Em Estrasburgo, um surpreendente ” Château Vodou”

A antiga caixa d’agua que virou museu de vodu

Se os visitantes sempre souberam ver a religiosidade da Alsácia na impressionante catedral Nossa Senhora de Estrasburgo, uma surpreendente homenagem as religiões africanas se esconde a 500 metros da “Petite France”, perto da estação de trens. Dentro de uma antiga caixa d’agua, foi aí que um Alsaciano apaixonado, Marc Arbogast, então diretor das cervejarias Fisher e Adelshoffen, abriu em 2014 um “Musée Vodou” abrigando a maior coleção do gênero na Europa com mais de 1200 peças trazidas de viagens no Gana, no Togo, no Benim ou na Nigéria. Um mergulho num mundo mágico que se espalhou da Costa da Mina para o litoral brasileiro.

Interior do Museu do “Château Vodou”

Administrado pela Associação dos Amigos do Museu Vodu, o “Château Vodou”  quer dar aos visitantes uma nova visão dessa religião nascida do encontro dos cultos iorubá, fon e éwé, e cuja filosofia sofisticada foi muito tempo escondida pelas caricaturas encontradas na literatura e no cinema ocidental. Deixando do lado a expansão do “vodu” em Haiti, em Cuba, na Louisiana e no Brasil, o museu é focado nos cultos praticados na Africa Ocidental desde o século XVII, na auge do reinado fon do Daomé (atual Benim), incluindo também as suas peculiares influências dos monoteísmos vindo da Europa ou da Africa do Norte.

O Château Vodou apresenta exclusivamente peças, máscaras, roupas ou estátuas ligadas as praticas religiosas e as cerimônias marcando todas as fases da vida -nascimento, casamento, funerais- bem como culto dos ancestrais, adivinhação, medicina, e até bruxaria com as famosas bonequinhas coloridas furadas com agulhas.  Os curadores do museu tiveram um cuidado especial para mostrar a atualidade do “vodu” através de muitas peças da segunda metade do século XX, algumas delas – por exemplo os “asen”, pedras para túmulos com cruzes cristãs ou crescentes islámicos- mostrando novas tendências de sincretismo.

Os animais são muito presentes na mitologia “vodu”

O “vodu” tem raizes no dia a dia dos seus seguidores, as vezes com toques de humor. Para calar os seus adversários, um artista montou um bico de pato fechado com cadeado chamado de “Ferme-ta-gueule” (Cala a boca). Uma estátua chamada “bla-bocio” representa uma casal enfeitado com pérolas e búzios, sendo um remedio milagroso para resolver todos os seus problemas conjuguais. E, para espantar o mau olhar e proteger a coleção, Marc Arbogast encomendou para um pai de santo do Benim um Kelessi, único ídolo “vivo” do Museu, que recebe agua e peças de moeda dos visitantes. Mesmo em Estrasburgo, nunca se sabe….

O Kelessi, protetor do Museu

O Kelessi, único ídolo vivo e protetor do Museu

Alem da exposição permanente, o Museu apresenta exposições temporarias, atualmente “Magia religiosa e poderes dos bruxos”.

 

 

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