Em Budapeste, espírito de liberdade e charme da peculiaridade

O Palácio de Buda e a Ponte das Correntes

Chegando em Budapeste, o visitante logo percebe a força da diferença. Se os prédios históricos, as ruas, as lojas ou os passantes lembram uma bela e animada grande capital européia, a cidade e seus habitantes mostram logo as suas peculiaridades. A língua não tem nenhuma ligação com os outros idiomas da Europa, somente um distante parentesco com o finlandês e mais distante ainda com o turco. E nem o inglês, nem o francês ou nem o alemão podem ajudar a entender ou a decifrar o húngaro. A historia do país ainda comemora Átila, lembrando na Europa inteira como o “mangual” de Deus, ele é aqui um herói cujo nome ainda é muito comum. Depois dessas singulares raízes, o reinado foi fundado no século X  por invasores vindo da Ásia central, e ainda ficou durante 380 anos  sob os domínios turcos e austríacos, cujos legados ainda impressionam o viajante.

A Arvore da vida, obra de arte e de memória do escultor Imre Varga

Numa visita a capital magyar, são assim imprescindíveis o Palácio Real e o Morro do Castelo com seus 600 anos de arquitetura e sua vista imponente sobre Pest o a Ponte das Cadeias, o Parlamento onde fica a famosa coroa do primeiro rei cristão – Santo Estevão ,  bem como a Basílica do mesmo nome. Na Praça dos heróis, construída para comemorar os 1000 anos da Hungria, o arcanjo Gabriel domina as estátuas dos construtores da identidade e da liberdade húngara, desde Arpad até os mártires dos dois levantes de 1848 e 1956 contra os invasores austríacos e russos. O passado trágico é também lembrado nos jardins da grande sinagoga onde uma espectacular obra de arte, a Arvore de vida, lembra o extermínio pelos alemães de mais de meio milhão de judeus húngaros em julho 1944.

Rugas fürdö, banho turco herdado da ocupação otomana

Do longo domínio dos Otomanos, e de numerosas fontes de águas quentes, Budapeste herdou a paixão dos banhos e dezenas de piscinas de agua quente, numerosos spas, bem como quatro “banhos turcos”. Assim os Banhos de Rugas, construídos em 1550,  ainda mostram a arquitetura original, e guardam um ambiente que os próprios moradores gostam de aproveitar. Mais recentes, e inspirados da arquitetura austríaca do final do século XIX, os banhos de Széchenyi são também uma excelente opção, especialmente no verão com as suas grandes piscinas quentes a céu aberto. Para comungar com os húngaros, os visitantes podem também dividir uma outra paixão nacional. A  música é sempre presente, seja com pequenos orquestras de rua, muitas vezes ciganos, no emblemático Bastão dos Pescadores, caminhando nas ruas animadas do centro histórico ou ouvindo sinfonias na imponente Ópera inaugurada em 1884.

No Bastião dos Pescadores, encontro com músicos ciganos

 A peculiaridade da Hungria se encontra também no seu culinário e nos seus vinhos. Realçados com páprika e especiarias próprias, repolho recheado, goulash, massas caseiros, sopa de feijão branco, embutidos ou salames são as bases de uma gastronomia que os húngaros apresentam com muito orgulho a seus visitantes. Se eles podem oferecer uns excelentes vinhos tintos – blends de uvas nacionais ou excelente Cabernet Franc – para acompanhar os seus pratos, os húngaros tem um verdadeiro culto pra o mais famoso dos seus vinhos, o Tokay Aszú. Vinho branco reforçado de uvas com alto grão de podridão nobre, com forte sabores de damasco, ele teria sido chamado pelo Louis XIV de “Rei dos vinhos, vinho dos Reis”. Perfeito com uma sobremesa, pode ser pedido para acompanhar um rocambole de sementes de papoula na doceria Gerbeaud, imperdível tradição de Budapeste .

E quando provar lo, para brindar  com o seu anfitrião, é só dizer saúde em húngaro: Eguèshèguèdrè!

Jean-Philippe Pérol

No Mercado Central, o páprika e as peculiares especiarias magiares

 

Repolho recheado e goulash de frango, as delicias da cozinha caseira

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