Desde que foi descoberta em 1722 , essa Ilha perdida, a 3600 km das costas chilenas e a 4000 km de Tahiti, sempre fascinou os seus visitantes.
Esperando uma paisagem quase deserta depois do desastre ecológico que marcou o fim da era dos Moai, o viajante fica surpreso com as plantações de eucaliptos, com a onipresença das flores e com o trabalho de preservação das espécies nativas nos três vulcões da ilha. Surpresa também é a pequena praia, a mesma onde desembarcaram o rei Hotu Matua e os primeiros polinésios. Os seis moai que dominam as dunas estão virando as costas, mas, com areia branca e ondas turquesa, o lugar é o convite ao mergulho para quem não tem medo de água fria.
Os momentos mais fortes para o viajante são os encontros com os Moai. Nos arredores da “fábrica”, eles parecem um exército de gigantes saindo do solo para enfrentar um inimigo vindo do mar. Ainda deitados na pedreira, outros nos deixam imaginar a violência da crise ecológica e humana que varreu esse período da civilização Rapa Nui.
Cercado por esse passado de grandezas e de tragédias – em 1900, só tinham sobrevivido 111 ilhenos-, o visitante fica impressionado pela sobrevivência e a força da cultura Rapa Nui. Reforçados com imigrantes vindos da Polinésia francesa, os pascuanos mantiveram a sua língua, seu artesanato e muitas das suas tradições. Se o sentido dos petroglifos se perdeu, a História tão peculiar da Ilha é um patrimônio que os habitantes dividam com prazer e orgulho.
Com muitas opções de hospedagem – do muito bem pensado Hanga Roa Eco village and Spa, com sua arquitetura inspirada de Orongo e das ocas tradicionais, até um acampamento de barracas-, a Ilha oferece também uma grande escolha de pequenos bares e restaurantes, incluindo dois franceses, o “Au bout du monde” e a “Taverne du Pêcheur”, todos com uma qualidade surpreendente considerando as dificuldades de abastecimento.
Jean-Philippe Pérol

