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No bicentenário da morte do imperador, a “Rota Napoleão” lembra a lendária epopéia

jpperol
5 anos atrás

Em Juan les Pins, o exato lugar onde Napoleão desembarcou

Entre Nice et Cannes, a sete quilômetros da Croisette, um pequeno monumento marca o ponto de partida de uma imensa epopéia cujo fim dramático – a derrota de Waterloo- virou a p’gina da Revolução francesa. Foi em frente ao antigo porto de Golfe Juan  – hoje uma marina com centenas de barcos de luxo- que Napoleão desembarcou com seu pequeno exército de 1000 homens e lançou sua mais famosa proclamação “A vitória marchará em passo acelerado, a águia voará de campanário em campanário até as torres de Notre Dame.” Em 20 dias, o exilado da ilha de Elba chegou no palácio das Tuileries em Paris e voltou a ser o Imperador dos franceses. Foram os “Cent Jours”, os cem dias, um segundo reinado que acabou em tragédia mas consolidou a lenda …. e fez a fama de uma bela rota turística que perdura até hoje.

Homenagens ao Imperador e belezas naturais caracterizam a rota

O caminho mais rápido da Côte d’Azur até Paris sempre foi via Aix en Provence, Avignon e o vale do Rio Rhône, mas era na época controlada por milícias monarquistas. Napoleão escolheu então o geograficamente difícil, mas politicamente seguro, caminho dos Alpes  com suas populações republicanas ou bonapartistas, e decidiu chegar a Lyon via Grenoble. A rota Napoleão – um itinerário turístico que foi inaugurado em 1932 no traçado de 1815- é esse ano, junto com a cidade de Ajaccio, o palácio de Fontainebleau e o túmulo dos Inválidos em Paris, e também junto com Liege na Bélgica, Santiago do Chile e, claro, a Ilha de Santa Helena, um dos principais lugares onde está se comemorando o bicentenário  da morte do Imperador.

Os 330 km e as 7 etapas da Rota Napoleão, em opção a trilha imperial de 110 km @Fonte Le Point

O turismo não esperou 1932 e a abertura da rota. As pegadas do Napoleão atraíram logo os mais famosos  admiradores, grandes escritores como Stendhal ou Chateaubriand.  E Victor Hugo andou emocionado e lírico na praia de Golfe Juan. A primeira etapa do roteiro é Cannes, onde a falta de albergues (os palaces e a croisette só chegarão no século XX) obrigou a tropa a acampar do lado da igreja Notre-Dame-de-Bon-Voyage – o viajante poderá ler a inscrição comemorativa na parede  externa. Grasse foi a etapa seguinte, já na época cidade dos perfumes e das flores onde o Imperador recebeu um buquê de violetas e foi dormir no planalto de  Roquevignon, hoje um parque natural com uma mata mediterrânea e uma fauna de pássaros, esquilos e raposas.

O Relais impérial onde o Imperador bebeu num copo vendido depois umas cem vezes…

Saindo de Grasse, ainda é possivel parar em Saint Vallier no hotel restaurante “Relais Imperial” onde Napoleão parou para beber, ou visitar em Seranon as ruínas da Bastide de Broundet onde ele dormiu depois de comer ovos cozidos. Preocupado com envenenamento, ele preferiu os ovos as iguaria da cozinha local que o viajante moderno pode descobrir na rota: panisses (massa de grão de bico), tourtons (pasteis recheados de purê de batata), ravioles de Matheysine ou pieds paquets (tripas e pés de carneiro cozidos no vinho branco).  Em Barrême,  a visita do vilarejo inclui uma parada em frente a casa onde Napoleão passou sua quarta noite. Menos apressado, o viajante poderá aproveitar o dia seguinte as belezas naturais do primeiro Geoparque reconhecido pela UNESCO.

A ponte e a cidadela de Sisteron, tão impressionantes hoje que no 5 de Março 1815

À Malijai, o antigo castelo ,onde o Napoleão dormiu, hoje virou a prefeitura.  A etapa foi curta, tinha que passar por Volonne – onde uma placa e o nome do bar lembram o episódio, para atravessar a antiga ponte do Rio Durance e  a espetacular cidade-fortaleza de Sisteron.  Cercada pelas montanhas cobertas de neve, a estrada segue para Gap que fez uma recepção calorosa a tropa imperial, lembrada no então albergue com uma águia e uma fresca da epopéia na faixada, além de uma inscrição comemorativa. Ao longo da rota, as placas, colunas, estatuas e monumentos se multiplicam, lembrando o entusiasmo crescente das multidões em La Fare, em Corps, La Mure e Laffrey, últimas paradas antes de chegar em Grenoble.

Em Grand Serre, a floresta desenhando uma águia sob o olhar do Napoleão

Foi antes de Grenoble, que o Napoleão selou a epopéia. No campo do Encontro, ele avançou sozinho na frente das tropas monarquistas e falou “Sou eu! Se tem aqui um soldado que quer matar o seu Imperador, que atire agora”. Tremendo de emoção, os soldados dos dois lados se abraçam nos gritos de “Vive l’Empereur”. O momento histórico é lembrado hoje com uma estátua de Napoleão olhando a águia desenhada na floresta da montanha de Grand Serre. Foi mesmo o Imperador que os habitantes receberam em Grenoble carregando as portas da cidade que o prefeito não queria abrir. Indo dormir na albergue dos Trois-Dauphins, tendo agora um exército de 7000 homens, Napoleão anunciou que chegaria em Paris em dez dias. Encerrava a epopéia da Rota Napoleão, passava a História, começava o turismo. Viva o Bicentenário!

De carro, a pé, a cavalo, de moto, a paisana ou com uniformes da época, cada um pode escolher a sua forma de percorrer a Rota Napoleão

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Categorias: Historias, Leituras
Tags: Ajaccio, Antibes Juan les Pins, Cannes, Elba, Geoparc, Grenoble, Lyon, Napoleão, Napoleon, Santa Helena, UNESCO, Victor Hugo
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