Publicado pela segunda vez pelo World Economic Forum de Davos, mas existindo de forma diferente desde 2007, o Travel & Tourism Development Index 2024 (IDTT) sai da rotina instantânea e quantitativa das maiorias dos rankings existentes. Com prestigiosos padrinhos, ele oferece uma análise prospectiva dos fatores e das estratégias de desenvolvimento sustentáveis do setor turístico dos 119 países estudados, definindo o que pode ser chamada de “turistabilidade” dos destinos. Realizado em colaboração com o World Tourism and Travel Council (WTTC), o esperado relatório apoia a sua classificação com cinco categorias de critérios divididos em 17 pilares indispensáveis ao setor.
- o ambiente favorável aos negócios é definido pela política econômica do país, a segurança pública, as condições de saúde, os recursos humanos e as tecnologias de comunicações.
- a política do turismo é julgado pela prioridade dada ao setor, a abertura internacional e o nível de preços dos serviços.
- as infraestruturas indispensáveis são os aeroportos, os portos e as rodovias, bem como os equipamentos turísticos.
- os recursos incluem as belezas naturais, as riquezas culturais e outras, fora o setor de lazer.
- a sustentabilidade leva em consideração a política energética e a proteção do meio ambiente, o impacto social do turismo, e a gestão dos riscos do overturismo.

O ranking destaca o domínio dos países mais desenvolvidos e mais ricos. Assim, os dez primeiros são os Estados Unidos, a Espanha, o Japão, a França, a Austrália, a Alemanha, o Reino Unido, a China, a Itália e a Suiça. Nos trinta primeiros aparecem 19 países da Europa, 7 da Ásia- Oceania, 1 do Oriente Médio e 3 das Américas ( Estados Unidos, Canadá e Brasil), países que representam 75% da indústria mundial do turismo e 70% do crescimento nos últimos dois anos. Se os países ricos ainda são hoje os pesos pesados do setor, o dinamismo dos anos pós-covid parece muito mais diversificado, favorecendo o “Sul global”. Os campeões do crescimento foram assim o Uzbekistão (+7.8%, ganhou 16 lugares), a Costa de Marfim(+6.4%, 2 lugares), a Albania (+5.9%, 12 lugares), a Arabia Saudita (+5.7%, 9 lugares), a Tanzânia (+4.5%, 7 lugares), a Indonesia (+4.5%, 14 lugares), os Emirados (+4.4%, 7 lugares), o Egito (+4.3%, 5 lugares), a Nigeria (+4.2%, 1 lugar) e El Salvador (+4.0%, 4 lugares).

As excepcionais riquezas naturais do Brasil são destaque da sua “turistabilidade”
O Brasil, já primeiro destino latino americano do ranking global, se saiu bem em termos de crescimento, com uma taxa de +3.3%, é um pulo de 12 lugares, da 34a posição para a 26a. Este bom desempenho junto ao índice do World Economic Forum, se deve principalmente a quatro destaques: riquezas naturais consideradas excepcionais (5as dos 119 destinos listados), um forte impacto social nas comunidades , preços atrativos e um bom domínio das tecnologias de informação e comunicação (ICT). A “turistabilidade” do Brasil só não foi melhor pelos pontos negativos: o difícil ambiente para os negócios, as infraestruturas insuficientes nos portos e nas estradas, a segurança pública, e as deficiências em equipamentos e serviços de turismo.

Os desordens climáticos também prejudicaram o turismo
O relatório do World Economic Forum não deixa de ser otimista sobre o desenvolvimento do setor a curto e longo prazo, lembrando que os níveis de 2019 vão ser ultrapassados em 2024. Puxado por uma procura extremamente resiliente, o turismo conseguiu superar as crises políticas, a inflação dos preços, o custo da energia, a falta de mão de obra, as catástrofes climáticas e a volta do overturismo – pontual mas impactante em algumas regiões. Para continuar a crescer – especialmente nos países em desenvolvimento, serão porém necessários investimentos importantes no aproveitamento dos recursos naturais e culturais, nas infraestruturas de comunicações, de transporte e de turismo, nas legislações empresariais e trabalhistas, na abertura internacional e na promoção.

Longe das atuais projeções, o turismo do futuro ainda deve ser inventado
Chamando atenção sobre os principais riscos que podem ameaçar o futuro do setor – as mudanças climáticas, as fakenews e as reações contre o overturismo, o relatório destaca também alguns pontos chaves para o sucesso: fazer (ou refazer) o turismo uma prioridade de governo, favorecer as parcerias público-privado, investir na capacitação de todos os atores, e colocar as comunidades locais no coração das estratégias de desenvolvimento. Além do ranking (cujos critérios podem ser ainda discutidos), o Travel & Tourism Development Index 2024 (IDTT) é assim um documento valioso para inspirar governos e profissionais e definir uma nova “turistabilidade”.
Jean Philippe Pérol
Esse artigo foi inicialmente publicado no Blog “Points de vue” do autor na revista profissional on line Mercado & eventos