Numa época não muito distante, as grandes companhias aéreas só dependiam de grandes destinos, de grandes mercados e da notoriedade herdada desde a era dos seus pioneiros. Foi na Europa principalmente o caso da Air France, da Lufthansa e da British Airways que dominaram o crescimento da aviação até os últimos anos.
Na Europa as companhias low-cost, lideradas pela Ryan Air e Easy Jet, jà abocanharam em 2013 mais de 32% do mercado. Nas distancias de menos de três horas, lá onde os trens bala (o TGV francês ou seus concorrentes alemão ou espanhol) também ameaçam os voos tradicionais, a única chance para Lufthansa ou Air France é de desenvolver as suas próprias filiais low cost. Já estão investindo na Transavia ou na GermanWings , assumindo o risco de enfrentar os poderosos sindicatos de pilotos.
Mas é provavelmente frente ao Qatar, aos Emirados ou a Turquia que acontecerá a grande briga para o futuro das três maiores companhias europeias. Cada semana a Qatar Airways, a Emirates ou a Etihad são noticias de grandes jornais ou de revistas internacionais. Elas compram aparelhos novos, abram rotas cada vez mais distantes – inclusive no Brasil-, e ganham prêmios pela qualidade excepcional dos seus serviços de bordo. A concorrência é em parte desleal: essas companhias tem dinheiro a custo zero para comprar aviões novos, seu combustível tem preços baixíssimos, e os aeroportos do Golfo tem tarifas muito especiais. Podem parecer companhias piratas, mas não se pode também negar que elas tem verdadeiros vantagens, não somente em termo de produtos, mas também pela eficiência dos seus hubs, especialmente entre a Europa e a Asia.
O paradoxo é que a Air France ou a Lufthansa foram as primeiras a inventar hubs muito sofisticados, apostando numa dinâmica de conexões e não mais (ou não somente) numa lógica de mercados.
Para alimentar esses hubs de Doha, Dubai, Abu Dhabi ou até Istambul, as companhias do Oriente Médio não somente multiplicam os voos mas também investem em companhias europeias. Etihad já é o maior acionista da Air Berlin e da Alitalia, certamente com a intenção de consolidar sua plataforma de Abu Dhabi.
Air France, British e Lufthansa estão assim frente ao enorme desafio, um luta pela sobrevivência que preocupa seus dirigentes e que deixam alguns observadores convencidos que algumas alianças ou fusões ainda podem aparecer seguindo os acontecimentos vistos nos Estados Unidos.
Jean Philippe Pérol
Esse artigo é uma tradução e uma adaptação dum artigo original do Serge Fabre publicado na revista profissional on line PAGTOUR. Para acesso direto ao artigo original em francês, por favor clicar aqui.
