Os Jogos de Paris 2024, um sucesso de futuro para o turismo francês

Na Place de la Concorde, um espaço de convivialidade olímpica

Se os Jogos de Paris 2024 acabarão oficialmente somente dia 8 de setembro no encerramento dos Paralímpicos, os especialistas já estão brigando para saber se o evento foi ou não o sucesso esperado pelos profissionais e anunciados pelos políticos. Os resultados são fáceis de medir quando se trata de medalhas – a França conseguiu bater seu recorde com 64 , sendo 16 de ouro-, ou quando se trata de custos financeiros – quase 10 bilhões de Euros para uma previsão inicial de 6-, mas é difícil de apreender quando se trata de turismo devido às diversidades de indicadores. São mais difíceis ainda de analisar quando se trata de turismo internacional.

Os profissionais fizeram o máximo para seduzir atletas e visitantes

Para os profissionais do setor, teve, como sempre nos grandes eventos, muitas expectativas, e, como sempre nos grandes eventos, muitas decepções. Os números globais ainda não podem ser medidos, mas serão com certeza em recuo, como foi o caso em Londres, já que o milhão e meio de visitantes “olímpicos” estiveram presentes, mas desanimaram o mesmo tanto de turistas regulares que se assustaram com os altos preços anunciados para hospedagens ou com a complexidade da mobilidade em Paris. As quedas de 30% observadas nos restaurantes e nos comércios, de 20% nos parques e nos museus, impactaram brutalmente um setor ainda em recuperação das traumas da pandemia. E se os hotéis e os apartamentos alugados tiveram uma alta de 10% da taxa de ocupação a partir do 26 de julho, os empreendimentos tiveram que reajustar os preços para baixo depois de um mês de junho muito abaixo do normal.

Os parisienses pedem a permanência do balão da chama olímpica

Mas, por importantes que sejam esses problemas, o Jogos foram mesmo um sucesso excepcional, incluído para o setor do turismo que vai beneficiar a longo, médio e curto prazos, dos investimentos em infraestruturas, comunicação e capacitação que foram realizados. Os futuros visitantes poderão aproveitar as renovações de muitos pontos de atração, as inovações em transportes, segurança ou em equipamentos indispensáveis para futuros grandes eventos que a França mostrou ter capacidade para organizar.

O surfe brasileiro imortalizado na onda de Teahupo’o

Os Jogos ofereceram também para Paris e para toda França uma extraordinária visibilidade em toda a mídia internacional. A ousada escolha de localizar o máximo de provas frente aos grandes monumentos históricos ou em lugares inesperados gerou no mundo inteiro momentos inesquecíveis; o vôlei de praia em frente da Torre Eiffel, o hipismo nos jardins de Versailles, a esgrima em baixo do domo do Grand Palais, o triatlo nas águas do Rio Sena, o surfe na mítica praia polinésio de Teahupo’o ….

A magia criativa de Zeus na cerimônia de abertura

O maior impacto sobre o turismo  virá de uma nova imagem que a França conseguiu consolidar com os Jogos. A cerimônia de abertura – mesmo com alguns erros que serão esquecidos porque criatividade é sinônimo de aceitação de risco-  mostrou para cerca de um bilhão de telespectadores um destino inovador, surpreendente, orgulhoso da sua história mas aberto, inclusivo, detalhista e alegre. Os visitantes internacionais presentes – entre eles 107.000 brasileiros entusiastas, muitos jovens e muitas famílias -anotaram também o bom atendimento e até a gentileza dos profissionais, dos voluntários e dos próprios moradores. Com eles, a França pode sair dos Jogos com mais otimismo sobre seu futuro de primeiro destino internacional de turismo.

Jesan-Philippe Pérol

Esse artigo foi inicialmente publicado no Blog “Points de vue” do autor na revista profissional on line Mercado e Eventos

 

 

Jogos Olímpicos Paris 2024, e se for também longe de Paris?

 

Para os turistas, Paris em julho terá um acesso difícil

Esperando 15 milhões de fãs para os Jogos Olímpicos e Paraolímpicos,  Paris vai ser a partir do dia 26 de julho o centro do universo esportista. Para muitos viajantes, será também um sonho inacessível, uma cidade onde transportes, hotéis, restaurantes e atrações serão além de lotados, e os preços altos serão desanimadores. De fato, segundo Frederic Hocquard, prefeito adjunto de Paris, os hotéis aumentaram em um ano de 314%, a AirBnb quase dobrou suas tarifas médias, e até o emblemático tíquete de metrô vai subir de 2,15 à 4 Euros durante a temporada dos Jogos. Para quem quer mesmo viajar para França e participar deste grande evento, existem porém várias alternativas.

Lille investiu na promoção dos seus momentos olímpicos junto a seus moradores

Se os Jogos 2024 são parisienses, várias disciplinas olímpicas precisaram ser deslocadas para outros lugares. Foram assim escolhidas nove cidades francesas onde será possível de assistir as provas de basquete, de handebol, de futebol, de vela, de tiro ou de surfe. No norte da França, Lille mobilizou autoridades e moradores  para receber 52 jogos de basquete e de handebol. Do 27 de julho até o 11 de Agosto, eventos, jogos e provas deveriam atender 100.000 visitantes por dia, que poderão também aproveitar a animação da cidade velha e da “Grand Place”,  a riqueza cultural do Museu de Arte Moderna ou a alegre simplicidade da sua gastronomia harmonizada com cerveja.

Em Bordeaux, a chama olímpica será do futebol

Reunindo agora 28 equipes (16 masculinas e 12 femininas), o futebol é o esporte que se espalhou no maior número de cidades francesas. Além de Paris, 6 outras cidades foram selecionadas em função da qualidade das infraestruturas, da sua história futebolística e da sua capacidade de atendimento. Bordeaux, Nantes, Saint Etienne, Lyon, Nice e Marselha. Se a seleção masculina do Brasil está fora da competição pela primeira vez desde 2004, as mulheres estão qualificadas e vão fazer seus dois primeiros jogos em Bordeaux. Para os torcedores, será uma boa oportunidade para visitar a capital mundial do vinho, seu centro histórico animado e comercial, sua “Cité du Vin” e seu teatro. Nos arredores, pode almoçar na praça frente a igreja troglodita de Saint Emilion, seguir os passos do Rei da Inglaterra nos vinhedos de Smith Haut Laffite ou caminhar no balneário de Arcachon.

Nice, a cidade de Garibaldi, será a sede de 6 jogos de futebol

As brasileiras poderão depois jogar em Lyon, Nantes e até em Paris, dependendo da classificação. Em Lyon, do 24 de julho ao 8 de agosto, 11 jogos são previstos, com destaque para as seleções francesa e argentina. Estão também no calendário duas semifinais bem como a briga pela medalha de bronze feminina, uma programação intensa que deve porém deixar aos visitantes o tempo de saborear os encantos da capital francesa da gastronomia. A menos de uma hora de trem ou de carro, Saint Etienne sediará 6 jogos, honrando seu passado futebolístico bem como seu presente de cidade do design. Do 24 de julho até 8 de agosto,  Nantes vai aproveitar os Jogos para mostrar a riqueza do seu património bretão – na cultura, na arquitetura, e na gastronomia-, bem com um rico movimento cultural acumulado em torno das heranças de Jules Verne e de Leonardo da Vinci. E para quem preferir a Riviera, Nice,  está recebendo 6 jogos do dia 24 de julho até o dia 31, uma semana para aproveitar a “Promenade des anglais”, as arenas de Cimiez ou o velho porto perto do qual ficava a casa onde nasceu o Garibaldi.

Em Marselha, Nossa Senhora da Guarda vigiará as provas náuticas

Além do futebol, Marselha acolherá outros esportes onde os brasileiros poderão se destacar. Famosa pelo seu porto, a mais antiga cidade da França, fundada por marinheiros gregos em 600 a.C., vai receber do 28 de julho até o 8 de agosto todos os esportes de sailing, incluindo o windsurfe, o kitesurfe e muitos outros.  Com os barcos saindo da marina de Roucas Blanc, as competições poderão ser vistas da beira mar, seja das áreas reservadas para os 12.000 compradores de entradas, seja gratuitamente das praias do Prado e da Corniche. Para os visitantes, a estadia em Marselha será uma boa ocasião para caminhar no antigo porto, visitar o Museu das Civilizações do Mediterrâneo, passear na trilhas das Calanques, e mais importante ainda: subir na basílica para pegar uma benção da Nossa Senhora da Guarda, padroeira da cidade.

Com 40.000 habitantes, Chateauroux é a menor das cidades olímpicas de Paris 2024

Duas outras cidades francesas vão acolher provas olímpicas. Na primeira, Chateauroux,  serão realizadas do 27 de Julho até o 5 de Agosto as competições de tiro ao alvo, três brasileiros devem participar. Os visitantes poderão aproveitar o pequeno mas interessante Museu Bertrand onde é exposta “Sakuntala”, uma das melhores obras da escultora Camille Claudel (essa obra tem uma outra versão em mármore chamada “Vertumnus et Pomona”, exposta no Museu Rodin em Paris).  Chateauroux fica perto de Bourges e da sua famosa catedral, bem como  do Vale de Loire, a menos de uma hora de carro dos castelos de Chenonceaux, de Chambord ou de Cheverny, imprescindíveis etapas num roteiro de verão para o sudoeste francês.

Nas águas de Tahiti, uma mítica prova de surfe

A bela surpresa dos Jogos Paris 2024 é a localização escolhida para as competições de surfe. A 15.700 km da capital francesa, na ilha de Tahiti, do dia 27 de julho até o 4 de agosto, os melhores surfistas do mundo competirão pelas medalhas nas ondas míticas de Teahupo’o. Três áreas com acessos livres são previstas para os fãs, na própria praia de Teahupo’o bem como na praia de Taharu’u  e nos jardins de Paofai. A proximidade da capital, Papeete, oferecerá aos turistas bastante opções de hospedagem, mas dará também a oportunidade de aproveitar sua lagoa, suas montanhas, seu urbanismo e seu povo antes de seguir para as belezas de Bora-Bora, de outras  imprescindíveis ilhas da Polinésia francesa, ou de voltar para Paris para a cerimônia de encerramento dos Jogos no dia 11 de agosto no Stade de France.

Jean Philippe Pérol

 

Além de lua de mel ou de surfe, Tahiti para famílias?

Lua de mel em Bora Bora Foto @marcgerard

Quem sonha em lua de mel coloca Tahiti e suas ilhas, com certeza, como um dos destinos mais procurados do mundo. A beleza das paisagens de  Bora Bora ou Moorea, os tons de azul e a pureza das suas águas, a onipresença dos seus colares ou das suas coroas de flores, e o atendimento sempre carinhoso dos seus moradores criaram a imagem de romantismo desde a chegada dos primeiros europeus  que pensavam ter reencontrado uma nova Citera, a ilha de Vênus. E desde os anos 1960, quando a construção do aeroporto de Papeete abriu a região para o turismo internacional, a maioria dos visitantes que chega na Polinésia francesa são jovens que acabaram de se casar, ou menos jovens de todas as idades, nacionalidades ou comunidades que querem renovar seus votos de amor, combinando uma ocasião especial com um lugar único.

Desafio dos JO 2024, Teahupoo atrai surfistas do mundo inteiro

Nos últimos anos, o Tahiti seduziu porem outros viajantes. Foram com toda lógica aventureiros ou esportistas, mergulhadores procurando as emoções do recifes de corais de Rangiroa ou surfistas atrás das impressionantes ondas de Teahupoo (aquelas que já foram selecionadas para as provas de surfe dos Jogos Olímpicos de Paris 2024). Mais recentemente, apareceram visitantes até então inesperados, famílias com crianças  vindas não somente da França mas também da Europa, da América do norte, da Ásia e até do Brasil. Pertencendo a uma geração acostumado a viajar desde a adolescência, esses novos pais querem continuar a viajar mesmo com filhos pequenos, e escolheram o Tahiti pela tranquilidade, pelas atividades existantes, pelas facilidades de alojamento e ,mais ainda, pela atenção dada às crianças na cultura local.

Não tem idade para começar o caiaque

As crianças de todas as idades amam as areias cor-de-rosa de Tikehau e Rangiroa, brancas de Moorea e Bora Bora, ou até as pretas da ilha de Tahiti, as praias sempre tranquilas sem nenhuma preocupação de overturismo. As águas quentes e muito seguras são uma alegria para eles e uma tranquilidade para os pais. Muitas atividades náuticas podem ser feitas com crianças mesmo pequenas, seja observar baleias (em Tahiti, Rurutu ou Moorea) ou golfinhos (em Tahiti ou Rangiroa), alimentar arraias (em Bora Bora ou Moorea), seja simplesmente  nadar vendo os peixes coloridos em cima dos aquários naturais das lagoas cercadas de arrecifes de corais (Rangiroa, Bora Bora).  Essas atividades bem como todos os passeios de barco respeitam as rígidas normas francesas  de segurança, tendo sempre equipamentos adaptados aos turistas mirins.

Os quartos do Manava têm espaços para todos

Hospedagens e restaurantes deixam as famílias muito à vontade.  Com quartos geralmente espaçosos (não somente nos estabelecimentos de alto luxo, mas também em locais mais em conta como os hotéis Manava do Tahiti ou de Moorea, o Kia Ora de Rangiroa ou o Pearl de Tikehau), os hotéis são bem adaptados – sendo melhor pegar bangalôs na praia que sobre palafitas se as crianças foram muito pequenas. A grande oferta de AirBnb (mais de 300 opções) e as numerosas pensões de família são também opções interessantes se forem bem pesquisadas com um profissional antes de fazer a escolha. E se os pais podem confiar nos serviços de babysitters e aproveitar um jantar romântico a dois, as crianças amarão um piquenique em família num “motu” (por exemplo o Coco Beach de Moorea) ou uma refeição descontraída no ambiente popular das famosas “roulottes”.

Na lagoa de Rangiroa, a caminhada de mãe e filha

A tranquilidade das ilhas e a atenção dada às crianças na cultura local são os mais fortes argumentos para escolher o Tahiti e as suas ilhas como destino de uma viagem em família. Nos hotéis, nos restaurantes ou nas lojas, o pessoal sempre responde com gentileza e eficiência aos pedidos ou as exigências dos pequenos turistas. Os próprios taitianos, grandes consumidores de turismo local, em geral em família, aceitam com muita espontaneidade de enturmá-los seja para correr na areia, pular na piscina, brincar de pega pega perto das “roulottes” ou dividir os brinquedos. E a atenção dada as crianças vira também uma oportunidade  para um papo descontraído com os pais,  uma ocasião de descobrir que o Brasil, nessa região do mundo, continua com um extraordinário capital de simpatia dos moradores de todas as idades.

Jean Philippe Pérol

As areias brancas de Tikehau

 

No Kia Ora, pai e filha experimentando a moda tahitiana

Polinésia francesa: na ilha de Taiti, também muito para aproveitar!

Ponto Venus, as areias negras da Ilha de Tahiti

Ponto Vênus, as areias negras da Ilha de Tahiti

Quando perguntamos ao viajante quais são as Ilhas da Polinésia francesa que o faz sonhar, ele se lembra de Bora Bora, o cartão postal e seus bangalôs sobre as águas turquesa, de Moorea, com seus cinquenta tons de azul, de Rangiroa, a ilha sagrada, e de Huahiné, com seus segredos de “ilha-mulher”. voyagers_csg069_bounty_entering_matavai_bay_tahitiPoucos colocam a Ilha de Taiti nos seus roteiros, a não ser como trânsito de chegada ou as vezes de saída. Foi porém em Taiti, mais precisamente na Baia de Matavai, que chegaram os primeiros exploradores, Bougainville, Cook ou os famosos revoltosos do Bounty imortalizados pelo Marlon Brando. Foi a família da rainha de Pare -perto da atual Papeete – que fundou a dinastia dos Pomaré, conquistando uma parte da Polinésia, aceitando o cristianismo e construindo um estado moderno que um dos seus descendentes, Pomaré V, entregou para a França em 1880.

French Polynesian Lifestyle - Hero

Fazer a volta da ilha seguindo pela beira mar é ser surpreendido por uma sucessão de paisagens inesperadas, das praias de areia negra do Ponto Vênus até as ondas míticas de Teahupoo que podem chegar a 15 metros de altura, sede do Billabong, uma etapa do campeonato mundial de surfe . TeahupooTaiti tem também a sua lagoa e seus corais em Tahiti-Iti, lugares ideais para mergulho. E  se for olhar para o mar na Ponta dos Pescadores de manhã ou no final da tarde, pode ter a sorte de ver uma baleia e seu filhote. Passando de um lado da ilha para o outro, o viajante pode parar em Taharaa para aproveitar de um panorama deslumbrante cobrindo as duas partes do Taiti – Tahiti Nui e Tahiti Iki – e a ilha irmã de Moorea.

Islands - Hero

Taiti não é só azul, é também uma ilha verde onde existem algumas florestas primárias. A poucos quilômetros de Papeete, dominado pelo Monte Orohena, o vale do Fautaua oferece um espetáculo de barrancos cobertos de vegetação e de cachoeiras que parecem mergulhar nas matas. Percorridas por várias trilhas de diferentes níveis, o vale abriga vários pontos de interesses culturais ou históricos, DSCN1242seja alguns dos maiores “marae” (altares dos antigos deuses dos polinesianos) da região, ou o Forte de Fachoda onde as tropas francesas e seus aliados venceram em 1846 os últimos partidários da independência. Perto de uma cachoeira onde os taitianos gostam de tomar banho, uma estátua do escritor Pierre Loti lembra o fascínio que Taiti  provocou em muitos artistas franceses.

O mercado central de Papeete

Nas ruas da capital, Papeete, os cheiros de baunilha e as cores dos panos estampados do Mercado municipal são alguns dos imperdíveis. Mas para quem tem poucas horas, a prioridade será com certeza descobrir a pérola negra, com sua cor, seu tamanho, sua forma, seu lustro, e sua superfície, que será a melhor lembrança dessa estada em Taiti. roulottes em papeeteE a noite, para comemorar, as “roulottes” oferecem a melhor opção para encontrar os papeetianos. Para o viajante vindo do luxo de Bora Bora ou do requinte de Tetiaroa , a simplicidade e a convivialidade desses food-trucks agrupados nos estacionamentos da beira-mar são uma agradável maneira de descobrir a comida local e o autêntico jeito de viver de Taiti, a “Ilha Rainha”.

Jean-Philippe Pérol

lBlack lip oyster shell with black pearl. Studio shot isolated on white background.