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Em Versailles ou no Louvre, o underturismo ameaça o patrimônio cultural e histórico nacional

jpperol
6 anos atrás

O castelo de Versalhes ainda esperando americanos, chineses e brasileiros …

Sempre apavorados com o overturismo, e ainda muitas vezes desconfiados  com o próprio turismo, os gestores dos maiores patrimônios históricos e culturais estão agora sofrendo com a crise. Com a Organização Mundial do Turismo prevendo uma queda de até 78% do turismo internacional, a previsão de perda de arrecadação é tal que levou a presidente do Castelo de Versalhes, Catherine Pegard, a falar de uma ameaça ao modelo econômico que foi seguido em quase todos os países do mundo, e que fez das receitas turísticas domésticas e internacionais a fonte de renda principal – e as vezes única- de castelos, museus e monumentos.

A Galeria das Batalhas pode ser reservadas para eventos exclusivos

Antes da Covid19, o sucesso do palácio que consagrou a glória de Luis XIV junto a clientela internacional impressionava. So mente 21% dos mais de 8 milhões de visitantes eram franceses, e mais da metade vinham de fora da União Européia: 15% de norte americanos, 10% de chineses, 4% de brasileiros, seguidos de japoneses e sul coreanos. Fechado durante 82 dias pela primeira vez desde a segunda guerra, Versalhes reabriu no dia 6 de junho, mas, restritas agora aos franceses e a alguns residentes de países vizinhos, Alemanha e Holanda, as entradas desde essa reabertura não passaram de 10.000 por dia contre  30.000 em tempos normais, e o prejuízo desse ano já chega a 45 milhões de euros.

O Louvre reabriu, mas com 75% de visitantes a menos

O museu do Louvre está enfrentando o mesmo problema. Teve também um sucesso excepcional em 2019 com 9,6 milhões de visitantes, um recorde, especialmente considerando que o museu favoreceu as reservas on-line para controlar os fluxos e diminuir os picos de frequentação. Como em Versalhes, os estrangeiros representaram mais de 75% das entradas, sendo os principais países de origem os Estados Unidos, a China, a Itália, o Brasil e a Austrália. Esse ano, fechado durante três meses até o dia 6 de julho, o museu só conta com os franceses, os alemães, os belgas e os holandeses, e a previsão da diretoria é de 75% de visitas a menos para esse ano.

Para o Louvre, Versalhes e todos os monumentos cuja economia é muito dependente das visitas, a crise leva mesmo a reconsiderar o modelo. Com gastos de manutenção altíssimos, com um pessoal fixo numeroso e qualificado (1000 funcionários em Versalhes, 2300 no Louvre), é impossível fazer os reajustes necessários sem comprometer o patrimônio cultural e histórico que deve ser protegido. Várias idéias já estão sendo desenvolvidas, como aumentar os fluxos de moradores – incluindo escolares e estudantes-, ou criar serviços turísticos mais exclusivos com tarifas mais altas, mas o carácter aleatório dos fluxos, e o risco durável do underturismo, devem sem dúvidas obrigar os governos a prever orçamentos mais apropriados para conservar e valorizar os seus patrimônios nacionais.  

Jean-Philippe Pérol

 

 

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Categorias: Editoriais
Tags: jean-philippe perol, Louvre, OMT, Paris, turismo, turismo cultural, underturismo, versailles, Versalhes
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