surpreendente considerando as dificuldades de abastecimento. IMG_2102Em um destino com uma História e tradições tão ricas , o viajante deverá dar uma atenção muito especial a seu guia. Se cada encontro com o patrimônio da Ilha de Páscoa é um choque de emoções, ele vira mágico quando os comentários ajudam a  conhecer melhor a trajetória desses polinésios que conseguiram, nesses confins do mundo, construir monumentos dignos de virar patrimônio da Humanidade.

Jean-Philippe Pérol

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